sábado, 30 de outubro de 2010

Tarifa máxima para trem-bala está mantida em R$ 0,49 por quilômetro

29/10/2010 - Bol Notícias

SÃO PAULO – A tarifa do Trem de Alta Velocidade (TAV) não poderá ultrapassar R$ 0,49 por quilômetro. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) definiu o valor em edital publicado na quarta-feira (27), que obriga as empresas interessadas em participar da licitação para construção da obra a determinarem este como o valor máximo a ser cobrado dos passageiros.

Para o trajeto completo, com extensão total de 511 quilômetros, a tarifa na classe econômica ficaria em aproximadamente R$ 250. Vencerá a licitação a empresa que apresentar a proposta com o menor valor de tarifa.

De acordo com o edital, a concessionária vencedora terá como remuneração, além da tarifa cobrada, a exploração econômica das estações e receitas extraordinárias, caso ocorram.

As propostas e demais documentos necessários à participação no leilão serão recebidos até o dia 29 de novembro de 2010. A abertura das propostas será realizada em sessão pública no dia 16 de dezembro, quando a vencedora deve ser conhecida.

TAV

O TAV deve passar por ao menos oito estações, ligando as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas e percorrendo os aeroportos do Galeão (RJ), Cumbica (Guarulhos, SP) e Viracopos (Campinas, SP). Somente o tempo do percurso do trecho entre as capitais paulista e carioca deve ser de 1 hora e 33 minutos. O trem deve rodar à velocidade de 350 quilômetros por hora.

De acordo com o relatório da ANTT, aprovado pelo TCU, a receita operacional bruta do empreendimento será de R$ 192,7 bilhões durante os 40 anos de vigência da concessão. Por ano, estima-se que 18 milhões de pessoas poderão circular anualmente nessa ferrovia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

TAV: regra para financiamento sai em uma semana

28/10/2010 - Correio Popular (SP)

O governo vai divulgar em uma semana as condições para o financiamento do trem de alta velocidade (TAV) que irá ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, informou ontem o superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Hélio Mauro França. Às vésperas de apresentarem a documentação na disputa pela concessão do transporte rápido, os consórcios reclamam da ausência de informações que, segundo eles, são essenciais para montar a proposta de preço. Eles devem entregar as propostas no dia 29 de novembro.

França disse, durante a audiência de esclarecimento sobre o edital de licitação, ocorrida na manhã de ontem na BM&FBovespa, em São Paulo, que as condições de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não terão variações importantes sobre o que foi anteriormente divulgado. A audiência, que lotou o auditório, durou cerca de dez minutos. Apenas uma pergunta foi feita - se haveria prorrogação de prazo para esclarecimento das dúvidas, que vence na próxima segunda-feira. O prazo será prorrogado para 16 de novembro.

A ANTT divulgou ontem, em seu site na internet, uma série de correções no edital de licitação que visaram, segundo França, a acertos de redação para dar mais clareza ao texto. O advogado Adelmo Emerenciano, do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, que está na assessoria jurídica de um dos grupos internacionais que irão disputar o leilão, disse que as mudanças não foram relevantes. "O que interessa nesse momento a todos os consórcios é conhecer as regras de financiamento e isso está demorando muito para sair", afirmou.

Interessa aos grupos saber o período de carência, juros, prazos e condições de garantias. A preocupação é comum às empresas chinesas, espanholas, francesas, sul-coreanas, alemãs, japonesas e italianas interessadas em disputar o leilão. Na audiência de ontem, representantes comentaram que o governo está atrasando demais a divulgação das regras de financiamento. No estudo de viabilidade do trem de alta velocidade, divulgado no ano passado, o BNDES informou que estava disposta a financiar R$ 20,8 bilhões com carência de cinco anos e prazo de pagamento de 30 anos, com taxa de juros de longo prazo (TJLP) mais 1% e índice de cobertura do serviço da dívida (ICSD) de 1,2%.


Edital

No edital de licitação está definido que a concessionária poderá pleitear financiamento com recursos públicos de duas maneiras, mas optando pelo valor menor: ou requerer financiamento para 60,3% do valor dos investimentos a serem realizados pela proponente ou R$ 19,9 bilhões de forma parcelada, conforme as necessidades para a realização do projeto e a comprovação da aplicação dos recursos já liberados, bem como comprovação de integralização de parcela correspondente de capital próprio.

Em 29 de novembro, grupos que pretendem participar da disputa pelo TAV deverão apresentar os documentos com as garantias da proposta, os documentos de pré-qualificação, a proposta econômica, a qualificação, e o plano de negócios e metodologia de execução. A garantia da proposta está fixada em R$ 340 milhões e poderá ser feita em dinheiro, em títulos públicos federais, apólices de seguro ou carta de fiança bancária. No mesmo dia ocorrerá a divulgação das garantias recusadas no site da ANTT. No dia 30 de novembro será feita a análise dos documentos das proponentes que tiveram as garantias aceitas e dia 1º de dezembro sai a publicação do julgamento de pré-qualificação.

A abertura das propostas econômicas será feita no dia 16 de dezembro em sessão pública no Bovespa. Vence que apresentar a menor tarifa, limitada a R$ 0,49 por quilômetros. Havendo empate, ganha a licitação quem tiver mais tempo de operação de um completo sistema de TAV. No dia seguinte, ocorrerá a análise dos documentos da proponente classificada em primeiro lugar, com a publicação do resultado do julgamento da proposta econômica e documentos no dia 18 de janeiro.

A homologação do leilão será em 9 de fevereiro e o vencedor terá 90 dias para comprovar o atendimento das condições prévias à assinatura do contrato de concessão.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Regras para trem-bala ainda têm lacuna

28/10/2010 - Folha de S.Paulo

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) fez ontem em São Paulo a terceira reunião de esclarecimento sobre o edital de concessão do trem-bala, mas não explicou o financiamento público do projeto.

Trata-se da principal dúvida dos interessados na obra, orçada em R$ 33,1 bilhões. Pelo edital, o BNDES vai financiar 60% ou até R$ 19,9 bilhões (o que for menor) da ferrovia ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Mas, a apenas 32 dias do início do leilão, o banco estatal ainda não divulgou os termos e as condições desse financiamento.

CAPITALIZAÇÃO

Apesar de o BNDES já ter dado informações genéricas dessas regras, a falta de formalização impede os consórcios de fecharem suas contas. Como o governo fez estudos de viabilidade não conclusivos do trem-bala, as contas que vão valer são as que os consórcios apresentarem no leilão.

O BNDES informa que não há razão para ainda não ter divulgado as regras. A Folha apurou que o motivo é que o banco necessita se capitalizar ainda mais para poder fazer o empréstimo.

Essa capitalização depende da edição de uma medida provisória destinando mais recursos públicos para o banco. A medida poderá sair ainda nesta semana.

A falta das regras de financiamento, a não votação no Congresso Nacional do projeto de lei que cria a estatal que será sócia do vencedor do leilão e a falta de clareza de como os fundos de pensão vão participar do negócio fazem com que parte dos interessados pressione para o adiamento do leilão.

As empresas alegam que o tempo para que apresentem os estudos reais do projeto (cinco meses) foi curto. O estudo do governo, que ele mesmo não referenda para o negócio, demorou dois anos.

O empresário Guilherme Quintella, que formou um fundo de investimento para participar do projeto, afirmou que há empresas que demonstram interesse em construir e operar o trem-bala, mas que não terão tempo, após a publicação dos termos do empréstimo, de submeter o projeto real às instâncias de decisão.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Valec considera 80% da Norte-Sul pronta

25/10/2010 - Jornal do Tocantins

O presidente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, José Francisco das Neves, o Juquinha, voltou a afirmar na manhã de ontem (22), durante café da manhã com a imprensa e prefeitos em Gurupi, a 243 quilômetros de Palmas, Sul do Estado, que até o dia 20 de dezembro o trecho da Ferrovia Norte-Sul que liga Aguiarnópolis, na divisa do Tocantins com o Maranhão, a Anápolis (GO), totalizando 1.359 quilômetros, será entregue. Para atingir esta meta, Juquinha informou que na maioria dos trechos em obras os operários estão trabalhando 24 horas para garantir o cronograma da ferrovia, considerada a maior da América Latina.

O presidente da Valec afirmou ainda que no trecho que liga Gurupi a Porangatu (GO), cerca de 3,3 mil homens estão trabalhando. “Nesta região já estão sendo colocados os trilhos. Temos 855 quilômetros de Palmas até Anápolis, onde 17 mil homens estão empregados, gerando ainda mais de 50 mil empregos indiretos”, computa. Juquinha garantiu que 80% da Norte-Sul estão concluídos. “Já temos 504 quilômetros inaugurados até Palmas, restando apenas um trecho de 355 quilômetros até Anápolis e isso vamos fazer até 20 de dezembro. Temos 1.000 quilômetros no chão”, salientou.

Além de construir a ferrovia, a Valec agora passa a negociar a capacidade de transporte de carga do trecho de Palmas a Anápolis. Segundo Juquinha, no próximo dia 29 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai assinar a ordem de serviço da Ferrovia Leste-Oeste, que vai ligar Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO). “Nesta mesma data ele já coloca em ordem de serviço o trecho de Figueirópolis a Barreiras (BA)”, destaca.

O presidente da Valec disse que a instalação do pátio multimodal de Gurupi está sendo licitada. As empresas vencedoras terão direito a 15 anos de concessão, prorrogáveis por mais 15 anos. “Toda logística da ferrovia está completa”, disse. Prefeitos de municípios cortados pelo eixo da Norte-Sul puderam sobrevoar todo o trecho, desde a divisa do Tocantins com Goiás até Gurupi, em aeronave disponibilizada pela Valec.

domingo, 24 de outubro de 2010

Brascan avalia ampliação da Transnordestina como positiva para CSN

09/09/2010 - Brasil Econômico 

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) realizou uma apresentação ontem com analistas e investidores com o objetivo de dar maior visibilidade sobre a ferrovia Transnordestina.

Os pontos destacados pela corretora Brascan a respeito dessa operação são a capacidade atual de 1,5 milhões de toneladas/ano em uma malha ferroviária com 4.238 km de extensão, com 100 locomotivas e 1.743 vagões.

Em 2009, a receita bruta foi de R$ 81 milhões, com um volume de 1,47 milhões de toneladas úteis transportadas; o projeto prevê uma expansão da atual malha em 1.728 km, que pode elevar a capacidade para 30 milhões de toneladas/ano.

A avaliação do analista da Brascan, Rodrigo Ferraz, foi positiva sobre o esclarecimento da companhia.

"Destacamos o grande potencial da região em relação a ativos de minério de ferro e grãos, com o desenvolvimento de um "novo" corredor logístico, a obtenção de todas as licenças de instalação para o novo trecho da ferrovia, diminuindo os riscos de execução do projeto, e a possibilidade de acessar linhas de crédito com taxas bastante competitivas, trazendo maior garantia de retorno ao projeto 2", aponta em relatório.

O analista mantém a recomendação de desempenho acima da média de mercado (outperform) para a CSNA3, com um preço-alvo de R$ 37,00 por ação.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ANTT realiza nova reunião sobre TAV dia 27 em SP

22/10/2010 - Revista Ferroviária 

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará no dia 27 de outubro, em São Paulo, mais uma reunião pública para esclarecimentos sobre o projeto do Trem de Alta Velocidade que ligará São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.

O encontro será das 10h às 13h, na Bovespa (Rua XV de Novembro, 275, 1º andar, Centro). Os interessados em participar do evento devem se inscrever no dia e local da reunião.

A reunião faz parte do processo licitatório do projeto, cujo leilão de concessão está marcado para 16 de dezembro, também na Bovespa, em São Paulo. A entrega das propostas está agendada para 29 de novembro, em Brasília.

Informações sobre o projeto podem ser obtidas através do site TAV Brasil.

Última chance para tirar dúvidas sobre o trem-bala

21/10/2010 - CNT

Foto: Presidência da República

Na próxima quarta-feira (27), a Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) realiza a terceira e última sessão de esclarecimentos do sobre o edital e a minuta de contrato do Trem de Alta Velocidade (TAV). O objetivo do encontro é tirar dúvidas sobre o processo licitatório que selecionará a operadora do trem-bala, que ligará as cidades do Rio de Janeiro (RJ) – São Paulo (SP) – Campinas (SP).

O encontro será realizado das 10h às 13h, na sede da BM&Bovespa, em São Paulo (SP), e as inscrições são limitadas a 120 participantes. Os interessados em fazer exposições orais devem se inscrever no ato do credenciamento. A participação é limitada a cinco minutos por pessoa. As inscrições serão feitas no dia do evento.

Sobre trilhos

O projeto do trem-bala prevê a utilização de um veículo sobre trilhos que transitará na velocidade média de 250 km/h em 93 minutos, na linha mais rápida, e está estimado em R$ 34 bilhões. O edital de leilão foi publicado pela ANTT no dia 14 de julhoe as propostas serão abertas no dia 16 de dezembro deste ano. A previsão é de que as obras tenham início no final de 2011 e de que o trecho São Paulo – Campinas fique pronto até a Copa de 2014. 

Serviço:
27 de outubro, das 10h às 13h
Auditório Abelardo da BM&Bovespa
Rua XV de novembro, 275, 1º andar, Centro, São Paulo

Mais informações no site do TAV Brasil.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lula libera R$ 1 bilhão para Transnordestina

20/10/2010 - Jornal do Comércio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a liberação de mais R$ 1 bilhão para as obras da Ferrovia Transnordestina, que estão sendo tocadas nos Estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. Segundo o governo, o aporte vai possibilitar o início dos serviços nos últimos trechos da ferrovia no próximo dia 10 de dezembro. Nesta mesma dada, o presidente Lula fará um pequeno trajeto, com um trem adaptado, na parte que já está pronta entre Salgueiro (PE) e Missão Velha (CE).

“A obra está andando numa velocidade grande. Para se ter uma idéia, são R$ 120 milhões por mês que a Odebretch está executando”, comentou o superintendente da Sudene, Paulo Fontana, que estava presente na reunião de ontem em Brasília, quando foi feito o anúncio de mais verbas. Também participaram os governadores Eduardo Campos e Cid Gomes, do Ceará, além do ex-governador do Piauí e senador eleito, Wellington Dias.

Eduardo Campos disse que não há problemas no repasse de recursos até agora. Do custo total de R$ 5,4 bilhões, o governo federal já desembolsou R$ 1,2 bi.

Paulo Fontana informou também que, para a obra caminhar plenamente, faltam apenas três trechos no Piauí para serem desapropriados e outros 24 quilômetros na área de Pernambuco, próxima ao Porto de Suape. “O presidente garantiu que todos os lotes que faltam do Ceará (entre Missão Velha e o Porto de Pecém) serão assinados até 10 de dezembro”, disse. O superintendente disse ainda que a central de 12 linhas de produção de dormentes em Salgueiro (“a maior do mundo”) estará operando com 50% da capacidade até o final deste mês e com 100% até o final do ano, quando passará a produzir 4.000 dormentes por dia.

A Odebretch detém cerca de 90% da obra e está trabalhando no trecho de Salgueiro até Suape, em Pernambuco, e Salgueiro até Eliseu Martins (PI), além de Missão Velha até Aurora (dois municípios cearenses). “Temos cinco lotes no Piauí e um no Ceará que estão em obras. Em Pernambuco, dos nove, cinco estão avançando e isso faz parte do cronograma”, salientou o engenheiro da Odebretch, Paulo Falcão.

Segundo ele, desde o início dos trabalhos, em 2008, não houve descontinuidade na obra. “Antes do início houve atraso por causa de licenças e desapropriações. Reprogramamos para recuperar esse tempo e a demora já foi compensada”, disse. A Odebretch tem em seus canteiros da Transnordestina mais de 10 mil homens e 1.300 equipamentos. A ferrovia terá 1.700 quilômetros de extensão e está prevista para ser concluída em outubro de 2012.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lançado o edital do projeto básico da Ferrofrango

13/10/2010 - Revista Ferroviária 

O DNIT publicou na segunda-feira (11) a licitação para o projeto básico da Ferrofrango (Corredor Ferroviário de Santa Catarina), que ligará Itajaí a Chapecó, ambas em Santa Catarina. O trecho é de 622,4 km.

O edital poderá ser adquirido a partir de hoje (13) no site do DNIT ou na Coordenação Geral de Cadastros e Licitações (SAN, Quadra 03, Bloco A, Mezanino Sul, Brasília, DF).

A entrega das propostas está marcada para 01 de dezembro, em Brasília. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (61)3315-4892.

No projeto básico deverá constar a estimativa do custo global da ferrovia. No traçado previsto constam mais de 100 pontes ferroviárias, mais de 30 viadutos rodoviários e mais de 70 viadutos ferroviários. As informações do traçado de implantação da ferrovia são com base no estudo de viabilidade técnica feito pelo DNIT.

O valor para a execução do projeto básico é de cerca de R$ 30 milhões.

O DNIT já tinha lançado o edital para o EIA-Rima da Ferrofrango, mas a licitação foi suspensa no final de setembro por conter irregularidades na avaliação das propostas. Não há previsão de lançamento do novo edital.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Consultor do Senado critica TAV

11/10/2010 - O Estado de S. Paulo

O projeto do trem-bala brasileiro é um caso clássico de má qualidade da gestão de investimentos públicos. É assim que o doutor em Economia pela Universidade de São Paulo e consultor legislativo do Senado, Marcos Mendes, qualifica o mirabolante programa do governo Lula de construção do sistema de trem de alta velocidade (TAV) ligando São Paulo e Rio de Janeiro, com extensão até a região de Campinas. Mendes faz severas críticas ao projeto, todas de natureza técnica, que colocam em séria dúvida a possibilidade de sua execução e operação nas condições definidas pelo governo.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem rebatido todas as críticas ao projeto do trem-bala e seu presidente, Bernardo Figueiredo, disse ao jornal Valor que todas as etapas programadas serão cumpridas, até a assinatura do contrato. De acordo com edital já publicado, as empresas interessadas em construir e operar o sistema deverão apresentar suas propostas até o dia 29 de novembro; o leilão está marcado para o dia 16 de dezembro.

O irrealismo e a inviabilidade do projeto da maneira como o governo o concebeu ficam nítidos no estudo de Marcos Mendes, publicado pelo Centro de Estudos da Consultoria do Senado.

O consultor questiona, em primeiro lugar, a decisão do governo de construir o TAV sem levar em consideração alternativas mais baratas, mais eficazes e menos arriscadas, técnica e financeiramente, para resolver os problemas identificados. Na verdade, como mostra Mendes em seu estudo, nem mesmo os principais problemas que o TAV deveria resolver foram apontados pelo governo.

Se o problema que incomodava o governo - além de sua necessidade de fazer propaganda política - eram os congestionamentos e os riscos de acidentes rodoviários e aéreos entre São Paulo e Rio de Janeiro, haveria outras soluções. Entre elas, o estudo relaciona o trem de velocidade intermediária, a recuperação e ampliação da ligação rodoviária e mudanças na estrutura aeroportuária e no sistema de distribuição de voos entre aeroportos.

Sem analisar essas alternativas, o governo escolheu o TAV, mas seu projeto, como aponta Mendes, tem falhas críticas que o tornam uma escolha de riscos muito altos, sobretudo para o Tesouro Nacional. Em outras experiências internacionais, a participação do setor público foi inevitável. No caso do TAV brasileiro, porém, observa o consultor do Senado, essa participação será excessiva em termos financeiros. Por ser um projeto tão grande que não poderá falhar ou ser interrompido depois de iniciado, imporá ao setor público a obrigatoriedade de assumir custos e operações no caso de fracasso da operação privada.

São frágeis os parâmetros nos quais se basearam os cálculos financeiros do projeto. O custo por quilômetro construído adotado no TAV brasileiro, de US$ 33,4 milhões, é inferior ao padrão internacional aferido por Mendes, que varia de US$ 35 milhões a US$ 70 milhões. E a construção do trem-bala brasileiro envolverá dificuldades maiores do que as dos sistemas de outros países, como o desnível entre Rio e São Paulo (cerca de 760 metros), a necessidade de construção de 39% da linha em túneis e viadutos, o cruzamento de terrenos de alto custo de desapropriação (pois a linha passará por áreas de alta densidade populacional) e o impacto ambiental (áreas da Mata Atlântica serão cortadas pela ferrovia) que exigirá compensações.

Mesmo que tudo isso seja superado, resta a dúvida sobre a viabilidade econômico-financeira do TAV. A demanda prevista para o trecho São Paulo-Rio é de 6,4 milhões de passageiros por ano. Em alguns trechos, a demanda estimada é maior (entre Campinas e São Paulo, é de 12,4 milhões de passageiros por ano), mas ainda assim inferior à considerada internacionalmente indispensável para cobrir os custos operacionais, como constatou o consultor do Senado. A conta não inclui a amortização dos investimentos.

Ainda assim, haverá grupos privados interessados no TAV? E se o candidato da oposição, José Serra, notório crítico do trem-bala brasileiro, for vitorioso em 31 de outubro, como ficará o projeto?

Valec abre concorrência para estudos da Norte-Sul


08/10/2010 - Transporte Idéias

A Valec abriu nesta semana a concorrência para estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental (AVTEA) da Ferrovia Norte-Sul, no trecho Açailândia (MA) – Belém (PA). As informações são da edição online da “Revista Ferroviária”.

O vencedor será aquele que atender aos requisitos de habilitação e tenha apresentado melhor técnica e preço. O preço máximo estabelecido pela Valec para a execução dos serviços é de R$ 3.789.858,85.

O edital está disponível para consulta no site da Valec.

Estudo de consultores do Senado mostra riscos do TAV

08/10/2010 - Transporte Idéias

Com base em estudo de consultores do Senado, o projeto do primeiro trem de alta velocidade (TAV) brasileiro pode estar fadado ao fracasso, segundo o jornal “Valor Econômico”. A publicação mostra que o projeto do Brasil foi comparado com o de outros países.

O consultor Marcos Mendes, responsável pelo estudo, resumiu o problema: “É a crônica de um prejuízo anunciado”. O trabalho apresentado aponta alguns problemas, como o custo subestimado, demanda insuficiente, tarifa cara, falta de interconexão com outros meios de transporte e ausência de análise de projetos alternativos.

De acordo com o levantamento, o valor da obra (R$ 34,6 bilhões) está longe da realidade. O edital do TAV estima que o preço das obras por quilômetro rodado no país será de US$ 33,4 milhões, enquanto o padrão internacional fica entre US$ 35 milhões e US$ 70 milhões.

O relatório argumenta que não há razões para acreditar que o preço do Brasil ficará próximo do piso. Outro problema apontado é o traçado inclinado, já que a subida da Serra do Mar está incluída no percurso. Mais da metade do orçamento (52% - R$ 17,8 bilhões) está alocada na construção de túneis, pontes e viadutos.

A preocupação maior dos consórcios interessados, segundo o estudo, é saber se vai haver demanda suficiente para justificar o investimento. O projeto do Brasil espera fazer 6,4 milhões de viagens por ano entre São Paulo e Rio. Em outros países já foi notado que são necessárias pelo menos 20 milhões de viagens anuais para bancar apenas os custos operacionais.

Os grupos interessados no TAV brasileiro também têm outras preocupações. Uma delas é o fato de José Serra, candidato à presidência, ser um crítico do projeto.

domingo, 10 de outubro de 2010

O saudoso filé dos trens da Paulista

07/10/2010 - O Estado de São Paulo - Dias Lopes


Filé arcesp era a estrela do cardápio dos trens da Companhia Paulista de Estradas de Ferro


Os paulistas de duas gerações atrás recordam com saudade das viagens de trem que realizavam da capital para o interior e vice-versa. Ainda guardam na memória o conforto dos vagões de passageiros e a qualidade dos serviços. Além disso, recordam da pontualidade dos trens - podiam acertar os relógios quando eles entravam na estação. Referimo-nos especificamente aos trens da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, fundada em 1894 por fazendeiros e investidores para escoar o café plantado no Estado e facilitar a circulação das pessoas. Saíam da Estação da Luz e paravam em diversas cidades. O primeiro trecho da linha tronco, inaugurado em 1872, ligou Jundiaí a Campinas. Estatizada em 1961, dez anos depois a Companhia Paulista foi incorporada pela também governamental Fepasa. Sua extinção coincidiu com o desinteresse nacional pelo transporte ferroviário. Ignorando as lições da Europa e de outros lugares, onde os trens circulam até hoje rentáveis e modernos, decretamos sua morte. Foram considerados deficitários e ultrapassados. Ao Brasil "moderno" convinha privilegiar o transporte rodoviário.

Uma das lembranças mais fortes dos paulistas se refere ao Trem Azul, cujo nível de qualidade ainda não foi igualado no Brasil. O carro de elite Pullman, que transportava os passageiros abonados, era construído de aço de chapa dupla, a fim de eliminar o ruído externo. Tinha poltronas giratórias, luminárias individuais, janelas panorâmicas retangulares e ar condicionado, uma exclusividade na época. A Companhia Paulista o incorporou em 1928, quando trouxe dos Estados Unidos três vagões iguais, dotados desses luxos. Todos vieram montados, devido à complexidade técnica e às inovações apresentadas. Até hoje os ônibus do transporte rodoviário em São Paulo não superaram o luxo dos carros Pullman. É possível compará-los à classe executiva dos aviões de carreira. Também existiam os carros da primeira e segunda classe, igualmente confortáveis, o carro leito e o carro restaurante, no qual os homens não entravam sem paletó e onde a estrela do cardápio era o filé arcesp.

O jornalista e escritor Inácio de Loyola, natural de Araraquara, que muito viajou nos trens da Companhia Paulista, sugere que o prato seja considerado "comida tradicional de São Paulo". Nada mais justo. A receita nasceu e se consagrou nos trilhos do Estado. "Era um bife muito grande, com tomate, cebola, e vinha acompanhado de arroz", descreve Loyola. "Até hoje lembro do aroma." O prato surgiu para alimentar passageiros especiais: os viajantes comerciais, que consideravam caro o cardápio do trem. Portanto, tinha preço em conta. Logo conquistou a clientela toda. O nome arcesp veio da Associação dos Representantes Comerciais do Estado de São Paulo. A receita original se extraviou. Mas se pode reconstituí-la com os testemunhos nostálgicos dos antigos viajantes.

O filé arcesp tem parentesco com o bife que inúmeros brasileiros saboreiam em casa todos os dias. Entretanto, é preparado com filé mignon, uma carne diferenciada e particularmente macia, pois procede de um músculo que o boi não movimenta ao se locomover. Primeiro é frito na manteiga, sendo retirado da frigideira ao alcançar o ponto desejado. Vai para um recipiente mantido em local aquecido, para não esfriar. Então, a frigideira volta ao fogo só com rodelas de cebola. A seguir, recebe cenoura, batata, ervilha e tomate. Por último, o filé retorna à frigideira para incorporar o sabor do molho. Preparado assim, assemelha-se ao dos trens. Só não fica igual por falta de um ingrediente hoje impossível de encontrar: os trens da Companhia Paulista.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trem-bala é questionado em estudo do Senado

07/10/2010 - Portal 2014

Conclusão é que o TAV brasileiro teria custo subestimado, baixa demanda e tarifa alta demais


TAV brasileiro, mais caro que os de outros países (crédito: Arquivo)
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Ao comparar os planos para o trem de alta velocidade brasileiro (TAV) com os de outros países, um estudo de consultores do Senado apontou riscos que poderiam levar ao fracasso de sua construção no país.

A informação, divulgada nesta quinta-feira (7) pelo jornal "Valor Econômico", dá conta de vários problemas: custo subestimado, demanda insuficiente, tarifa cara, falta de interconexão com outros meios de transporte e ausência de análise de projetos alternativos. "É a crônica de um prejuízo anunciado", declarou ao jornal Marcos Mendes, consultor do Senado responsável pelo estudo.

Avaliado em R$ 34,6 bilhões, o trem-bala é de longe o projeto mais caro entre todas as obras em execução ou planejadas pelo governo, como, por exemplo, as relacionadas à construção e reforma dos doze estádios da Copa de 2014, calculadas em R$ 6,3 bilhões.

Baixa demanda
O estudo dos consultores do Senado começa por questionar o número de viagens que seriam realizadas por ano entre São Paulo e Rio de Janeiro, estimado em 6,4 milhões pelo projeto. "Para engordar o número brasileiro, o projeto passou a considerar trechos intermediários. Mas, então, por que o TAV não se limita, inicialmente, a alguns trechos, para depois avaliar seus resultados? Por que não considerar trens intermediários, de 160 km por hora, que custam entre 25% e 65% do TAV?", questiona Mendes.

Os pontos mal esclarecidos no projeto já estariam levando os consórcios a pesarem melhor sua participação na concorrência do governo, afirma a reportagem. É o caso da Siemens, companhia à frente do consórcio alemão, cujo diretor da divisão de mobilidade da companhia, Paulo Alvarenga, teria manifestado "dúvidas profundas" sobre a viabilidade do projeto e afirmado que o edital "é otimista demais".

Outro consórcio que busca respostas do governo brasileiro é o coreano. "Estudamos o projeto e chegamos a conclusões diferentes das do governo", diz Paulo Benites, presidente da Trends, empresa brasileira de engenharia que representa o grupo coreano no Brasil. Apesar das críticas do setor privado, o representante de um consórcio que preferiu não se identificar afirma que as empresas continuam trabalhando em seus projetos. "Essas queixas fazem parte do jogo", declarou o executivo.

Passagem cara demais
Outro ponto de conflito é o preço previsto para a passagem do trem-bala. A tarifa-teto fixada pelo edital, de R$ 0,49 (US$ 0,27) por quilômetro rodado, faria com que o percurso entre São Paulo e Rio custasse, no máximo, R$ 199,00 (passagem econômica). Mas no Japão, país que tem a passagem mais cara do mundo, a tarifa está fixada em US$ 0,25/quilômetro. "Agora compare o nível de renda da população do Japão e do Brasil", diz Mendes. "A verdade é que esse projeto só está olhando para o público que hoje viaja de avião, o que é insuficiente", acrescenta o consultor do Senado Federal.

As experiências internacionais apontam que o peso do investimento estatal costuma ser considerável. Dois anos atrás, quando se começou a falar no projeto, aponta o relatório do Senado, estimava-se custo total de R$ 16 bilhões para o TAV, aporte que seria 100% privado. "Já estamos em R$ 34 bilhões, sendo que R$ 20 bilhões sairão dos cofres do Tesouro para alimentar um financiamento subsidiado por meio do BNDES", diz Mendes. "Além disso, a estatal Etav, que será criada, entrará com com R$ 3,4 bilhões."

Cronograma do trem-bala
Com velocidade de mais de 300 km por hora, o trem-bala vai percorrer um trecho de 518 km entre Campinas (SP) e Rio de Janeiro, com seis paradas intermediárias. A previsão é que comece a funcionar em 2016, quando serão realizados os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Dentro de menos de dois meses, no dia 29 de novembro está marcada a entrega dos envelopes com as propostas para a sua construção.

O leilão que definirá o consórcio vencedor será realizado no dia 16 de dezembro, na sede da Bovespa. Empresas canadenses, sul-coreanas, japonesas, chinesas e francesas estariam na disputa.
 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CPTM licitará estudo de trem para Santos em novembro

04/10/2010 - Revista Ferroviária

A CPTM deve publicar em novembro o edital para contratar empresa que realizará o estudo para a implantação do trem regional entre São Paulo e Santos. 

Os estudos da implantação de um novo trem – que deverá ser concluído até o final de 2010 – deverão indicar o melhor percurso a ser adotado.

O Governo do Estado já fez um estudo preliminar do projeto, que apontou a possibilidade de utilizar a linha do antigo funicular ou mesmo construir uma nova linha para a Baixada Santista.

A idéia é utilizar trens com velocidades médias entre 120 e 150 km/h, que façam viagens entre 45 e 50 minutos, tanto no percurso para Santos como para Sorocaba - linha também em estudo.

Empresas como Siemens, CAF, Alstom e Bombardier já manifestaram interesse no projeto.

Confira na última edição da Revista Ferroviária a reportagem de capa sobre os trens regionais para Santos e Sorocaba - A volta dos trens regionais.