sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Pará quer concessionar ferrovia de R$ 17,5 bi para exportar a soja do Centro-Oeste



26/02/2016 - Folha de São Paulo

O Pará vai anunciar um plano de concessão de ferrovia para o escoamento ao exterior da soja de Mato Grosso. A futura estrada de ferro deverá cortar a banda leste do Pará.

O trecho sul, de Santana do Araguaia (na divisa com Mato Grosso) a Marabá, terá 590 km de extensão e está orçado em R$ 8,3 bilhões.

A metade norte, por sua vez, com 750 km, completará o percurso de Marabá até o porto de Barcarena (vizinho a Belém) –a previsão de custo é de R$ 9,2 bilhões.

Hoje, o transporte dos grãos de Mato Grosso até o litoral paraense se dá por meio de caminhões e barcaças.

"A redescoberta da região Norte para exportações significa que ela é uma alternativa viável para o país vender à Europa, aos Estados Unidos e à Ásia [pelo canal do Panamá]", afirma o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB).

"Mesmo neste momento de adversidade, temos nos equipado para sair da crise em uma posição favorável", diz.

Entre as empresas interessadas no projeto, segundo Jatene, estão uma estatal chinesa de ferrovias e uma multinacional de origem argelina, que também tem planos de construir uma central para o processamento de grãos.

"A intenção é nos tornarmos mais que um mero corredor de exportação de commodities. Queremos instalar estruturas para agregar valor aos produtos antes que eles sejam levados ao exterior."

O projeto será apresentado nesta sexta-feira (26) a empresários na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

PMI do Pé Vermelho tem três interessados



18/02/2016 - O Diário.com

Três consórcios de empresas apresentaram propostas dentro do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) do Trem Pé Vermelho, lançado em edital pelo governo do Paraná no final do ano passado. De acordo com a Secretaria de Estado do Planejamento, os grupos são formados por empresas nacionais e internacionais do setor ferroviário.

Os integrantes de cada consórcio só vão ser divulgados depois das propostas pelo Conselho Gestor de Concessões (CGC), que vai aprovar ou não a realização dos estudos pelos interessados. A previsão mais otimista é que as propostas, devidamente embasadas com pareceres técnicos da área jurídica e de engenharia, sejam analisadas pelo CGC na próxima reunião, agendada para o dia 25 de fevereiro, mas há possibilidade da análise ocorrer somente na reunião de março, que vai acontecer na última semana do mês. "Os grupos técnicos setoriais vão realizar reuniões esta semana para elaborar os relatórios que vão ser encaminhados ao conselho gestor, que delibera sobre a continuidade do processo. O objetivo é avaliar a qualificação das empresas", explica o assessor de Planejamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral.

Se uma ou mais propostas forem aprovadas, a expectativa é que dentro de um ano o governo do Estado tenha condições de abrir uma licitação para fazer a concessão do trem de passageiros, criar uma parceria público-privada ou abrir uma licitação para executar o projeto. "O primeiro passo é atualizar o estudo de viabilidade, feito em 2007 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e, ao mesmo tempo, podem ser iniciados os estudos básicos que vão ser discutidos com o governo." Ao final, são realizados os projetos básicos, que incluem as questões topográficas e ambientais. "O mais interessante do PMI é que o estado não tem custos no processo até a definição do projeto final", explica o assessor.

O superintendente da Agência Terra Roxa, Alexandre Farina, afirma que ainda não teve acesso a composição dos consórcios mas acredita que parte dos interessados tenham conhecido detalhes no projeto na Feira Negócios nos Trilhos, realizada em novembro de 2015, e em reuniões explicativas da proposta. "Acreditamos que estas ações de divulgação do projeto e da região motivaram e levaram o conhecimento necessário ao setor ferroviário da América Latina".

Importante para a região

A vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti (sem partido), que assinou o edital de lançamento do PMI do Trem Pé Vermelho, considerou positiva a resposta da iniciativa privada, que foi convocada a auxiliar o poder público no detalhamento do projeto. "Queremos uma ferrovia moderna, com capacidade para transportar os passageiros com eficiência e segurança. Será um grande eixo de desenvolvimento regional conectando as regiões metropolitanas de Maringá e Londrina", afirma.

O prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin (PP), considera que o projeto tem tudo para ser viabilizado por meio da PMI. "É de grande importância para a região e vai consolidar um novo eixo de comércio na região. Para Maringá, inclusive, contempla a ligação direta das cidades abrangidas com o terminal multimodal que vamos implantar ao lado do aeroporto. A pessoa vai ter condições de pegar o trem em Apucarana para embarcar no aeroporto de Maringá", avalia.

O prefeito lembra que o Trem Pé Vermelho é considerado um dos três projetos ferroviários de passageiros mais viáveis do Brasil. "Tem tudo para garantir o retorno aos investidores", diz.

O prefeito de Apucarana, Beto Preto (PT), é outro entusiasta da consolidação do Trem Pé Vermelho. "Somos totalmente favoráveis a implantação deste projeto, que tem grande importância dentro da proposta de criação de uma grande região metropolitana que integre Londrina, Apucarana e Maringá", defende.

Senadores recebem comitiva chinesa para debater obra da Ferrovia Bioceânica

18/02/2016 - Agência Senado / Diário de Cuiabá

Senadores recebem comitiva chinesa para debater obra da Ferrovia Bioceânica

Os senadores Jorge Viana (PT-AC), Valdir Raupp (PMDB-RO), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Wellington Fagundes (PR-MT), membros da Frente Parlamentar Mista Brasil-Peru-China Pró Ferrovia Bioceânica, receberam nesta quarta-feira (17) uma comitiva de empresários chineses interessados na construção da Ferrovia Bioceânica que vai ligar o oceano Atlântico ao Pacífico.

Composta por profissionais da área de ferrovia e engenharia da China, a comitiva veio ao Brasil trocar informações referentes à obra e disponibilizar sua experiência nessa área a fim de colaborar com as dificuldades apresentadas pelos relatórios preliminares, intermediários e final dos estudos de viabilidade econômica.

Para o senador Valdir Raupp é preciso que o Governo dê celeridade às análises dos relatórios e aceite os estudos preliminares para avançar nas próximas etapas de execução do empreendimento.

— A China já demonstrou total interesse em colaborar com o projeto e o trecho entre os estados de Mato Grosso e Rondônia já tem carga garantida para escoar. Mas precisamos de agilidade nesse processo — avaliou o peemedebista.

Wellington Fagundes enfatizou a importância do projeto para o desenvolvimento do País, para o escoamento da produção e para relação comercial entre Brasil e China.

— Com a ferrovia o custo de produção vai diminuir, a competitividade dos produtos brasileiros vai aumentar e vamos estreitar a relação econômica entre os dois países — previu Wellington.

Além dos senadores também participaram da reunião os deputados federais Angelim (PT-AC), César Messias (PSB-AC) e Fábio Faria (PSD-RN), que igualmente demonstraram preocupação e ressaltaram a importância desse empreendimento para o desenvolvimento econômico do país.

Lin Zhouyan, presidente do Conselho do Grupo Hsinchong Constructions, agradeceu a receptividade dos parlamentares e governo brasileiro, colocando o grupo à disposição para ajudar a solucionar os entraves apresentados.

— Já ficou claro o entusiasmo de ambos para a construção dessa ferrovia. Todos reconhecemos os desafios a serem enfrentados por se tratar de uma obra gigantesca, mas diante dessa vontade as dificuldades serão vencidas — afirmou.

Ao final do encontro o senador Jorge Viana esclareceu que a proposta da Frente Parlamentar, composta por mais de 200 deputados e senadores, é trabalhar com a embaixada de China e o governo brasileiro para agilizar o projeto. E informa ainda que serão realizados seminários nas regiões onde a ferrovia será construída e que uma visita à China será agendada para conhecer as dificuldades enfrentadas pelos chineses na construção de obras como a Bioceânica.


Fávaro defende que obra da ferrovia Transoceânica comece por MT

18/02/2016 - Diário de Cuiabá

Com o intuito de priorizar o fortalecimento da infraestrutura do Estado, o governador em exercício Carlos Fávaro defendeu que o primeiro trecho da Ferrovia Transoceânica comece a ser construído em Mato Grosso. Fávaro participou nesta quarta-feira (17), em Brasília, de uma reunião com um grupo de investidores chineses e com o ministro da China no Brasil, Wang Wei, com o objetivo de avançar nas discussões para construção da ferrovia e se colocou à disposição para empreender todos os esforços políticos necessários para que a obra saia do papel. Em sua avaliação, a construção de forma fracionada é uma excelente opção.

"Mato Grosso tem as cargas, tem o volume necessário que já alimenta o sistema”. Ele lembrou que o Estado é o maior produtor de grãos do Brasil e que a China é o destino de 63% da exportação da soja produzida em Mato Grosso. Ele citou a possibilidade de começar a construção pelo trecho que sai de Sapezal, passa por Comodoro e segue até Porto Velho, no rio Madeira.

Outra possibilidade é o trecho que liga Lucas do Rio Verde a Campinorte (GO), no entroncamento com a ferrovia Norte-Sul. Os recursos obtidos com a primeira fase da obra poderiam ser aplicados na construção das pontes que são fundamentais para a ligação oceânica. O ministro da China no Brasil, Wang Wei, reforçou a importância de iniciar os trabalhos em trechos que tragam viabilidade econômica e disse que não há problemas com o tipo de concessão do Brasil, mas que é preciso analisar a parte financeira.

"Também esclareço que a China e o Brasil não têm nenhum obstáculo em nível de governo”. Para Fávaro, essa intenção dos chineses demonstra pé no chão e a certeza de que o projeto tem viabilidade.

"Queremos ressaltar o compromisso do governador Pedro Taques e do governo do Estado para fazer o que for necessário para viabilizar a ferrovia diante dos trâmites burocráticos, mas os maiores desafios referentes à burocracia devem ser rompidos pelo governo federal, que vai cuidar da concessão”. A reunião organizada pelo senador rondoniense Acir Gurgacz também contou com a participação dos vice-governadores do Acre, Nazareth Lambert, e Rondônia, Daniel Pereira.

Os dois estados também serão beneficiados diretamente com a ferrovia. Parte da bancada federal mato-grossense também esteve na reunião. O senador Gurgacz reforçou que o governo federal e o governo peruano têm interesse na construção da ferrovia, e que todos os estados trabalham para o avanço da obra.

"A expectativa é muito grande e temos a mesma intenção de acelerar esse projeto”, disse. Ele afirmou que em maio o projeto de viabilidade técnica, econômica e ambiental ficará pronto em maio e será entregue ao governo federal.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Reunião entre governadores e empresários chineses discutirão ferrovia Transoceânica

14/02/2016 - Só Notícias

Governador em exercício, Carlos Fávaro (PSD), vai representar o Estado de Mato Grosso na próxima quarta-feira (17), em reunião de chefes de Executivos estaduais, em Brasília. O encontro será integrado por comitiva de empresários da China, interessada em investir no modal de transporte ferroviário, com traçado que passa pelo estado. Ele vai substituir Pedro Taques (PSDB), que viaja hoje (14) ao exterior para participar do Fórum Global para Inovações na Agricultura, que será realizado em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes. Taques irá apresentar as potencialidades de Mato Grosso, com meta de atrair investidores.

O encontro em Brasília segue a mesma ótica, com tentativa de convencer empresários a apostar as fichas no cenário de desenvolvimento do Estado. “Essa reunião em Brasília já é fruto do trabalho iniciado pelo governador Pedro Taques no ano passado, com relação a Ferrovia Transoceânica (ligando o Brasil ao Peru), e pode ser dita a Fico (Ferrovia Integração Centro-Oeste), que é a mesma”, explicou se referindo a integração do sistema.

Fávaro frisa a importância da consolidação do modal ferroviário em Mato Grosso como alternativa para redução de custos no escoamento da produção agrícola. “Custa tanto a logística para o Centro-Oeste brasileiro que não tenho dúvida da viabilidade econômica. Pagamos o frete mais caro do mundo. Se nós simplesmente trocarmos de modal, do rodoviário para o ferroviário, é possível ganhar entre U$ 50 e U$ 60 (dólares) por tonelada. Isso é um ganho significativo. E temos outras perspectivas de ferrovias”.

Em termos gerais, o preço do frete do transporte ferroviário é 25% a 30% mais econômico que o rodoviário. Em relação a Ferrovia Transoceânica, ainda estariam em andamento estudos sobre sua viabilidade econômica para o Estado. Números preliminares teriam atraído investidores, como assegura o governador em exercício.

“A Fico é tratada dentro do contexto regional. E a Transoceânica, do Atlântico ao Pacífico, mas que já teve um primeiro desdobramento, quando apresentamos as potencialidades para aquela comitiva que veio a Mato Grosso. E agora a convite do embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, ele está trazendo os empresários que tem interesse em fazer investimentos nessas ferrovias, quer seja segmentada, porque não precisa trabalhar toda. Pode se pegar em pontos mais importantes e ligar a terminais portuários fluviais, como em Porto Velho, ligando a Ferrovia Norte e Sul que é a Fico, ligando de Leste a Oeste. Então ela já pode começar a ser construída, tendo lógico depois o objetivo de ligar Atlântico ao Pacífico”, afirmou.

Em 2015, grupo de engenheiros da China percorreu trechos no Estado onde devem passar os trilhos. Em Mato Grosso, existem projetos para implantação de novos trechos ferroviários, como a Ferronorte, ligando Rondonópolis a Cuiabá, além da Cuiabá-Santarém contando com parceria de chineses. Segundo o governo federal, no Brasil, a megaferrovia (Transoceânica) também terá pontos de ligação nos estados de Tocantins e Acre, atravessando os Andes até chegar ao porto do Peru.

Fávaro lembra que cabe ao governo federal a política de execução do modal, sendo Mato Grosso um dos estados apoiadores da implantação do sistema ferroviário. “O governo do Estado estará sempre apoiando, porque esse é um papel da União, do governo federal. E o governo estadual apoiará sempre esse marco de desenvolvimento, a mudança de modal”.

O estudo da ferrovia está em andamento por meio de parceria com o governo da China. Ela partiria do Peru, passando pelo Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, em mais de 4 mil quilômetros. São estimados pelo menos R$ 30 bilhões em investimentos para agilizar o escoamento da produção agrícola, principalmente a mato-grossense.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Governo aprova estudo para a Ferrogrão

  05/02/2016 - Valor Econômico 

O Ministério dos Transportes aprovou os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental da Estação da Luz Participações (EDLP) para a concessão do trecho ferroviário de Sinop (MT) a Miritituba, no município de Itaituba (PA), a chamada "Ferrogrão". 

A ferrovia foi incluída na segunda fase do Programa de Investimentos em Logística por pressão do agronegócio, e é defendida pelo consórcio de tradings Cargill, Bunge, Louis Dreyfus Commodities e Amaggi, e a EDLP, que atua como estruturadora de negócios. 

Com custo previsto de R$ 11,5 bilhões, 70% financiado pelo BNDES, o trecho de 930 quilômetros terá capacidade para escoar 30 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) por ano de Mato Grosso aos portos do Norte. A redução estimada de frete pode chegar a 40%. 

A decisão, publicada no "Diário Oficial da União", também aprova ressarcimento à EDLP pelo estudo, no valor de R$ 33,791 milhões, caso o consórcio não ganhe o leilão. 

"No caso de eventual ressarcimento à empresa interessada, o valor aprovado será reajustado para a data do efetivo pagamento proporcionalmente à variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre fevereiro de 2014 e dois meses antes da data do efetivo pagamento", diz o despacho. 

A proposta irá para audiências públicas e análise do TCU. Só após o trâmite a concessão será licitada.