sexta-feira, 26 de novembro de 2010

MP pede suspensão da licitação do TAV

25/11/2010 - Folha de S. Paulo

O Ministério Público Federal no Distrito Federal recomendou hoje à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) que suspenda a licitação para concessão de exploração do trem-bala, no trecho Rio de Janeiro-Campinas (SP).

O motivo seriam falhas no estudo técnico da obra e no próprio edital de concessão que podem causar, em pouco tempo, graves prejuízos aos cofres públicos. A agência tem até segunda-feira para informar o MPF sobre as providências adotadas.

Um dos problemas apontados pelo Ministério Público é a imprecisão da estimativa de custos da implantação do trem de alta velocidade. Para a procuradora da República Raquel Branquinho, a inexistência de projetos de engenharia detalhados, com um cenário realístico da quantidade de serviços de terraplanagem, estruturas portantes e área atingida, por exemplo, impede uma avaliação confiável do impacto sócio, econômico e ambiental causado pela obra.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que está analisando dois pedidos de impugnação do leilão do trem-bala, marcado para a segunda-feira. Ontem, o presidente da ANTT, Bernardo Figueiredo, disse que não houve mudanças no edital que justificassem o alongamento do prazo.

Interessados no projeto pressionam o governo para conseguiro adiamento da data. Consórcios formados por empresas internacionais que detêm a tecnologia para a construção do trem alegam dificuldade em encontrar parceiros brasileiros e questionam a viabilidade do projeto.

Os franceses anunciaram há dois dias a desistência de participar do leilão. Outros investidores estrangeiros também ameaçam abandonar a proposta. Até agora, só o grupo sul-coreano, formado pela estatal operadora Korail e pela fabricante Rotem/Hyundai e que teria mais 20 empresas nacionais e estrangeiras, confirma que fará proposta.

TAV fica para abril de 2011

26/11/2010 - Revista Ferroviária

A ANTT anunciou na tarde desta sexta-feira (26/11) o adiamento da licitação do TAV. A nova data para entrega das propostas será 11 de abril e o leilão para a escolha do consórcio vencedor passou para 29 de abril. A decisão foi anunciada após a reunião do diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, com investidores.

A entrega das propostas estava marcada para esta segunda-feira, 29 de novembro, e o leilão aconteceria em 16 de dezembro.

A ANTT deve publicar uma nota oficial ainda hoje.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Governo espera que três consórcios participem do leilão do trem-bala

23/11/2010 - Valor Econômico - André Borges - São Paulo/SP
 
O governo espera que ao menos três consórcios entreguem suas propostas para o trem-bala na segunda-feira, 29. Apesar da pressão dos empresários do setor para que a data do leilão seja adiada, o governo decidiu que o calendário está mantido. "Faz um ano e meio que esse projeto está em audiência pública e já foi muito discutido. Não há razão para adiamento, isso está fora de cogitação", diz Bernardo Figueiredo, presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Sobre a entrada dos fundos de pensão no projeto, Figueiredo acredita que o acordo com o consórcio vencedor deve ocorrer somente após a realização do leilão. Os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef - dos funcionários do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica Federal, respectivamente - devem entrar com 20% do projeto, sendo que desembolsarão inicialmente R$ 1,5 bilhão. O restante do capital entrará por meio de financiamento do BNDES, que será pago no longo prazo pelos acionistas do trem-bala. "Do ponto de vista da licitação, a entrada posterior dos fundos garante mais competitividade e evita que um consórcio se fortaleça em detrimento do outro", diz Figueiredo.

Previ, Petros e Funcef vão bater o martelo no modelo de participação no projeto do trem-bala no fim desta semana ou início da próxima, informaram fontes que participam das negociações. A tendência que prevalece entre as fundações é a de entrar no negócio após o leilão, através da Invepar, holding da qual são acionistas junto com a empreiteira OAS.

As fontes afirmaram que o encaminhamento dado pelos fundos à participação no investimento do trem-bala "não decorre de nenhuma orientação política ou de um desejo do governo". O entendimento entre os três fundos para fechar sua presença no negócio envolve apenas questões técnicas sobre a melhor maneira de entrar no empreendimento, reafirmaram as fontes. Previ, Petros e Funcef pretendem pretendem acertar com o consórcio vencedor condições mínimas de participação da Invepar na governança corporativa do trem-bala, ou seja, presença no conselho de administração do empreendimento, no conselho fiscal e em órgãos de fiscalização

Do lado dos consórcios, a pressão para que a data do leilão seja adiada segue forte. A Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) e o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) entregarão hoje uma carta ao governo pedindo o adiamento do leilão pelo prazo de seis meses. Segundo essas organizações, o impasse causado pelo período eleitoral - que tinha candidatos com opiniões opostas sobre o trem-bala - e o detalhamento recentes sobre financiamento do BNDES são argumentos suficientes para que se altere a data do leilão.

"Sempre apoiamos o projeto e acreditamos que o país se tornará uma potência ferroviária ao implantar o trem-bala, mas o adiamento poderia resultar numa qualidade melhor de propostas", comenta Vicente Abade, da Abifer. "Desde o começo desse projeto se fala em até oito países interessados. Seria uma pena se aparecerem poucos concorrentes."

"Acredito que há tempo para que o leilão seja adiado e acordos de viabilização dos consórcios possam ser preparados", diz Rodrigo Vilaça, diretor da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários . "Mais 60 ou 90 dias não causariam impacto no cronograma previsto para obra." (Colaborou Vera Saavedra Durão, do Rio) 
 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ministro autoriza início de obras da Variante Ferroviária de Camaçari (BA)

22/11/2010 - Transporta Brasil - Marília Brandão
 
Construção vai diminuir o tempo de viagem entre o polo petroquímico de Camaçari ao Porto de Aratu de 67 pra 19 minutos. Novo trecho tem previsão de entrega de 18 meses




As obras de construção da Variante Ferroviária de Camaçari (BA) devem ser iniciadas às 10h desta segunda-feira (22), com a autorização do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. O novo trecho liga o polo petroquímico de Camaçari ao Porto de Aratu e tem previsão de entrega em 18 meses.

A variante desvia o trajeto da linha férrea, que hoje passa por dentro do município de Camaçari, e encurta em 15 quilômetros a distância entre o polo e o porto. Este desvio deve diminuir o tempo de viagem, de pouco mais de uma hora para 19 minutos, já que os trens poderão trafegar com o dobro da velocidade possível num sistema viário urbano. As mudanças devem diminuir o número de acidentes e o fim dos conflitos entre ferrovia e circulação de pedestres e veículos.

A cidade de Camaçari é responsável por 30% do PIB baiano e exporta US$ 2,3 bilhões por ano. O Polo Petroquímico é o principal gerador de carga ferroviária no Estado, com 6.400 toneladas diárias. Deste número, aproximadamente 4.000 toneladas são de produtos perigosos e tóxicos, o que torna a isolação do tráfego ferroviário ainda mais necessária.

A obra da variante está avaliada em R$ 99,6 milhões e inclui a construção de nove obras de arte especiais, incluindo passagens inferiores, uma ponte e um viaduto. O novo trecho também terá rampas menos íngremes e curvas mais largas. Com as obras, mais de 2.000 novos empregos diretos e indiretos serão gerados na região.

Com informações de DNIT.
 

domingo, 21 de novembro de 2010

Projeto do Ferroanel deve ficar pronto em 2011

09/11/2010 - Revista  Ferroviária

“A implantação do Ferroanel já está em negociação entre o Governo Federal e o do Estado de São Paulo. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) se responsabilizou por desenvolver um estudo atualizado das necessidades da região. O projeto deverá ficar pronto para licitação em 2011, comentou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos durante a coletiva à imprensa, realizada ontem (9), na abertura oficial da Feira Negócios nos Trilhos, que acontece em São Paulo.

Na ocasião, ele falou sobre a Medida Provisória lançada pelo Governo Federal ontem (8), que serviu para explicitar melhor os processos licitatórios e que todos os prazos para anunciar o consócio vencedor foram mantidos, mas ainda não há datas definitivas para o início nem fim da construção do TAV. A linha que liga Rio de Janeiro a Campinas vai atender aos aeroportos de Viracopos, Cumbica e Galeão.

Confira a cobertura completa no hot site da Feira Negócios nos Trilhos 2010.
 

sábado, 20 de novembro de 2010

''Trem-bala é viável, não tem improviso''

15/11/2010 - O Estado de S. Paulo

O superintendente da Área de Estruturação de Projetos do BNDES, Henrique da Costa Pinto, acumulou, em dois anos, mais de 500 gigabytes em relatórios, planilhas, mapas e até estudos geológicos. Tudo para subsidiar o edital do leilão de concessão do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Campinas, São Paulo e Rio, marcado para 16 de dezembro.

Defendido pela presidente eleita Dilma Rousseff, o projeto estimado em R$ 33 bilhões terá crédito de R$ 20 bilhões do BNDES, garantia do Tesouro e subsídio em caso de demanda frustrada. Em entrevista ao Estado, Henrique diz que o modelo de financiamento minimiza riscos para elevar a competição no leilão. Para ele, não há dúvidas que o TAV terá demanda suficiente para não deixar a conta bilionária para o contribuinte.

Por que um trem-bala para ligar Rio e São Paulo?

O trecho tem alta densidade populacional e distância ideal para esse tipo de projeto. Há gargalos nos aeroportos e sinais de saturação na Via Dutra. Se compararmos com outras soluções no mundo, é a melhor saída. Esse conceito não surgiu aqui. Há estudos com a mesma conclusão desde a década de 80.

Há a impressão de que o governo cismou com um trem-bala e depois foi verificar a viabilidade. Foi o contrário?

Há um problema real de transporte nessa região, que é muito densa. Não é porque a gente quer fazer trem-bala. Tenho a impressão que o brasileiro acha que a gente não é capaz ou não merece. É um problema psicológico, nem meus amigos acreditam. O projeto é sério, viável, foi muito estudado. Não tem nada de improviso. Houve resistência nos países que fizeram. Quando vê que funciona, todo mundo quer mais. Aqui não será diferente.

Há quem considere a previsão de 90 mil passageiros por dia superestimada.

Muita gente fala, mas não avalia o caso específico. Usamos um modelo complexo, com mapas por microrregiões e mais de 17 mil entrevistas em aeroportos, rodoviárias e praças de pedágio. Visitamos todos os países que têm. O estudo foi feito com dados de 2008, quando Viracopos ainda não tinha crescido tanto. Esse é um dos pontos que indicam que a projeção pode subir.

A passagem a R$ 199 é realista para a viabilidade econômica?

Esse é o preço que otimiza o sistema, mas o modelo é dinâmico. A ponte aérea não vai acabar e vai ter competição. O teto do TAV será R$ 199, na classe econômica, mas poderá ser mais agressivo com o avião, dando descontos em horários ou compensando nos 40% da capacidade que ele pode ter como classe executiva. Será muito bom para o consumidor.

Se a atratividade econômica é grande, por que agregar garantia e possível subsídio de R$ 5 bilhões do Tesouro ao financiamento de 30 anos?

Precisávamos dar condições para atrair grupos experientes, que são poucos no mundo. Eles precisam de garantias para atrair investidores para os consórcios.

Optou-se então por ultrapassar o limite de financiamento do BNDES e dar as garantias do Tesouro apenas para aumentar a concorrência no leilão?

É a realidade do País. Precisa de longo prazo e, por enquanto, só o BNDES tem feito.

A inclusão do subsídio em caso de demanda frustrada, não sinaliza, que o próprio governo tem dúvidas?

Ao contrário. O risco de construção e de demanda é do empreendedor. O que fizemos foi mitigar uma parte desse risco, no início da operação. Os grupos já fizeram seus estudos de demanda e me surpreenderia se tiverem alguma dúvida que não vão precisar do subsídio. Mas foi muito importante.

O contribuinte não corre o risco de pagar a conta se o TAV for malsucedido?

Não vai pagar. Não estamos transferindo o risco para o Tesouro. O que se faz nessa hipótese é uma renegociação, alonga o prazo. O dinheiro volta.

As duas metrópoles que o TAV vai ligar têm graves problemas de transporte. Não seria melhor investir esses bilhões em metrô?

O TAV é uma necessidade tão importante quanto qualquer outra. E não precisamos de uma escolha de Sofia. Da forma como foi modelado, não vai concorrer com os recursos orçamentários de projetos como metrô. Ao contrário, vai ajudar a desenvolver uma indústria compatível com a de metrô, é tudo elétrico. Hoje, a concentração em Rio e São Paulo traz um problema crônico de transporte.

Se pensarmos no vetor de descentralização urbana do TAV, ajuda também nessa questão, que é um problema atual e futuro.
 

Valec publica contratos de 2 trechos da Oeste-Leste

12/11/2010 - Agência Estado

A Valec - Engenharia, Construções e Rodovias S.A. divulgou na edição de hoje (12) do Diário Oficial da União os extratos de contratos referentes à execução de mais dois subtrechos da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol). As duas obras envolvem partes da ferrovia localizadas entre Ilhéus e Barreiras, na Bahia.

O lote 02, compreendido entre o riacho Jacaré e o Rio da Preguiça, com 117,9 quilômetros, será executado pelo "Consórcio Galvão - OAS", em contrato de R$ 650.414.035,89. O lote 07, entre o Rio das Fêmeas e a estrada vicinal de acesso à BR-135, com 161,12 quilômetros, será executado pelo "Consórcio Oeste Leste Barreiras", em contrato de R$ 535.729.183,11.

A Valec informou também por meio do Diário Oficial de hoje que recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a renovação da licença prévia 349/2010. Essa licença refere-se às obras da Fiol relativas ao trecho "Plataforma de Integração Modal de Figueirópolis", no Estado de Tocantins, até a "Plataforma de Integração Modal de Ilhéus", na Bahia. A licença tem validade até 7 de abril de 2014.

A Fiol tem traçado previsto de quase 1,5 mil quilômetros, partindo do litoral da Bahia, passando pelo oeste baiano, até chegar ao interior de Tocantins. A ferrovia deverá ser construída em três etapas, transformando-se em um canal de escoamento de grãos e de minério de ferro. Em Figueirópolis (TO), a Fiol se encontrará com a Ferrovia norte-sul.
 

Traçado faz Ferroanel voltar à estaca zero

17/11/2010 - Valor Econômico

Mais do que a falta de recursos ou do que os problemas ambientais é a indecisão sobre a melhor opção de traçado que levou a construção do Ferroanel para a estaca zero. Apesar de o projeto já ter mais de 20 anos e de ser considerado de extrema importância para contornar a travessia das cargas da Região Metropolitana de São Paulo para ao porto de Santos, ainda não há consenso sobre quais tramos (vãos) trariam maior benefício na melhoria do desempenho logístico no fluxo de cargas. Na falta do acordo, a agência reguladora dos transportes, a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), optou pelo encaminhamento do projeto do Ferroanel ao Banco Mundial, para reavaliação técnica e modelagem financeira.

Se fosse cumprido o cronograma estabelecido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Ferroanel poderia estar concluído em 2011, diz Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT. Agora, a estimativa é que a reavaliação seja concluída em prazo de um ano, para depois serem cumpridos os trâmites necessários para a construção da obra.

Segundo ele, o impasse se deu sob diversos aspectos, desde questionamentos ambientais, passando pela necessidade de adequação ao projeto do Rodoanel, em construção na Região Metropolitana de São Paulo, até a disputas comerciais, nas quais a superação do gargalo logístico pelo anel de trilhos foi entendida como estímulo a um ou a outro fluxo de carga rumo a terminais portuários paulistas ou fluminenses. As justificativas paulistas foram acatadas, mas sob o ponto de vista técnico qualquer uma das duas opções que estavam sendo debatidas, tramo norte ou tramo sul, seria melhor do que nenhuma, diz Figueiredo. Ele diz, no entanto, que a solução para a transposição são os dois tramos, porque a eficiência de um não supera a deficiência do outro.

No projeto original do Ferroanel, estavam previstos dois tramos de trilhos, contemplando a construção de novos trilhos e a ampliação de outros, que acrescentam eficiência à operação da malha ferroviária da região, hoje sob responsabilidade da MRS Logística. Completo, o Ferroanel teria 110 km, e o projeto inicial obteve orçamento na faixa de R$ 3,5 bilhões.

No PAC, de 2007, estava prevista a construção de um dos tramos, o norte, de 66 km, com previsão de recursos de R$ 528 milhões. Essa opção já havia passado por avaliação técnica e econômica do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Ferroanel supera o conflito existente no transporte de cargas e de passageiros, que precisam utilizar a mesma via de trilhos. Atualmente, as mercadorias só podem trafegar em determinados períodos noturnos, o que ocasiona problemas para a manutenção do ritmo operacional logístico, na medida em que toda a mercadoria que chega até a região pelos trilhos rumo ao porto de Santos precisa ficar parada, à espera do momento da liberação.

Atualmente, não temos como atender a demanda de cargas devido aos entraves no tráfego de trens da Região Metropolitana, diz Eduardo Parente, presidente da MRS Logística, cuja malha é composta por 1,7 mil km de trilhos entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para contornar o problema, a empresa está investindo capital próprio em soluções que aliviarão o problema. Recentemente, divulgou investimentos de R$ 230 milhões para a segregação de 12 km de vias férreas na Grande São Paulo, no trecho entre a localidade de Manoel Feio, no município de Itaquaquecetuba, e de Suzano, na região leste da capital. Quando iniciada a operação, haverá linhas específicas para o tráfego de cargas e para o de passageiros.

Parente ressalta que a segregação de linhas é parte da solução integrada da transposição de São Paulo, composta pelo Ferroanel. A MRS quer, inicialmente, duplicar sua movimentação de cargas para o porto de Santos, chegando em curto prazo a 24 milhões de toneladas. Em um segundo momento, a ideia é atingir 56 milhões de toneladas.

Apesar da preferência dos passageiros na disputa pelo uso das linhas férreas, o Ferroanel tem grande importância para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), operadora paulista do transporte ferroviário de passageiros da Região Metropolitana de São Paulo. Sérgio Henrique Passos Avelleda, presidente da empresa, diz que, no passado, trafegar pelas mesmas vias que a carga não era problema. Mas, nos últimos quatro anos, o transporte diário de passageiros saiu de 1,5 milhão para 2,2 milhões e a expectativa da empresa é atingir 3,7 milhões nos próximos anos.

Os prejuízos também estão na conta do porto de Santos. Segundo Renato Ferreira Barco, diretor de planejamento e controle da Docas de São Paulo, o Ferroanel é medida de necessidade premente para alcançar os terminais paulistas. A acessibilidade não está em nossa alçada, mas faz parte de nossos estudos, porque esses gargalos precisam ser enfrentados para que a movimentação portuária ganhe a eficiência necessária.

Atualmente, segundo ele, apenas 20% das cargas chegam ao porto por ferrovia. Os restantes 80% chegam por caminhões, gerando graves problemas para as empresas embarcadoras, para os operadores dos caminhões e, também, para as empresas de navegação, tanto da cabotagem como do comércio exterior.
 

Ministro defende adiamento do Ferroanel

18/11/2010 - Valor Econômico

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou hoje que adiamento do Ferroanel foi importante para realização de novos estudos que vão aperfeiçoar a proposta de melhoria do sistema ferroviário de travessia de cargas da Região Metropolitana de São Paulo para ao Porto de Santos.

"É muito mais razoável trazer uma solução articulada, que seja reconhecida pelo governo estadual, federal e pelos empresários do que ficar com uma idéia fixa e um prazo previamente estabelecido e, por fim, não fazer o que poderia ser feito de melhor", afirmou Passos sobre previsão inicial do Programa de Aceleração do Crescimento de concluir o Ferroanel ainda em 2011. As declarações do ministro foram dadas enquanto deixava a sede do Ministério dos Transportes.

O ministro informou que os estudos realizados atualmente pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Secretaria de Transportes de São Paulo, acompanhado pelo Banco Mundial, levarão a um aprofundamento das análises técnicas construídas até agora. Outro objetivo dos novos estudos, segundo o ministro, é conciliar os interesses tanto do governo federal quanto do Estado.

"Até há pouco tempo não se tinha uma posição uniforme sobre isso", disse Passos ao se ferir a mudança de traçado da ferrovia. Segundo ele, os trabalhos técnicos tem avançado e já apontam para algumas conclusões - como, por exemplo, a de abandonar a ideia de construir um pequeno túnel ferroviário na região chamada de "mergulhão".

As indefinições dizem respeito à busca de soluções para os tramos (vãos) sul e norte e aos aspectos relacionados ao transporte urbano de passageiros na Região Metropolitana. Passos ressaltou que a nova proposta do projeto pode conter vantagens do ponto de vista do licenciamento ambiental, da desapropriação de terrenos e até de custos de execução, se tiver alguma compatibilidade com o projeto do Rodoanel.

Passos afirmou que o Ferroanel foi tratado ontem rapidamente em reunião com a presidente eleita Dilma Rousseff. No encontro, também foram apresentadas informações sobre outras obras de transporte do PAC.
 

ANTT mantém datas do TAV

18/11/2010  - Revista Ferroviária
 
A Agência Nacional de Transportes Terrestres confirmou ontem (17) que os interessados em participar da licitação do TAV Brasil têm que entregar as propostas até 29 de novembro. A aberturas das propostas está marcada para 16 de dezembro, às 11 horas, na Bolsa de Valores de São Paulo. No mesmo dia, será publicado no site da ANTT a ordem de classificação das propostas econômicas.

O cronograma do projeto está disponível no site do TAV Brasil.
 

Fundos podem ficar com até 20% do TAV

19/11/2010 - Valor Econômico

Wagner Pinheiro, presidente da Petros: É melhor garantir a entrada no fim do processo do que abrir uma disputa dos consórcios pelo dinheiro dos fundosOs fundos de pensão Previ, Petros e Funcef - dos funcionários do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica Federal, respectivamente - vão participar do projeto do trem-bala, que ligará as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. O aporte, que pode chegar a R$ 1,5 bilhão por uma fatia de até 20% do trem-bala, será feito por meio da Invepar, holding de infraestrutura e logística com tem como acionistas as três fundações, além da construtora OAS.

Contudo, a Invepar não participará do processo de concorrência para a construção do trem de alta velocidade (TAV). De acordo com Wagner Pinheiro, presidente da Petros, a holding oferecerá seus recursos apenas no fim da disputa, depois que for anunciado o consórcio vencedor. Na ocasião, os ganhadores definirão se precisam dos recursos e em qual montante.

Esse é um modelo parecido com o usado na usina de Belo Monte. É melhor garantir a entrada no fim do processo do que abrir uma disputa dos consórcios pelo dinheiro dos fundos de pensão, diz Pinheiro. Os consórcios interessados na licitação deverão entregar os envelopes com as propostas até dia 29. A sessão pública do leilão acontecerá em 16 de dezembro.

O projeto do trem-bala está estimado em cerca de R$ 35 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar no máximo R$ 19,9 bilhões, sendo que há uma limitação a 60,3% do investimento total ou 80% dos itens financiáveis pelo banco. Os sócios privados devem entrar com cerca de R$ 7 bilhões. O R$ 1,5 bilhão que pode ser injetado pelos fundos de pensão será desembolsado ao longo de cinco anos.

O interesse dos fundos no trem-bala já estava claro havia alguns meses. Em maio, a Previ anunciou que alguns diretores da Invepar iriam ao Japão para conhecer um projeto da Mitsui. A entrada no TAV também vai ao encontro dos planos de expansão de negócios da Invepar. Até 2015, a empresa pretende investir até R$ 4 bilhões em concessões de rodovias, transportes urbanos para passageiros, portos e privatização de aeroportos. Hoje, a Invepar controla o Metrô do Rio, a Linha Amarela, ambos no Rio, e as concessões rodoviárias Auto Raposo Tavares, no interior de São Paulo, e BA-093, na Bahia.

O que motiva o investimento dos fundos de pensão em projetos como o trem-bala é o fato de gerarem um fluxo de caixa constante. O retorno pode não ser o mais elevado, mas é uma alternativa aos títulos públicos, diz Pinheiro.
 

Empresas de SP pedem que leilão do TAV seja adiado

18/11/2010 - Agência Estado

O presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio, reuniu-se hoje com representantes do governo federal ligados ao projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Rio, São Paulo e Campinas, para pedir oficialmente o adiamento do leilão de concessão, marcado para o dia 16 de dezembro. Amadio representa um grupo de 20 empresas de engenharia e construção interessado no empreendimento e defende um adiamento de 120 dias.

A entrega dos envelopes está marcada para o próximo dia 29. Amadio procurou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, que esteve hoje no Rio reunido com técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério dos Transportes. O ministro Paulo Sérgio Passos também teria participado da reunião para discutir a possibilidade de adiamento, mas o BNDES não confirmou. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estava viajando.

"Se a data for mantida, certamente não teremos condições de apresentar uma proposta no dia 29", afirma o presidente da Apeop. Ele explica que o grupo ainda negocia uma parceria com fabricantes e fornecedores de maquinário para o projeto. A parceria com espanhóis, estudada inicialmente, está em aberto, mas Amadio acredita que dificilmente será fechada, uma vez que o grupo participa de concessão semelhante na Arábia Saudita. "Se ganharem, ficarão comprometidos com o projeto durante os próximos dez anos", explica.

As conversas do possível consórcio representado por Amadio seguem agora com outros dois grupos de fornecedores: um chinês e outro francês, que também está na disputa do TAV saudita. Os chineses têm dúvidas sobre as condições de financiamento e precisam de tempo para tomar decisões porque cada passo depende do governo local. "Sem contar a dificuldade de comunicação", ressalta.

Amadio admite, no entanto, que há uma preocupação no governo brasileiro em entregar a obra para a Olimpíada de 2016 e que o "start" para o projeto está no limite. "A questão do prazo é válida, mas também há uma preocupação do governo em estimular a entrada de mais de um grupo na disputa", argumenta.

Apesar dos apelos de potenciais investidores pelo adiamento, os técnicos do BNDES que lideraram o grupo de trabalho que estudou a viabilidade do projeto resistem à ideia. Para o BNDES, adiar o leilão poderia tirar a credibilidade do processo, prejudicando os grupos que já estão com as propostas avançadas.

A estimativa de técnicos do BNDES é de que o custo para cada consórcio é de cerca de US$ 30 milhões apenas para a formulação técnica de suas propostas. O custo total do TAV é estimado em R$ 33 bilhões.

O superintendente de Estruturação de Projetos do BNDES, Henrique da Costa Pinto, disse ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada que o adiamento do leilão não seria recomendável nem necessário. Ele afirmou que os grupos interessados tiveram tempo suficiente para estudar o projeto. Com a minuta do edital divulgada em julho e as informações de engenharia disponíveis desde 2009, Costa Pinto está certo de que os consórcios não têm mais dúvidas sobre a viabilidade.

Ontem à noite, em Brasília, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou que está mantido o cronograma para a realização do leilão do trem-bala, no dia 16 de dezembro. No dia 29 de novembro termina o prazo para a entrega das propostas das empresas ou consórcios interessados em participar do processo de licitação. "Esse cronograma está mantido. Ninguém está discutindo a data", ressaltou Passos.