terça-feira, 7 de junho de 2016

Estudos para transporte ferroviário entre Brasília e Goiânia serão debatidos em reunião

06/06/2016 – ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no Diário Oficial da União de hoje (6/6), o Aviso n° 3/2016, sobre a realização de reuniões participativas abertas ao público, com o objetivo de receber contribuições referentes aos estudos de viabilidade técnica, econômica e socioambiental (EVTEA) para o desenvolvimento estratégico do transporte ferroviário de passageiros e cargas no corredor Brasília (DF) – Anápolis (GO) – Goiânia (GO).

As reuniões serão realizadas no dia 21/6, em Brasília (DF), e no dia 23/6, em Goiânia.

Estudos – A agência reguladora divulgou, no dia 2/6, os estudos de viabilidade para exploração do serviço de transporte ferroviário de Brasília a Goiânia. Os documentos englobam a avaliação de alternativas de traçado e de localização das estações, de tecnologias, além dos aspectos econômico-financeiros e socioambientais de modo a dotar a região de trens de passageiros modernos, confortáveis e seguros.

Segundo os estudos, a previsão é que, no primeiro ano de operação, mais de 40 milhões de passageiros sejam transportados numa velocidade de até 160 quilômetros por hora, em um percurso de 95 minutos entre Brasília e Goiânia.

Para implantar essa ligação ferroviária, os estudos preveem a participação da iniciativa privada e um prazo de concessão de 30 anos. Para mais informações, consulte os documentos no site da ANTT.

SERVIÇO

1ª Reunião Participativa

Data: 21/6

Horário: das 10h às 12h

Local: Auditório do edifício-sede da ANTT (endereço: SCES, lote 10, trecho 03, Projeto Orla Polo 8 – Brasília/DF)

2ª Reunião Participativa

Data: 23/6

Horário: das 15h às 17h

Local: Salão Master do Comfort Suíts Flamboyan (endereço: Av. Dep. Jamel Cecílio, 3549, Jardim Goiás – Goiânia/GO)


sábado, 4 de junho de 2016

Ferrovia atraiu operários e fomentou o desenvolvimento de Divinópolis

02/06/2016 - G1 Minas Gerais

O desenvolvimento econômico de Divinópolis, cidade do Centro-Oeste de Minas que completou 104 anos nesta quarta-feira (1º), é intimamente ligado ao serviço ferroviário, que se instalou na cidade no final do século 19, quando o lugar ainda era um arraial chamado Divino Espírito Santo - a elevação a município ocorreu em 1912. A oficina para consertos de trilhos e trens se deu em 1916. A expansão do serviço ferroviário atraiu mão de obra externa e impulsionou outros segmentos econômicos, como o agronegócio e a saúde.

A Valor da Logística Integrada (VLI), atual operadora do sistema férreo local, gera mil empregos diretos na operação ferroviária e na oficina, considerada a maior da América Latina. A empresa executa um projeto de expansão com investimentos de R$ 9 bilhões, previsto para ser incluído até 2017.

De acordo com dados da Associação Comercial e Industrial de Divinópolis (Acid), até a década de 1970 a cidade ainda era predominantemente rural. O que a fez crescer foi não apenas o fato de ser atendida por ferrovia desde meados do fim do século 19, mas principalmente por ser a sede uma empresa do segmento desde 1916 e concentrar centro de convergência, operações e mecânica.

Autor do livro "Divinópolis, uma ferrovia e cem anos de empreendedorismo", José Elísio Batista explica que a ferrovia provocou grande fluxo de mercadorias ao mesmo tempo em que passou a ser uma grande consumidora de produtos e serviços da região. Com a acumulação de capitais no comércio e na agropecuária, alavancou o surgimento e o crescimento da indústria no período entre 1920 e 1970. "Pela facilidade de transportar produtos, receber insumos e pelo consumo de lenha para as locomotivas", descreveu.

Associado à disponibilidade de tecnologias e da mão de obra trazida pela ferrovia, surgiu o setor industrial, por meio dos segmentos de mecânica, metalurgia, têxtil e laticínios a partir da década de 1970. "O início da ferrovia, passando pelo comércio, pelos serviços e pela indústria, marcou a atuação dos grandes ícones da nossa economia local, inclusive pela vinda de imigrantes italianos".

A ferrovia trouxe cultura e atraiu uma população já urbanizada, composta por engenheiros, artífices, mestres e prestadores de serviços, criando um núcleo cosmopolita e avançado para os padrões rurais do Brasil àquela época. "Atraiu empresários de fora, inclusive de descendência europeia, mas, principalmente, trouxe dezenas dos melhores empreendedores da região".

Hoje

A atual composição societária da VLI, criada em 2010 para reunir todos os ativos de carga geral da Vale, assumiu compromissos com o governo federal quanto a metas de transportes de cargas gerais. Isso poderá, a longo prazo, colocar Divinópolis no centro da logística brasileira, permitindo a ligação ferroviária com os portos de Itaguaí (RJ), criando o maior terminal de integração na Região Metropolitana e no Centro-Oeste. Atualmente as cargas que passam por Divinópolis têm como destino o Porto de Tubarão, em Vitória (ES).

De acordo com o diretor de operações ferroviárias Rodrigo Ruggiero, a empresa se estrutura em cinco grandes corredores: Centro-Norte, Centro-Sudeste, Centro-Leste, Minas-Rio e Minas-Bahia. O objetivo é garantir capilaridade e interiorização, alcançando regiões com alto potencial de expansão em commodities, produção agrícola e mineral, produtos industrializados e siderúrgicos. Só no ano de 2014 faturou R$ 3,7 bilhões e movimentou 48,8 milhões de toneladas de carga em ferrovias e 27,4 milhões de toneladas em portos.

"Não só a oficina, mas toda a cidade de Divinópolis tem grande importância na história da Ferrovia Centro-Atlântica, que hoje pertence à VLI. Vemos que a ferrovia e o município se desenvolveram juntamente ao longo dos anos, em uma relação de parceria não só baseada nos negócios, mas também no laço próximo que mantemos com a comunidade. A oficina de Divinópolis é o principal polo de manutenção da empresa, com capacidade e expertise técnica para atender qualquer ativo que circula pelos 7,2 mil quilômetros de linhas", disse.

A oficina faz testes com novos equipamentos recebidos pela empresa e se tornou referência na qualificação de profissionais com o Centro de Especialização e Desenvolvimento. "Os trabalhos na cidade têm uma importância considerável no setor quando se fala de avanços tecnológicos", pontuou.

Por meio da consolidação dessa integração entre modais, será possível aumentar a produtividade em corredores logísticos que transportam as riquezas do país.

Futuro

A VLI executa um plano de investimentos que começou em 2012 e tem previsão de conclusão para 2017, no valor de R$ 9 bilhões. O objetivo é tornar as operações da empresa ainda mais eficientes.

O capital vem sendo aplicado na construção de terminais intermodais de transbordo de carga, ampliação da atuação portuária da companhia, aquisição de locomotivas e vagões e na modernização das linhas férreas.

"Por meio da consolidação dessa integração entre modais, será possível aumentar a produtividade em corredores logísticos que transportam as riquezas do país nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste", acrescentou Rodrigo Ruggiero.

Sirene como patrimônio local

Durante muitos anos a FCA usou uma sirene para orientar os funcionários sobre os turnos de trabalho. Ela era tocada às 6h30, 6h45, 6h55, 7h, 10h55, 11h, 12h15, 12h30, 16h55 e 17h. Com o passar dos anos e os avanços tecnológicos, a empresa decidiu que o aparelho não era mais necessário e decidiu parar de usá-lo em 2000. Acostumados a se guiarem pelo som da sirene, os moradores de locais próximos à oficina se mobilizaram e pediram pela volta do aparelho. Foram atendidos.

Memória dos Trilhos! Ferrovia goiana completa 104 anos

27/05/2016 - Diário de Goiás

27 de maio é uma data importante na linha do tempo em nosso estado. Há exatos 104 anos se concluía a ponte sob o rio Paranaíba, denominada Engenheiro Bethout, na divisa entre Minas Gerais e Goiás. A finalização da ponte representa o marco inicial da Estrada de Ferro em Goyaz. 
Naquela época, até então tudo chegava ou saía pelo carro de boi, não havia boas estradas, as facilidades da comunicação moderna estavam longe de chegar por estas bandas. Sem dúvida a ferrovia foi o primeiro instrumento para encurtar o atraso de Goiás em relação a outras regiões. 

A conclusão da ponte representava a esperança de aproximar o estado das principais regiões do país, de diminuir as distâncias, um ano depois o trem já corria manso, que nem água em cabeceira de rio, o piuií tic tac enchia os ouvidos das pessoas de expectativas. 

A Estrada de Ferro Goyaz faz parte de antigos planos de integração nacional, alguns oriundos ainda da época do Império Brasileiro. O estado de Goiás localizado em uma zona estratégica do país ficaria como intermediário entre a então capital Imperial, Rio de Janeiro, e as regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. 

Este e outros projetos de integração do interior do país, por várias vezes, foram modificados e não chegaram a ser concluídos conforme previsão. Ainda nos nossos dias, o Brasil faz o contrário de outras ações e não prioriza o sistema ferroviário. 

Nada contra as rodovias, mas em outros lugares o caminhão leva as cargas até a ferrovia. O resto o trem faz. No final do percurso, outro caminhão busca o material e leva até a distribuição final. 

É mais seguro para o caminhoneiro, que não precisa fazer longas viagens. É mais seguro ainda, pois evita veículos trafegarem com excesso de peso, que danificam nossas rodovias, aumentam os gastos com manutenção, e ainda a probabilidade de acidentes. 

O trem transformou Goiás, sem dúvida alguma a ferrovia foi um importante mecanismo de interiorização do estado, cidades já existentes se desenvolveram, mais de uma dezena se formou ao longo dos trilhos goianos. 

Aonde a ferrovia chegava, ela trazia desenvolvimento, progresso. Por ela chegou o telégrafo, agência bancária, cinema, comércio. 

Ao longo dos anos a ferrovia foi um importante mecanismo para interiorização do território goiano, para o desenvolvimento econômico local, para o surgimento e crescimento de várias cidades. O trem foi e ainda é sinônimo de progresso na área sudeste do estado, mais conhecida como Região da Estrada de Ferro. 

Por onde o trem passou jamais as marcas foram esquecidas, a paisagem mudou. O trem fica no imaginário das pessoas. Até hoje quem era criança na época do trem de passageiros, tem o desejo de que um pouquinho daquela época volte. 

Ao completar 104 anos da Goyaz, vale ressaltar um trabalho que tem sido feito pelo Fórum dos Gestores Culturais da Estrada de Ferro. O grupo tem se esforçado para trazer de volta a alegria de andar num trem. Está sendo desenvolvido projeto para a implantação do trem turístico de passageiros. 

Para encerrar quero aqui reforçar que foi grande a contribuição desta ferrovia para Goiás, na atualidade ela ainda presta relevantes serviços. Ela também tem importância na história de muitas cidades, sem a ferrovia vários municípios não existiram. Que o trem continue seguindo o seu caminho por estas bandas goianas. 

Samuel Straioto é jornalista, especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Goiás, pesquisador ferroviário, com ênfase na antiga Estrada de Ferro Goyaz

Fonte: Diário de Goiás
Publicada em:: 27/05/2016

Projeto de trem Brasília-Goiânia prevê viagem em 95 minutos por R$ 60

04/06/2016 - G1 DF

Estudos de viabilidade foram concluídos; não há data para lançar licitação.

Obra deve custar R$ 7 bilhões em capital público e privadoe durar três anos

Mateus Rodrigues

Mapa divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para projeto de ferrovia Brasília-Anápolis-Goiânia; círculos vermelhos marcam estações planejadas (Foto: ANTT/Reprodução)
Mapa divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para projeto de ferrovia Brasília-Anápolis-Goiânia; círculos vermelhos marcam estações planejadas (Foto: ANTT/Reprodução)

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgou, nesta quinta-feira (2), os estudos de viabilidade de uma nova ferrovia que pode ligar Brasília e Goiânia até o fim de 2020. Otimista, o documento prevê mais de 40 milhões de passageiros transportados no primeiro ano de operação. O custo total do projeto, apelidado na região de "Transpequi", deve atingir R$ 7 bilhões.

O percurso de 207 quilômetros seria percorrido a uma velocidade média de 160 km/h, ao custo de R$ 60. O preço é similar ao praticado pelas empresas de ônibus em viagens expressas, e cerca de 50% mais alto que a passagem de viagens paradoras.

Pesquisa feita pelo G1 no site das principais companhias aéreas, na noite desta sexta (3), apontou tíquetes com valores entre R$ 291 e R$ 2,5 mil. A viagem entre Brasília e Goiânia, hoje, leva de 45 minutos (em voo direto, descontado o tempo no aeroporto) a 4 horas (de ônibus, com paradas, sem trânsito).

O estudo da ANTT custou R$ 5,5 milhões, parcialmente custeados por um contrato com o Banco Mundial, e aponta viabilidade técnica, econômica, socioambiental a jurídico-legal para o projeto. Os R$ 7 bilhões serão repartidos entre os governos federal, do Distrito Federal, de Goiás e parceiros privados.

O formato da parceria será definido nos próximos meses. Antes, a ANTT deve promover duas reuniões com investidores para sentir "o risco e o apetite" do mercado, nas palavras do gerente de Regulação e Outorga da agência, Juliano Samor. Os encontros acontecem até o fim do mês, em Brasília e Goiânia.

Governadores do DF, Rodrigo Rollemberg (esq.), e de Goiás, Marconi Perillo (dir), ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues (centro) e deputada Liliane Roriz (PRTB) em reunião (Foto: Thyago Arruda/Divulgação)
Governadores do DF, Rodrigo Rollemberg (esq.), e de Goiás, Marconi Perillo (dir), ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues (centro) e deputada Liliane Roriz (PTB) em reunião sobre ferrovias de ligação DF-GO (Foto: Thyago Arruda/Divulgação)

"Para projetos dessa grandeza, é normal que o governo precise investir. Mesmo assim, é um projeto interessante do ponto de vista econômico e social. Os estudos indicam que há viabilidade econômica, que ele pode ser interessante aos olhos do investidor", diz Samor. Segundo ele, não há previsão de "segurar" a licitação até que a situação econômica do país melhore.

O investimento governamental, segundo Samor, não precisa ser apresentando na forma de dinheiro vivo. Como alternativa, o poder público pode abrir mão de impostos, conceder benefícios ou facilitar a transferência dos terrenos, por exemplo. O estudo apresentado pela ANTT sugere um prazo de concessão de 30 anos, renováveis por igual período.

Trajeto

O projeto em análise pela ANTT e pelos governos locais prevê estações em Goiânia, Anápolis, Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas e Brasília. A ideia é reformar e revitalizar a Rodoferroviária, que deixou de receber transporte de passageiros e, hoje, abriga apenas órgãos administrativos do governo.

Os técnicos estudam a possibilidade de uma sexta estação em Ceilândia,mas o local exato ainda não foi definido. A ferrovia será construída "do zero", sem aproveitar nenhum trecho de linha férrea que já exista na região.

O projeto inicial previa o compartilhamento dos trilhos entre vagões de passageiros e composições de carga, como forma de ajudar a escoar a produção agrícola da área, mas a ideia foi abandonada "por enquanto". O mesmo aconteceu com as intenções de instalar um Trem de Alta Velocidade (TAV), termo que define viagens a mais de 260 km/h.

Detalhes técnicos dos vagões serão definidos mais claramente na licitação, mas a ANTT diz que o conforto proporcionado aos passageiros e a performance das máquinas serão "similares aos dos trens da Europa".