quinta-feira, 13 de abril de 2017

Orçada em R$ 6,1 bi, obras da Ferrovia da Integração Centro-Oeste não têm previsão de início

31/03/2017 - Agro Olhar

A Ferrovia da Integração Centro-Oeste (Fico), orçada em R$ 6,11 bilhões, não possui previsão para o início de suas obras. A informação é da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública responsável pelo empreendimento. O modal ligará Campinorte (GO) a Vilhena (RO), passando pelos municípios mato-grossenses de Água Boa, Paranatinga, Lucas do Rio Verde e Brasnorte.

O traçado da Fico possui aproximadamente 1.641 quilômetros de extensão, dos quais em torno de 1.300 quilômetros estão dentro de Mato Grosso.

De acordo com informações repassadas pela Valec ao Agro Olhar, ainda não há previsão para o início das obras da ferrovia. “A previsão da construção depende da definição da política de implantação da infraestrutura de transportes por parte do Governo Federal”.

Ainda conforme a empresa pública responsável pelo empreendimento,  “A Valec apenas está em processo de atendimento das condicionantes, a fim de cumprir o prazo de validade da Licença Prévia, a fim de obter a Licença de Instalação, licença que autoriza efetivamente a implantação do empreendimento".

A estimativa é que sejam gerados 275.174 empregos com a ferrovia, sendo 91.378 diretos, 43.093 indiretos e 140.702 pelo efeito renda.

A previsão é que pelo modal sejam transportados 27,24 milhões de toneladas de soja e milho.

A Ferrovia de Integração Centro-Oeste deverá integrar o projeto de construção da Ferrovia Bioceânica, que partirá do Rio de Janeiro até o Oceano Pacífico atravessando os Estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Acre, além do Peru.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Concluído estudo de viabilidade do trem Brasília-Goiânia

11/04/2017 - Goiás Agora

Trem de passageiros Brasília-Anápolis-Goiânia vai custar R$ 9,5 bilhões e a viagem deve levar cerca de 70 minutos. Projeto agora está sendo avaliado pela ANTT

Mapa com o traçado do futuro trem Brasília-Goiânia
Mapa com o traçado do futuro trem Brasília-Goiânia
créditos: ANTT/Reprodução

Pode se tornar realidade em breve o projeto do trem de passageiros do corredor Brasília-Anápolis-Goiânia, o chamado Trem-Pequi, que atenderá demandas do transporte urbano e semiurbano.

O projeto já se encontra na área técnica da Agência Nacional de Transportes Urbanos (ANTT). Estudos acabam de ser concluídos pelo governo de Goiás e entregues à Agência, que agora se debruça sobre os documentos que embasarão o processo licitatório. Em seguida, mas ainda sem data definida, o processo prevê a abertura de audiências públicas para julgar a viabilidade da obra.

De acordo com o Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental realizado, a viagem de Brasília a Goiânia deverá ser de aproximadamente 70 minutos, com seis estações de passageiros: Brasília, Samambaia, Alexânia, Abadiânia, Anápolis e Goiânia. Segundo o coordenador do projeto, o economista e consultor Bernardo Figueiredo, o trem terá padrão de qualidade europeu e norte-americano.

O custo para a implantação do sistema ferroviário é de R$ 9,5 bilhões. Destes, R$ 7,5 bilhões virão da iniciativa privada e R$ 2 bilhões divididos entre os governos de Goiás, Distrito Federal e União. Segundo Bernardo, já estão sendo articuladas conversas com grupos de investidores interessados. A modalidade de contrato é Parceria Público-Privada (PPP), com o período de concessão de 33 anos, sendo que as obras ocorrerão nos três primeiros anos e a operação nos 30 anos seguintes.

No início de março, após audiência com o presidente Temer, o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) declarou que, se tudo correr dentro da normalidade, a ferrovia deverá ser construída no máximo em três anos. “Se a licitação for resolvida ainda este ano, com certeza em três anos é possível a realização da obra. Estamos otimistas, especialmente com a conclusão da tomada de subsídios”, concluiu.

O trem será exclusivamente de passageiros, com a passagem no valor aproximado de R$ 100. Segundo o estudo, os passageiros viajarão sentados, haverá ar condicionado, acesso ao wi-fi e banheiros. Bernardo afirma que será um sistema com alta qualidade, tanto em conforto como em ganho de tempo. “São trens com condições de viagem acima do padrão. Um sistema de qualidade e seguro”.

Trem x carro 

Quando comparado ao uso do automóvel, por exemplo, este mesmo percurso se feito pelo sistema ferroviário apresenta ganho principalmente do tempo de viagem. A velocidade máxima deste tipo de trem alcança até 250 km/h, dependendo das condições da via e operacionais.

Numa viagem de carro, um percurso igual geralmente é feito em duas horas, a um custo de R$ 90 reais (de gasolina). Outros fatores como o cansaço físico da viagem e possíveis congestionamentos em entradas e saídas das cidades também são pontos negativos, no caso do automóvel. O ganho de tempo de velocidade do sistema ferroviário compete ainda com passageiros de ônibus e até de avião, diz o consultor.

Trajeto 

Segundo o projeto, em direção à cidade de Goiânia a ferrovia correrá paralelamente à BR-060, onde cruza com a rodovia em dois pontos, por viaduto e por um túnel. Após atravessar a rodovia BR-060 por túnel, a ferrovia segue no rumo oeste até a várzea do rio Meio Ponte e entra na mancha urbana da Região Metropolitana.

Já dentro da capital goiana, a ferrovia segue em superfície até a rua Dr. Constantino Gomes. Para evitar grande interferência no funcionamento da cidade, optou-se pelo subterrâneo até o fim da linha na Estação de Goiânia na Praça do Trabalhador. O traçado pelo subterrâneo terá extensão de 1.531 metros, com estação enterrada, localizada à Praça do Trabalhador.

A proposta é que o sistema de transporte por trem valorize o espaço urbano e estimule o desenvolvimento de empreendimentos que, por sua vez, também garantirão maior fluxo de passageiros à ferrovia.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Nova ferrovia vai ligar Lucas do Rio Verde a Itaituba, no Pará

07/04/2017 - Circuito Mato Grosso

Globo Rural

Alternativa considerada mais viável para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, o corredor rumo aos portos do Arco Norte deve ter um reforço nos próximos anos. Uma ferrovia paralela à BR-163 é vista como solução para consolidar a rota para os terminais de carga de Miritituba (PA).

Chamada tecnicamente de EF-170, a linha, que está apenas em estudos, recebeu um nome bem sugestivo de sua finalidade: Ferrogrão. “Faz frente à expansão da fronteira agrícola e à demanda por uma infraestrutura integrada”, justifica o Ministério dos Transportes no informe sobre o projeto.

A ferrovia deve ter 1.142 quilômetros de extensão, ligando Lucas do Rio Verde (MT) a Itaituba (PA). São estimados investimentos de R$ 12,6 bilhões, que incluem desde a desapropriação de áreas, passando pelas compensações ambientais, até o assentamento dos trilhos e a operação dos trens no transporte de cargas.

“A EF-170 trará alta capacidade de transporte e competitividade ao corredor, que já está em consolidação pela BR-163”, defende o Ministério dos Transportes.

Construir e operar a ferrovia despertou o interesse de um consórcio de empresas. É um grupo de peso, que reúne as maiores tradings de grãos do Brasil. Para viabilizar o empreendimento, Cargill, Bunge, ADM e AMaggi se consorciaram à Estação da Luz Participações (EDLP), empresa que estrutura projetos de logística. Cada um tem 16,6% de participação, explica Guilherme Quintella, presidente da EDLP.

“O principal efeito da ferrovia é aumentar a competitividade. E o impacto ambiental será menor que o da rodovia”, garante ele. Estudos feitos em 2015 pelo consórcio apontavam que, se em 2020 a ferrovia estivesse em operação, 87% da produção de Mato Grosso seria escoada por trem. Só pela Ferrogrão, seriam transportados cerca de 20 milhões de toneladas de grãos. O Ministério dos Transportes estima que, em 2050, o volume transportado pela estrada de ferro rumo a Miritituba seja superior a 42 milhões de toneladas.

Os estudos sobre a obra estão em fase final de ajuste pelo governo. Antes da publicação do edital, o projeto será submetido a consultas públicas e vai passar pela avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). O leilão de concessão – válida por 65 anos – está previsto para o segundo semestre deste ano.

Caso vença o leilão, o consórcio formado pelas tradings de grãos e pela EDLP planeja construir a Ferrogrão em cinco anos. O investimento seria 30% de capital próprio e os outros 70% financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

Inicialmente, seria construído o trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), com 933 quilômetros (veja no quadro abaixo). A extensão até Lucas do Rio Verde dependeria da chegada de outros ramais ao município, diz Guilherme. “A Ferrogrão vai ter os trens dela, transportar para os sócios e outros clientes. Não será um departamento dessas empresas, mas um negócio em que elas são sócias”, explica.

Para o executivo, há uma coisa que atrapalha um projeto como esse: a atual situação da BR-163. Aberta há 40 anos, a rodovia ainda está inacabada e causa transtornos. Neste ano, mais de 50 quilômetros de congestionamentos travaram a movimentação de grãos em pleno pico da colheita. Guilherme Quintella diz que, com a rodovia do jeito que está, fica comprometido o diálogo com possíveis investidores. “O investidor pensa: como é possível construir a ferrovia se ainda não resolvemos o problema da BR-163?”, diz.

O presidente do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, é otimista em relação à Ferrogrão e não vê a situação da BR-163 como obstáculo para a obra. Para ele, o mais importante é que a ferrovia já tem investidores de peso interessados. “Nasce com patrocinador. Vai contribuir muito com a questão da intermodalidade. A rodovia alimenta a ferrovia, que leva o grão a Miritituba e da hidrovia para os portos. O que esperamos é que reduza o custo do frete”, diz Edeon.

http://www.revistaferroviaria.com.br/index.asp?InCdNewsletter=8448&InCdMateria=25955&InCdEditoria=2