sexta-feira, 31 de outubro de 2014

TCU vê falhas em projeto da Ferrovia Norte-Sul e porto

30/10/2014 - Agência Estado

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falhas no planejamento integrado entre os projetos de construção do trecho da Ferrovia Norte-Sul que segue de Açailândia (TO) até Barcarena (PA) e a expansão do Porto de Vila do Conde, localizado em Barcarena. A partir de informações técnicas dos dois projetos, o TCU concluiu que ambos "estão sendo executados como segmentos estanques" e que as informações sobre o trecho ferroviário "apresentam significativa discrepância daqueles constantes dos projetos de expansão portuária".

O trecho de 457,29 quilômetros previsto para ser a última etapa da Norte-Sul chegou a ser cotado como primeira tentativa de concessão ferroviária a ser feita pelo governo, mas o projeto acabou suspenso, depois de uma série de críticas e questionamentos feitos por potenciais interessados.

Os cálculos do TCU levaram em conta projeções de demanda feitas pelo próprio governo até 2045. A análise foi realizada sobre os produtos alumina, soja e milho, que respondem por aproximadamente 75% da estimativa do volume de cargas a ser transportado pelo trecho Açailândia-Barcarena. Há diferenças superiores a 10% entre a projeção de tráfego da ferrovia e a capacidade de escoamento do porto.

"As discrepâncias se tornam mais graves na medida em que as projeções de demanda utilizadas para efeito de comparação consideraram apenas os volumes atuais de cargas embarcadas/desembarcadas no porto de Vila do Conde e aqueles projetados como decorrentes da ferrovia, sem que tenham sido consideradas as demandas portuárias advindas da implantação dos projetos da Hidrovia Tocantins-Araguaia, da duplicação da BR-163 e da ferrovia Sinop-Mirituba", afirmou em seu voto o ministro-relator Marcos Bemquerer Costa.

O Ministério dos Transportes e a Secretaria dos Portos chegaram a argumentar que os operadores portuários lidam com "mercados mais rígidos", uma vez que os terminais são especificamente construídos e equipados para lidar com tipos certos de cargas. Por esse motivo, as projeções de demandas portuárias seriam mais "conservadoras", pois os operadores portuários não teriam a opção de buscar outras fontes alternativas, no caso de frustração das projeções. O TCU, no entanto, não acatou a justificativa.

O governo alegou ainda que não haveria risco da ocorrência de gargalos portuários, "porque sempre existe possibilidade de que demandas excedentes sejam atendidas por meio de novas expansões das áreas no porto organizado (novos arrendamentos ainda não previstos) e/ou por Terminais de Uso Privado - TUPs". Novamente, a explicação não teve êxito.

"Acolher esse argumento equivale a aceitar que os estudos portuários que foram submetidos ao tribunal são ficções desprovidas de valor e que os cenários neles retratados não são adequados para formulação da melhor solução do ponto de vista técnico", declarou Costa. O TCU fez uma série de determinações ao Ministério dos Transportes e à Secretaria de Portos da Presidência, para que "apresentem coerência recíproca em seus respectivos estudos de demanda".

Perguntado sobre o assunto, o Ministério dos Transportes informou que sua área técnica "está analisando o acórdão". Não é a primeira vez que o tribunal aponta descolamento entre ferrovia e porto. Na Bahia, o TCU apontou um forte descompasso entre as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), tocadas pela estatal Valec, e o projeto do novo porto de Ilhéus, com possibilidade de prejuízo de até R$ 2 bilhões.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Projeto do trecho de Maringá terá R$ 4,2 milhões

29/10/2014 - O Diário

O maior valor destinado à região de Londrina se deve a uma maior extensão do trecho a ser projetado, que é de 36,47 quilômetros.

Por Murilo Gatti

A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (Seil) vai receber R$ 4,29 milhões para contratar o projeto executivo do trecho do trem de passageiros "Pé-Vermelho" que inclui as cidades de Paiçandu, Maringá e Sarandi. Os recursos foram incluídos no Orçamento Geral da União, confirmou na íltima sexta-feira (24) a assessoria de imprensa do Ministério das Cidades, que aprovou a inclusão do projeto no PAC da Mobilidade Urbana.

Para o trecho urbano que inclui as cidades de Ibiporã, Londrina e Cambé, vão ser destinados outros R$ 6,44 milhões. O dinheiro vai ser liberado por meio da Caixa Econômica Federal, o que deverá acontecer até meados do próximo ano.

O maior valor destinado à região de Londrina se deve a uma maior extensão do trecho a ser projetado, que é de 36,47 quilômetros. Na região de Maringá, o projeto contempla um trecho de 24,3 quilômetros. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério, a partir de agora, a "Caixa Econômica Federal dará inicio a análise da documentação entregue pelo proponente para o início do processo de contratação".

Apesar da liberação dos recursos para os projetos, ainda não há garantias de que o governo federal irá liberar recursos para a execução das obras de implantação do trem de passageiros nas duas regiões. "Ainda não há previsão de apoio do Governo Federal para as obras do empreendimento", informou o Ministério das Cidades, por meio de nota.

O Estudo de Viabilidade Técnica, Ambiental e Econômica do empreendimento indica que a implantação do trem é viável. Na região de Maringá, a perspectiva é ter uma demanda de quase 15 mil passageiros por dia. Na região de Londrina, a estimativa é que o trem vai ser usado diariamente por 13,5 mil pessoas. O projeto inicial prevê seis estações de embarque e desembarque em cada região.

Fonte: odiario.com

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Trecho cearense da Ferrovia Transnordestina avança primeiro

28/10/2014 - Jornal do Commercio

O governo federal decidiu acelerar as obras no trecho cearense da Ferrovia Transnordestina. O empreendimento começa na cidade de Eliseu Martins, no Sul do Piauí, e segue até Salgueiro, dividindo-se em dois trechos que vão para os portos de Pecém, próximo à Fortaleza (capital do Ceará) e Suape, no litoral Sul do Estado. Na quarta-feira da semana passada, os ministros do Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e da Integração Nacional, Francisco Teixeira, assinaram, na cidade de Missão Velha, a ordem de serviço para a construção de mais 150 quilômetros do trecho cearense Missão Velha-Pecém. "Em Pernambuco, a obra está totalmente parada. Não me cabe responder se está havendo uma retaliação do governo federal ao Estado", afirma o secretário estadual de Desenvolvimento, Márcio Stefanni, ao ser questionado se essa retomada da obra ocorreu no Ceará pelo fato de o atual governador de Pernambuco e o eleito, João Lyra Neto e Paulo Câmara (ambos do PSB), terem apoiado Aécio Neves (PSDB) na eleição para presidente no último domingo, quando a presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita.

Segundo o secretário, o único movimento que está ocorrendo com relação à implantação da ferrovia em Pernambuco é a retomada da fábrica de dormentes, reativada em Salgueiro recentemente. A unidade estava parada desde o ano passado, quando as obras foram paralisadas.

Os 150 km de ferrovia que serão construídos no Ceará vão passar pelos municípios de Iguatu, Aurora, Icó, Lavras da Mangabeira, Cedro e Acopiara. Os 96 km que ligam Salgueiro, em Pernambuco, a Missão Velha estão concluídos desde o ano passado, de acordo com a União.

Márcio Stefanni diz que o Estado continua aguardando ansiosamente a implantação da ferrovia, que "é fundamental" para melhorar a infraestrutura existente em Pernambuco junto com outras obras como o Arco Metropolitano (que será feito com recursos federais construindo uma alça entre Suape e Goiana, passando por fora da BR-101) e a licitação para o segundo terminal de contêineres do Porto de Suape.

As obras da Transnordestina são realizadas pela empresa Transnordestina Logística S.A (TLSA), que tem à frente o grupo da Companhia Siderúrgica Nacional. Segundo a assessoria de imprensa da TLSA, a companhia totaliza 420 km de superestrutura (onde já foram colocados os trilhos, dormentes e brita) em Pernambuco, sendo que mais de 100 km foram "lançados no ano de 2014 entre os municípios de Parnamirim e a localidade de Nascente". A assessoria não explicou quais são os municípios pernambucanos que receberam os outros 300 km das obras. Ainda de acordo com a empresa, há três canteiros de obra em Pernambuco localizados em Salgueiro, Nascente e Arcoverde.

A ferrovia terá 1.753 km e vai passar por 29 municípios no Ceará, 19 no Piauí e 35 em Pernambuco. O empreendimento também prevê a construção de terminais para receber a carga nos dois portos. Nesse caso, Pecém é considerado um terminal privativo, tendo autonomia para aprovar o projeto de construção dos terminais.

Já o Porto de Suape é enquadrado (pelo governo federal) como porto organizado e a administração estadual não tem autonomia para implantar novos terminais devido a uma lei sancionada pelo governo federal no meio do ano passado. Inicialmente, os terminais de Suape deveriam ser licitados pelo governo federal no ano passado, o que não ocorreu. Além de Suape, a nova lei prejudicou outros portos, como o de Santos (SP), Belém do Pará, Paranaguá, Salvador e Aratu.

Fonte: Jornal do Commercio
Publicada em:: 28/10/2014

Estação de trem de Paudalho reabrirá como Arquivo Público Municipal

28/10/2014 - NE10

Na sexta reportagem da série sobre o patrimônio ferroviário de Pernambuco, veja a situação de antigas esplanadas construídas na Zona da Mata

Por Cleide Alves | Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

O último trem que partiu de Mari, na Zona da Mata paraibana, com destino a Pernambuco, deixou Terezinha na Estação de Paudalho. O ano era 1977 e a moça, carregando uma mala, tinha fugido de casa para encontrar o namorado. Desativada e sem uso, a esplanada que serviu de cenário para os sonhos de Terezinha se deteriorou. Só agora, viúva e avó, ela vê o prédio restaurado.

Aberta ao tráfego em 1881, a Estação de Paudalho, na Mata Norte do Estado, foi recuperada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mantendo as características do século 19. No local, funcionará o Arquivo Público da cidade. "Vamos firmar um termo de cessão provisória, dando à prefeitura o direito de ocupar a edificação", diz o superintendente do Iphan, Frederico Almeida.

É a primeira estação do patrimônio ferroviário de Pernambuco a reabrir com essa atividade, informa o historiador Severino Ribeiro, do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. O acervo, que estava fechado em caixas, já está higienizado, classificado e pronto para a mudança.

"Bom mesmo, seria a linha férrea ser reativada e a estação voltar a receber passageiros. Mas é melhor ter o arquivo do que o prédio se acabar, como está acontecendo em outros cantos", declara Terezinha Olindina Paulo de Lima, 65 anos, a paraibana que trocou Mari por Paudalho, há 37 anos. "O trem fez muita falta quando parou de rodar."

Zeladora na Igreja de Santa Tereza d'Ávila há 23 anos, Terezinha conheceu o futuro marido nas viagens de trem de Mari para o Santuário de São Severino dos Ramos, vilarejo de Paudalho que contava com uma estação ferroviária. Entre uma reza e outra, a romeira apaixonou-se pelo retratista da festa. Depois de quatro anos de namoro, no vaivém da estrada de ferro, largou a família para viver com o rapaz.

"Fiz a última viagem do trem para Paudalho, saindo de Mari. A locomotiva que me trouxe, voltou para a Paraíba e nunca mais retornou", conta. A Estação de São Severino tampouco existe mais. Do lugar que testemunhou a paixão de Terezinha e Erivaldo José de Lima resta apenas a plataforma de embarque e desembarque de passageiros. As margens dos trilhos são tomadas por barracas de comerciantes.

A recuperação do imóvel em Paudalho é uma exceção à regra. No mesmo município, a Estação de Mussurepe está acabada. Em Timbaúba, ainda na Linha Tronco Norte, a estação que inspirou o romance Pureza, do escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957), publicado em 1937, encontra-se completamente avariada, com paredes rachadas e infestação de cupins.

Inaugurada em 1883, a Estação de Pureza abrigava a casa do agente e conserva suas características originais. As duas edificações, inventariadas pelo Iphan, no levantamento do patrimônio ferroviário realizado de 2007 a 2009, estão abandonadas.

Na Linha Tronco Centro, a Estação de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, reabriu como Agência do Trabalho. O antigo armazém, por trás do prédio, está fechado. Uma parada de ônibus, fiteiros e barracas para venda de lanches e acessórios de bicicleta foram instalados rentes à parede lateral do galpão.

"A giratória do trem foi aterrada e fizeram uma praça em cima", lamenta o aposentado José Ferreira de Araújo, 78. Morador de Vitória e ambulante no Recife, na juventude, ele se deslocava de uma cidade a outra nos trilhos. "Deviam reativar, é um transporte seguro", diz. Sem o trem nas linhas, Severino Ribeiro estimula a criação de novos arquivos públicos municipais nas estações.

Fonte: NE10

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ministro garante Ferronorte até Cuiabá

24/10/2014 - Diário de Cuiabá

Em visita a Rondonópolis, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse considerar Mato Grosso um Estado estratégico para o governo federal e garantiu a chegada da Ferrovia Norte Brasil, mais conhecida como Ferronorte, até Cuiabá. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já está realizando os estudos de viabilidade e o governo federal tem interesse na chegada dos trilhos até a capital.

A ferrovia chegará, sim, a Cuiabá. É um assunto de interesse do Estado e também de nosso interesse. A própria ANTT tem estudado após uma decisão de nossa parte e ninguém tenha dúvida de que a ferrovia seguirá e irá atender também a capital do Estado, Cuiabá\", afirmou o ministro durante visita às obras de duplicação da BR-364/163, no trecho que liga Rondonópolis a Itiquira.

Só que ele adiantou que o governo federal deverá priorizar os investimentos na execução da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). De acordo com Passos, quatro empresas da iniciativa privada estão interessadas na execução da obra. No entanto, preferiu não comentar os nomes das empresas.

Além disso, outra ferrovia de interesse do governo federal para garantir o escoamento da produção e está nos planos para licitação no próximo ano ligará Sinop à cidade de Miritituba (PA), onde tem um porto para saída da safra. Com isso garante-se a redução da distância e do custo do transporte, incentivando o estímulo da produção.

O ministro garantiu que o governo federal fará investimentos pesados no Estado em infraestrutura para estimular a produção.

Ele quer, além de garantir a Fico, que ligará Lucas do Rio Verde a Sapezal, que a União ainda garanta que os trilhos cheguem a Porto Velho (RO), para dar mais uma alternativa de saída para produção agropecuária mato-grossense.

"Mato Grosso tem um papel estratégico para o desenvolvimento do país e o investimento em infraestrutura é fundamental não apenas para o Estado, mas para a economia do Brasil. Vamos investir pesado na logística do Estado, não apenas nas malhas viárias, que através de concessão com a inicitiva privada terão grandes avanços, mas também nas ferrovias. Temos muitas empresas interessadas na malha ferroviária de Mato Grosso e isto será fundamento para o crescimento do Estado\", afirmou.

Passos informou que o governo federal tem chamado a iniciativa privada para ser parceira e ajudar na construção de ferrovias, e as empresas deverão assumir a responsabilidade das obras em Mato Grosso.

A visita do ministro ocorreu de forma institucional e não tem ligação com a agenda de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), mas mesmo assim foi ele recepcionado pelo senador eleito, deputado federal Wellington Fagundes (PR), colega de partido e coordenador da campanha da petista em Mato Grosso.

No entanto, apesar de não participar de nenhuma agenda de campanha, nem ficar para o ato Pró-Dilma, realizado na noite de ontem em Rondonópolis, a visita é estratégica para garantir a divulgação dos investimentos e ações do governo federal na área de logística.

A coordenação de Dilma Rousseff em Mato Grosso vem utilizando o discurso de comparação para garantir maior aceitação da petista no Estado.

Vale destacar que o PT nunca obteve vitória em Mato Grosso.

O ministro esteve em Rondonópolis no dia de ontem e participou de almoço com prefeitos da região e depois visitou dois canteiros de obras da BR-364/163. da empresa Odebrech TransPort, concessionária responsável pela rodovia.

A empresa fará a obra na estrada no trecho que liga Rondonópolis à fronteira com o Mato Grosso do Sul.

ANTT vai desativar trechos de ferrovia Minas-Bahia

23/10/2014 - Correio 24 Horas


As faixas correspondem as linhas Alagoinhas/BA - Juazeiro/BA e Alagoinhas/BA - Propriá/SE, que devem passar por obras de requalificação

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai desativar o trecho da Ferrovia Minas-Bahia que está sob concessão da Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA). As faixas correspondem as linhas Alagoinhas/BA - Juazeiro/BA e Alagoinhas/BA - Propriá/SE, que devem passar por obras de requalificação inseridas no Programa de Investimento de Logística do Governo Federal (PIL).

A medida preocupa a Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport) pois restringe as opções logísticas de escoamento de produção de empresas baianas durante a realização das obras. Segundo o diretor executivo da associação, Paulo Villa, a resolução da ANTT determinou a desativação, mas não falou "nada" sobre prazos.

A Usuport solicitou à agência o cancelamento ou a suspensão da medida, que, segundo ele, pode atingir cerca de dez empresas baianas que utilizam as linhas ferroviárias para transportar minérios, madeira, cal entre outros materiais. "Isso vai exigir dessas empresas, e do sistema de cargas, uma modificação de logística que vai acarretar em sérios impactos de custo, tempo e aumento de risco no reposicionamento do transporte para a malha rodoviária", explica Villa.

A Usuport é a favor de que a concessão da FCA – válida até 2026 – seja mantida até a implantação do novo modelo de transporte ferroviário previsto pelo PIL. "Antes de determinar a devolução de trechos, a ANTT deveria ter contratado a nova infraestrutura e autorizado o novo operador ferroviário, para que a transição aconteça sem a descontinuidade", disse.

Fonte: Correio 24 Horas 

Ministério ‘racha’ trem que ligaria Londrina a Maringá

24/10/2014 - Folha de Londrina

O Governo do Paraná já pode abrir processo para contratar a empresa que ficará responsável pela elaboração dos projetos executivos do Trem Pé-Vermelho. A autorização para a contratação da terceirizada foi concedida pelo Ministério das Cidades na última segunda-feira. A obra ferroviária ligaria as regiões de Londrina e Maringá em um trecho de 122 quilômetros com custo estimado em R$ 700 milhões. Os projetos executivos, no entanto, contemplam apenas as extremidades do Trem Pé-Vermelho.

Pelo Ministério das Cidades, não seria "economicamente viável" ligar as duas regiões. O órgão federal aceita custear os projetos executivos, mas para a criação de duas linhas: uma interligando Paiçandu, Maringá e Sarandi, e outra entre os municípios de Ibiporã, Londrina e Cambé.

Os projetos vão custar R$ 10,7 milhões aos cofres públicos. O dinheiro, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve ser liberado em seis meses, segundo informações da assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Seil). O prazo é necessário para a continuidade dos "trâmites burocráticos". A liberação dos recursos deve ser feita pela Caixa Econômica Federal.

O diretor da Agência de Desenvolvimento Terra Roxa, Alexandre Farina, garantiu que a entidade não desistiu da proposta original do Trem Pé-Vermelho, que interligará as regiões de Maringá e Londrina e deve ser construída entre os municípios de Paiçandu e Ibiporã. "Existe essa limitação, mas o projeto continua viável", destacou.

De acordo com ele, a interligação pode ser realizada com verba do Ministério dos Transportes. "Fizemos um esforço na tentativa de convencer o Ministério das Cidades a adotar o projeto original, mas não foi possível. Vamos esperar passar as eleições para voltar a entrar em contato com a equipe do Ministério dos Transporte e tentar contratar essa segunda fase do projeto da forma ágil como o que aconteceu com a primeira", destacou.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Assinada ordem de serviço de 150 km da Transnordestina

22/10/2014 - Diário do Nordeste

Com previsão de iniciar de imediato mais uma etapa da Ferrovia Transnordestina, foi assinada na manhã de ontem, em Missão Velha, ordem de serviço para início de três trechos da obra com extensão de 150 quilômetros, abrangendo cinco cidades cearenses.

Cerca de 43% do total da obra já estão prontos, de acordo com apresentação técnica realizada na solenidade, que equivale a quase 500 quilômetros de ferrovia, de 1.753 quilômetros do seu total, nos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco. A meta é abrir mais 2,4 mil postos de trabalho nos canteiros de obras. Não se descartou a possibilidade de ser implantado o Porto Seco, em Missão Velha. Já há um terreno que poderá ser destinado ao projeto.

Em solenidade realizada na manhã de ontem, na câmara municipal de Missão Velha, cidade que marca o ponto zero da obra, foi assinada a ordem de serviço dos trecho, pela ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, o governador do Estado, Cid Gomes, e o ministro da Integração Nacional, Fernando Teixeira, entre outras autoridades.

O novo trecho, conforme a ministra, começa a partir da assinatura. O projeto está previsto para ser concluído apenas em dezembro de 2016. A ministra destacou o cumprimento dos prazos nesta nova etapa do projeto, por conta da empresa responsável ter que pagar multa contratual, caso não cumpra as etapas para entrada nas datas determinadas.

O diretor da Transnordestina, Edson Pinto Coelho, destacou aspectos técnicos do empreendimento e disse que já estão concluídos no Ceará mais de 100 km de ferrovia, e em Pernambuco chega a 200 km. Ele disse que no total já são mais de 3.300 pessoas empregadas nas obras, além de 700 máquinas. São 29 cidades atingidas pela obra da Transnordestina.

No novo trecho, conforme o diretor, serão inseridos os municípios de Iguatu, Aurora, Icó, Lavras da Mangabeira e Cedro, além de promover a integração de Missão Velha e Acopiara. A previsão é que sejam contratados para essa nova obra, pelo menos 100 trabalhadores, com 70 empregos diretos e 30 indiretos. O lote que liga Salgueiro, em Pernambuco, e Missão Velha, já está concluído.

O projeto interliga os portos de Suape e Pecém. Com a nova rota, será facilitado o escoamento da produtividade de grãos nesses estados e serão estimulados investimentos em outros setores, como o de combustíveis, fertilizante, gipsita e minério.

O governador Cid Gomes destacou a importância de vários projetos de infraestrutura que vêm sendo desenvolvidos no Estado, e disse ser o maior em sua história, inserindo desde a Transnordestina, Transposição do Rio São Francisco, melhorias das rodovias federais, além do Cinturão das Águas, entre outros projetos. Além do prefeito local, Tardiny Pinheiro, o governador também fez a solicitação da instalação do Porto Seco, em Missão, no intuito de facilitar o escoamento da produtividade, além de proporcionar a geração de emprego e renda.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Santa Catarina ganhará ferrovia para escoar produção

15/10/2014 - Programa de Aceleração de Crescimento (PAC)

Foi assinado nesta quarta-feira (15), o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do Corredor Ferroviário de Santa Catarina, que facilitará o escoamento da produção agrícola e industrial do estado pelo Porto de Itajaí. O corredor é chamado de 'Ferrovia do Frango' porque a avicultura (criação de aves para produção de alimentos) é uma atividade econômica forte nas regiões por onde passa.

A ferrovia terá 862 quilômetros de extensão e sairá da cidade Dionísio Cerqueira, no extremo oeste de Santa Catarina, até o Porto de Itajaí, atravessando todo o estado. Ela cruzará futuramente com o trecho sul da Ferrovia Norte-Sul (Chapecó SC - Rio Grande RS), que também está em fase de estudos.

O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental é a base para a definição do traçado da ferrovia. Entre os parâmetros que compõem o estudo estão questões ambientais, geográficas, logísticas e econômicas. Além do EVTEA, está previsto a realização do projeto básico da obra.

"Todo o desenvolvimento industrial aqui dessa região, do oeste catarinense, vai ser muito beneficiado com a existência da ferrovia, reduzindo custos e melhorando a atratividade e a competitividade dos produtos aqui produzidos", afirmou a Miriam Belchior, ministra do Planejamento, durante a assinatura do contrato de autorização para dar início aos processos técnicos de viabilização do corredor ferroviário. "Esse é um movimento que o governo federal vem fazendo há muito tempo, de ampliar os investimentos em ferrovia para diversificar a nossa matriz de transporte, não ter tanto transporte de cargas por rodovia e sim por ferrovia. Eu acho que isso é fundamental para o desenvolvimento de Santa Catarina."

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, também participou do evento e destacou que outras obras na região vão contribuir para a infraestrutura logística, como as obras na rodovia BR 101 - Ponte de Laguna e o túnel do Morro do Formigão, além da quarta faixa nas proximidades do Morro dos Cavalos.

"Temos a clareza da importância da infraestrutura desenvolvida para o país e principalmente para as áreas mais dinâmicas que precisam contar com sistema de suporte e escoamento", afirmou Passos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Passos diz que intenção é duplicar ALL até Santa Fé

10/10/2014 - Agência Estado

Perto de concluir a duplicação do trecho de 260 quilômetros de ferrovia da malha paulista, entre Boa Vista e Santos, a ALL já planeja novas duplicações da malha paulista. Conforme explicou o ministro dos Transportes, Paulo Sergio Passos, a intenção é que novas obras ocorram paulatinamente, primeiro realizando a duplicação até Itirapina, depois até Araraquara e posteriormente até Santa Fé.

"Temos grande fluxos que vêm e são captados desde Mato Grosso, e teremos, já no curto prazo, com a chegada da ferrovia norte Sul até Santa Fé/Estrela d'Oeste, mais um grande vetor que influenciará na ampliação do volume de cargas que precisam ser transportadas por ferrovias", justificou o ministro.

O diretor de Relações Institucionais da ALL, Pedro Roberto Almeida, confirmou que os estudos de engenharia já estão sendo feitos e a ideia é solicitar os licenciamentos a partir de janeiro ou fevereiro de 2015. De acordo com ele, o projeto, que ainda deve ser discutido mais detalhadamente com o governo, seria desenvolvido em 5 a 6 anos.

O ministro acrescentou que os novos investimentos, que não estão previstos no contrato de concessão, não deverão gerar reequilíbrio econômico financeiro, mas devem contar com suporte do governo, do ponto de vista financeiro, especialmente criando condições de financiamento a longo prazo e taxas atrativas.

A obra hoje em andamento pela ALL, que está atualmente orçada em aproximadamente R$ 700 milhões em vias permanentes, também foi realizada sem previsão em contrato. Foi definida em parceria com a Rumo Logística, e atrasos da realização do trecho hoje em andamento estiveram no centro das discordâncias entre as duas empresas, que agora aguardam a aprovação das autoridades para concluir a fusão.

A ALL só pôde iniciar a duplicação de 40 quilômetros - de Embu-Guaçu até Evangelista de Souza (26 km) e de Paratinga até Perequê (18km), na Baixada Santista - após a obtenção do licenciamento ambiental, o que ocorreu em fevereiro passado. A previsão da empresa é concluir as obras até março de 2015.

Após visita ao trecho de planalto das obras, Passos disse que entre 80% e 90% das obras já foram executadas. "Até abril do próximo ano teremos a via toda duplicada, faltando um trecho da Baixada, na região do Perequê, de 2 quilômetros, que é mais complicado, mas que não significará nenhum gargalo", disse.

De acordo com ele, a conclusão da duplicação nos trechos em andamento "sem dúvida" reduzirá as dificuldades no escoamento da safra a partir do próximo ano. Ele estimou que a duplicação concluída no trecho abre capacidade de transporte de mais de 50 milhões de toneladas e propiciará redução de 1,5 milhão de viagens de caminhão.

Passos lembrou que neste ano o Ministério dos Transportes, juntamente com a Secretaria de Portos, o Porto de Santos, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério da Agricultura, trabalhou cooperativamente na busca de soluções para reduzir os engarrafamentos das rodovias que ligam ao Porto de Santos durante a safra. "Isso produziu um efeito positivo substancial e no que diz respeito às ferrovias nós já estamos trabalhando", comentou.

Segundo ele, o ministério busca a cooperação de todas as concessionárias - além de ALL, citou MRS, FCA e Portofer - para ações que propiciem maior eficiência das ferrovias no curto prazo. "Já para a próxima safra vamos trabalhar nisso", disse.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Antiga 'rainha do café' quer ser capital logística

10/10/2014 - Valor Econômico

O abandono da antiga estação ferroviária de Estrela D'Oeste faz com que nostálgicos da minúscula cidade interiorana se lembrem do glamour em torno das viagens de trem para São Paulo como um passado já remoto. Entre o apito da locomotiva e o desembarque na capital, eram cerca de 12 horas de sacolejo sobre os trilhos. Na década de 80, depois de ensaiar uma resistência ao avanço do "rodoviarismo", os trens de passageiros foram desativados. Apenas as composições de cargas da Ferroban, hoje pertencente à América Latina Logística (ALL), refrescam a memória quando cruzam o município de 8 mil habitantes rumo ao Mato Grosso ou ao porto de Santos.

Agora, com o novo trecho em construção da Ferrovia Norte-Sul, Estrela D'Oeste acalenta a esperança de converter-se em um dos mais importantes entroncamentos ferroviários do país. De "rainha do café", como era chamada em meados do século passado, almeja agora o título de "cidade das ferrovias" ou "capital logística".

A mudança de status está longe de soar como excesso de pretensão. O município será a linha de chegada da Norte-Sul, que o governo tem planos de estender para o Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul, e o ponto de conexão com a malha da ALL. Fica às margens da SP-320, uma rodovia duplicada e sem pedágio, e está muito perto da Hidrovia Tietê-Paraná. Tem seis grandes usinas de etanol em um raio de apenas 50 quilômetros. Por isso, sai em busca de investidores para a instalação de armazéns e terminais multimodais.

"Antes, a ferrovia trazia desenvolvimento junto com ela. Agora, mudou de função, pode ser só uma via de passagem para cargas", diz o prefeito Pedro Itiro Koyanagi. "Demos sorte de sermos escolhidos, mas temos muito trabalho pela frente para atrair empresas para cá."

A concorrência não será pequena. O secretário de Governo de Iturama (MG), Tércio José Araújo, afirma ter várias "sinalizações de investimentos" no município. Há usinas de álcool, frigoríficos e cultivo de soja na região. Ele se mostra otimista com a instalação de um terminal intermodal à beira do rio Grande, na divisa de São Paulo e Minas.

O projeto do terminal foi montado por um dos proprietários da Usina Coruripe, Vitor Júnior, hoje conselheiro da empresa. O "Doutor Júnior", como é conhecido por ali, acredita em "um antes e um depois da ferrovia" quando se trata da economia na região. Ele tem na prancheta um porto fluvial, com R$ 35 milhões de investimentos previstos, para distribuir cargas de e para a Norte-Sul.

A ideia era usar o Rio Grande, no caminho entre Iturama e Estrela D'Oeste, para chegar à Hidrovia Tietê-Paraná. Ele afirma, no entanto, que os planos foram suspensos por causa da estiagem que paralisou completamente o corredor de transportes.

"O projeto do porto intermodal é de longo prazo e estamos vivendo uma seca conjuntural. Não vou nem discutir se a prioridade deve ser mesmo do setor elétrico, mas ficou demonstrado, sempre que isso acontecer, a hidrovia ficará em segundo plano. Isso não nos dá segurança nenhuma para investir", afirma Júnior.

Norte-Sul avança sob fantasmas do passado

10/10/2014 - Valor Econômico

O sonho da integração nacional pelos trilhos corta pastos e canaviais para se aproximar vagarosamente do ponto de chegada. Quem está no meio do caminho já ouviu muitas promessas em vão, mas observa o surgimento de um esboço de ferrovia com renovada esperança. A construção do principal trecho da Norte-Sul durou 27 anos e tornou-se um exemplo de desmandos em grandes projetos de infraestrutura. Sua extensão de 682 quilômetros, entre o interior de Goiás e o noroeste de São Paulo, servia como oportunidade de redenção à estatal Valec e vai ganhando forma ao rasgar fazendas de terra vermelha. Apesar do avanço recente das obras, no entanto, repete-se boa parte da trajetória de erros cometidos no passado: prazos descumpridos, aditivos contratuais e estouro de orçamento.

Na semana passada, a reportagem do Valor percorreu todo o prolongamento da Ferrovia Norte-Sul, entre os municípios de Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP). Durante três dias, foi possível constatar que há trechos praticamente concluídos. O problema é a falta de continuidade: eles convivem lado a lado com terraplenagem inacabada, pontes sem cabeceira e dormentes instalados, à espera de trilhos que não chegam.

A conclusão das obras se coloca como peça crucial no futuro mapa logístico do país. Quando a Norte-Sul estiver completa, produtores de grãos e de etanol em grande parte do Brasil Central poderão escolher entre o escoamento pelos portos de Itaqui (MA) ou de Santos (SP), usando a malha existente. Mas, para tirar milhares de caminhões das estradas e reduzir o custo da produção, até ela entrar nos navios em busca de um destino no exterior, é preciso que a ferrovia da integração deixe de ser apenas um projeto eternamente em obras.

Quase todo o dinheiro reservado inicialmente para a continuação da Norte-Sul já se esgotou. As obras foram divididas em cinco lotes diferentes. Os contratos originais somavam R$ 2,3 bilhões e previam tudo pronto até dezembro de 2012. Nos últimos balanços do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo nunca falava em gastos acima de R$ 2,7 bilhões. Mas a fatura das empreiteiras foi crescendo, por causa de aditivos para corrigir falhas nos projetos de engenharia, e já chega a R$ 3,3 bilhões - 73% disso foi executado até o fim de agosto. Quando se somam outras despesas, como a compra de trilhos e desapropriações, essa conta atinge R$ 4,1 bilhões. E não para por aí: a Valec ainda vai gastar R$ 200 milhões em "serviços remanescentes" que as construtoras não conseguiram entregar.

"A marca da Norte-Sul é o açodamento dos projetos", diz o engenheiro José Eduardo Castello Branco, que comandou a estatal entre setembro de 2011 e setembro de 2012, após a faxina ética promovida pela presidente Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes. Ele foi o responsável por uma arrumação geral da Valec, que havia enfrentado escândalos de corrupção na gestão anterior, mas afirma não ter havido tempo suficiente para uma "curva de aprendizado" com efeitos no prolongamento da ferrovia.

Castello Branco avalia que o projeto básico de engenharia da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), empreendimento ainda não iniciado e prioridade na lista de concessões do governo, foi feito com mais calma e prevenindo uma série de equívocos. Houve otimização do futuro traçado e da terraplenagem necessária. "As obras de extensão da Norte-Sul começaram com um projeto básico pobre e sem projeto executivo concluído. Por isso, em boa medida, os problemas acabaram se replicando."

Mais recursos injetados na ferrovia não significam necessariamente ganho de velocidade nas obras. Em qualquer grande empreendimento de infraestrutura, está na hora de correr para aproveitar os últimos momentos da chamada janela hidrológica, quando a ausência de chuvas permite avanços com rapidez. Isso transforma os canteiros de usinas hidrelétricas, por exemplo, em uma verdadeira luta contra o relógio nesta época do ano.

Dias atrás, sob o sol ardente do fim de seca no interior de Goiás, meia dúzia de operários se dedicava tranquilamente à instalação de dormentes em um dos trechos em construção da Norte-Sul. Era a única atividade que se podia verificar em dezenas de quilômetros nas proximidades do município de Palmeiras. Nem adiantava acelerar essa parte da obra porque só 3,1 mil das 15 mil toneladas de trilhos necessárias naquele lote estão disponíveis. "O resto ainda está vindo da China", afirmou o responsável pelos trabalhos, que pediu para não ser identificado, lembrando a novela em torno da aquisição de trilhos pela Valec no ano passado.

A sequência de falhas nas licitações da estatal para o prolongamento da Norte-Sul foi apontada por auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). Uma das determinações do órgão de controle era a retirada de helicópteros da lista de serviços contratados pela estatal junto às empreiteiras. Para os auditores, em um dos lotes da ferrovia, o uso dos helicópteros "se deu para suprir necessidades da administração central" e não tinha "relação direta com a execução da obra".

Logo se percebeu que a menor distância entre dois pontos da Norte-Sul raramente é uma linha reta. Uma das fiscalizações do TCU detectou superfaturamento no transporte de materiais pétreos para os canteiros de obras da ferrovia. Em um dos lotes, a Valec pagava às empreiteiras contratadas por uma distância média percorrida de 79,4 quilômetros, no caso da brita que vinha sendo usada. A distância real, conforme constataram os auditores em campo, era de 4,5 quilômetros entre a pedreira e a obra.

A extensão da Norte-Sul, que devia estar pronta desde o fim de 2012, foi sendo adiada. Os aditivos firmados pela Valec jogaram esse prazo para junho e, depois, para dezembro de 2014. Agora, a promessa é entregá-la em outubro de 2015. Pelo que se vê ao longo das obras, sem nem mesmo terraplenagem em determinados pontos, é uma meta difícil de cumprir. Um consórcio de construtoras acabou de ser contratado por R$ 183 milhões para executar, em um prazo de até 15 meses, obras remanescentes em um trecho de 6.370 metros.

A Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), que reúne 6,3 mil produtores e fatura R$ 2,5 bilhões por ano, faz as contas de quanto poderia economizar caso a ferrovia estivesse realmente funcionando. O presidente da cooperativa, Antônio Shavaglia, diz que o frete até os portos de Santos ou de Paranaguá, por caminhão, consome cerca de 40% do valor recebido pelos produtores. "Mas a verdade é que a gente nunca sabe quando vai terminar", lamenta.

Como uma novela mexicana, a saga da Norte-Sul não está tão perto do último capítulo, como pode parecer. O governo tem planos de estendê-la até o porto de Rio Grande (RS). Estudos de viabilidade para o novo trecho já foram contratados. Pelo ritmo de construção da ferrovia, porém, talvez o fim dessa arrastada história só possa ser contado daqui a algumas décadas.

Valec prevê conclusão do trecho em 2015

A estatal Valec diz que a conclusão das obras da Ferrovia Norte-Sul, entre Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP), está prevista para novembro de 2015. O custo total do empreendimento foi atualizado e hoje está em R$ 4,25 bilhões, conforme nota enviada pela assessoria da empresa ao Valor.

A diretoria de planejamento da Valec submeteu ao governo, em maio de 2014, uma solicitação "devidamente justificada" de aumento no valor total da extensão da Norte-Sul. "A proposta, que passava o valor de R$ 2,70 bilhões para R$ 4,25 bilhões, foi aceita", observa a nota. Os ministérios dos Transportes, da Fazenda e do Planejamento aprovaram essa mudança.

Segundo a estatal, os motivos apresentados para o aumento tem três vertentes. Um deles é a celebração de termos aditivos aos contratos originais, que visavam a melhoria da qualidade da via e ajustes nas características da ferrovia, como redução de rampas e aperfeiçoamentos no traçado. Outra explicação são os reajustes e atualizações monetárias previstos em contrato. Finalmente, houve acréscimos para a execução de obras remanescentes nos lotes 3 e 5, que totalizam R$ 202 milhões.

Os serviços recém-contratados têm prazo de execução de 15 meses e 12 meses, respectivamente, mas a intenção da estatal é acelerar a entrega dos trabalhos. No lote 3, em vez de dezembro de 2015, a expectativa é receber as obras concluídas um mês antes. No lote 5, espera-se tudo pronto até agosto.

Inicialmente, como reconhece a nota da Valec, o término da extensão da Norte-Sul estava programado para o fim de 2012, mas "alguns fatos impactaram diretamente na execução dos serviços". Entre os fatores elencados, a estatal cita determinações do Tribunal de Contas da União (TCU): suspensão do pregão para o fornecimento de trilhos, necessidade de sondagens complementares e suspensão dos serviços de terraplenagem até que fosse definido o novo quantitativo a ser escavado. Também apontou a necessidade de revisão dos projetos executivos das obras de arte especiais, como pontes e viadutos, além de problemas com licenciamento ambiental e desapropriações. "Todos os passivos foram sanados", acrescenta a nota.

Para o engenheiro José Eduardo Castello Branco, presidente da Valec entre 2011 e 2012, o grande ensinamento da Norte-Sul é que fazer novas ferrovias como obra pública não é a melhor solução. "Os entraves burocráticos são enormes. Eu passava 90% do tempo discutindo detalhes com os órgãos de controle e não conseguia gerenciar a empresa como um todo", diz o executivo. "O modelo de obra pública no setor está totalmente superado. A agilidade do setor privado é incomparável."

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Ibama concede licença prévia à Fico

07/10/2014 - Valor Econômico

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu licença prévia para trecho de 1.582 km da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) entre as cidades de Vilhena (RO) e Uruaçu (GO). Com o aval, o órgão atesta a viabilidade ambiental da ferrovia, que vai cortar a principal área de produção de grãos do país.

A Fico faz parte do pacote de concessões de 11 mil km de obras ferroviárias que o governo incluiu no Programa de Investimentos em Logística (PIL).

Para conseguir a licença de instalação, que permitirá o início das obras, a Valec (estatal responsável pelo projeto) terá que cumprir uma série de condicionantes impostas pelo Ibama. Foi exigida a implantação de 12 programas de compensação, como gerenciamento de resíduos sólidos, controle de efluentes e educação ambiental. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ferrovia do Frango: Estudos definem por onde ferrovia vai passar

03/10/2014 - Correio do Norte

O corredor ferroviário de ligação entre o Oeste Catarinense e o porto de Itajaí começa a sair das idealizações. Por meio da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, o Governo Federal concluiu a licitação para elaboração dos estudos e do projeto da Ferrovia da Integração, também conhecida por Ferrovia do Frango.

O Consórcio Contécnica-Enefer-Topocart apresentou a melhor proposta. O valor global dos serviços é de R$ 54.895.798,44, com investimentos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O resultado foi publicado na edição 178 do Diário Oficial, no dia 16 de setembro. Porém, o segundo colocado entrou com recurso e o processo está em análise.

A ferrovia vai ligar o Oeste ao Litoral de Santa Catarina, a fim de possibilitar a redução dos custos de transportes de fertilizantes do porto até a região de produção agrícola e da transferência da produção acabada para embarques marítimos.

Há um ano, a Valec apresentava ao Tribunal de Contas da União um traçado começando em Dionísio Cerqueira, passando por Chapecó e chegando a Itajaí. De acordo com o diretor da Valec, Jair Galvão, o Tribunal de Contas entendeu o assunto do traçado como uma questão técnica, de responsabilidade do Governo do Estado e do Ministério dos Transportes. Segundo o coordenador da Frente Parlamentar Catarinense das Ferrovias, deputado estadual Dirceu Dresch, o traçado final apenas estará definido a partir dos estudos técnicos. "Não podemos descartar a chance de a ferrovia passar pelo Planalto Norte, porque a malha existente é um ponto favorável", diz.

Assim, pelo projeto, a ferrovia vai passar por São Miguel do Oeste, Chapecó, Herval d'Oeste e Santa Cecília, com uma extensão de 862 km entre Dionísio Cerqueira e Itajaí. O Corredor Ferroviário se conectará com a malha sul concedida à América Latina Logística (ALL).

O consórcio vencedor será contratado para realizar do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). Além do EVTEA, o contrato também engloba o levantamento aerofotométrico e o projeto básico de engenharia para construção da ferrovia. O consórcio terá prazo de 22 meses para concluir o trabalho.

PRAZOS
Em maio do ano passado, era publicado o edital de construção da ferrovia, com expectativa de iniciarem as obras ao final de 2014. No entanto, com as etapas de projetos e licenças, a obra deve começar apenas em 2017.

Para Dresch, este é o primeiro passo para concretização da obra. "Começamos a tirar a Ferrovia da Integração do plano imaginário para a realidade."
Segundo ele, a definição da empresa que fará o projeto da ferrovia resultou da união de forças do setor político e produtivo em prol do projeto.

Fonte: Correio do Norte Online
Publicada em:: 03/10/2014

ANTT autoriza trem turístico entre Ouro Preto e Mariana (MG)

02/10/2014 - ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou, na última quarta-feira (1º/10), o transporte ferroviário de passageiros, com finalidade turística e cultural, entre as estações de Ouro Preto/MG e Mariana/MG, pelo período de 36 meses. O trem turístico comporta 240 passageiros por viagem.

Operado pela Vale, o trajeto é chamado de "Programa de Educação Patrimonial Trem da Vale" e é voltado para a comunidade e a escolas dos municípios.

O objetivo do percurso é promover atividades sócio-culturais, educacionais  de preservação do patrimônio histórico, ferroviário e natural. De acordo com o pedido da empresa junto à ANTT, "o trecho ferroviário entre as cidades apresenta paisagem e beleza natural singular".

A operação turística começou em 2006. O caminho no qual a locomotiva passa tem extensão de 18 quilômetros e trafega a 25 km/h. O trajeto é executado de quinta a domingo, das 8h às 17h45, de acordo com a demanda. A construção da Estação de Ouro Preto foi iniciada em 1883 e seu prolongamento até Mariana foi concluído em 1914. A ferrovia possibilitou o desenvolvimento econômico da região, no que se refere à industrialização e ao aproveitamento das suas riquezas minerais.

A previsão anual é de 102 mil passageiros. Em 2013, foram 95,291 usuários do serviço. Em 2014, 51.895 turistas viajaram por meio dos vagões ferroviários.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ANTT inspeciona obras de duplicação na EF Carajás

02/10/2014 - Revista Ferroviária

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou nesta quarta-feira (01/10) que realizou inspeção nas obras de duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), sob concessão da Vale. Durante os trabalhos de vistoria, realizada entre 22 e 26 de setembro, a equipe de fiscalização da ANTT percorreu trechos compreendidos entre Açailândia (MA) e São Luís (MA). Foram vistoriadas pontes, viadutos e trechos de superestrutura ferroviária de acordo com o projeto autorizado.

Esta foi a quinta vistoria da ANTT à EFC no ano. A agência ainda pretende realizar uma última vistoria no me de novembro. Além disso, a Vale deve encaminhar à ANTT um relatório mensal de monitoramento, com informações detalhadas sobre todo o empreendimento.

A Estrada de Ferro Carajás é responsável pelo transporte da produção da maior reserva de minério de ferro do país, em Carajás, até o Porto de Ponta Madeira, em São Luís (MA). A EFC transporta quase 120 milhões de toneladas de carga por ano.

O objetivo da duplicação é aumentar a capacidade logística da ferrovia, para suportar o incremento de produção de minério em decorrência do início de atividade de uma nova mina, batizada S11D e localizada no município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. A estimativa é de que a produção de minério transportada pela ferrovia alcance 230 milhões de toneladas por ano.

A duplicação será feita em 570 quilômetros dos 892 de extensão da ferrovia. Ao todo, serão duplicados 48 trechos entre São Luís (MA) e Parauapebas (PA). O projeto prevê, ainda, remodelação da superestrutura e infraestrutura de 55 pátios de cruzamento existentes, totalizando 226 quilômetros; construção de 43 pontes e viadutos; construção de viadutos ferroviários e travessias para as comunidades lindeiras à EFC; 68 instalações para apoio à operação e manutenção e substituição e ampliação dos sistemas de sinalização de controle ferroviário, energia elétrica e telecomunicação ao longo da ferrovia.

O projeto está orçado em R$ 8 bilhões e a conclusão das obras está prevista para o segundo semestre de 2018.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Brasil tem pior logística dos Brics

01/10/2014 - Valor Econômico

O Brasil tem a pior infraestrutura de transportes dentre os países integrantes do bloco dos Brics (composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e, mesmo com o aumento do nível de investimento no setor, ainda não investe o suficiente para mudar esse cenário. Pelo contrário: neste ano, as condições logísticas do país pioraram em relação a outras nações.

No relatório anual de competitividade do Fórum Econômico Mundial, divulgado mês passado, o Brasil saiu da 107ª posição no ranking de transportes do ano passado para a 120ª colocação (considerando 144 países). Fica atrás, por exemplo, de México, Vietnã e Etiópia.

Enquanto isso, dados reunidos pelo Credit Suisse mostram que o nível de investimento em transportes no Brasil (em relação ao PIB) caiu pela metade desde os anos 70. Naquela década, o país investiu uma média de 2% do PIB em logística. Nos anos 80, o número baixou para 1,5%. Depois de ficar em 0,6% nas décadas de 90 e 2000, o número subiu para 0,7% em 2012 (dado mais recente no levantamento do banco). Em 2013, de acordo com cálculos da Inter.B Consultoria, cresceu para 1% (para 2014, a projeção é de 1,2%). "Infraestrutura tem que ser uma política de Estado, não de um governo ou de outro", diz o fundador da Inter.B, Cláudio Frischtak, que publicou estudo sobre o assunto.

Diante da carência logística no país, o próprio governo de Dilma Rousseff admitiu a maior participação do mercado nos investimentos. Com isso, anunciou em 2012 o multibilionário pacote de concessões no setor. Aplaudido pelos empresários, o programa levou um banho de água fria logo na primeira entrega de propostas: nenhum interessado apareceu para disputar a BR-262 (em trecho que vai de Minas Gerais ao Espírito Santo). Para os investidores, havia vários riscos, principalmente de viabilidade do negócio.

Apesar de os leilões de estradas e aeroportos terem deslanchado, as travas permaneceram em portos e ferrovias. Um dos principais motivos do pouco interesse em parte das concessões é a incerteza das empresas diante das modelagens. Tanta seletividade, no entanto, é bem-vinda, defende Frischtak. "O envolvimento do setor privado se tornou imprescindível, e não somente por conta das restrições fiscais [do país]. Razão mais importante é o filtro que o setor privado estabelece quanto à qualidade dos projetos, a eficiência na execução e a qualidade dos serviços resultantes", diz o autor em seu estudo.

Para ele, ainda há bastante espaço para concessões e parcerias público-privadas (PPPs) em rodovias e aeroportos em um próximo governo. Além disso, diz, é preciso dar continuidade ao processo em portos e ferrovias.

Fernando Camargo, economista da LCA Consultores, acredita ser fundamental aprimorar os mecanismos de financiamento, principalmente no modelo de "project finance" (quando as garantias para o empréstimo são as receitas futuras do empreendimento, e não ativos do investidor), para que os balanços das empresas não fiquem limitados. Para ele, o Estado deve aumentar a participação no fornecimento de garantias. Outro dos principais pontos a serem melhorados, diz, é a qualidade dos projetos de engenharia.

Joísa Campanher Dutra, coordenadora de estudos sobre infraestrutura na Fundação Getulio Vargas (FGV), acredita que o governo precisa melhorar aspectos de transparência sobre seus planos para o setor. "O investidor hoje disputa uma rodovia, mas depois pode ser profundamente afetado por um novo trecho ferroviário", diz.

Os especialistas também lembram da necessidade da atuação das agências reguladoras para as obras privadas cumprirem os prazos. Paulo Fleury, do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), cita como exemplo o aeroporto de Viracopos - controlado desde 2012 por Triunfo, UTC e Egis -, cujas obras deveriam ter sido entregues antes da Copa (que começou em junho), mas ainda continuam. A empresa cita dificuldades com licenciamentos ambientais e o tamanho do empreendimento.

Estrangeiros apostam no crescimento das ferrovias brasileiras

01/10/2014 - ANTF/ABIFER

Mercado ferroviário em ascensão atrai interesse de grandes e pequenas empresas

Por Cláudia Borges – de Berlim

O transporte ferroviário do Brasil está na mira dos negócios de empresários europeus. O interesse ficou evidente pela quantidade de empresários que buscaram informações a respeito do transporte sobre trilhos no Estande Brasileiro durante os quatro dias da InnoTrans. A maior feira ferroviária do mundo, realizada em Berlim, na Alemanha, reuniu neste ano, dos dias 23 a 26 de setembro, 2.691 expositores distribuídos em uma área de 161.420 m2.

O interesse pelo mercado brasileiro é tamanho que a capa do principal informativo distribuído dia 26/09, na InnoTrans, estampava o acordo de cooperação assinado entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Agência Europeia de Ferrovias (ERA).

O acordo de cooperação consiste em uma troca bilateral de experiências no campo da interoperabilidade, segurança, sinalização ferroviária e regulamentos de comunicação, o que inclui as especificações técnicas e na formulação de regras para operação. Estes dados são importantes para a operação das ferrovias de cargas previstas no Programa de Infraestrutura e Logística (PIL), lançado pelo governo federal brasileiro.

"Essas ferrovias serão construídas seguindo um novo modelo, o open acess. Portanto, para que seja feita a ligação com a malha já existente, precisaremos buscar informações para definir a melhor forma de funcionamento, além das regras de operação. Neste sentido, os europeus têm know-how, pois passaram por situação semelhante há 40 anos", explica o diretor-geral da ANTT, Jorge Bastos. "O que queremos com essa parceria é a troca de dados, de experiências. Não significa que vamos implementar o modelo europeu", completa Bastos.

O diretor executivo da Agência Ferroviária Europeia, Marcel Verslype, destaca que o Brasil é um mercado muito importante para os europeus. No entanto, enxerga algumas situações e problemas que os países europeus vivenciaram no passado e já encontraram soluções. "Acredito que trabalhando juntos podemos ajudar a evitarem erros que a Europa cometeu no passado", enfatiza Verslype.

O intercâmbio de informações será feito por meio da realização de workshops com especialistas, de visitas técnicas às ferrovias europeias e suporte técnico de especialistas.

Mercado ferroviário em ascensão atrai interesse de grandes e pequenas empresas

O Brasil é a "bola" da vez no interesse de fornecedores de dezenas de empresários europeus. Empresas como Bombardier, Siemens, Deutcsh Banh, Frauscher, Getzner, SCI, BC2, Vossloh, Weather Cockpit, Ville Rail e Alstom estão entre as empresas interessadas no mercado ferroviário brasileiro, seja para ingressar, seja para ampliar as vendas no país ou o portfólio de produtos comercializados. E, os produtos e serviços oferecidos são os mais diversos, que vão de locomotivas a parafusos.

É o caso da empresa Bombardier, que possui um modelo de locomotiva voltado especificamente para as necessidades das ferrovias de carga brasileiras. Já a empresa Weather Cockpick quer inserir no mercado uma tecnologia que identifica antecipadamente os tipos de problemas que podem ocorrer nas vias férreas com as alterações abruptas de temperatura.

A SCI Verkeher Consultoria também quer conquistar um espaço entre os brasileiros. A empresa é especializada na elaboração de pesquisas sobre o potencial de mercado em todo o mundo. O consultor da empresa, Leandro G. Padovan, explica que a previsão de crescimento do transporte de cargas e passageiros no Brasil é de 4,2% de 2015 a 2018, enquanto na Europa como um todo a estimativa é de um aumento de 1,5%. "Por isso consideramos o Brasil um mercado com tanto potencial", afirma.

O objetivo da empresa BC2 é o de ampliar sua carteira de clientes no Brasil, para onde já fornece equipamentos de segurança e de manutenção de vegetação em ferrovias. O representante da empresa, Bruno Britto, afirma, que a intenção da empresa, é o de produzir no país peças de reposição dos equipamentos para reduzir a necessidade de importações que, além de demoradas, têm o custo elevado.

Outra empresa com os olhos voltados para o Brasil é a Getzner, que pretende emplacar nas ferrovias de carga brasileiras um produto isolante de vibração que aplicado sobre os trilhos absorve impactos. A empresa já fornece o produto há 20 anos para o Metrô-SP.

Pavilhão Brasileiro na InnoTrans

Pela terceira vez as empresas brasileiras puderam participar de forma compartilhada do Estande Brasileiro, um espaço de 120m2, viabilizado com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Associação Nacional dos Transportadores sobre Trilhos (ANPTRilhos), Associação da Indústria Ferroviária (ABIFER), do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários(SIMEFRE) e da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP).

Neste ano 21 empresas participaram do Estande Brasileiro: Brastan, Cavan, Compren, Wegis Wega, Grupo Agis, Hidremec, Hubner, Indra, Maba Ecoline, Metisa, MWL, Odebrecht Transport, Retesp, Riosulense, Stucky do Brasil, Sysfer, Thales e Urbaniza.

"Esta foi a quinta vez que a CKZ Eventos organiza o Projeto Brazil on Rails: três na InnoTrans, e duas na Rail Interchange, nos Estados Unidos (EUA). Esse projeto é fundamental para que os empresários brasileiros consigam expor seu produtos e serviços no exterior a custos reduzidos", destaca a diretora executiva da CKZ, Cristina Kerr.

Fonte: ANTF/ABIFER