quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ferrovia Sinop-Itaituba transportará até 42 mi de toneladas de produtos

25/09/2016 - Circuito Mato Grosso

A chamada “Ferrogrão” teve mais um trecho adicionado para ligar o município de Lucas do Rio Verde (332 km Cuiabá) e, com isso, terá 1.142 quilômetros de extensão. A previsão do governo federal é que o projeto seja responsável por gerar 116 mil empregos diretos. 

Para o ministério, após concluídas as primeiras fases da obra, em 2020, poderão ser transportados até 13 milhões de toneladas de grãos e demais produtos. Com a ferrovia totalmente concluída, a previsão é que sejam transportadas 42 milhões (em 2050). O governo também definiu que o prazo de concessão será de 65 anos, o que será suficiente para atrair o interesse de “tradings” do setor agropecuário que utilizarão o corredor para exportação. 

Com investimentos previstos de R$ 12,6 bilhões, o governo, no entanto, prevê que o projeto poderá enfrentar problemas ambientais. Isso porque para que as obras saiam do papel será necessário desafetar uma parte da área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. A situação está, atualmente, em discussão junto ao Ministério do Meio Ambiente. 

Na semana passada, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) anunciou a primeira rodada do programa de concessões em infraestrutura, durante reunião do conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). No total, 25 projetos serão objeto de concessão, entre eles, a “Ferrogrão”. A previsão é lançar tanto o edital quanto o leilão no 2º semestre do ano que vem. 

A ferrovia está prevista no Programa de Investimentos em Logística (PIL) do governo federal e tem como objetivo melhorar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, conectando-se no Pará ao Porto de Miritituba, na hidrovia do Tapajós. A intenção ainda é trazer maior competitividade às commodities agrícolas brasileiras. São esperados R$ 9,9 bilhões em investimentos. O trecho total da ferrovia terá aproximadamente 1.140 quilômetros de extensão.

Mato Grosso e China firmam parceria de R$ 20 bi para construção de ferrovia

16/09/2016 - Portal Olhar Direto

Vinte bilhões de reais serão investidos na construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, mais conhecida como Fico. A obra sairá do papel após assinatura de memorando entre o governador Pedro Taques e a China oficializando a parceria em prol da construção da ferrovia. A Fico deverá integrar o projeto de construção da ferrovia Bioceânica.

A Fico possui 1.641 quilômetros de extensão estimados e liga Campinorte (GO) a Vilhena (RO), passando por Lucas do Rio Verde e Água Boa em Mato Grosso.

O memorando que oficializa a parceria entre o Governo de Mato Grosso e a China foi assinado na quinta-feira, 15 de setembro, em Cuiabá. Além de Pedro Taques, o termo foi assinado pelo pelo diretor-geral da estatal chinesa China Railway Construction Corporation Limited (CRCC), Zhao Jiaping. 

Segundo o diretor-geral da estatal chinesa, o investimento de R$ 20 bilhões será benéfico para os dois lados.

Jiaping destacou, durante encontro com o governador Pedro Taques e o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, que por Mato Grosso ser o maior produtor brasileiro e maior exportador para a China o país asiático "quer estreitar essa relação e facilitar o comércio entre os dois países. Com o apoio do governo mato-grossense, teremos um projeto mais concreto para apresentar ao Governo Federal brasileiro".

Na ocasião, o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, sugeriu que um escritório da China Railway Construction Corporation Limited fosse montado em Cuiabá para dar andamento no projeto da ferrovia.

Na opinião de Marcelo Duarte, o documento assinado entre Mato Grosso e a China é importante, "pois oficializa nosso apoio, mas precisamos concretizar nossas ações. Com um escritório aqui, a CRCC estaria em contato com os técnicos da nossa secretaria e juntos apresentaríamos esse projeto em Brasília".

Integra a Ferrovia Bioceânica

A ferrovia de Integração Centro-Oeste deverá integrar o projeto de construção da Ferrovia Bioceânica, que partirá do Rio de Janeiro até o Oceano Pacífico atravessando os Estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Acre, além do Peru.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ferrovia ligando Brasil ao Pacífico custaria US$ 60 bilhões

16/09/2016 - Correio Braziliense

Lima, Peru - O ambicioso projeto de uma ferrovia ligando o Brasil à costa pacífica do Peru, proposto pela China em 2015, custaria cerca de 60 bilhões de dólares, declarou nesta quinta-feira (16/9) o ministro peruano dos Transportes, Martín Vizcarra.

"Como não querer um trem que una a nossa costa aos portos do Atlântico no Brasil?! Mas nos chama a atenção o custo preliminar informado pela China: 60 bilhões de dólares" - disse Vizcarra à rádio RPP a partir da China, onde acompanha o presidente Pedro Pablo Kuczynski em viagem oficial.

Vizcarra estimou que o projeto requer um estudo mais detalhado sobre os benefícios e a rentabilidade que poderá gerar. "Não significa que não vamos fazer, e sim que é preciso aprofundar mais porque dos 60 bilhões, 35 bilhões serão investidos no território peruano".

"Estamos conversando tanto com as autoridades do Estado como com a empresa que realizou o estudo (a estatal China Railway Group). É preciso avaliar melhor a demanda, custos, rotas, para ver se é realmente viável. Com 35 bilhões de dólares é possível fazer muitos projetos em benefício da população.

Em uma visita a Brasil e Peru no ano passado, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, defendeu o projeto, que permitirá agilizar o transporte dos produtos brasileiros para os mercados da Ásia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Kuczynski admite dúvidas de viabilidade de trem Brasil-Peru

14/09/2016 - Exame.com 

Daniel Garcia/EFP
Vagão com soja
Vagão abastecido com soja: perante estas dificuldades surgiram vozes que propõem uma rota alternativa mais ao sul

Da EFE

Pequim - O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, admitiu nesta quarta-feira em Pequim suas dúvidas pela viabilidade do Trem Interoceânico, o projeto proposto pela China para unir por ferrovia o litoral brasileira com o peruano, alegando os altos custos e o risco de uma baixa ocupação.

"É uma ideia que foi promovida no ano passado para transportar a soja do Mato Grosso (oeste do Brasil) à China mais rapidamente, mas eu tenho algumas perguntas sobre este trem que expressei nesta viagem", ressaltou o líder em entrevista à Agência Efe.

"Primeiramente, seu custo, que é altíssimo, e em segundo lugar se há carga de volta (do Peru ao Brasil), porque qualquer sistema de transporte deve ter cargas nos dois sentidos", explicou Kuczynski.

"Vamos estudar tudo isso e será tomada uma decisão a respeito", sentenciou o presidente, que na viagem à China também nomeou outras dificuldades que envolvem o projeto, como as grandes alturas pelas quais deve passar a ferrovia, que obrigarão a construção de vários túneis e a elevar mais ainda os custos.

Ainda sobre o projeto, uma das muitas obras faraônicas de infraestrutura que a China propôs na América Latina (outro exemplo é o canal da Nicarágua alternativo ao do Panamá), faz parte seu custo meio ambiental, ao ter de atravessar zonas agrestes da Amazônia.

Perante estas dificuldades surgiram vozes que propõem uma rota alternativa mais ao sul, que não passaria pelo Amazonas e deveria envolver um terceiro país, Bolívia, embora Kuczynski recusou falar dela.

"Temos nossas prioridades, que são fazer o trem de cercanias para Lima metropolitana", insistiu à Efe o presidente, que ofereceu este projeto ontem à construtora ferroviária China Railway Group em um encontro privado com seu presidente, Li Changjin.

"Isso tem alta prioridade para permitir planejar Lima, é um trem de relativamente baixo custo, com muito poucos túneis e totalmente factível", defendeu hoje Kuczynski. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

China propõe ao Brasil criar estatal binacional para construir ferrovia

02/09/2016 - Valor Econômico

A China propôs ao Brasil criar uma estatal binacional para levar adiante a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) modelo que poderia ser utilizado em outros investimentos chineses no segmento ferroviário no país. O ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, disse ao Valor que a proposta antecedeu sua vinda a Xangai, onde falará sobre o novo modelo de concessões e de cooperação em infraestrutura e logística. Segundo ele, o governo vai estudar o assunto, pois trata-se de algo novo. 

Segundo o ministro, a ideia de Pequim é de que as respectivas estatais - a Valec e a China Railway Corporation - formassem uma holding para administrar a construção da ferrovia, com 1.527 km de extensão, ligando o porto de Ilhéus e as cidades de Caetité e Barreiras, na Bahia, a Figueirópolis, no Tocantins, ponto de interligação com a Ferrovia Norte-Sul. 

A Valec é detentora da concessão e já investiu mais de R$ 4 bilhões no projeto, enquanto a companhia chinesa promete investir para finalizar a construção e o porto de Ilhéus. Diretores da estatal chinesa recentemente confirmaram em Pequim que estavam em discussões para investir em dois grandes projetos de ferrovia no Brasil, prevendo investimentos de US$ 2,6 bilhões. Para o ministro, dependendo do que os chineses queiram fazer, podem investir pelo menos R$ 12 bilhões na Fiol. 

"O modelo que eles estão propondo só tem o exemplo da binacional de Itaipu, mas isso é com um vizinho [o Paraguai]", disse o ministro. Ele se indaga por que o Brasil faria uma operação semelhante com uma estatal chinesa. 

"Não haveria licitação e concorrência, não permitiria dialogar com outros 'players' e, consequentemente, ter a melhor proposta", afirmou Quintella. "É claro que precisamos de investimentos. Mas a outra possibilidade é uma concessão pura, normal. Não posso dizer que preferimos, mas o Brasil tem a regra que está estabelecida." 

O ministro reforça a prudência, porque o modelo chinês demandaria não só mudança na legislação brasileira como poderia abrir outros precedentes. "Os russos, que têm interesse pela Norte-Sul, podem querer a mesma coisa", disse. 

Certo mesmo é o interesse chinês em projetos de infraestrutura no Brasil, pelo potencial de retorno comparado a outros investimentos. Em Xangai, Quintella vai mostrar como funciona o novo processo de concessões no país. "Vamos ser muito claros: o cenário no Brasil mudou. Não vai ter mais subsídio do BNDES. Quem se interessa em operar concessões no país vai ter de trazer junto seus investidores", disse o ministro. 

De acordo com Quintella, o que o governo vai garantir é um projeto maduro e a segurança jurídica. O BNDES vai ter papel mais estruturador. Vai ser criado um fundo, mas para estudos dos projetos. O ministro disse que irá explicar as modificações, como o prazo entre o edital e o leilão. Os 'players' internacionais reclamavam muito que o prazo de 45 dias era pequeno, e agora vai passar para 100 dias. 

No caso das rodovias, o governo não vai mais exigir a obrigatoriedade da empresa que ganha a concessão de duplicar toda a rodovia em cinco anos. A ampliação acontecerá de acordo com a necessidade, orientada pela evolução do tráfego. "Estamos tentando trazer o projeto de concessão para a realidade, pois não tem mais um BNDES financiando até 70%."