sexta-feira, 29 de maio de 2015

Traçado da Ferrovia Norte-Sul que ligará SC ao RS é definido

28/05/2015 - G1

Foi definido nesta quarta-feira (27) o traçado do trecho Sul da Ferrovia Norte-Sul. A decisão foi tomada em reunião na sede da Valec, empresa pública de engenharia responsável pela obra. A Ferrovia Norte-Sul ligará Chapecó, em Santa Catarina, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul.


No estado, o trem sairá de Iraí, ao Norte, e seguirá até o Porto de Rio Grande. Os trilhos passarão pelas cidades gaúchas de Caiçara, Frederico Westphalen, Seberi, Boa Vista das Missões e Palmeira das Missões. As informações são do deputado federal gaúcho Jerônimo Goergen (PT). "Ainda temos algumas etapas a cumprir, mas a definição do traçado permite agilizarmos a concretização deste sonho", comemorou o parlamentar.


O sonho da ferrovia Norte-Sul começou a ser construído há 25 anos. Depois de duas décadas paradas, as obras foram retomadas em 2007. Ao todo, o projeto prevê 4,5 mil quilômetros de trilhos, ligando Barcarena, no Pará, a Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A proposta é interligar a malha ferroviária e diminuir custos de transporte, conecetando quatro regiões e nove estados brasileiros. Atualmente, ela opera no trecho entre Anápolis (GO) e Palmas (TO), com 855 quilômetros.

A transoceânica existe, artigo de Vicente Vuolo

29/05/2015

Causou-nos surpresa e espanto o anúncio da construção de uma Ferrovia Transoceânica, que ligaria o Atlântico ao Pacífico, partindo do Porto do Açu (Rio de Janeiro) passando por Corinto (MG), Uruaçu (GO), Lucas do Rio Verde (MT), Porto Velho até o Peru.
                   
O Ministério dos Transportes e do Planejamento deixaram de lembrar a Presidente Dilma que já existe uma ferrovia ligando o Atlântico ao Centro-Oeste. Aliás, a nossa Presidente esteve no ano passado em Rondonópolis inaugurando o Terminal da Ferrovia, onde prestou uma homenagem ao ex-senador Vuolo. Trata-se da antiga Estrada de Ferro Araraquarense, que foi incorporada a Fepasa, depois privatizada e hoje nas mãos da ALL/RUMO. Ferrovia moderna, de bitola larga, dormentes de concreto, ecologicamente correto e alta durabilidade, que já está em operação ligando o Porto de Santos, passando por São Paulo atravessando a ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná entre Rubinéia (SP) e Aparecida do Taboado (MS), Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis. São quase 2 mil quilômetros de ferrovia que não podem ser ignorados.
                   
Seria mais racional não só interligar a ferrovia dos portos de São Paulo (Santos) ao Rio de Janeiro (Açu e Sepetiba) e continuar a construção até Cuiabá fazendo uma bifurcação para Porto Velho (ligando a hidrovia do Madeira) e Cuiabá – Santarém (ligando a hidrovia do Amazonas) como prevê o projeto original.
                
O projeto da ferrovia São Paulo-Cuiabá foi enaltecido por Euclides da Cunha, há mais de 100 anos, como o caminho mais curto para ligar o Atlântico ao Pacífico. Em seu livro "Contrastes e Confrontos" o escritor já defendia naquela época a construção da ponte: "mercê de uma ponte de 800 metros sobre o grande rio, a travessia entre Jaboticabal e Cuiabá será feita folgadamente em 8 dias... se isso não acontecer, decididamente, porque nos falta um grande engenheiro, um grande empresário e um grande presidente". Após 50 anos, o ilustre mato-grossense Vicente Emílio Vuolo abraçou esse ideal apresentando na Câmara dos Deputados o projeto 312-A, que incluiu no Plano Nacional de Viação a ligação ferroviária São Paulo-Rubinéia-Aparecida do Taboado-Rondonópolis-Cuiabá, por meio da construção da ponte rodoferrovia sobre o Rio Paraná. Esse projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente Geisel, transformado na Lei nº 6.376/76. É importante salientar que a largura da ponte passou de 800 para 3.600 metros devido à construção da barragem de Ilha Solteira e a formação do grande lago.

O cuiabano, ex-senador Vuolo, nascido no Distrito de Coxipó da Ponte foi totalmente incompreendido na época. Foi chamado "louco", "doido varrido" pelo projeto "utópico". Chegaram a pixar os muros de Cuiabá. Era motivo de piadas! Mas, ele nunca se abateu. E, mesmo, lutando contra um câncer mobilizou políticos, empresários, trabalhadores dos três Estados (SP, MT e MS) com reuniões, simpósios, manifestos e encontros no local da ponte, numa luta suprapartidária. E viu, em vida, a chegada dos trilhos em Alto Taquari. Sua luta incansável pelos trilhos até Cuiabá teve o reconhecimento da AMOP (Associação dos Municípios do Oeste Paulista composta por 35 municípios) que conferiu o Título de Senador Honorário do Oeste Paulista. Foi denominada, também, por iniciativa do Deputado Wilson Santos, Ponte Rodoferroviária Senador Vuolo (parte ferroviária) Lei sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Ferrovia Senador Vuolo o trecho que cruza o Estado de Mato Grosso, sancionado pelo ex-governador Dante de Oliveira. 

Com um histórico de lutas e a partir da visão de futuro de alguns grandes brasileiros, a ligação entre o Atlântico e o Pacífico já está em construção. Não tem sentido algum fazer-se uma ferrovia paralela. Muito mais econômico e rápido seria concentrar esforços na conclusão da ferrovia que já está aí.

Vicente Vuolo é economista, cientista político e analista legislativo do senado federal.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Previsto para 2017, trem de Sorocaba a SP não tem data para sair do papel

25/05/2015 - G1

As obras do trem regional que vai ligar Sorocaba (SP) a São Paulo e que deveriam começar neste ano ainda não tiveram início. A previsão era de que o novo serviço de transporte, que não saiu do papel, começasse a funcionar em 2017, mas os órgãos questionados pelo G1 evitam divulgar novos prazos.

Anunciado pelo governo estadual em 2013, o projeto da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) prevê um INVESTIMENTO de R$ 4 bilhões na região, com a construção de trilhos e pontos de embarque em Sorocaba e São Roque (SP). Na época, duas empresas estariam interessadas em administrar o serviço. No entanto, de acordo com a CPTM, a Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (MIP) das duas empresas está em análise pelo Conselho Gestor das Parcerias Público Privadas (PPP´s) do governo estadual.

O documento envolve a construção de infraestrutura, implantação de equipamentos e sistemas e compra dos trens para operar uma rede integrada de linhas de trens, abrangendo, além de Sorocaba, as cidades Santos, Mauá, São Caetano do Sul, Santo André, Jundiaí, Campinas, Americana, São José dos Campos e Taubaté.

Sem prazos

O conselho, de responsabilidade da Secretaria de Governo, explica que o Estado aguarda um retorno da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para dar continuidade ao projeto. Segundo o estado, a autorização é necessária porque o trem regional passará, em grande parte do trajeto, ao lado de trens de cargas, que estão na faixa de domínio do governo federal.

"Sem a autorização, o Estado não pode lançar o edital, em análise pelo Conselho Gestor das PPP's. A documentação foi protocolada em abril de 2014, em Brasília", afirma o conselho. Já a ANTT diz que o assunto sequer passou pela a agência. "Não recebemos nada sobre esse projeto", informou a assessoria de imprensa do órgão.

Os atrasos no projeto do trem regional ainda geram reflexos nos projetos do governo muncipal, já que algumas propostas da prefeitura aguardam o início das obras estaduais. De acordo com a Urbes, responsável pelos transportes na cidade, a expectativa é que um futuro Terminal Intermodal, contemplando uma nova rodoviária junto com o terminal ferroviário, esteja contemplado no projeto e vinculado com a implantação do trem regional. "Outros projetos que deverão vincular-se ao projeto é a adequação da antiga Estação Ferroviária e estudos de viabilidade de um futuro sistema de VLT compartilhado no mesmo leito ferroviário", conclui a nota.

Projeto

Quando concluído, o trem regional entre São Paulo e Sorocaba deve ter pelo menos três pontos de embarque e desembarque dos passageiros construídos na região. A viagem de Sorocaba até a capital seria feita em 51 minutos, com saídas a cada 15 minutos. As estações ficarão no Centro, em Brigadeiro Tobias e a possibilidade de um terminal em São Roque. O percurso será de 92 quilômetros até a capital paulista. A parada final ainda não está definida e poderá ser nas estações Pinheiros ou Água Branca. A linha férrea será construída perto das rodovias Raposo Tavares e Castello Branco.

China Ligação ferroviária Pacífico-Atlântico vai respeitar o ambiente

25/05/2015 - Notícias ao Minuto

"Os três países concordam com o facto de a viabilidade deste projeto não ser apenas favorável ao desenvolvimento comum, mas também proteger o ambiente", disse Li Keqiang, à chegada a Lima.

Depois do Brasil e da Colômbia, o primeiro-ministro chinês vai passar 48 horas no Peru, antes da última etapa da sua viagem à América Latina, que termina no Chile.

"A China vai respeitar a biodiversidade da América Latina (...) berço da floresta amazónica, tesouro da humanidade. Para criar infraestruturas é necessário proteger o ambiente", salientou o ministro numa declaração conjunta, ao lado do Presidente peruano Ollanta Humala, após a assinatura de dez acordos de cooperação.

Por sua vez, o Presidente peruano recordou que a China é o principal parceiro comercial do Peru.

Referindo-se ao ambicioso projeto de corredor ferroviário, que poderá custar dez mil milhões de dólares para ligar o Pacífico ao Atlântico, Humala disse que "vai consolidar a posição geopolítica do Peru como porta de entrada natural para a América do Sul".

O Peru tem a ambição de se posicionar como uma plataforma regional no comércio entre a América Latina e Ásia-Pacífico e já serve de ligação para Ásia para vários países da região, incluindo o Brasil.

Trecho da Ferrovia Norte-Sul não teve operações um ano após inauguração

25/05/2015 - G1

Um ano após a inauguração, nenhuma viagem com carga foi realizada no trecho da Ferrovia Norte-Sul entre Palmas, no Tocantins, e Anápolis, em Goiás. Segundo a responsável pela obra, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, para que a ferrovia comece a operar, empresas privadas precisam construir ramais de carga e descarga de produtos, o que ainda está em curso.

Uma das obras que ainda são realizadas é a de uma empresa de processamento de grãos. A estrutura, chamada tulha, tem 20 bocas e poderá escoar até mil toneladas de grãos por hora. A expectativa é de que o primeiro carregamento ocorra nos próximos meses.

Outra empresa interessada em construir ramais de carga e descarga planeja INVESTIMENTOde R$ 15 milhões para utilizar a ferrovia. O objetivo inicial é fazer três viagens por semana para exportar produtos pelo porto de Itaqui, em São Luiz do Maranhão. O empresário responsável afirma que a obra ainda não saiu do papel porque tem dificuldades em fechar negócio com uma empresa que vai executar o transporte.

Se já tivesse operando na ferrovia, ele acredita que conseguiria baixar os custos de produção. "Anápolis já está perdendo, o país está perdendo, porque nesse momento de crise a ferrovia é uma grande solução, principalmente para indústria, para o comércio e o atacado. Nesse momento, está todo mundo fazendo arrocho, uma reengenharia financeira, tributária e uma reengenharia de logística, para baixar custos" opina o empresário Edson Tavares.

Ferrovia

O trecho tem 855 quilômetros de trilhos e foi inaugurado pela presidente Dilma Rousseff em 22 de maio do ano passado. Segundo a Valec, a ferrovia está totalmente apta para operar. "Toda sinalizada, com licença de operação comercial liberada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), então, a ferrovia está apta a operar a qualquer momento", afirma o gerente regional da Valec, Charles Magno Nogueira.

As obras duraram 25 anos e denúncias de irregularidades marcam a construção. Em julho de 2013, o ex-presidente da Valec Juquinha das Neves foi preso na Operação Trem Pagador da Polícia Federal, sob suspeita de superfaturamento e desvio de verbas. Um novo presidente assumiu a empresa e pediu mais R$ 400 milhões ao governo federal para andamento dos trabalhos.

Devido à demora da obra, a Valec não soube precisar quanto de dinheiro foi gasto, no entanto, estima-se que R$ 8 bilhões. O prejuízo com cargas que deixam de ser transportadas, perdas e impostos não arrecadados pode chegar a US$ 12 bilhões por ano, segundo a Valec. Com o uso da ferrovia, empresários de Anápolis esperam reduzir o valor pago no frente em até 30%.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

China financiará versão reduzida de ferrovia até o Oceano Pacífico

21/05/2015 - O Globo



BRASÍLIA- O acordo entre Brasil, China e Peru para a realização de estudos sobre a construção da ferrovia Transoceânica, ligando Atlântico e Pacífico, prevê um traçado desde Campinorte (GO), por onde já passa a ferrovia Norte-Sul, até o litoral peruano, segundo o memorando assinado esta semana. Não está no escopo dos estudos financiados pelos chineses, porém, a ligação até o Rio, como consta no traçado previsto na lei 11.772/2008 para a ferrovia.

Segundo fontes do governo, o Brasil tentou incluir no acordo o estudo de toda a extensão de 4,4 mil quilômetros da Transoceânica (também chamada de Bioceânica ou Transcontinental), com o trecho entre Goiás e o Porto do Açu, no Rio, passando por parte pouco explorada do quadrilátero ferrífero da Região Sudeste. A ideia era criar infraestrutura com apoio dos chineses, o que não foi aceito.

FERROVIA DO RIO A VITÓRIA

Enquanto a ligação até o Pacífico não estiver concluída, para os chineses, é mais negócio exportar pelos portos da Região Norte, como Barcarena e Vila do Conde, no Pará, de onde podem chegar ao Canal do Panamá e, dali, até a Ásia. Por isso, a ligação da Transoceânica com a Ferrovia Norte-Sul, que futuramente chegará a Barcarena, é suficiente para os chineses.

— Sem o estudo da ligação até o Açu, o Rio e o Brasil perdem por não terem esse corredor de exportação de minérios de alto teor — disse uma fonte do governo.

Uma alternativa para ligação com o Atlântico sem a extensão total da Transoceânica até o Rio seria a construção da conexão da Ferrovia de Integração OesteLeste (Fiol), que corta a Bahia, até a NorteSul. A ligação entre Barreiras (BA) e Porto Nacional (TO) está nos planos para ser concedida e poderia reforçar a viabilidade econômica da Fiol e do Porto de Ilhéus.

O trecho brasileiro da Transoceânica que será objeto de estudos financiados pelos chineses ficará ao redor de três mil quilômetros. No traçado da Transoceânica, o governo já tem o trecho de Campinorte até Lucas do Rio Verde, conhecida como Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), aprovado pelo Tribunal de Contas da União e pronto para ser concedido há mais de dois anos. O governo resiste em levá-lo a leilão e alega falta de demanda, mesmo após o presidente chinês, Xi Jinping, manifestar interesse no ano passado.

Indagado sobre a ligação da Transoceânica com o Atlântico, o Palácio do Planalto não se manifestou. A Empresa de Planejamento e Logística informou que a ligação entre Atlântico e Pacífico se dará por meio da Transoceânica e do trecho no território peruano. A EPL disse que "em relação ao trecho compreendido entre Campinorte e o Estado do Rio, os estudos estão sob responsabilidade do governo brasileiro".

Ontem, o premier chinês, Li Keqiang, disse que quer estabelecer fábricas no Brasil, criar empregos locais e instalar uma unidade para fabricação e manutenção de trens no Rio. Os chineses já forneceram trens ao Metrô do Rio e à Supervia.

— A China gostaria de oferecer ao Brasil metrôs, embarcações, veículos, aços, ferros e materiais de construção — disse Li.

Ao comemorar os planos de INVESTIMENTOS chineses no Rio, o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, disse que a Transcontinental ligaria Campos dos Goytacazes ao Peru, o que não está nos planos dos chineses, segundo o memorando assinado.

— O projeto inicial faz a ligação da Ferrovia Norte-Sul ao Peru, mas o trecho completo começa em Campos, passa por Minas, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre para chegar ao Peru — disse Osorio.

Osorio disse que os chineses estão em tratativas para ajudar a viabilizar uma ferrovia que ligaria o Rio ao Espírito Santo, que seria operada em concessão.

Com entraves ambiental e de engenharia, obra é vista com ceticismo

Para especialistas, custo estaria abaixo do real e depende de estudos para ser definido

Especialistas veem a ligação ferroviária entre Brasil e Peru com ceticismo devido, principalmente, ao desafio de engenharia que o projeto representa. E temem que a obra nunca saia do papel, a exemplo do que ocorreu com outros projetos de integração regional, como o grande gasoduto que uniria Venezuela, Brasil e Argentina.

Para cruzar o cerrado brasileiro, onde se concentra o agronegócio, e chegar ao litoral peruano, a ferrovia terá de atravessar regiões de pântano, floresta tropical e os Andes. Na avaliação de Renato Pavan, da consultoria Macrologística, esses obstáculos naturais elevam o custo do transporte.

Pavan comparou o custo de exportar uma tonelada de soja do Mato Grosso até os portos chineses por diferentes caminhos. Concluiu que a soja transportada por ferrovia até o Peru e de lá para a China teria o mais elevado custo logístico: R$ 325 por tonelada. A opção mais barata (R$ 135/tonelada) seria levar o grão até Vila do Conde (PA) e de lá para a China, via Canal do Panamá.

— A ferrovia para o Peru não tem a menor possibilidade de vingar — diz Pavan.

Presidente da sessão ferroviária da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Rodrigo Villaça, também considera o escoamento pelo Pará como melhor opção. Para ele, a ferrovia deveria passar por Tocantins até o litoral paraense, seguindo via Canal do Panamá ou da Nicarágua (projeto chinês) até a China.

Elaborar um plano executivo de engenharia é fundamental para tirar a ferrovia do papel. O custo foi estimado em US$ 10 bilhões.

— Não faz sentido falar em orçamento agora. É preciso realizar um plano executivo de engenharia com uma análise econômico-financeira do projeto. O estudo pode custar R$ 1 bilhão — avalia Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos)

Já Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística da Fundação Dom Cabral, avalia que seria viável construir a ferrovia por R$ 30 bilhões, podendo chegar a R$ 40 bilhões. Mas faz ressalvas:

— O projeto executivo é fundamental. Os chineses trabalham com planejamento de longo prazo. O trecho de Rondônia ao Peru passa por áreas com entraves ambientais, com floresta amazônica e terras indígenas, o que pode atrasar a obra. Já a travessia dos Andes pode demandar a construção de túneis e viadutos, o que onera o projeto.

Promessas não cumpridas da China somam US$ 24 bilhões

22/05/2015 - Folha de São Paulo

Em Barreiras (BA), um megaprojeto de processamento de soja parou na terra plenagem. No porto do Açu (RJ), a siderúrgica Wisco desistiu de ter uma unidade no Brasil quando Eike Batista começou a desmoronar. Em Mato Grosso e no Pará, o acordo para o FINANCIAMENTO de uma ferrovia está parado há três anos.

Em comum, trata-se de projetos bilionários com capital chinês anunciados com estardalhaço nos últimos cinco anos, mas que nunca saíram do papel. Somadas, essas promessas não cumpridas ou redimensionadas para baixo somam ao menos US$ 24 bilhões, segundo levantamento da Folha.
Esse montante seria maior caso entrasse na conta a fabricante de eletrônicos taiwanesa Foxconn. Em visita a Pequim em 2011, o governo Dilma anunciou que a empresa investiria US$ 12 bilhões, mas ficou bem distante disso.

Esses antecedentes têm provocado ceticismo sobre os anúncios feitos durante a visita do primeiro-ministro Li Keqiang ao Brasil, nesta semana, como a construção de uma ferrovia transoceânica e um fundo de INVESTIMENTO de até US$ 53 bilhões.

Levantamento da Folha publicado nesta quinta-feira (21) mostra que apenas 14 dos 35 acordos recém-assinados têm recursos assegurados e compromissos mais firmes.

MONTADORAS

O esvaziamento dos planos ocorreu em vários setores. No ramo automotivo, alguns fabricantes de automóveis ainda não implantaram projetos industriais no Brasil –casos da Lifan, da Hafei e da Zotye.

Outros INVESTIMENTOS acabaram dependentes de dinheiro brasileiro. Em Camaçari (BA), onde a JAC Motors planeja uma fábrica de R$ 1 bilhão, a obra está parada à espera de um financiamento estadual de R$ 122 milhões. Os chineses arcarão com 66%, e o restante virá do sócio local, o Grupo SHC.
No caso da fábrica da Foton CAMINHÕES, que está sendo erguida em Guaíba (RS), todo o capital de R$ 400 milhões é brasileiro; a China entrará com a tecnologia.

No caso da soja, um dos principais produtos de exportação brasileira para a China, INVESTIMENTOS de pelo menos US$ 8,7 bilhões, que incluiriam compra de terras e infraestrutura para escoamento, não se materializaram.

Em telecomunicações, a visita da presidente Dilma Rousseff à ZTE, em Xian (China), em 2011, não foi suficiente, até agora, para a empresa implantar uma fábrica de US$ 200 milhões em Hortolândia (SP).

Por outro lado, a Huawei cumpriu a promessa na mesma época de abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento em Campinas (SP), orçado em US$ 300 milhões.

Os empresários chineses costumam se desanimar com os custos e a burocracia. Eles estão decepcionados também com o crescimento pífio –boa parte dos anúncios ocorreu ente 2010 (quando o país cresceu 7,6%) e 2011.

INFRAESTRUTURA

O Brasil tampouco conseguiu atrair os chineses para grandes obras de infraestrutura. As empresas do país são pouco receptivas ao modelo de concessão e a participar de licitações. O Planalto não teve êxito, por exemplo, em envolver Pequim no projeto do trem-bala entre Campinas e Rio, várias vezes adiado.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Ministro do TCU libera licitação de trem que leva ao Cristo Redentor

15/04/2015 - Consultor Jurídico

A Advocacia-Geral da União evitou paralisação do Trem do Corcovado, principal forma de acesso ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Os advogados públicos conseguiram que o Tribunal de Contas da União suspendesse a medida cautelar que poderia resultar na interrupção do serviço ferroviário.

Decisão anterior do TCU suspendia a licitação para concessão, por 20 anos, da área da União para ampliação, modernização, manutenção e exploração de serviços de transporte ferroviário de passageiros no trecho Cosme Velho-Corcovado. Segundo o tribunal, foram constadas irregularidades no procedimento licitatório.

A Procuradoria Federal --unidade da AGU que atuou no caso--, junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, alegou que a decisão dificultaria o acesso ao Cristo Redentor, um dos pontos turísticos mais visitados no país.

Argumentou ainda que não há irregularidades na licitação e que a concessão pretende aprimorar a qualidade dos serviços oferecidos aos passageiros. Segundo a AGU, a medida cautelar afetaria o passeio turístico mais antigo do país, com mais de 130 anos de história.

Inaugurado em 1884 por Dom Pedro II, o Trem do Corcovado atravessa a maior floresta urbana do mundo, o Parque Nacional da Tijuca, um pedaço conservado da mata atlântica brasileira.

Acolhendo os argumentos apresentados pela AGU, o relator do processo, ministro Marcos Bemquerer Costa, suspendeu a medida cautelar. Segundo ele, a decisão poderia provocar a "interrupção dos serviços de transporte ferroviário de passageiros, ocasionando paralisação do principal acesso ao ponto turístico nacional de expressividade internacional".

O processo aguarda julgamento definitivo no TCU. Com informações da Assessoria de Imprensa da AGU.

Um novo caminho direto ao Pacífico e à Ásia se abre ao Brasil pela Ferrovia Transcontinental

19/05/2015 - Blog do Planalto

Um novo caminho para a Ásia se abrirá para o Brasil, reduzindo distâncias e custos com a Ferrovia Transcontinental. "Um caminho que nos levará diretamente, pelo oceano Pacífico, até os portos do Peru e da China", afirmou a presidenta Dilma Rousseff nesta terça-feira (19), ao receber o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang. 

"Trata-se da Ferrovia Transcontinental que vai cruzar o nosso País no sentido Leste-Oeste, cortando o continente sul-americano, ligando o oceano Atlântico ao Pacífico. Convidamos as empresas chinesas a participarem dessa grande obra, que sairá de Campinorte, lá na Ferrovia Norte-Sul, passará por Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, atingirá o Acre e atravessará os Andes até chegar ao porto no Peru", explicou Dilma. O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, e o presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Xu Shaoshi, assinaram Memorando de Entendimento sobre Estudos de Viabilidade do Projeto Ferroviário Transcontinental. 

Segundo ela, a infraestrutura será beneficiada por esse projeto de grande alcance para o Brasil, para a integração sul-americana, via Peru, e para o comércio com a China. A previsão é de que a obra tenha 4,4 mil quilômetros de extensão em território brasileiro. 

A presidenta destacou ainda a parceria com o Peru para a realização dessa importante obra. "Nossos três países – Brasil, Peru e China – e gostaria de dirigir minhas saudações ao Presidente Ollanta Humala, iniciam, juntos, estudos de viabilidade para essa conexão ferroviária bioceânica", enfatizou a presidenta.

Fonte: Blog do Planalto
Publicada em:: 19/05/2015

Ferrovia Norte-Sul terá traçado definido em junho de 2015

18/05/2015 - Rádio Progresso de Ijuí

O traçado do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul deve ser conhecido nos próximos dias. É o que revela o ofício encaminhado pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. ao deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Depois de sucessivos atrasos na divulgação, a conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) está prevista para o mês de junho.

Com isso, será possível saber por quais municípios a ferrovia vai cruzar, no trecho compreendido entre Panorama (SP) e o porto de Rio Grande (RS). "Temos aí pelos menos três anos de atraso desde que conseguimos inlcuir a obra no PAC. Passado tudo isso, agora temos um prazo bastante imediato. Mês que vem teremos a condição de saber por onde passará essa obra", destacou Jerônimo.

A definição do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul levou em conta aspectos como a demanda econômica, o fluxo de caminhões e a geografia do solo, tendo em vista o menor custo logístico de transporte e o incremento do volume de cargas. O levantamento apontará a alternativa de traçado mais viável, inclusive os ramais de ligação. De acordo com Jerônimo, "esse estudo que está sendo feito leva conta três traçados possível e em junho teremos a definição daquilo que vai entrar em licitação", explicou.

Na avaliação de Jerônimo, a Ferrovia Norte-Sul é fundamental para a mudança da logística brasileira, fortemente dependente do transporte rodoviário. "Especialmente para o Rio Grande do Sul, que tem um dos melhores portos. Mas sem ter a ligação com a ferrovia ele fica incompleto. Então nós teremos uma redução de custo logístico muito importante, que dará ao Estado uma grande competitividade no contexto nacional e internacional", destacou.

O parlamentar pediu que as comunidades se mobilizem e aumentem a pressão sobre o governo para que este prazo seja cumprido e que não haja novos atrasos na definição do traçado. Ele entende que é preciso acelerar os investimentos em ferrovias, modal de transporte 40% mais econômico do que o rodoviário. Além disso, é um modal de transporte mais seguro e que gera ganhos enormes para o meio ambiente.

Chineses põem US$ 70 bi nos Brics em maio

18/05/2015 0- Valor Econômico

Brasil e China assinam formalmente, durante a visita do primeiro-ministro Li Keqiang ao Brasil, que começa hoje, contratos de financiamento, investimentos e joint ventures de US$ 26 bilhões. Os chineses têm interesse em projetos que somam US$ 53,3 bilhões no país.

A China acelerou sua investida bilionária em maio. Após assinar acordos de US$ 25 bilhões com a Rússia, fez outros com a Índia, de US$ 22 bilhões, e deve repetir a dose com outro parceiro nos Brics, o Brasil. Se todas as intenções se concretizarem, o estoque de investimentos chineses no país dobrará.

Segundo informações do governo brasileiro, um pool de bancos deve anunciar financiamento à Petrobras, que, em abril, já contratou empréstimo de US$ 3,5 bilhões do China Development Bank, o BNDES chinês. Estavam sendo negociados acordos semelhantes com a Vale e Embraer. Os chineses preveem investir ou financiar, por meio da China Railway Construction Corporation e da China Railway Engineering até US$ 5,75 bilhões no trecho ferroviário que une Lucas do Rio Verde, (Mato Grosso) a Campinorte e Uruaçú, na ferrovia Norte-Sul.

O novo normal da China e o papel do Brasil

Por Sergio Leo

Os projetos de investimento que já têm assegurado o interesse de participação chinesa somam pelo menos US$ 53,3 bilhões, como revelado nesta coluna. Já os contratos de financiamento, investimento e joint ventures entre brasileiros e chineses a serem assinados formalmente durante a visita do premier chinês Li Keqiang, que começa hoje, estão por volta de US$ 26 bilhões, segundo informou a esta coluna o embaixador chinês no Brasil, Li Jinzhang, influente ex-vice-ministro de Relações Exteriores da China.

"Nossos dois países enfrentam o idêntico desafio de fazer ajustes em suas economias, por isso a cooperação sino-brasileira precisa adaptar-se", disse o embaixador, lembrando o que os chineses vêm chamando de "o novo normal" do país, com taxas mais baixas de crescimento, menos ênfase na exportação de bens e esforços para desenvolver o mercado consumidor interno. "A situação de demasiada dependência do comércio de commodities não podia continuar, e precisa ser transformada", comentou, ao falar da "nova etapa" da relação bilateral, em que investimentos mútuos devem ganhar dimensão inédita.

Li Jinzhang não confirmou o noticiado acordo para formação de um fundo de investimentos de US$ 50 bilhões, entre o ICBC chinês e a Caixa Econômica Federal. Mas adiantou que haverá vários acordos de apoio financeiro a serem firmados por bancos chineses, que enviaram seus presidentes na comitiva de Li Keqiang (pronuncia-se "Ketchiang"). O reforço da cooperação financeira bilateral, para financiar projetos nos dois países e atuar nas instituições multilaterais, é uma das prioridades dos dois governos para os próximos 40 anos, defende o embaixador.

"A parte chinesa está disposta a reforçar nossa coordenação e ajudar o Brasil a participar nos projetos de infraestrutura e comunicação da Ásia", garantiu Li Jinzhang, ao mencionar a adesão do Brasil ao Banco de Infraestrutura da Ásia, criado pelos chineses a contragosto dos Estados Unidos.

Segundo informações do governo brasileiro, um pool de bancos deve anunciar financiamento bilionário à Petrobras - que, em abril, já contratou financiamento de US$ 3,5 bilhões do China Development Bank, o BNDES deles. Estavam sendo negociados acordos semelhantes com a Vale e Embraer.

Visto com desconfiança ou desinteresse por investidores ocidentais e assediado com sugestões de reformas por governos de países desenvolvidos, o Brasil governado por Dilma Rousseff abraça com interesse o abastado gigante chinês, que, como define o presidente emérito do Conselho Empresarial China-Brasil, Sérgio Amaral, tem, na visita de Li Keqiang, mais um ato de sua nova "geopolítica da infraestrutura".

A China, segundo Amaral, parece ver na América do Sul oportunidade de replicar o que faz na Ásia, onde os chineses expandem influência promovendo e financiando a chamada "nova rota da seda", que conectará a China à Europa, passando pela Ásia Central, e ao Oceano Índico, passando pela Tailândia com um trem de alta velocidade.

Li Keqiang deve assistir, ainda, a assinatura de dois protocolos que, afinal, liberarão a entrada de carne in natura brasileira na China e definirão uma lista de frigoríficos com "fast track" para habilitação pelas autoridades sanitárias. Também se prevê a oficialização da compra de 22 aviões da Embraer, modelo E-190, na versão mais moderna. Mas o ponto alto da visita, para o embaixador chinês, é o acordo de "desenvolvimento e capacidade produtiva", aproveitando a experiência chinesa em áreas como mineração, logística, portos, energia e infraestrutura em geral.

"A China dispõe de tecnologia avançada, ricas experiências e financiamento, na área de infraestrutura, sobretudo em ferrovias", exemplifica o embaixador. É evidente o interesse chinês em avançar com a ferrovia transoceânica, que ligará o litoral Atlântico brasileiro aos portos do Peru, no Pacífico. Na lista de "colheita antecipada" possível para os negócios bilaterais, os chineses preveem investir ou financiar, por meio da China Railway Construction Corporation e da China Railway Engineering Corporation até US$ 5,75 bilhões no trecho ferroviário que une Lucas do Rio Verde, no centro de Mato Grosso, a Campinorte e Uruaçú, na ferrovia Norte-Sul.

Os interesses chineses em infraestrutura no Brasil incluem até o possível investimento de até US$ 1,2 bilhão, pela China State Construction Engineering, no projeto de criação de uma "cidade logística" em Pindamonhagaba, São Paulo. O China Engineering Group mantém conversas com a empresa paulista Isoterma Construções Técnicas para um ambicioso plano de abastecimento de água em São Paulo, que demandaria investimentos de US$ 2,7 bilhões, também incluído na lista de interesses dos chineses.

O embaixador Li Jinzhang não entra em detalhes sobre os projetos, mas reafirma o interesse da China em projetos, no Brasil, para energia hidrelétrica, solar e até nuclear. No setor de energia, os principais atores serão a Corporação Três Gargantas (CTCG) e a Power Construction Corporation of China (PCCC).

Sérgio Amaral vê, no interesse da China, uma oportunidade para o Brasil substituir as construtoras envolvidas em projetos hoje ameaçados pelo envolvimento de grandes empreiteiras brasileiras nos escândalos de corrupção. Os chineses podem dar o fôlego necessário a firmas brasileiras de menor porte, para que assumam obras em perigo, sugere.

Os termos, condições e dinheiro de fato envolvidos nos promissores acenos dos chineses começam a ficar mais claros a partir de amanhã, quando Li Keqiang, desembaraçado líder chinês com grande poder nas decisões econômicas do país, exibir o que trouxe na bagagem em sua visita ao Brasil. Uma visita que, aliás, é apenas a primeira parada de uma viagem cheia de simbolismo por uma coleção de capitais sul-americanas.

Sergio Leo é jornalista e especialista em relações internacionais pela UnB. É autor do livro "Ascensão e Queda do Império X", lançado em 2014. 

Cooperação sino-brasileira em um novo patamar

18/05/2015 - Valor Econômico

LI KEQIANG

O Brasil é um país amigo bastante conhecido e apreciado pelo povo chinês. Na China, as majestosas paisagens do rio Amazonas e das Cataratas do Iguaçu são impressas nos livros didáticos das escolas secundárias; muitas pessoas estão familiarizadas com os diálogos da telenovela brasileira Escrava Isaura; fãs esportistas encantam-se com o requintado futebol da América Latina enquanto amantes de arte e literatura elogiam extremamente o samba e os romances do Paulo Coelho.

Doze anos transcorreram desde minha última visita ao Brasil. Nesse período, o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil avançou a um ritmo vertiginoso. Com a subida do PIB do 15º lugar para o 7º do mundo, mais de 40 milhões de pessoas ingressaram na classe média. Tais conquistas brasileiras chamaram a atenção de todo o mundo para a expectativa de um futuro ainda mais promissor.

Com a minha visita espero consolidar ainda mais a tradição da amizade sino-brasileira, promover a cooperação de benefício recíproco e ganho compartilhado, e estimular o intercâmbio e aprendizagem mútua entre a China e a América Latina.

No contexto da fraca recuperação econômica global de hoje, tanto a China como o Brasil percebem que, só com a promoção da reforma estrutural no próprio país e a intensificação da cooperação internacional no palco mundial será possível manter a tendência de crescimento saudável, superar a armadilha da renda média e concretizar o aperfeiçoamento e desenvolvimento da economia.

A China e o Brasil, com grande complementaridade econômica, enorme potencialidade de cooperação e ampla perspectiva do mercado, são, nesse sentido, parceiros naturais.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil, enquanto o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina. Apesar da grande volatilidade dos preços internacionais de commodities, a demanda vultosa desses produtos pela China será mantida no longo prazo. Soja e açucar do Brasil já ocupam respectivamente 45% e 60% da importação chinesa dos dois produtos, mas ainda têm espaço para aumentar. Enquanto produtos de alto valor agregado como jatos regionais da família ERJ são muito bem acolhidos pelas empresas chinesas de aviação civil, a China quer exportar trens de metrô, embarcações e outros equipamentos avançados ao Brasil, fazendo com que o comércio bilateral seja destacado pela transação de produtos vantajosos e beneficie mais os dois povos.

A China e o Brasil dispõem de boa base industrial e têm acumulado valiosas experiências na busca do caminho de modernização. Contando com extraordinária vocação de recursos naturais, a construção de infraestrutura de grande escala do Brasil ainda precisa de grande quantidade de materiais de construção, máquinas e equipamentos. Como empresas chinesas têm ricas experiências na engenharia e gerência e avançadas tecnologias na fabricação de equipamentos, o investimento chinês no Brasil para instalação de fábricas e o uso de materiais locais para produção é algo classificado como combinação de vantagens.

A parte chinesa deseja participar dos grandes projetos brasileiros como a construção de malha ferroviária de cargas e redes de eletricidade e telecomunicação, promover, junto com a parte brasileira, cooperação de cadeia produtiva na construção naval, indústria petroquímica, exploração de petróleo e gás, entre outras. Quando as duas partes tiram pleno proveito das respectivas vantagens comparativas, abrirão um novo caminho de cooperação internacional de capacidade produtiva e fabricação de equipamentos.

Para promover a cooperação industrial e de investimento, é necessário aproveitar melhor o suporte do setor financeiro. As duas partes podem estudar a instalação recíproca de mais sucursais bancárias e outras instituições financeiras, utilizar bem o mecanismo de swap cambial, a fim de dar melhor apoio de financiamento à cooperação das empresas dos dois países.

Sendo países emergentes, a China e o Brasil devem intensificar comunicação e coordenação nas organizações como o Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura para salvaguardar juntos a estabilidade do mercado de capitais internacionais.

O intercâmbio humanístico contribui para incrementar a compreensão e conhecimento mútuo dos dois povos, e do ponto de vista de longo prazo, promover a aprendizagem e referência recíproca entre as civilizações da China e da América Latina. Hoje, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, as árvores de chá plantadas pelos agricultores chineses no século XVIII continuam verdes. Há pouco tempo, uma moça brasileira, cujo nome chinês é Shi Moli, destacou-se na "Ponte do Chinês", competição da língua chinesa para universitários de todo o mundo, e sagrou-se campeã. Acreditamos que com a sustentação de profunda afeição entre os povos, a amizade China-Brasil será passada de geração em geração, e renovada com o tempo.

A China e o Brasil, os maiores países em desenvolvimento respectivamente nos hemisférios leste e oeste, e ambos importantes economias emergentes, além de ter mais de 200 anos de relacionamento amistoso, possuem crescentes interesses comuns e brilhantes perspectivas de cooperação. Sem conflitos fundamentais, os dois países respeitam mutuamente na escolha autônoma do caminho de desenvolvimento, e apoiam-se um a outro nos temas de grande interesse relativo.

Com esforços conjuntos das duas partes para consolidar a confiança mútua política no âmbito da Parceria Estratégica Global, inovar e aprofundar constantemente a cooperação em todas as áreas, e emitir a voz única em governança global, mudança climática, segurança cibernética e estabilidade financeira internacional, não apenas podemos impulsionar o próprio desenvolvimento para um nível mais alto, como também desempenhar um papel positivo no aprofundamento da cooperação integral entre a China e a América Latina, na melhor salvaguarda dos direitos legítimos dos países em desenvolvimento, e na promoção da recuperação da economia mundial.

Li Keqiang -primeiro-ministro do Conselho de Estado da República Popular da China

Premiê chinês é tratado como ‘salvador da pátria’ no governo

19/05/2015 - O Estado de SP / Valor

Leia: Cooperação sino-brasileira em um novo patamar - Valor Econômico

Chineses põem US$ 70 bi nos Brics em maio - Valor Econômico

Brasília - Em um ano de dificuldades econômicas, o governo aposta nos cofres cheios de dinheiro da China para pagar pelos INVESTIMENTOS em infraestrutura que o Brasil não tem como fazer.

A visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, na terça-feira, 19, em Brasília, está sendo tratada como uma rara oportunidade de apresentar uma agenda positiva. Com US$ 53 bilhões a serem investidos em um fundo de FINANCIAMENTO à infraestrutura, o governo chinês pode garantir obras como a segunda linha de transmissão de Belo Monte e a ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO).

Dos recursos já anunciados para o fundo de infraestrutura, que deverá ser gerenciado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco de Desenvolvimento da China, cerca de US$ 10 bilhões poderão ser investidos nas linhas de transmissão de Belo Monte. A empresa chinesa State Grid já venceu a licitação, com a Eletrobrás, da primeira linha, até São Paulo, que terá um custo de US$ 5,5 bilhões. Este deve ser um dos mais de 30 acordos que serão assinados durante a visita de Keqiang.

Uma segunda linha, até o Rio de Janeiro, com um custo de US$ 7,7 bilhões, deverá ser licitada em junho e também interessa à State Grid. O INVESTIMENTO entraria na lista de financiamentos pelo novo fundo.

O governo também vê no fundo a possibilidade de resolver parte do financiamento à construção de ferrovias. Em 2014, durante a visita do presidente da China, Xi Jinping, foi assinado um termo de acordo para estudo de viabilidade de INVESTIMENTOS entre a construtora Camargo Corrêa e a China Railway Construction Corporation visando a construção da linha entre as cidades de Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), onde se ligaria à ferrovia Norte-Sul. Um dos trechos mais importantes para os produtores de grãos do Centro Oeste, de quase 900 quilômetros, teria um custo de US$ 5,4 bilhões e ainda não foi licitado. Agora, pode entrar na lista de financiamentos chineses.

Salvação. Na véspera da visita do primeiro-ministro, a presidente Dilma Rousseff convocou os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Mauro Vieira (Itamaraty) e Nelson Barbosa (Planejamento) para uma reunião preparatória. Também participam da audiência os ministros Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Antônio Carlos Rodrigues (Transportes), Kátia Abreu (Agricultura) e Ricardo Berzoini (Comunicações), além do embaixador do Brasil na China, Valdemar Carneiro Leão para revisar os últimos detalhes dos acordos. Dentro do Planalto, o premiê chinês tem sido visto como "o salvador da Pátria" em um ano de ajuste econômico severo.

O governo conta com o apetite chinês no programa de concessões a ser anunciado em junho, principalmente na área de ferrovias, mas também portos, aeroportos e energia.

O governo espera ter outras duas boas notícias para anunciar: a assinatura de um novo protocolo sanitário que permitirá ao Brasil voltar à exportar carne bovina em natura para a China Continental e a assinatura da venda de 22 aviões da Embraer para a Tianjin Airlines.

Valor Econômico

Obras travadas também atraem interesse chinês

O embaixador Sergio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China: interesse em obras em andamento Diferente do que se viu em visitas anteriores, a grande comitiva chinesa que desembarcou no último final de semana em Brasília está disposta a INVESTIR não somente em obras novas, as chamadas "greenfield", mas também em projetos que já estão em andamento. A informação é do embaixador Sérgio Amaral, presidente emérito do Conselho Empresarial Brasil-China, que participou ontem da primeira rodada de negócios entre representantes dos dois países.

Na lista dos empreendimentos já iniciados que estariam na mira dos chineses está a ferrovia Transnordestina, em obras desde 2007, mas ainda longe de sair do papel. Segundo Amaral, o ex-ministro Ciro Gomes - hoje diretor-presidente da Transnordestina Logística SA - vai se encontrar com empresários chineses para discutir uma possível parceria no projeto.

O mesmo pode acontecer, segundo o embaixador, com as obras das linhas 4 e 5 do metrô de São Paulo. "São projetos em andamento que demandam algum INVESTIMENTO estrangeiro por uma questão tecnológica ou de crédito. Temos duas linhas do metrô de São Paulo que estão em andamento, mas que se beneficiariam desse aporte", afirmou Sérgio Amaral.

De acordo com ele, um dos principais destaques desta visita é a participação recorde dos bancos chineses. Diante de um cenário de escassez de fontes de FINANCIAMENTO para INVESTIMENTOS de longo prazo no Brasil, sobretudo em projetos de infraestrutura, a comitiva chinesa trouxe a tiracolo os presidentes de cinco grandes bancos.

Para o embaixador, presença massiva demonstra a disposição dos asiáticos em aumentar o apoio aos projetos feitos em parceria com empresas locais. Ele não soube dizer, entretanto, se o financiamento de projetos 100% brasileiros também poderiam ser apoiados pelas instituições da China. "Essa é uma boa pergunta a ser feita para eles", disse o embaixador.

Outra novidade que poderá ser anunciada hoje pelos chefes de Estado dos dois países é a participação chinesa na disputa para a construção da segunda linha de transmissão de Belo Monte. A primeira, licitada em fevereiro do ano passado, foi vencida por um consórcio entre a chinesa State Grid e as estatais Eletronorte e Furnas.

Amaral também informou que os empresários asiáticos querem participar das obras de construção da ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO). O projeto integra o programa de concessões do governo federal e já teve os estudos aprovados pelo Tribunal de Contas da União, mas a incerteza sobre o interesse privado vem barrando a publicação do edital.

Há ainda interesse chinês na Ferrovia Norte-Sul e na construção de uma plataforma logística na cidade de Anápolis (GO). De acordo com Amaral, o objetivo é de que as negociações deste ano superem a fase de "troca de cartões". "Muitas vezes faltou a essas missões comerciais um pouco de concreção. Agora queremos saber quais os projetos que estão prontos, com estudos, estimativas financeiras e taxa de retorno", afirmou.

O primeiro-ministro Li Keqiang será recebido na manhã de hoje pela presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Após uma conversa privada, os dois se reúnem com ministros e participam da solenidade de assinatura de atos. Para a tarde estão programadas visitas do líder chinês aos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros. No final do dia, Keqiang embarca para o Rio de Janeiro

Ferrovias de MS estão cada vez mais perto da desativação

19/05/2015 - Correio do Estado - MS

A Rumo/ALL, que obtém a concessão da linha férrea em Mato Grosso do Sul, demitiu no último dia 12 cerca de 100 dos 536 trabalhadores que fazem parte do setor no Estado. Em nota, a empresa explicou que os cortes foram necessários em virtude de ajustes operacionais.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a empresa sinalizou o fechamento da unidade de produção em Campo Grande e o fim da circulação do trecho Corumbá-Bauru (antiga Noroeste do Brasil), a partir de 13 de maio e, no sentido contrário, no dia 22 deste mês. Apenas o trecho que corresponde a Corumbá e Três Lagoas, deve permanecer funcionando no momento. Em Corumbá, a linha férrea é utilizada para transporte de minério de ferro para exportação e ainda de acordo com o sindicato, do início do ano para cá, o quadro de funcionários reduziu de 150 para 131. Somente nos últimos dias, seis cortes foram confirmados.

De acordo com o site Diário Online, a desativação gradativa da malha ferroviária do Estado ao longo dos anos teve recentemente ações mais incisivas, principalmente após a readequação acionária em decorrência da fusão entre a empresa que originou a Rumo/ALL, que obtém a concessão da ferrovia. Segundo o Sindicato, a não utilização da malha tem acontecido em detrimento da utilização de outras rotas, já que de acordo com a empresa, o trecho é considerado antieconômico.

Segundo o assessor administrativo do Sindicato dos Ferroviários, Willian Álvaro Monteiro, a preocupação, além das demissões, é com o sucateamento da malha com a desativação dos trilhos. "Uma de nossas preocupações é que, sem o uso dos trilhos ao longo da via do trem do Pantanal, além da falta de fiscalização adequada, acontecerá a depredação do trecho, que já é existente mesmo com a empresa em funcionamento", explicou William ao Diário Corumbaense.

O sindicalista teme ainda a reedição da Resolução 4131 de 05/07/2013, concedida pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) à Ferrovia Centro Atlântica, a qual tratou a desativação de um trecho ferroviário, considerado "antieconômico", segundo o sindicalista como um "prêmio" às empresas. As punições por quebra de contrato e degradações na malha foram convertidas em INVESTIMENTOS, a serem efetuados pela FCA em outras regiões.

Questionada, a empresa deu seu posicionamento, esclarecendo que em virtude de ajustes nas operações e a necessidade de cortes, foi oferecido aos funcionários pacote demissional, além das verbas rescisórias de lei. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Rumo/ALL ainda ressaltou que os funcionários tiveram direito a cursos de capacitação para a reinserção no mercado de trabalho.

O Governo do Estado, por sua vez, tenta interceder junto àempresa para evitar desabastecimento generalizado do escoamento da produção do Estado. Reuniões estão agendas para o fim deste mês.

sábado, 16 de maio de 2015

Ferrovia Norte-Sul terá traçado definido em junho de 2015

15/05/2015 - Rádio Progresso de Ijuí

O traçado do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul deve ser conhecido nos próximos dias. É o que revela o ofício encaminhado pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. ao deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Depois de sucessivos atrasos na divulgação, a conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) está prevista para o mês de junho. 

Com isso, será possível saber por quais municípios a ferrovia vai cruzar, no trecho compreendido entre Panorama (SP) e o porto de Rio Grande (RS). "Temos aí pelos menos três anos de atraso desde que conseguimos inlcuir a obra no PAC. Passado tudo isso, agora temos um prazo bastante imediato. Mês que vem teremos a condição de saber por onde passará essa obra", destacou Jerônimo. 

A definição do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul levou em conta aspectos como a demanda econômica, o fluxo de caminhões e a geografia do solo, tendo em vista o menor custo logístico de transporte e o incremento do volume de cargas. O levantamento apontará a alternativa de traçado mais viável, inclusive os ramais de ligação. De acordo com Jerônimo, "esse estudo que está sendo feito leva conta três traçados possível e em junho teremos a definição daquilo que vai entrar em licitação", explicou. 

Na avaliação de Jerônimo, a Ferrovia Norte-Sul é fundamental para a mudança da logística brasileira, fortemente dependente do transporte rodoviário. "Especialmente para o Rio Grande do Sul, que tem um dos melhores portos. Mas sem ter a ligação com a ferrovia ele fica incompleto. Então nós teremos uma redução de custo logístico muito importante, que dará ao Estado uma grande competitividade no contexto nacional e internacional", destacou. 

O parlamentar pediu que as comunidades se mobilizem e aumentem a pressão sobre o governo para que este prazo seja cumprido e que não haja novos atrasos na definição do traçado. Ele entende que é preciso acelerar os investimentos em ferrovias, modal de transporte 40% mais econômico do que o rodoviário. Além disso, é um modal de transporte mais seguro e que gera ganhos enormes para o meio ambiente.

Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
Publicada em:: 15/05/2015


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ferrovia Vitória a Minas completa 111 anos de operação

13/05/2015 - ES Hoje

Nesta quarta-feira (13), a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) completa 111 anos de operação. Considerada uma das ferrovias mais produtivas e seguras do mundo, por seus trilhos passam cerca de 40% de toda a carga ferroviária do país, como minério de ferro, grãos, produtos siderúrgicos, celulose, toretes de madeira e soja, entre outros. Somente no ano passado, a ferrovia transportou 119 milhões de toneladas. 

Além do transporte de cargas, a Vitória a Minas opera também o único trem de passageiros diário do país que percorrer longas distâncias, ligando Cariacica, na Região Metropolitana da Grande Vitória, no ES, à capital mineira Belo Horizonte. Somente no ano passado, quase um milhão de pessoas viajaram pelos trilhos da ferrovia Vitória a Minas. Desse total, 168 mil passageiros embarcaram na estação Pedro Nolasco, em Cariacica (ES), com destino a Minas Gerais. Outras 168 mil pessoas chegaram ao ES por meio do transporte ferroviário no ano passado. 

Na estação de Belo Horizonte, o volume de pessoas que embarcou com destino ao litoral capixaba chegou a 231 mil passageiros. A capital mineira, por sua vez, recebeu mais de 213 mil pessoas em 2014, que chegaram à cidade pelo Trem de Passageiros da ferrovia Vitória a Minas. 

Já em Governador Valadares, o total de embarques foi de mais de 137 mil pessoas, enquanto os desembarques chegaram a 141.074. A movimentação de passageiros na estação Intendente Câmara, em Ipatinga, cidade localizada no Vale do Aço, envolveu mais de 88 mil embarques e cerca de 89.600 desembarques. 

Novo Trem 

Com o passar dos anos, as operações da Estrada de Ferro Vitória a Minas foram modernizadas para aumentar a eficiência, a capacidade, a produtividade e a segurança, essa última trabalhada pela Vale por meio de ações de conscientização realizadas junto às comunidades situadas ao longo da ferrovia durante todo o ano. 

Como parte desses investimentos, em agosto do ano passado, a Vale colocou em operação o Novo Trem de Passageiros. A renovação da frota visa garantir mais conforto e comodidade aos passageiros que utilizam o transporte ferroviário diariamente. Fabricados na Romênia, os novos vagões, um total de 56, obedecem a padrões europeus de qualidade. Além dos carros executivos e econômicos, a composição conta ainda com vagões-restaurante, lanchonete, gerador e cadeirante (destinado a pessoas com dificuldade de locomoção). 

Estrada de Ferro Vitória a Minas em números 

905 km de extensão entre o ES e MG 
119 milhões de toneladas transportadas em 2014 
664 km é o percurso completo do Trem de Passageiros 
1 milhão de passageiros transportados por ano (média histórica) 
30 pontos de embarque e desembarque de passageiros 
42 municípios atendidos pelo Trem de Passageiros

Fonte: ES Hoje
Publicada em:: 13/05/2015

Ministra promete aumentar Transnordestina

15/05/2015 - Portal O Dia

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, lançou nesta quinta-feira (14), em Teresina, o Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba - região estratégica para o setor, que incluiu partes dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O evento foi realizado no auditório do Ceir, e contou com a presença do governador Wellington Dias (PT); do secretário de Desenvolvimento Rural do Piauí, Francisco Limma; do presidente nacional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes; e dos senadores Elmano Férrer (PTB) e Regina Sousa (PT).

Segundo a ministra Kátia Abreu, nesse primeiro momento a região beneficiada no Piauí será o Alto Médio do Gurguéia, que inclui onze municípios piauienses.

Inicialmente, a agência deve priorizar os investimentos em dois setores: o de infraestrutura e o de inovação e tecnologia. A rodovia BR 235, que está sendo construída entre Caracol e Bom Jesus, será expandida até o Maranhão. Além disso, a promessa do Governo Federal é estender a Ferrovia Transnordestina até o município de Açailândia (MA), para facilitar o escoamento de produtos fabricados no Piauí até os portos de Belém (PA) e de São Luís (MA).

Nos primeiros anos de atuação, a agência também pretende investir de forma maciça no controle de pragas e na formação de jovens em cursos relacionados ao setor de agronegócios.

De acordo com Kátia Abreu, a Agência de Desenvolvimento do Matopiba também terá um departamento direcionado especificamente para estimular a inserção da população nativa dos municípios na cadeia produtiva e logística da região.

Durante o evento realizado no auditório do CEIR, os prefeitos dos municípios incluídos no Matopiba assinaram um termo de adesão ao programa de desenvolvimento. Cada prefeitura recebeu um trator durante a solenidade, e ainda receberá uma perfuratriz para construção de poços.

O decreto de criação da Agência de Desenvolvimento do Matopiba foi sancionado no último dia 6 de maio pela presidente Dilma Rousseff (PT).
O objetivo da agência é impulsionar o desenvolvimento econômico dos municípios que integram a região do Matopiba, beneficiando os pequenos, médios e grande produtores, com foco na sustentabilidade e na integração da região.

"O Matopiba, cujo nome é um acrônimo formado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, é considerado a última fronteira agrícola mundial e atualmente representa cerca de 10% da produção de grãos no Brasil. É estratégico para a ascensão social dos pequenos produtores locais e para o incremento da produção sustentável e da exportação agropecuária do país", destacou o Governo do Estado, por meio de nota veiculada pela Coordenadoria de Comunicação (CCom).

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Transbordo ferroviário de grãos no TO já movimenta mais de 80 mil toneladas

24/04/2015 - Diário da Manhã

O Transbordo Ferroviário de Grãos da Agrex do Brasil, localizado no Pátio Intermodal de Porto Nacional, no Tocantins, está correspondendo às previsões iniciais relacionadas ao desempenho. Até o início do mês de abril, já foram recebidos 82.300 toneladas de produtos, sendo que 67.200 toneladas foram embarcadas em vagões. A princípio, as cargas têm sido somente de soja.

A unidade de padronização de grãos, inaugurada no início de fevereiro, recebeu R$ 25 milhões de investimentos e possui área de 5,117,35 m². Esse é o segundo transbordo rodo-ferroviário às margens da Ferrovia Norte-Sul da Agrex do Brasil, sendo o primeiro situado em Porto Franco, no Maranhão.
De acordo com o gerente de Logística Edson Ferreira Dantas, foi notada uma série de benefícios com a implantação do transbordo, como o aumento da competitividade devido a melhor combinação de modais (rodovia/ferrovia), a agilidade no escoamento dos grãos para o porto devido a capacidade da ferrovia e o nível de serviço junto ao cliente devido aproximidade com a lavoura.

"Apesar de o modelo de concessões das ferrovias e a baixa oferta de transporte ferroviário no Brasil, o que dificulta a redução em custos de frete, esse corredor e a forma que vem sendo estruturado começaram a gerar redução de custos no escoamento para o porto. Nesse projeto em específico (Porto Nacional), a redução está em torno de 5%", revela Edson.

Ao todo, o volume recebido e embarcado na ferrovia está em torno de R$60,3 milhões (valor da mercadoria). A expectativa para o primeiro semestre de 2015 é movimentar 200.000 toneladas de soja, cerca de R$180 milhões (valor da mercadoria).

O Pátio Intermodal de Porto Nacional é de responsabilidade da Valec, empresa pública de engenharia, construções e ferrovias. Ele foi construído em local estratégico, a 25 quilômetros de Palmas (TO), com extensão de 5.498m² e com acesso à BR-153.

A previsão é de que sejam instalados no máximo 15 empresas arrendatárias. A Agrex do Brasil, assim como as demais empresas arrendatárias, tem um prazo de quinze anos para exploração do local, que pode ser renovado por igual período.


Governo Rui fala em prioridade e promete concluir Fiol e Porto Sul

14/05/2015 - Tribuna da Bahia

O secretário estadual da Casa Civil, Bruno Dauster, reafirmou ontem o compromisso do governo do Estado em priorizar a conclusão do Porto Sul e da Ferrovia Oeste Leste.

Durante audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia, organizada pela Comissão Especial da Fiol e do Porto Sul, Dauster falou sobre a proposta feita à Valec - empresa responsável pela execução das obras - para um novo traçado da Fiol, ao Ministério Público e a Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT. Ela prevê que a Ferrovia, antes pensada para seguir da Bahia até a cidade de Figueirópolis, no Tocantins, faça entroncamento com Ferrovia Norte Sul (FNS) em Campinorte, no estado de Goiás.

O andamento das obras, que já receberam um investimento de R$2,2 bilhões, também foi tratado no encontro. Os lotes 1 a 4 da Ferrovia têm a previsão de serem concluídos no segundo semestre de 2016. Os demais lotes seguem em andamento com a previsão de conclusão para 2017.

Com relação ao Porto Sul, o secretário ratificou a confiança na execução e viabilidade do empreendimento e destacou a inclusão de novas tecnologias, que implicam em alterações no projeto inicial. "Estou confiante sobre a construção do Porto Sul e acredito que, até o final de 2018, estaremos exportando carga por lá. Vamos contar com uma nova tecnologia de quebra-mar, com caixões pré-moldados, elaborados em diques flutuantes. Este modelo é o mais usado em portos offshore no mundo e vai acelerar enormemente a instalação do nosso quebra-mar", disse.

A deputada estadual Ivana Bastos (PSD), presidente da Comissão, ressaltou a importância do diálogo proposto pela audiência. "Este espaço é de extrema importância, para que possamos conversar abertamente e tirar todas as nossas dúvidas sobre a Fiol e o Porto Sul, dois projetos que vão alavancar a economia do nosso estado. A Bahia, em breve, vai poder ver esses dois empreendimentos funcionando".

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Premiê chinês vem ao Brasil com pacote de US$ 53 bilhões

13/05/2015 - Folha de São Paulo

Li Keqiang, o premiê chinês, desembarca no Brasil na terça-feira (19) trazendo na bagagem um suculento pacote de projetos de cooperação, no valor total de US$ 53 bilhões (R$ 160 bilhões).

A cereja do bolo é a participação chinesa na chamada Ferrovia Transoceânica, que ligará a brasileira Ferrovia Norte-Sul à costa do Pacífico, no Peru. É um projeto de custo estimado entre US$ 4,5 bilhões (R$ 13,5 bilhões) e US$ 10 bilhões (R$ 30 bilhões)

O jornal britânico "Financial Times" informa que esse seria o custo se a ferrovia cortasse a Amazônia –o que, inevitavelmente, enfrentaria forte oposição de ambientalistas e grupos indígenas.


Por isso, há uma segunda rota, alternativa, através dos desertos do sul do Peru, o que obrigaria a envolver a Bolívia no projeto. Por enquanto, o que está sendo negociado é uma cooperação apenas trilateral (Brasil/China/Peru).

A Transoceânica permitirá que o Brasil exporte pelo Pacífico soja e minério de ferro, dois dos seus principais produtos no comércio com a China, barateando o custo.

Mas a ferrovia não é nem remotamente o único projeto na bagagem de Li Keqiang. O que vai ser assinado em Brasília, na semana que vem, é um conjunto de 34 atos envolvendo principalmente investimentos em infraestrutura e no aumento da capacidade produtiva do Brasil. Levaria a cooperação entre os dois parceiros a um outro plano, além do comércio, que é o grande componente hoje.

Aumentar a capacidade produtiva do Brasil permitirá que o país "exporte mais aço e menos minério de ferro", como sonha o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral de Política 2 —no organograma do Itamaraty, responsável pelas relações com a Ásia.
É uma alusão ao fato de que o comércio com a China incomoda o governo, por mais que tenha havido saldo sistemático, exceto nos últimos cinco ou seis meses.

Ocorre que o Brasil exporta basicamente produtos primários e importa produtos industriais. É uma relação semicolonial, da qual a própria presidente Dilma Rousseff se queixou na sua visita à China, em 2011. De lá para cá nada mudou, a não ser o fato de que o fluxo comercial se enfraqueceu, em consequência da relativa desaceleração chinesa e da retração no Brasil.

GIRO CHINÊS

Li Keqiang visitará também Chile, Peru e Colômbia, os três países com políticas mais liberais na América do Sul –caminho que o Brasil começa a trilhar com o ministro Joaquim Levy.

O "Financial Times" especula que a viagem seja um reflexo do receio da China quanto à solvência dos parceiros sul-americanos mais à esquerda, casos de Argentina e, principalmente, Venezuela.

A China emprestou quase US$ 60 bilhões a Caracas, praticamente o dobro dos créditos a um Brasil de economia muitíssimo maior. 


Megaferrovia que liga oceanos entra no plano de Dilma

12/05/2015 - Folha de S. Paulo

China, Brasil e Peru preparam acordo preliminar para construir uma megaferrovia que ligaria os dois países sul-americanos, criando um corredor de trilhos entre o Atlântico e o Pacífico. A obra é estimada em R$ 30 bilhões.

A Folha apurou que o governo brasileiro incluirá trechos da ferrovia Transoceânica no plano de INVESTIMENTOS que a presidente Dilma Rousseff irá anunciar em junho. Na semana que vem, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, desembarca em Brasília para fechar parcerias com o Palácio do Planalto.

A ideia é que empresas do país asiático participem dos futuros leilões para levar alguns dos trechos do pacote. Ministros e técnicos da Esplanada afirmam que as negociações estão avançadas no trecho Campinorte, que liga Goiás a Lucas do Rio Verde (MT), cinturão brasileiro do agronegócio, por onde passa a maior parte da produção nacional de grãos.

Há trechos brasileiros que já haviam sido lançados no programa de concessões de Dilma de 2012, mas até hoje não foram licitados.

Pelo desenho original, a Transoceânica começa no Rio de Janeiro, passa por MG, GO, MT, RO e AC e, de lá, segue para o Peru.

A construção de um empreendimento que mudaria o mapa do sistema logístico internacional encontra fortes ressalvas pelo alto custo de construção para cortar a Cordilheira dos Andes.

SOJA MAIS COMPETITIVA

Já entusiastas do projeto, entre eles a presidente Dilma, argumentam que o trecho entre os dois países abriria uma saída para os produtos brasileiros pelo Pacífico, tornando-os mais competitivos.

A soja brasileira, por exemplo, tem dois caminhos para chegar à China: os portos de Santos (SP) e Belém (PA). No primeiro, são 30 dias de viagem pelo Atlântico. No segundo, saindo de Belém, via canal do Panamá, são 35 dias.

Uma viagem do Peru à China leva prazo semelhante. A grande diferença, aí, está no tempo entre a região produtora, Mato Grosso, e o porto.

A China depende dos produtos agrícolas brasileiros, mas quer uma alternativa ao canal do Panamá, sob influência dos EUA. A necessidade de uma rota concorrente acabou elevando o interesse pelo pacote de concessões para ferrovias de Dilma.

Em novembro, Brasil, China e Peru já haviam assinado um memorando de entendimento nesse sentido. O objetivo, agora, é avançar um pouco mais e tentar fechar cronogramas para a realização de estudos técnicos.

Em julho de 2014, Dilma e o líder chinês, Xi Jinping, ratificaram cooperação permitindo INVESTIMENTOS chineses em ferrovias brasileiras.

A nova fase das concessões se dará por outorga onerosa (ganha a empresa que der o maior lance), ao contrário do sistema adotado em 2012.

No desenho antigo, que quase não despertou interesse do setor privado, o Tesouro Nacional ajudava a bancar as iniciativas. Hoje, porém, não há recursos para isso.