sábado, 20 de maio de 2017

Ferrovia entre Dourados e Paranaguá poderá ser corredor da agropecuária entre Mato Grosso do Sul e Paraná

18/05/2017 - Capital News

FIEMS e FIEP realizarão força tarefa para conclusão dos trechos

Cristiano Arruda 

Divulgação/Assessoria
Ferrovia entre Dourados e Paranaguá poderá ser corredor da agropecuária entre Mato Grosso do Sul e Paraná
A interlocução da Fiems para concretizar o projeto foi alinhada com o Governo do MS

Com objetivo de concretizar a ligação entre o Porto de Paranaguá (PR) e o município de Dourados (MS) através da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), os Governos dos estados de Mato Grosso do Sul e do Paraná vão unir esforços.

Com o apoio da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul e Federação das Indústrias do Paraná, além dos governos do estado, será realizada um força tarefa para viabilizar a conclusão do trecho da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Farroeste), que será ligada entre as cidades de Dourados – MS E Guaíra – PR, tendo até a possibilidade de ser estendida ao porto de Paranaguá no Paraná. 

A interlocução da Fiems para concretizar o projeto foi alinhada em reunião nesta quarta-feira (17/05), no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), e contou com a participação do presidente Sérgio Longen, dos secretários estaduais de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul e do Paraná, Marcelo Miglioli e José Richa Filho, respectivamente, além do diretor-presidente da Ferroeste, João Vicente Bresolin, e do diretor-administrativo da Ferrovia, Carlos Roberto Fabro.

 “O setor privado agora se associa a este grupo, buscando a viabilidade da ferrovia. Esse é um que projeto vem sendo discutido há muito tempo, e esperamos que nos próximos 90 dias consigamos avançar. Dependemos agora do apoio das bancadas federais de Mato Grosso do Sul e do Paraná, mas, com o alinhamento do governador Reinaldo Azambuja e do governador Beto Richa, vamos avançar nesse projeto”, considerou o presidente da Fiems, após a reunião. 

“A ferrovia terá condições claras de ser um corredor para a agropecuária, mas também para a indústria, porque nosso Estado hoje exporta R$ 3 bilhões em produtos industrializados, teremos ganhos em competitividade”, acrescentou Longen.

A Ferroeste é de economia mista e tem o Governo do Paraná como seu maior acionista, detendo a concessão para explorar o trecho. Na prática, a ferrovia atende Cascavel e Guarapuava e um PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), a ser apresentado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, serviria para ampliar a malha, fazendo com que a ferrovia passe a fazer a rota completa da concessão, indo de Dourados até o Porto de Paranaguá.

“Já faz alguns anos que temos discutido com Mato Grosso do Sul a possibilidade de estender a Ferroeste. São dois estados com produção forte em termos de Brasil e sabemos do potencial da região de Dourados, principalmente na divisa com o Paraná. Hoje chegamos a um modelo que acredito ser interessante para potenciais investidores, mas nada melhor do que lançar a PMI para ficar claro que será economicamente viável. Estou muito confiante”, disse José Richa Filho.

O próximo passo para avançar no projeto será no Encontro Internacional Sobre Gás Natural, na segunda-feira (22/05), do qual o governador Reinaldo Azambuja vai participar. “Teremos uma reunião com o governador do Paraná, em Santa Catarina, onde apresentaremos o projeto. Essa rodovia já foi muito discutida no passado, mas agora, com essa modelagem, trazendo a iniciativa privada, com a aquiescência da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) e dois governos somando esforços, acredito que vamos viabilizar o projeto e transformá-lo em realidade”, considerou o governador.

Para Marcelo Miglioli, não há dúvida de que a rota Dourados a Paranaguá é o melhor caminho para o escoamento da produção do Estado. “Mato Grosso do Sul tem todo interesse no projeto e vamos fazer o que estiver à altura para o projeto caminhar. A parceria realizada entre os estados somam esforços para que esse projeto saia do papel. Entre os projetos de macro infraestrutura que estamos trabalhando, esse é com certeza um dos prioritários”, encerrou.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Coreanos pretendem construir o “Transpequi”, entre Brasília e Goiânia

18/05/2017 - Metrópoles

Mesmo a mais de 16 mil quilômetros de distância, os sul-coreanos podem ser a salvação para o futuro do trem expresso que ligará Brasília a Goiânia, o Transpequi ou Expresso Pequi – apelidos dados em homenagem ao fruto típico do Centro-Oeste. Liderados pelo consórcio A’REX, da Coreia do Sul, um grupo de empresários chineses, coreanos e brasileiros demonstrou interesse em tocar o projeto.

O desejo surgiu de uma proposta idealizada pelo grupo brasileiro Sistemas de Transportes Sustentáveis, que traz diversas alterações no plano original da ferrovia. Após submeter o projeto à ANTT durante uma tomada de subsídios realizada em janeiro deste ano, os empresários apresentaram a ideia a investidores internacionais com o objetivo de integrar um consórcio capaz de tirar o plano do papel.

“Nós apresentamos como era o projeto e quais são as alternativas para tornar o trem mais atrativo para o setor privado”, explica Paulo Benites, diretor do grupo Sistemas de Transportes Sustentáveis.

Os coreanos foram os que mais se animaram com o projeto do Transpequi. O A’REX, consórcio que mostrou interesse pela proposta, é formado por 11 empresas do país asiático e opera o Airport Railroad Express, trem que liga a capital Seul a dois aeroportos.

Alterações

O novo projeto prevê preço de R$ 100 para viagens entre Brasília e Goiânia, com saídas a cada 15 minutos e velocidade máxima de 250 km/h. O grupo acredita que a venda de passagens será suficiente para a compensação do investimento.

De acordo com Paulo Benites, a principal alteração no projeto original diz respeito ao tipo de serviço prestado. A proposta inicial previa o transporte de passageiros e cargas, a curtas e longas distâncias. Já o documento apresentado à ANTT propõe prioritariamente a condução de passageiros e a longa distância.

“O nosso projeto exclui o transporte de cargas e atende passageiros de longa distância, com um serviço considerado mais elevado. Também fizemos alterações em algumas características técnicas para colocar a ferrovia em um nível internacional.”"

Paulo Benites, diretor do grupo Sistemas de Transportes Sustentáveis

O grupo prevê a formação de uma Parceria Público-Privada (PPP) para viabilizar o empreendimento, ao invés de um esquema puro de concessão. A contrapartida do governo – R$ 2,9 bilhões, do total de R$ 8,9 bilhões orçados para o Transpequi – seria paga em parcelas de R$ 130 milhões durante 15 anos e de R$ 30 milhões a partir do início das operações, de acordo com a proposta entregue à ANTT.

Nas estações do trem no Distrito Federal também estão previstas mudanças. Inicialmente, haveria um único terminal, na Rodoferroviária de Brasília. A proposta dos empresários, no entanto, estipula a construção de duas estações, uma próxima à Rodoviária Interestadual e uma em Samambaia. “Queremos criar estações de fácil acesso. A rodoviária, por exemplo, fica próxima ao Aeroporto e à Asa Sul, além de estar perto do metrô. Já em Samambaia, existe um desejo de desenvolvimento da região”, afirma Benites.

Exploração imobiliária

Por fim, o projeto prevê a exploração imobiliária das regiões próximas à linha rodoviária por parte da concessionária que operar o trem. “Os empreendimentos imobiliários são extremamente importantes para a realização da nossa proposta. É uma renda fundamental para angariar recursos e fazer a implantação da linha”, finaliza o diretor.

A proposta do Sistemas de Transportes Sustentáveis está em análise pela ANTT. A agência prepara uma licitação para a ferrovia e a previsão é de que o certame seja divulgado no fim deste ano ou no início de 2018.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

União garante recursos para ferrovia e Rodoanel de Cuiabá

10/05/2017 - FolhaMax

Em viagem a Brasília nesta quarta-feira (10.05), o governador Pedro Taques recebeu apoio do governo federal na luta pela vinda dos trilhos da Ferronorte do município de Rondonópolis para a capital Cuiabá. Durante o encontro, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, se posicionou favorável ao pleito de Mato Grosso. "Precisamos cortar o estado de Mato Grosso com a ferrovia. É uma luta de mais de 40 anos que nós queremos crer que já está próxima da sua concretização. Queremos os trilhos da Ferronorte em Cuiabá", afirmou o governador, que liderou a comitiva formada por senadores, deputados e secretários de Estado.

Na oportunidade, a Medida Provisória 752/2016, sancionada pelo presidente Michel Temer, foi citada como um fator facilitador da ampliação do ramal. "A MP-752 permitirá vivermos um momento diferente, um novo ciclo de inovação e investimento na malha ferroviária de terceiros ou de malha nova. Esta é uma discussão que precisamos fazer. Vocês de Mato Grosso têm um aliado neste processo. Levarei esta discussão no plenário e até ao presidente da República Michel Temer", pontuou o ministro Maurício Quintella.

Esta Medida Provisória visa estimular as concessões no país e, entre as ações, prevê a antecipação dos contratos de concessão de ferrovias e a destinação de investimentos na própria malha ou naquelas de interesse da administração pública. Um dos integrantes da comitiva de Mato Grosso, o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, afirmou que acredita que a união de esforços políticos, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da concessionária Rumo-ALL poderá render bons resultados. “O que ficou muito claro é que o governo federal, a concessionária e o governo estadual estão alinhados para trazer os trilhos para nossa capital”, frisou Duarte. “De uma vez por todas, ficou sacramentada a posição do governo brasileiro em relação à chegada da ferrovia em Cuiabá. A gente sabe o interesse econômico da empresa, que inclusive já se posicionou formalmente. Acreditamos que por meio de uma ação coordenada poderemos estabelecer um prazo para essa construção e tirarmos os trilhos do papel”, comentou o secretário.

Ainda sobre o assunto ferrovia, o ministro dos Transportes anunciou que será realizada uma audiência pública para discussão da ampliação da ferrovia Norte-Sul, tendo a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) como um dos ramais. Com isso, os trilhos devem chegar até o município de Água Boa, na região do Araguaia em Mato Grosso.

RODOANEL

Marcelo Duarte explicou, ainda, que neste mês serão protocolados todos os últimos projetos da obra do Rodoanel, de 52 quilômetros, que poderá mudar a realidade da infraestrutura rodoviária da região metropolitana da capital. Antes planejado em asfalto, o Rodoanel foi totalmente repensado e agora será construído em concreto, que é a melhor solução técnica de engenharia. “Salientamos que todos os projetos tiveram que ser refeitos, e agora tem uma qualidade muito maior de que tinham no passado. E já marcamos uma reunião para próxima semana para avaliação das equipes técnicas do Dnit e da Sinfra que trabalham em conjunto neste caso. Queremos lançar o edital para esta obra neste ano”, avaliou o titular da Sinfra.  

Quanto à rodovia BR-174, o secretário informou que a Sinfra finalizou nesta semana um aditivo e também a contratação para o início dos estudos indígenas para obtenção do licenciamento ambiental. O Governo de Mato Grosso pensa em propor um termo de ajustamento de conduta ao Ministério Público Federal (MPF) para agilizar o licenciamento e não atrasar a obra.

Em relação aos aeroportos, o ministro dos Transportes reafirmou que o Governo de Mato Grosso vai inaugurar um modelo inédito de concessão já no próximo leilão. Atendendo ao pedido do governador Pedro Taques, o Governo Federal autorizou a inclusão do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, que atende a região metropolitana de Cuiabá, e mais quatro aeroportos regionais (Sinop, Alta Floresta, Barra do Garças e Rondonópolis) no próximo leilão de concessão. "Na prática, a empresa que vencer a licitação do aeroporto Marechal Rondon poderá destinar o valor da outorga para ampliar os outros quatro regionais, em vez de ir para União", comentou o secretário.

Participaram da comitiva liderada pelo governador os secretários Jean Campos (Assuntos Estratégicos) e Marcelo Duarte (Sinfra). Representando a bancada de Mato Grosso no Congresso Nacional, os deputados federais Fábio Garcia, Ezequiel Fonseca e Victorio Galli e os senadores Cidinho Santos, José Medeiros e Wellington Fagundes. Também acompanharam a comitiva do governador Pedro Taques o deputado estadual Pedro Satélite e o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

História da Estrada de Ferro Goyaz é apresentada a estudantes de Bonfinópolis

05/05/2017 - Diário de Goiás

Transporte Ferroviário não se resume a um “trem” que leva de um lugar para outro lugar, cargas e pessoas. A ferrovia carrega histórias de um povo, faz reacender memorias de famílias, trabalhadores, amigos. Uma ferrovia não é envolvida apenas por ferro nos trilhos, pedras no lastro, madeira nos dormentes, concreto nas estações. Sentimentos, lembranças, desejos, esperanças também cercam o mundo ferroviário. 

No próximo dia 27 de maio, a Estrada de Ferro Goyaz completa 105 anos no próximo dia 27. Elementos descritos acima, foram apresentados nesta sexta-feira (5), a alunos do Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, em Bonfinópolis. 

Os estudantes conheceram um pouco da história, da memória da ferrovia e as perspectivas desta centenária “senhora de ferro”. Como pesquisador ferroviário, apresentei palestra aos alunos do 3° anos do ensino médio. Em pauta, as Memórias dos Trilhos, um passeio pela origem, desenvolvimento, contos de ferroviários e projetos para o futuro da ferrovia. 

A cidade de Bonfinópolis só existe devido à ferrovia. Nos anos 1950 foi inaugurado o trecho Leopoldo de Bulhões-Goiânia. O núcleo urbano foi formado a partir da chegada da estrada de ferro. Trabalhadores se fixaram na região, constituíram famílias e assim a cidade começou a crescer. 

Os estudantes conheceram a história, mas ficaram sabendo principalmente sobre as memórias contadas pelos ferroviários, incluindo algumas histórias do cotidiano, algumas como a da origem do lugar onde foi edificada a estação ferroviária. Foi construída abaixo do núcleo urbano pelo fato de comerciantes negarem café e lanche para responsáveis pela construção. 

A estação que deveria ficar em melhor localização, ficou mais distante do núcleo urbano. A falta do café, foi amarga naquele período. Hoje a amargura é pelo abandono da estação ferroviária da cidade. 

Um dos frutos da palestra foi ouvir de alunos como Ana Paula Gonçalves de 17 anos, que a ferrovia tem importância para a cidade dela. Ela entendeu que atrás de estações, trilhos, há significados importantes, que cada elemento está ligado a origem da cidade. Da mesma forma foi o sentimento que teve a estudante Giovanna Moreira de 16 anos. Para ela, é importante preservar a história e a memória da ferrovia que ajudou a formar e a desenvolver a cidade. 

Nestes 105 anos da Goyaz fica a lição de que é importante não só apenas conhecer o passado e reconhecer a importância dele para o presente, mas valorizar o sentimento de preservar as histórias e memórias para a atual e as futuras gerações.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Orçada em R$ 6,1 bi, obras da Ferrovia da Integração Centro-Oeste não têm previsão de início

31/03/2017 - Agro Olhar

A Ferrovia da Integração Centro-Oeste (Fico), orçada em R$ 6,11 bilhões, não possui previsão para o início de suas obras. A informação é da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública responsável pelo empreendimento. O modal ligará Campinorte (GO) a Vilhena (RO), passando pelos municípios mato-grossenses de Água Boa, Paranatinga, Lucas do Rio Verde e Brasnorte.

O traçado da Fico possui aproximadamente 1.641 quilômetros de extensão, dos quais em torno de 1.300 quilômetros estão dentro de Mato Grosso.

De acordo com informações repassadas pela Valec ao Agro Olhar, ainda não há previsão para o início das obras da ferrovia. “A previsão da construção depende da definição da política de implantação da infraestrutura de transportes por parte do Governo Federal”.

Ainda conforme a empresa pública responsável pelo empreendimento,  “A Valec apenas está em processo de atendimento das condicionantes, a fim de cumprir o prazo de validade da Licença Prévia, a fim de obter a Licença de Instalação, licença que autoriza efetivamente a implantação do empreendimento".

A estimativa é que sejam gerados 275.174 empregos com a ferrovia, sendo 91.378 diretos, 43.093 indiretos e 140.702 pelo efeito renda.

A previsão é que pelo modal sejam transportados 27,24 milhões de toneladas de soja e milho.

A Ferrovia de Integração Centro-Oeste deverá integrar o projeto de construção da Ferrovia Bioceânica, que partirá do Rio de Janeiro até o Oceano Pacífico atravessando os Estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Acre, além do Peru.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Concluído estudo de viabilidade do trem Brasília-Goiânia

11/04/2017 - Goiás Agora

Trem de passageiros Brasília-Anápolis-Goiânia vai custar R$ 9,5 bilhões e a viagem deve levar cerca de 70 minutos. Projeto agora está sendo avaliado pela ANTT

Mapa com o traçado do futuro trem Brasília-Goiânia
Mapa com o traçado do futuro trem Brasília-Goiânia
créditos: ANTT/Reprodução

Pode se tornar realidade em breve o projeto do trem de passageiros do corredor Brasília-Anápolis-Goiânia, o chamado Trem-Pequi, que atenderá demandas do transporte urbano e semiurbano.

O projeto já se encontra na área técnica da Agência Nacional de Transportes Urbanos (ANTT). Estudos acabam de ser concluídos pelo governo de Goiás e entregues à Agência, que agora se debruça sobre os documentos que embasarão o processo licitatório. Em seguida, mas ainda sem data definida, o processo prevê a abertura de audiências públicas para julgar a viabilidade da obra.

De acordo com o Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental realizado, a viagem de Brasília a Goiânia deverá ser de aproximadamente 70 minutos, com seis estações de passageiros: Brasília, Samambaia, Alexânia, Abadiânia, Anápolis e Goiânia. Segundo o coordenador do projeto, o economista e consultor Bernardo Figueiredo, o trem terá padrão de qualidade europeu e norte-americano.

O custo para a implantação do sistema ferroviário é de R$ 9,5 bilhões. Destes, R$ 7,5 bilhões virão da iniciativa privada e R$ 2 bilhões divididos entre os governos de Goiás, Distrito Federal e União. Segundo Bernardo, já estão sendo articuladas conversas com grupos de investidores interessados. A modalidade de contrato é Parceria Público-Privada (PPP), com o período de concessão de 33 anos, sendo que as obras ocorrerão nos três primeiros anos e a operação nos 30 anos seguintes.

No início de março, após audiência com o presidente Temer, o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) declarou que, se tudo correr dentro da normalidade, a ferrovia deverá ser construída no máximo em três anos. “Se a licitação for resolvida ainda este ano, com certeza em três anos é possível a realização da obra. Estamos otimistas, especialmente com a conclusão da tomada de subsídios”, concluiu.

O trem será exclusivamente de passageiros, com a passagem no valor aproximado de R$ 100. Segundo o estudo, os passageiros viajarão sentados, haverá ar condicionado, acesso ao wi-fi e banheiros. Bernardo afirma que será um sistema com alta qualidade, tanto em conforto como em ganho de tempo. “São trens com condições de viagem acima do padrão. Um sistema de qualidade e seguro”.

Trem x carro 

Quando comparado ao uso do automóvel, por exemplo, este mesmo percurso se feito pelo sistema ferroviário apresenta ganho principalmente do tempo de viagem. A velocidade máxima deste tipo de trem alcança até 250 km/h, dependendo das condições da via e operacionais.

Numa viagem de carro, um percurso igual geralmente é feito em duas horas, a um custo de R$ 90 reais (de gasolina). Outros fatores como o cansaço físico da viagem e possíveis congestionamentos em entradas e saídas das cidades também são pontos negativos, no caso do automóvel. O ganho de tempo de velocidade do sistema ferroviário compete ainda com passageiros de ônibus e até de avião, diz o consultor.

Trajeto 

Segundo o projeto, em direção à cidade de Goiânia a ferrovia correrá paralelamente à BR-060, onde cruza com a rodovia em dois pontos, por viaduto e por um túnel. Após atravessar a rodovia BR-060 por túnel, a ferrovia segue no rumo oeste até a várzea do rio Meio Ponte e entra na mancha urbana da Região Metropolitana.

Já dentro da capital goiana, a ferrovia segue em superfície até a rua Dr. Constantino Gomes. Para evitar grande interferência no funcionamento da cidade, optou-se pelo subterrâneo até o fim da linha na Estação de Goiânia na Praça do Trabalhador. O traçado pelo subterrâneo terá extensão de 1.531 metros, com estação enterrada, localizada à Praça do Trabalhador.

A proposta é que o sistema de transporte por trem valorize o espaço urbano e estimule o desenvolvimento de empreendimentos que, por sua vez, também garantirão maior fluxo de passageiros à ferrovia.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Nova ferrovia vai ligar Lucas do Rio Verde a Itaituba, no Pará

07/04/2017 - Circuito Mato Grosso

Globo Rural

Alternativa considerada mais viável para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, o corredor rumo aos portos do Arco Norte deve ter um reforço nos próximos anos. Uma ferrovia paralela à BR-163 é vista como solução para consolidar a rota para os terminais de carga de Miritituba (PA).

Chamada tecnicamente de EF-170, a linha, que está apenas em estudos, recebeu um nome bem sugestivo de sua finalidade: Ferrogrão. “Faz frente à expansão da fronteira agrícola e à demanda por uma infraestrutura integrada”, justifica o Ministério dos Transportes no informe sobre o projeto.

A ferrovia deve ter 1.142 quilômetros de extensão, ligando Lucas do Rio Verde (MT) a Itaituba (PA). São estimados investimentos de R$ 12,6 bilhões, que incluem desde a desapropriação de áreas, passando pelas compensações ambientais, até o assentamento dos trilhos e a operação dos trens no transporte de cargas.

“A EF-170 trará alta capacidade de transporte e competitividade ao corredor, que já está em consolidação pela BR-163”, defende o Ministério dos Transportes.

Construir e operar a ferrovia despertou o interesse de um consórcio de empresas. É um grupo de peso, que reúne as maiores tradings de grãos do Brasil. Para viabilizar o empreendimento, Cargill, Bunge, ADM e AMaggi se consorciaram à Estação da Luz Participações (EDLP), empresa que estrutura projetos de logística. Cada um tem 16,6% de participação, explica Guilherme Quintella, presidente da EDLP.

“O principal efeito da ferrovia é aumentar a competitividade. E o impacto ambiental será menor que o da rodovia”, garante ele. Estudos feitos em 2015 pelo consórcio apontavam que, se em 2020 a ferrovia estivesse em operação, 87% da produção de Mato Grosso seria escoada por trem. Só pela Ferrogrão, seriam transportados cerca de 20 milhões de toneladas de grãos. O Ministério dos Transportes estima que, em 2050, o volume transportado pela estrada de ferro rumo a Miritituba seja superior a 42 milhões de toneladas.

Os estudos sobre a obra estão em fase final de ajuste pelo governo. Antes da publicação do edital, o projeto será submetido a consultas públicas e vai passar pela avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). O leilão de concessão – válida por 65 anos – está previsto para o segundo semestre deste ano.

Caso vença o leilão, o consórcio formado pelas tradings de grãos e pela EDLP planeja construir a Ferrogrão em cinco anos. O investimento seria 30% de capital próprio e os outros 70% financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

Inicialmente, seria construído o trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), com 933 quilômetros (veja no quadro abaixo). A extensão até Lucas do Rio Verde dependeria da chegada de outros ramais ao município, diz Guilherme. “A Ferrogrão vai ter os trens dela, transportar para os sócios e outros clientes. Não será um departamento dessas empresas, mas um negócio em que elas são sócias”, explica.

Para o executivo, há uma coisa que atrapalha um projeto como esse: a atual situação da BR-163. Aberta há 40 anos, a rodovia ainda está inacabada e causa transtornos. Neste ano, mais de 50 quilômetros de congestionamentos travaram a movimentação de grãos em pleno pico da colheita. Guilherme Quintella diz que, com a rodovia do jeito que está, fica comprometido o diálogo com possíveis investidores. “O investidor pensa: como é possível construir a ferrovia se ainda não resolvemos o problema da BR-163?”, diz.

O presidente do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, é otimista em relação à Ferrogrão e não vê a situação da BR-163 como obstáculo para a obra. Para ele, o mais importante é que a ferrovia já tem investidores de peso interessados. “Nasce com patrocinador. Vai contribuir muito com a questão da intermodalidade. A rodovia alimenta a ferrovia, que leva o grão a Miritituba e da hidrovia para os portos. O que esperamos é que reduza o custo do frete”, diz Edeon.

http://www.revistaferroviaria.com.br/index.asp?InCdNewsletter=8448&InCdMateria=25955&InCdEditoria=2