segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Revisão no modelo de ferrovias trava uso da norte-sul

22/11/2015- O Estado de SP

O desperdício de recursos que vê no transporte pelas águas também corre solto pelos trilhos. Há um ano em meio, a presidente Dilma Rousseff fez um passeio simbólico em uma locomotiva levada até a Ferrovia Norte-Sul para inaugurar um trecho de 855 km da malha, entre as cidades de Palmas (TO) e Anápolis (GO).

Do dia em que Dilma passeou no trecho até hoje, apenas um único trem de carga cruzou por ali, carregando minério de ferro na cidade de Gurupi (TO). No mais, a malha foi acessada como atalho para que 18 locomotivas da empresa de logística VLI chegassem até o trecho superior da Norte-Sul, onde a empresa opera, entre as cidades de Palmas e Açailândia (MA).

Segundo uma fonte que atua na gestão da Norte-Sul, diversos trechos da ferrovia já estão sendo cobertos pelo mato e há pontos em que a erosão do solo começa a prejudicar a segurança. A Valec, estatal federal responsável pela ferrovia, alega que tem realizado intervenções pontuais no traçado, mas o fato é que parte dos trabalhos de manutenção só vai ocorrer, de fato, quando se souber que algum trem passará por ali.

Há expectativas de que, ainda neste fim de ano, o trecho passe a ser parcialmente usado para transporte de algumas cargas da VLI. O funcionamento efetivo desse traçado da Norte-Sul, no entanto, ainda depende das definições sobre qual será, de uma vez por todas, o modelo de exploração comercial e de concessão da ferrovia.

Outro modelo. Depois de quatro anos de discussões para montar um modelo aberto e concorrencial da utilização da malha, o governo decidiu jogar tudo fora e voltar à tradicional concessão por monopólio, onde um único operador assume a malha e, se sobrar espaço e tempo nos trilhos, abre a ferrovia para outras empresas.

Ocorre que, agora, a concessão desse trecho pronto e feito 100% com dinheiro público está condicionada à construção de mais um traçado da ferrovia no extremo Norte do País, ligando Açailândia ao porto de Barcarena (PA). São 500 km de ferrovia em solo amazônico, em mata fechada e longe de estradas, o que dificulta as operações. São tantas as dificuldades desse trecho que o próprio governo, que originalmente queria estrear seu pacote de concessões com a oferta desse empreendimento, logo desistiu da ideia, porque não encontrou interessados.

Sem uso, o que poderia estaria estar gerando receita transforma-se num fardo que ajuda a pressionar ainda mais o caixa já combalido da Valec. Até setembro, segundo informações do presidente da Valec, Mário Rodrigues Júnior, a Valec acumulava R$ 600 milhões em dívidas com fornecedores.

A falta de recursos obrigou a empresa a se concentrar em obras de manutenção e reparos da estrutura que já existe. A falta de dinheiro obrigou a empresa a adiar a compra de trilhos da China que adquiriu para tocar outro projeto, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, além de ver sua força de trabalho cair de 5,6 mil para 2,9 mil funcionários, em todo o traçado da malha baiana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Marconi mostra proposta para agilizar trem Goiânia-Brasília

19/11/2015  – ANTP – São Paulo/SP

O governador Marconi Perillo propôs nesta quarta-feira ao presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, em Brasília, prioridade absoluta para construção de um trem de passageiros ligando Goiânia a Brasília. A sugestão apresentada pelo governador, como forma de viabilizar a obra, é a elaboração de projeto executivo que prevê a construção de forma modular.

Na primeira fase seria construída uma linha férrea ligando Goiânia a Brasília, exclusivamente para o transporte de passageiros. Numa segunda etapa seria instalado um ramal para Águas Lindas, integrações com o sistema de transporte urbano do Entorno de Brasília e, por último, a viabilização do transporte de cargas, com uma possível ligação da linha com a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico).

O governador pediu urgência na elaboração do projeto executivo, que deverá apresentar as contrapartidas financeiras de Goiás, Distrito Federal e União. “É preciso deixar claro qual é o montante de recursos que caberá a cada um dos entes federativos”, argumentou Marconi.

Durante a reunião na ANTT, foi apresentado a ele o projeto de viabilidade econômico-financeiro da ferrovia. De acordo com os dados técnicos, o transporte somente de passageiros é hoje mais viável do que a combinação com transporte de cargas, porque exigiria um aporte de recursos mais em conta.

O estudo revelou também que o transporte de cargas só se viabilizaria se forem construídos ramais para ligá-la a outras ferrovias, como a Norte-Sul. A previsão é de que 90 milhões de passageiros ao ano utilizariam a ferrovia, cujo trajeto proposto seria: Goiânia, Anápolis, Águas Lindas, Brasília e Santo Antônio do Descoberto. Caso seja incluído o transporte de cargas, o projeto de viabilidade técnica concluiu que serão necessárias Parcerias Público Privadas (PPPs).

A princípio seriam construídas estações em Goiânia, Anápolis, Águas Lindas, Brasília e Santo Antônio do Descoberto. O governador sugeriu na reunião a construção de pelo menos mais uma estação, entre Abadiânia e Alexânia, para aumentar a função social da ferrovia.

“Esse projeto é prioridade absoluta”, disse o governador ao presidente da ANTT, ressaltando que a elaboração do projeto executivo e sua consequente licitação vão permitir que a União, Goiás e o Distrito Federal saibam quanto devem investir na obra. O presidente da ANTT, Jorge Bastos, afirmou que será apresentado em breve ao governador o projeto técnico na modelagem proposta por Marconi.

Ainda na ANTT, cobrou solução para o problema dos acessos ao novo aeroporto de Goiânia, com a construção de mais um viaduto na BR-153. Ouviu do presidente da ANTT que as obras já foram licitadas e devem começar em breve. Marconi lembrou que corre-se o risco de se terminar a obra física do novo terminal sem que sejam concluídos os acessos.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Extensão da Norte-Sul até o MS é orçada em R$ 2,5 bi

09/11/2015 - Valor Econômico

O governo pretende realizar ainda este mês a audiência pública que vai discutir a concessão à iniciativa privada do trecho da Ferrovia Norte-Sul (FNS) entre as cidades de Anápolis (GO) e Três Lagoas (MS). De acordo com o Ministério dos Transportes, os estudos técnicos já foram concluídos. Após a audiência pública, o material será enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), a quem caberá dar o sinal verde para a publicação do edital.

Segundo apurou o Valor, os estudos feitos pela Zeta Engenharia e depois aperfeiçoados pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL) apontaram para um investimento mínimo de R$ 2,5 bilhões somente para a construção da infraestrutura do trecho entre Três Lagoas e a cidade de Estrela D'Oeste, no interior paulista. A cifra, no entanto, poderá chegar a R$ 3,5 bilhões, segundo informações de técnicos envolvidos no projeto. Ainda assim, objetivo é que o custo não passe dos R$ 10 milhões por quilômetro, valor considerado razoável pelo governo. A ligação entre Três Lagoas e Estrela D'Oeste terá, de acordo com estudos, algo próximo de 285 km.

Além da construção desse trecho, a concessionária vencedora terá que investir no ramal entre Estrela D'Oeste e Anápolis, tocado até agora pela estatal Valec e que está com 90% de execução.


Também entram na conta a aquisição do material rodante (trens e vagões) e os demais custos inerentes à operação da estrada de ferro. Ainda não há estimativa oficial para o investimento total, mas a quantia deve superar os R$ 4,9 bilhões anunciados em junho pela presidente Dilma Rousseff.

Segundo está previsto no Programa de Investimentos em Logística (PIL), os quase 900 km que separam Anápolis e Três Lagoas vão ser concedidos pelo sistema vertical, ou seja, a mesma empresa vai construir a infraestrutura e operar a ferrovia. O cronograma do governo prevê que o leilão do trecho seja realizado no primeiro semestre de 2016.

O planejamento anterior da Norte-Sul previa um traçado um pouco diferente. O ramal que sai de Estrela D'Oeste no sentido sul terminaria no município paulista de Panorama, que fica próxima de Três Lagoas. As duas cidades ficam às margens do rio Paraná e integram um importante polo agroindustrial, cuja produção poderá ser escoada pelos trilhos até os principais portos da região Norte do país.

Um estudo finalizado pela Valec em 2012 estimou custo de R$ 890 milhões para construção de 264 km de trilhos entre Estrela D'Oeste e Panorama. O valor é quase três vezes inferior ao mínimo projetado para levar a ferrovia até a vizinha Três Lagoas.

O governo também está trabalhando na concessão do eixo norte da ferrovia. O Ministério dos Transportes recebeu há duas semanas os estudos para as obras da ligação entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA). A empresa que for construir esse trecho, orçado em R$ 7,8 bilhões, também poderá administrar o ramal que fica entre Anápolis e Palmas, construído pela Valec e inaugurado em 2014. A chegada da ferrovia a Barcarena vai possibilitar o transbordo da carga no Complexo Portuário de Vila do Conde.

Em 2012, quando Dilma lançou a primeira versão do pacote de concessões, os trechos Açailândia-Barcarena e Estrela D'Oeste-Três Lagoas já estavam na lista de projetos. A iniciativa privada não demonstrou interesse. Para as empresas, isoladamente, esses dois lotes tinham baixa viabilidade financeira: exigiam muito investimento e tinham potencial incerto de movimentação de cargas. O que sepultou de vez os planos foi a desconfiança geral com o modelo de compra da capacidade de transporte pela Valec.

Com a combinação entre trechos novos e outros prontos ou bastante avançados, o governo pretende agora tornar mais atrativa a construção integral dos dois novos ramais da Norte-Sul. A ideia por trás da nova estratégia é garantir às concessionárias receitas quase imediatas com a operação dos trechos prontos.

Além da Norte-Sul, o governo quer viabilizar a concessão da chamada "Ferrovia da Soja", que liga os municípios de Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO). Os estudos da estrada de ferro já foram aprovados pelo TCU, mas a falta de interessados barrou o andamento da licitação. O trecho integra o traçado da polêmica Ferrovia Bioceânica, que promete atravessar todo o continente sul-americano, ligando os Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, na costa peruana.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ministério dos Transportes recebe estudos para concessão de duas ferrovias

29/10/2015 - Ministério dos Transportes

O Ministério dos Transportes recebeu nesta quinta-feira (29/10), os estudos que visam a concessão de dois trechos ferroviários previstos no Programa de Investimento em Logística (PIL). Um dos trechos liga Lucas do Rio Verde/ MT a Miritituba/PA e o outro Barcarena/PA a Açailândia/MA. Os estudos foram elaborados por empresas autorizadas, por meio de Proposta de Manifestação de Interesse (PMI), instrumento para subsidiar a elaboração do edital de licitação. Vale ressaltar que em setembro, o Ministério dos Transportes, recebeu os estudos referente ao trecho Estrela d’Oeste (SP) - Três Lagoas (MS) previsto no PIL. 

O trecho Barcarena/PA- Açailândia/MA será agregado ao trecho Palmas (TO) – Anápolis (GO) da Ferrovia Norte- Sul, construída pela VALEC-Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, e irá compor concessão específica. Os estudos foram disponibilizados pela empresa TPI - Triunfo Participações e Investimentos S.A. e complementam os Estudos de Viabilidade Técnica já desenvolvidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres- ANTT. A principal finalidade da ferrovia é concluir o corredor do trecho norte da Norte-Sul com saídas pelos portos do Arco Norte. 

Para o trecho Lucas do Rio Verde/MT - Miritituba/PA, foram entregues estudos de viabilidade técnico-econômico-ambiental, de engenharia e de viabilidade financeira pela empresa Estação da Luz Participações (EDLP). O traçado visa melhorar o escoamento da produção agrícola do Mato Grosso pela hidrovia do Tapajós. A ligação com o Porto de Miritituba possibilitará o escoamento de grãos e insumos agrícolas criando alternativa logística intermodal para a circulação desse tipo de carga. 

Uma equipe de técnicos do Ministério dos Transportes, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. e Empresa de Planejamento e Logística (EPL) irá analisar os estudos. Após apreciação, serão abertas as audiências públicas das concessões do PIL, visando conferir amplo conhecimento à sociedade e as empresas interessadas, etapa requerida para a realização do processo licitatório por concessão. Finalizado esse processo o projeto será submetido ao Tribunal de Contas da União (TCU). Após a aprovação pelo Tribunal, o edital para a realização do leilão será lançado.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Trem fará ligação entre MG e Rio no ano que vem

04/11/2015 - O Tempo - BH

Minas deve ganhar uma nova modalidade de transporte em direção ao Rio de Janeiro a partir do primeiro semestre de 2016. Batizado de Expresso Trem da Terra, a composição sob trilhos é resultado da iniciativa de voluntários, empresários e autoridades dos dois Estados, que se reuniram para criar um trem turístico que vai ligar Cataguases, na Zona da Mata, à cidade fluminense de Três Rios, passando por outros seis municípios.

Duas locomotivas da composição já foram cedidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) à Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem, que será responsável pela operação. "Nós já demos entrada nos documentos no Ministério dos Transportes, e está tudo caminhando muito bem”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Henrique do Nascimento.

As viagens serão realizadas nos fins de semana e feriados, duas vezes ao dia, e terão cinco horas e meia de duração. O trecho de cerca de 180 km inclui, além das cidades de partida e chegada, os municípios de Recreio, Leopoldina, Volta Grande, Além Paraíba e Chiador, todos na Zona da Mata, em Minas, e Sapucaia, no Rio.

De acordo com Nascimento, o trem terá de oito a dez vagões e dois restaurantes. A capacidade inicial é de 240 pessoas, e o preço estimado da passagem é de R$ 40 a R$ 50 por viajante. "Vai ser um passeio lindo, que vai passar por rios e montanhas, uma paisagem espetacular”, disse Nascimento.

Comércio. O trem terá ainda uma feira móvel, com artesanatos e produtos da culinária das cidades. Além disso, as estações serão palcos de atrações culturais, como música e teatro. "Vamos gerar 500 empregos, diretos e indiretos, entre pessoas que vão trabalhar no trem, nas estações e na feira”, pontuou Nascimento.

Sem retorno

Silêncio. Procurado, o Ministério dos Transportes encaminhou a demanda à Agência Nacional de Transportes Terrestres, que não retornou até o fechamento desta edição, assim como o Dnit.

Respostas

Concessionária. A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), responsável pela malha rodoviária, informou que "tem conhecimento dos estudos para a implantação” do treme que "tem cooperado” com a iniciativa. Afirmou, ainda, que "possui concessão exclusivamente para o transporte ferroviário de cargas” e que a implantação do projeto depende de "autorizações legais dos órgãos competentes”.

Setop. A Secretaria de Estado Transportes e Obras Públicas declarou que a viabilidade do projeto "será estudada com o Plano de Mobilidade da grande BH, com início dos trabalhos previsto para 2016”.

Projeto faz parte de reativação de linhas

O projeto que vai ligar Cataguases (MG) a Três Rios (RJ) é uma das 16 propostas de reativação de linhas ferroviárias apresentadas ao governo de Minas por ONGs e entidades mineiras, conforme mostrou O TEMPO em junho. "Infelizmente não tivemos retorno do governo, e nada foi feito. Talvez consigamos implementar essa, mas vai ser mais por atuação de ONGs do que pelo Estado”, disse o presidente do Instituto Cidades, André Tenuta.

As sugestões apresentadas ao secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares, abrangem, ao todo, 2.147 km de trilhos. Desses, 1.852 km estariam em condições de rodar e 295 km precisariam de recuperação.

Segundo Tenuta, o projeto de um trem no Belvedere, na região Centro-Sul da capital, que teria cerca de 4 km de extensão, está em andamento, com o apoio da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana. "Para ir para frente depende da cessão da linha pelo governo federal”. 

Ferrovia: Estudo tenta viabilizar trecho ocioso

04/11/2015 - Valor Econômico

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e as concessionárias ferroviárias vão fazer um estudo em conjunto para mapear a viabilidade de novos negócios em trechos ociosos. Dos 28 mil quilômetros de ferrovias concedidas à iniciativa privada, cerca de 6 mil quilômetros estão subutilizados, com densidade de menos de um trem por dia.

Donos de carga que não usam os grandes corredores ou que não têm volume suficiente para tanto veem nesse universo ocioso potencial para baratear sua logística. Eles querem desenvolver no Brasil o modelo americano de "short lines", assim chamados trechos de ferrovia que derivam dos troncos centrais e que hoje interessam marginalmente às grandes concessionárias.

"A ferrovia atende quase 100% do mercado de minério de ferro e 50% da soja. Participa com menos de 10% do mercado de fertilizantes. No milho é quase zero e no contêiner é menos de 2%. Esses produtos que não estão sendo trabalhados na ferrovia já podem ser potencialmente aproveitados pelas 'short lines'", disse o coordenador no Brasil da Associação Latino-Americana de Estradas de Ferro, Jean Pejo.

"O modelo atual no Brasil é o de ferrovia de escala, em que se carrega muita carga, com trens muito grandes e com muita frequência", diz Carlos Nascimento, diretor da ANTT. Segundo ele, o estudo, que ainda não tem data para ser publicado, vai apontar se esses pequenos trechos têm uma demanda que viabiliza eventualmente um negócio diferente do negócio de escala, com pequenos operadores transportando menos cargas.

Uma rota considerada com grande potencial é a paulista entre Samaritá (em São Vicente) e Cajati (no Vale do Ribeira), com 270 quilômetros, sob concessão da ALL. "Ali tem fruta, areia, calcário", enumera Pejo.

"Não há entrave. Os interessados têm de procurar a agência. Ou se manifestarem em direção a empreender", diz Nascimento.

No modelo atual, há duas possibilidades de a operação "short line" acontecer. Uma é o operador fazer uma parceria com a própria concessionária. A outra é ele se habilitar como operador ferroviário independente, por meio do qual recebe uma outorga do governo para realizar o serviço sobre os trilhos.

domingo, 1 de novembro de 2015

1ª viagem não elimina mau uso

01/11/2015 - O Popular - GO

Com centenas de milhões em superfaturamento apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e mais de cinco anos de atraso, os 855 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul (FNS), entre Palmas (TO) e Anápolis, foram entregues no começo do ano, mas nenhum trem corre sobre seus trilhos. As dificuldades do embarque de produtos aos portos entravam o uso da ferrovia.

Após previsões anteriores, a última data estimada para possível início da operação é a segunda quinzena de novembro, o que também não significará fluxo regular. A empresa que vai começar a bancar as viagens é a Granol. Dedicada à produção e comercialização de grãos, farelos, óleos vegetais, glicerina e biodiesel para o mercado interno e externo, ela investiu cerca de R$ 30 milhões na plataforma de embarque. De acordo com a Valec, estatal que opera a FNS, o transporte de cargas só depende das transações comerciais a serem firmadas pela iniciativa privada.

A empresa de logística VLI e a Granol estão em negociação. De um lado, há o produto, e de outro, vagões e locomotivas para transporte com destino ao Maranhão, ao porto e, finalmente, ao mercado externo. Além disso, há uma série de entraves que tornam mais complexo todo o processo. O gerente da unidade da Granol em Anápolis, Osmar Albertini, explica que a negociação de tarifa para o transporte e a espera de janela para embarcar no Porto de Itaqui é que vão determinar quando a primeira carga será enviada pela FNS.

Dos trilhos ao mar

O porto no Maranhão embarca principalmente grãos e minério. Para não contaminar o produto, o farelo tem de aguardar entre um lote e outro. Essa oportunidade pode surgir em novembro por causa do fim da safra de soja e milho. Porém, dos trilhos ao mar, o que a iniciativa privada pontua é que o caminho pela ferrovia se torna complexo, e por isso subutilizado, porque, além da estrutura nos portos, há também outros custos de estrutura e frete.

Diferente do que se imagina, o frete rodoviário tem valor competitivo e pode ser até melhor, em determinadas épocas do ano, do que o ferroviário, segundo relata o gerente da Granol. Dessa forma, mesmo com produção suficiente para trafegar, a disponibilidade de equipamentos para o transporte e número de empresas que o fazem pela FNS torna o custo mais elevado. Outro fator determinante é que para a operação também é necessário que as empresas invistam em infraestrutura de embarque.

No cenário de crise econômica, a reportagem apurou que muitos empresários não sentem segurança no investimento. Além disso, é preciso pensar na armazenagem nos portos. Especialistas acreditam que a ferrovia possa ficar subutilizada ou até parada por mais um ano em Goiás. Para não dizer que não se pode ver nada ali, quem passa ou é vizinho ao trecho em Anápolis relata que vez ou outra uma máquina é avistada e mostra que ao menos a manutenção está nos trilhos.

O transporte que já foi feito partindo de Anápolis foi de 18 locomotivas até Porto Nacional (TO), por meio de contrato específico com a Valec, como explicou por nota a VLI. As máquinas foram destinadas às operações do Tramo Norte da ferrovia, que é administrado pela empresa e possui fluxo regular de cargas como grãos, combustível, ferro gusa e celulose. A empresa informou, por nota, que ainda não possui nenhum contrato vigente para realização de transporte de granéis no Tramo Sul da FNS, mas mantém contato com clientes e tratativas com a Valec para que possa ser viabilizado transporte de cargas.

Trecho goiano

Com os trechos em Goiás da Norte-Sul, 34 municípios serão beneficiados diretamente. A parte que irá ligar ao Sul do Brasil, chamada de Extensão Sul, ainda não está pronta e teve redução no ritmo das obras este ano. De acordo com a Valec, de Ouro Verde (GO) para Estrela D’Oeste (SP) a previsão para conclusão é dezembro de 2016.

A rigidez no atual cenário fiscal, com o governo federal determinando contenção de gastos são motivos para redução do ritmo do trabalho, segundo a Valec. Em junho, estava com cerca de 80% de avanço físico e hoje tem 88,7%. Mas a obra segue o cronograma, como informa a empresa.

SITUAÇÃO DA FERROVIA NORTE-SUL