sábado, 3 de março de 2018

Consórcio estuda trem de passageiros entre capital e interior de SP

02/03/2018 - AEC Web

Texto: Nathalia Lopes

Análise de viabilidade técnica inicial avaliará uso compartilhado de vias férreas usadas no transporte de cargas na rota entre a capital e a cidade de Americana consorcio-trem-macrometropole.

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O responsável pelo estudo é o Consórcio alemão Pró-TL (Crédito: divulgação/Governo do Estado de São Paulo)

01/03/2018 | 13:00 – A Secretaria de Logística e Transportes do Estado de São Paulo contratou o Consórcio Pró-TL para realizar um estudo inédito que dará origem a um novo sistema de transportes para a Macrometrópole de São Paulo – área geográfica que considera a região metropolitana da capital, Santos, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos e a conexão com São Sebastião. Nessa região se concentram 75% da população paulista e 80% do PIB do Estado.

O prazo para a execução do estudo é de 20 meses, entretanto já nos primeiros 90 dias serão disponibilizados os estudos necessários para a implantação do Trem Intercidades na rota São Paulo-Americana. O principal objetivo da análise é mostrar a possibilidade do compartilhamento das vias férreas atualmente existentes entre os transportes de carga (federal) e de passageiros (estadual).

Atualmente, o tráfego de pessoas e cargas entre as regiões da Mecrometrópole é feita principalmente pelo sistema rodoviário. O novo Plano Diretor de Mobilidade deve propor alternativas de transporte e logística da região, considerando o aproveitamento da infraestrutura existente – as quais poderão ser licitadas, de acordo com o Governo do Estado de São Paulo.

O Consórcio Pró-TL, responsável pelos estudos, é composto por cinco empresas lideradas pela DB Internacional Brasil Ltda., subsidiária do grupo Deutsche Bahn, a maior companhia operadora de ferrovias da Europa. Ele venceu outros 22 consórcios (46 empresas participantes) na licitação internacional.

Cronograma

Já na próxima semana, técnicos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (BIRD) se reunirão com membros do Consórcio Pró-TL para definirem os detalhes do Trem Intercidades.

A intenção do Governo é que os estudos de pré-viabilidade sejam concluídos até maio desse ano. Na sequência, os técnicos do governo tentarão viabilizar os procedimentos de audiência e consulta pública até o primeiro semestre deste ano.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Seis anos após início, obras de construção da FIOL no oeste da BA não chegam a 30% do previsto

09/10/2017 - G1

As obras de construção da Ferrovia Oeste Leste (FIOL), que começaram em 2011, ainda não chegaram a 30% do previsto para os lotes do oeste da Bahia, seis anos após início das obras. A informação é da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pelo empreendimento. Ainda segundo a empresa, a construção não foi concluída por falta de verbas.

A Fiol vai ligar Figueirópolis, no Tocantins, ao porto de Ilhéus, no sul da Bahia. Conforme o projeto, serão 1.526 km de extensão. Na Bahia, as obras da Fiol são divididas em FIOL 1 (Ilhéus/ Caetité) e FIOL 2 (Caetité/ Barreiras).

Dos 12 lotes da obra, oito passam pela Bahia, sendo três deles na região oeste, onde a ferrovia é uma esperança para o escoamento de grãos. Conforme a Valec, aprevisão do custo total da ferrovia na Bahia é de R$ 6,4 bilhões. Os outros cinco lotes se dividem entre as cidades de Caetité, no sudoeste do estado, e Ilhéus. Nesse trecho, a obra já chegou a 71,8% do total.

No canteiro de obras no oeste da Bahia, muitas máquinas e tratores estão parados. O trabalho feito na região tem sido de terraplanagem e compactação do solo. Em 2011, quando a ferrovia começou a ser construída, mais de 500 funcionários trabalhavam no local, enquanto hoje só tem 100.

Em 2013, em um seminário de lançamento da Ferrovia, em Barreiras, a Valec e o governo do estado anunciaram que a obra toda estaria pronta em 2014. Contudo, com a falta de dinheiro, a obra praticamente travou e o ritmo de construção foi diminuindo.

O término da construção do lote sete, que possui 160 Km de extensão e passa por São Desidério, Barreiras e Santa Maria da Vitória, estava previsto para agosto deste ano. Contudo, apenas parte da terraplanagem foi feita e, mesmo assim, segundo a empresa responsável, o serviço não passa de 23% do previsto.

Quando concluída, a FIOL deve reduzir os custos de transporte de grãos, álcool e minérios destinados ao mercado externo. Quanto ao mercado interno, segundo a Valec, a ferrovia deve provocar estímulos, à medida que oferecerá custos menores para as trocas dos produtos regionais.

A Fiol é uma obra do Governo Federal, e o Governo da Bahia é agente fomentador do processo de concessão da ferrovia. Por meio de nota, o governo da Bahia informou que vem trabalhando no sentido de mobilizar e encontrar soluções para continuar as obras na Bahia.

Transporte dos grãos

Sem a construção da ferrovia, todos os anos um comboio de caminhões passa por Barreiras, em direção ao Porto de Cotegipe, em Aratu. Só na última safra, segundo a Polícia Rodoviária Federal, por dia saíram da cidade do oeste da Bahia dois mil caminhões levando mais de quatro toneladas de soja que foram exportadas para países como China e Estados Unidos.

Pela estrada, além do perigo de tantos caminhões nas rodovias, há perdas significativas de grãos, que vazam das carrocerias dos caminhões. Isso sem falar nos gastos com combustíveis, pneus e manutenção dos caminhões. Um custo com transporte que, segundo os agricultores, está entre os mais caros do mundo.

"Passa de R$ 180 a tonelada hoje transportada para Salvador. A gente teria uma redução com a ferrovia. Além disso tiraríamos muitos caminhões das estradas por ano", explicou o assessor da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Luiz Stalke.

Além disso, uma grande quantidade de caminhões carregados com grãos acaba provocando gargalos e transtornos no trânsito. Para chegar ao porto de Cotegipe, em Aratu, por exemplo, os caminhões têm que esperar a hora de descarregar duas vezes. A primeira em Feira de Santana, onde um enorme pátio abriga dezenas de caminhões por dois ou três dias. Depois, na entrada do porto, onde também há fila de espera. Tempo parado, sem rodar, certamente é prejuízo para as transportadoras e motoristas. Inevitavelmente, também provoca transtornos no tráfego das áreas onde os caminhões circulam.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Paraná retoma projeto de ferrovia entre Paranaguá e Mato Grosso do Sul

04/10/2017 - Gazeta do Povo

Modal prevê linha de mais de mil quilômetros, em alternativa ao gargalo rodoviário. Custo estimado é de R$ 10 bilhões

Felippe Aníbal

Projeto prevê revitalização do trecho de 250 km da Ferroeste entre Guarapuava e Cascavel, além da implantação de 400 km entre Paranaguá e Guarapuava e mais 350 km de Cascavel até Dourados (MS). | Jorge Woll/DER
Projeto prevê revitalização do trecho de 250 km da Ferroeste entre Guarapuava e Cascavel, além da implantação de 400 km entre Paranaguá e Guarapuava e mais 350 km de Cascavel até Dourados (MS). Jorge Woll/DER

O governo do Paraná retomou as aspirações de implantar uma nova ferrovia que ligaria o Porto de Paranaguá ao Mato Grosso do Sul. A ideia é que o novo modal venha a se consolidar como um “corredor de exportação”, em alternativa logística que supere o gargalo ferroviário. Uma estimativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estima que a linha ferroviária – que teria cerca de mil quilômetros de extensão – custaria mais de R$ 10 bilhões.

A partir desta quinta-feira (5), a Ferroeste – sociedade de economia mista ligada do governo do Paraná – inicia uma série de consultas públicas, com o objetivo de debater a proposta com a sociedade civil e receber eventuais sugestões ao projeto. Após essas audiências, o governo deve lançar uma proposta de manifestação de interesse (PMI) para escolher a empresa que queira executar um estudo de viabilidade técnica, para implantar a ferrovia.

MAPA: Veja o traçado para a nova ferrovia

“Nosso objetivo é acabar com essa discussão em que cada um fala o que acha. É termos um estudo técnico e demanda, que aponte qual a melhor forma de tirar esse projeto do papel, que aponte qual será o impacto econômico”, disse o presidente da Ferroeste, João Vicente Bresolin Araújo. A expectativa é de que o estudo custe R$ 25 milhões, bancados pela empresa escolhida a partir da PMI. “Quando houver a concessão, os concessionários fazem o ressarcimento ao responsável pelo estudo”, explicou Araújo.

Trechos

Em princípio, o projeto leva em conta dois trechos. O primeiro prevê a implantação de cerca de 400 quilômetros de linha férrea, entre o Porto de Paranaguá e Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná. A proposta é de que haja um novo traçado, paralelo à rodovia BR-277. Com isso, a nova ferrovia não usaria o trecho da ferrovia histórica, que liga o Litoral a Curitiba e que continuaria sendo explorado para fins turísticos.


O segundo trecho contempla a construção de 350 quilômetros de trilhos , entre Cascavel e Dourados, no Mato Grosso do Sul, passando por Guaíra, no Oeste do Paraná. Com este traçado, a Ferroeste espera absorver a demanda logística do Paraguai (via Guaíra) e do Mato Grosso do Sul. A expectativa é de que o modal sirva para escoar não só a crescente safra de grãos, mas também da indústria pecuária.

“O Oeste do Paraná, sozinho, perde R$ 330 milhões por ano, por falta de estrutura logística por ter que usar o transporte rodoviário para exportar sua produção. Então o investimento da implantação deste corredor ferroviário é muito pequeno, é nada, diante do retorno”, apontou Araújo.

Iniciativa privada

A ideia do governo é implantar o corredor ferroviário por meio da iniciativa privada. Para isso, o primeiro trecho (entre Paranaguá a Guarapuava) seria explorado por meio de uma concessão estadual. O segundo trecho (entre Cascavel a Dourados) seria administrado por subconcessão da Ferroeste.

Segundo o cronograma, o governo espera ter em mãos o estudo de viabilidade técnica em um ano – até o segundo semestre de 2018. A partir de então, o Paraná deve definir aspectos técnicos da licitação.

Veja o traçado da nova ferrovia

Nova Ferroeste

Veja qual será o traçado da extensão da ferrovia, segundo projeto do governo do Paraná

TRECHO 1

Guarapuava-Paranaguá – 400 quilômetros de ferrovia, descendo a serra paralelamente à BR-277. Trecho ficará sob concessão estadual.

TRECHO 2

Cascavel-Dourados (MS) – 350 quilômetros de ferrovia. Subconcessão da Ferroeste.

Guarapuava-Cascavel – revitalização do trecho de 250 quilômetros já existente. Subconcessão da Ferroeste.

Custo total estimado
R$ 10 bilhões

Distância total
1 mil km de trilhos

Fonte: Redação. Infografia: Gazeta do Povo.

Consultas públicas

Veja as datas e locais em que a sociedade civil poderá se manifestar sobre a proposta

Guarapuava (PR)

Dia: 05 de outubro de 2017

Endereço: Auditório da ACIG (Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava)

Rua XV de Novembro, 8040, Centro.

Horário: das 14h30 às 17h00.

Cascavel (PR)

Dia: 06 de outubro de 2017

Endereço: Auditório da ACIC (Associação Comercial e Industrial de Cascavel)

Rua Pernambuco, 1.800, Centro.

Horário: das 14h30 às 17h00.

Curitiba (PR)

Dia: 09 de outubro de 2017

Endereço: Auditório do DER (Departamento de Estradas de Rodagem)

Avenida Iguaçu, 420, 1º andar, Rebouças.

Horário: das 14h30 às 17h00.

Dourados (MS)

Dia: 16 de outubro de 2017

Endereço: Auditório da ACED (Associação Comercial e Empresarial de Dourados)

Avenida Joaquim Teixeira Alves, 1480, Centro.

Horário: 19h00 às 21h30.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Grupo chinês de mineração quer investir US$ 2,4 bilhões no país

01/09/2017 - O Globo

Dono da Bahia Mineração (Bamin), o grupo Eurasian Mining sinalizou ao presidente Michel Temer que pode investir mais US$ 2,4 bilhões no Brasil até o fim de 2018. A ideia é começar com ampliação das atuais instalações em US$ 1 bilhão. O restante viria da participação do grupo no leilão do trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) entre Ilhéus e Caetité, na Bahia, em princípio em um consórcio com empresas chinesas. O anúncio foi feito a Temer durante escala técnica do avião presidencial no Cazaquistão, sede da empresa, antes de pousar em Pequim, onde realiza visita de Estado e participa da 9ª Reunião do Brics.

A intenção de formar um consórcio com os chineses da China Communication Construction (CCC) e da China Railway Engineering Corporation (Crec), além do governo da Bahia, deve ser objeto de um protocolo de intenções assinado entre as partes durante a visita de Temer à China. Quem levar a Fiol poderá explorar o trecho ferroviário e ficará a cargo da construção do porto baiano. É tudo o que a Bamim precisa para escoar a produção. A construção do porto demanda cerca de US$ 1 bilhão, e outros US$ 400 milhões devem ser usados para concluir a malha.

O leilão só deve acontecer no início do segundo semestre de 2018, de acordo com o ministro dos Transportes, Mauricio Quintela, que compõe a comitiva de sete ministros e 11 deputados trazidos à China para tentar atrair investidores para obras de infraestrutura e para o programa de 57 privatizações anunciadas pelo governo. O protocolo não garante a formação do consórcio, até porque os chineses querem participação majoritária no projeto para fechar com a Bamin, mas confirma o interesse de investidores estrangeiros no Brasil, diz uma fonte do governo brasileiro.

Em seu primeiro dia na China, Temer recebeu os executivos de quatro grandes empresas chinesas com presença no Brasil. A agenda começou com as gigantes de energia State Grid (que tem 50% de seus ativos no exterior no Brasil), uma das maiores empresas do mundo, e a Three Gorges (que acaba de comprar linhas de transmissão no país). Em seguida, foram os presidentes de Huawei e HNA, que é acionista de Azul e TAP. Nas conversas, o presidente apresentou o programa de privatizações do governo, com destaque para a Eletrobras.

— Eles querem investir cada vez mais no Brasil e revelaram uma confiança extraordinária no país, no setor de energia — disse o presidente.

EMPRÉSTIMO À PETROBRAS

Brasil e China devem assinar uma série de acordos entre governos e setores privados. A maior expectativa é em torno de encomenda de 20 aviões da Embraer, como antecipou O GLOBO. Deve ser assinado ainda memorando de entendimento da Eletronuclear sobre a possível participação de uma empresa chinesa em Angra III e um empréstimo do China Exim Bank à Petrobras, no modelo usual.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ferrovia Oeste-Leste está na lista de acordos com chineses

30/08/2017 - Estadão

Entre os “bons acordos e bons investimentos” que o presidente Michel Temer espera trazer da China, está a consolidação do interesse dos asiáticos na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Está prevista a assinatura de um memorando de entendimento entre empresas chinesas e o governo da Bahia para tocar o empreendimento. O documento não é um compromisso de investimento, mas reflete o interesse das partes envolvidas no negócio.

Os chineses querem participar da construção da linha, que atravessa a Bahia, e do porto nas proximidades de Ilhéus (BA). Têm interesse também na exploração de minério de ferro na região de Caetité (BA), que será atendida pela ferrovia.

A outorga para exploração mineral pertence à Bahia Mineração (Bamin), empresa de capital cazaque que detém a licença para construir um terminal marítimo em Ilhéus. O governo baiano pretende instalar um porto público na mesma região.

Com 1.527 km e parcialmente construída com recursos federais, a Fiol não figurava entre os projetos mais “vendáveis” do governo. Além de não ter porto, está longe das regiões produtoras de grãos. Porém, ganhou importância porque coincide em parte com uma prioridade dos chineses, a ferrovia Bioceânica.

A Bioceânica foi anunciada em 2015 pela presidente Dilma Rousseff após acordo com os chineses. É um projeto orçado em US$ 70 bilhões, com traçado cortando o Brasil e o Peru para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. O Brasil desenhou um plano B: construir, com os chineses, a parte brasileira da Bioceânica, com interesse na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), projeto que atravessa o Mato Grosso. Segundo fontes do governo, os chineses aceitam, desde que esse projeto esteja acoplado à Fiol.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ferrovia Transnordestina só deve ficar pronta em 2021

20/08/2017 - JC Online

Obra é uma das muitas que tiveram o orçamento inflado e não ficaram prontas
    
Transnordestina já recebeu R$ 6,4 bilhões em investimento e ainda está pela metade / Diego Nigro/JC Imagem
Transnordestina já recebeu R$ 6,4 bilhões em investimento e ainda está pela metade
Diego Nigro/JC Imagem

ADRIANA GUARDA

Grandiosas e problemáticas também são as obras da Transnordestina, Hemobrás e Transposição do São Francisco. Todas envolvidas em irregularidades ou esquemas de corrupção. A ferrovia completou 11 anos em construção, já sorveu R$ 6,4 bilhões em investimentos e ainda está pela metade. A Hemobrás não conseguiu cumprir seu objetivo de produzir medicamentos e sofreu ameaça de ter parte transferida para o Paraná, enquanto a Transposição concluiu o eixo-leste, mas a água não chega a Pernambuco.

Por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), os repasses de recursos para a Transnordestina estão suspensos, e a obra, paralisada. O TCU quer evitar que continue o descompasso entre a liberação de dinheiro e a execução. Um grupo de trabalho formado pela Casa Civil e os ministérios dos Transportes e do Planejamento analisam as perspectivas de conclusão da ferrovia, enquanto a controladora Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) precisa atualizar os estudos de viabilidade e a demanda de cargas. O orçamento final da obra deve ficar em R$ 11,2 bilhões, e a conclusão, para 2021.

O governo Federal também estuda a possibilidade de uma “devolução amigável” da obra pela CSN ou a entrada de um novo sócio no empreendimento. “A melhor solução é a que concluir o empreendimento”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Raul Henry, dizendo que setores econômicos do Estado poderiam se beneficiar da ferrovia.

HEMOBRÁS

A Hemobrás protagonizou cena de novela, com maços de dinheiro voando do apartamento de um ex-diretor da empresa em 2015. A Operação Pulso, da Polícia Federal, apontou desvio de recursos e manipulação das licitações. Em construção desde 2010 e com expectativa de inaugurar em 2019, o empreendimento quase foi parar no Paraná, por desejo do ministro da Saúde, Ricardo Barros. Pressão de parlamentares pernambucanos fizeram o ministro recuar. Depois de receber R$ 1 bilhão em investimento, ainda serão necessários R$ 600 milhões para concluir a obra. Outro imbróglio é a transferência de tecnologia para fabricar os medicamentos no Estado.

Há 10 anos em construção, a Transposição do São Francisco conseguiu concluir o eixo leste, mas a água não chega a Pernambuco. O Estado depende da conclusão da Adutora do Agreste (que se arrasta por falta de recursos) e do Ramal do Agreste (que sequer saiu do papel) para que a água chegue à torneira da população.

domingo, 20 de agosto de 2017

Linha férrea pode ligar VLT ao Litoral Sul

19/08/2017 - A Tribuna

Trecho do ramal ferroviário entre o Samaritá, em SV, e Cajati pode auxiliar no transporte até Peruíbe

EDUARDO BRANDÃO

Subutilizado há décadas, o ramal ferroviário que liga o Porto de Santos ao Vale do Ribeira pode acelerar a expansão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para o Litoral Sul. A concessionária da centenária linha férrea pode devolver o lote de 213 quilômetros à União. Com isso, reabrem-se os debates de utilização dos trilhos para a mobilidade urbana e fins turísticos.

A devolução do ramal Cajati-Samaritá será debatida no processo de renovação de concessão da Malha Paulista, hoje sob responsabilidade da empresa Rumo. E está amparada em uma recente lei (13.448, de 5 de junho de 2017), sancionada pelo presidente Michel Temer (PMDB). A regra possibilita a concessionárias de rodovias, ferrovias e aeroportos a renegociar a possível entrega de lotes que não tenham mais interesses de operar. 

“Estamos diante de uma oportunidade única de discutir que fins essa ferrovia possa ter. Defendo alguns tipos de utilização. Uma delas é a expansão do VLT até Peruíbe”, afirma o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Preservação da Memória e do Patrimônio Ferroviário, João Paulo Papa (PSDB). Ele esteve na manhã desta sexta-feira (19) na sede do Sindicato dos Ferroviários da Zona Sorocabana, em São Vicente.

Papa afirma encabeçar tratativas com Governo Federal (Foto: Rogério Soares/AT)

O uso dos trilhos para ampliar a cobertura do VLT até Peruíbe sempre esteve nos planos do Governo do Estado. Mas havia o risco de entraves operacionais, caso a concessionária tivesse o desejo de reativar a linha. A alternativa, então, seria a integração do ramal ferroviário por ônibus,

“O Litoral Sul registra o maior crescimento populacional da Baixada Santista. Chega-se o momento de resolver a questão do transporte de forma amigável. O uso de veículos se mostra sobrecarregado”, continua Papa.

Inativo

A reativação do transporte de carga esbarra em seis prefeituras de cidades onde passava a linha, contrárias à proposta. Essa é uma das razões pela qual a empresa Rumo não reativou o trajeto – aliás, responsável pela expansão populacional do extremo sul do Estado, no século passado. 

Desde 2008, a concessionária é pressionada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para reativar o trecho, mas sem sucesso. Por essa razão, o Ministério Público Federal entrou em 2015 com ação civil para exigir o cumprimento do contrato de concessão entre a empresa e o Governo Federal. 

Em nota, a empresa afirma negociar junto à ANTT o processo de renovação do contrato de concessão. Sustenta finalizar um estudo de análise da viabilidade econômica para o transporte ferroviário no referido trecho.

“Sendo constatada a inviabilidade econômica, será solicitada a devolução deste ramal ferroviário”, posiciona-se. A concessionária garante apresentar um relatório de alternativas viáveis para utilização do trecho, como plano de ampliação do VLT ou trens turísticos. “Até o momento, não há nada estabelecido sobre a questão”, finaliza.