terça-feira, 21 de junho de 2011

Petrobras planeja usar trilhos da Norte-Sul

21/06/2011 - Valor Econômico, André Borges 

O presidente da BR Distribuidora afirmou que o pátio intermodal ferroviário de Palmas é um importante projeto de integração nacional que trará ganhos significativos para o desenvolvimento econômico da região.

A Petrobras deverá ser uma das principais indutoras do transporte ferroviário no país, utilizando as estradas de ferro atuais e aquelas em construção para apoiar as operações da BR Distribuidora, sua companhia de logística de combustível. O exemplo mais concreto dessa inclinação são as ações da empresa em torno da Ferrovia Norte-Sul, em construção pela estatal Valec.

O Valor apurou que a petroleira tem mantido conversas regulares com a diretoria da Valec com o propósito de analisar alternativas mais competitivas para que a BR Distribuidora aprimore a entrega de combustível no país, seja por meio de sua malha ferroviária ou dos pátios logísticos que alimentam essas linhas de trem. O primeiro passo da estratégia acaba de ser dado. A BR Distribuidora venceu uma licitação feita pela Valec para a construção de um pátio de distribuição de combustíveis em Palmas (TO). A construção do centro de distribuição, avaliada em R$ 230 milhões, deve ter início nos próximos dias. O local, segundo a assessoria do governo do Tocantins, deverá atrair ainda outros 20 empreendimentos no seu entorno ferroviário.

"Esse é o primeiro grande projeto que fechamos com a Petrobras. Dado o interesse da companhia nas ferrovias, estamos certos de que outros estão a caminho", disse o presidente da Valec, José Francisco das Neves.

A BR venceu licitação feita pela Valec para construção de um pátio de distribuição de combustíveis em Palmas

Por meio de nota, o presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, afirmou que o pátio intermodal ferroviário de Palmas "é um importante projeto de integração nacional que trará ganhos significativos para o desenvolvimento econômico da região." Segundo Andrade Neto, o projeto "vai assegurar um melhor posicionamento logístico" no Tocantins e "aperfeiçoamento do nível de atendimento" ao mercado. "Até a conclusão das obras, deverão ser gerados cerca de 1 mil empregos, entre diretos e indiretos", afirmou o executivo.

A BR Distribuidora tem acompanha de perto as discussões sobre a nova regulação do setor ferroviário, que deve ser publicada pelo governo em julho. A empresa tem especial interesse na proposta de compartilhamento da infraestrutura em construção pela Valec, mas também está de olho na rede utilizada atualmente pelas concessionárias, as quais detêm exclusividade nos trechos onde atuam.

O projeto do governo federal prevê que as novas ferrovias da Valec sejam oferecidas em regime compartilhado. Aquelas já concedidas, no entanto, enfrentam forte resistência das companhias que controlam esses trechos. Na Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, parte da malha que está em operação já foi concedida em 2007 à Vale, sob o modelo antigo. Essa concessão atinge um trecho de 720 quilômetros, dos 1.574 quilômetros que a ferrovia terá em operação, até outubro. Isso significa que, se BR Distribuidora quiser transportar seu combustível no trecho completo - que liga a cidade de Açailândia, no Maranhão, a Anápolis, em Goiás -, terá de negociar sua passagem com a Vale.

Um dos projetos mais caros do PAC, a ferrovia já recebeu aportes de cerca de R$ 5,7 bilhões entre 2007 e 2010

Em uma recente audiência pública realizada em Brasília para debater as novas regras do setor ferroviário, representantes da BR Distribuidora levantaram uma série de questionamentos sobre o projeto do governo.

Atrasada, a malha da Norte-Sul tinha previsão de ser concluída em julho de 2010, mas uma série de adiamentos - provocados por suspeitas de irregularidades apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ações do Ministério Público, questões ambientais e excesso de chuvas - colocou a obra na berlinda. Um dos projetos mais caros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Norte-Sul já recebeu investimento de aproximadamente R$ 5,7 bilhões entre 2007 e 2010. A previsão é de que mais R$ 3,1 bilhões sejam aplicados este ano, somando R$ 8,8 bilhões.

A vocação para o transporte de combustível não é novidade. A ferrovia, que já transporta minérios e grãos no trecho da Vale, sempre teve como inspiração o carregamento de etanol e outros combustíveis. Nos planos sobre o potencial logístico da Norte-Sul, a Valec tem como previsão a construção de 42 usinas de etanol e biocombustíveis ao longo da ferrovia. Há a expectativa de que 24 usinas sejam erguidas em Tocantins, 11 em Goiás e sete no Maranhão, com potencial para produzir 180 milhões de litros de álcool por ano, investimentos que poderão movimentar R$ 14 bilhões.

Uma alternativa ao caos: a Ferrosul

21/06/2011 - Avicultura Industrial 

O transporte ferroviário no Brasil passa por uma crise que não é de crescimento é de modelo.

O empenho da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic) em promover o 1° Seminário de Chapecó sobre a Ferrosul – evento agendado para o dia 8 de julho, das 14 às 19 horas, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes – demonstra o comprometimento da entidade empresarial em estimular o debate em torno de temas de importância para a continuidade do desenvolvimento econômico do grande Oeste de Santa Catarina.

O transporte ferroviário no Brasil passa por uma crise que não é de crescimento é de modelo. Atualmente, duas possibilidades são consideradas para o país acertar o passo neste começo de século XXI: de um lado, o modelo da privatização que, passados 15 anos, mostra agora todos os seus horrores, graças à reação da sociedade e ao trabalho do Ministério Público Federal, tornando um modelo inviável para desenvolver o país. De outro lado, abre-se a oportunidade de reiniciar a construção de um sistema ferroviário nacional em novas bases, em que as ferrovias se integrem a um plano nacional de desenvolvimento.

O coordenador técnico do Seminário, Samuel Gomes, observa que “o Brasil não tem este plano nacional, mas a presidente Dilma Rousseff quer construí-lo embora as autoridades que deveriam servir ao país parecem presas a desconhecidos compromissos, que certamente, não tem a ver com os interesses gerais da nação. Ninguém sabe o que o governo federal quer fazer com as novas ferrovias. E isso é grave. Mas o Brasil sabe o que quer: ferrovias para o seu desenvolvimento”, analisa.

Para isso, não basta construir ferrovias, é preciso um modelo de gestão que ordene o seu uso em favor do país. A China, por exemplo, sabe o que quer e está fazendo. “Enquanto temos uma miríade de órgãos que não se integram num planejamento digno desta qualificação (DNIT, ANTT, VALEC, secretarias de ministérios etc), a China tem um Ministério das Ferrovias. Tem um plano de curto, médio e longo prazo. E o executa”. 

Em 1997, quando iniciou a privatização das linhas antes operadas pela RFFSA, havia mais de 28 mil quilômetros de ferrovias, com diversos níveis de produtividade e de operação. Hoje, deve haver de seis a oito quilômetros de ferrovias em operação com a destruição do patrimônio público acumulando prejuízo de bilhões de reais.

Alternativa

O Sul tem uma alternativa ao caos: a FERROSUL. Em dezembro de 2006, quando o Estado do Paraná retomou na Justiça o direito de operar a Estrada de Ferro Paraná Oeste S/A - FERROESTE, o Sul do Brasil, ao qual se somou o Mato Grosso do Sul, resolveu buscar uma saída regional para o transporte ferroviário. A proposta construída pelos produtores, movimentos regionais, administrações portuárias e, enfim, pelos governadores no âmbito do CODESUL – Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul, é a transformar a FERROESTE em Ferrovia da Integração do Sul S/A – FERROSUL.

De empresa estatal paranaense, FERROESTE, para uma sociedade de economia mista multifederativa, com a participação igualitária na propriedade e gestão pelos quatro estados integrantes do CODESUL: Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De uma empresa proprietária de uma linha de 248 quilômetros cuja operação depende da ALL, para uma empresa regional proprietária e concessionária de 3.300 quilômetros de novas e modernas ferrovias, ligando os portos do Sul ao seu interior. O desenho é simples: um eixo norte-sul, continuando de Panorama (SP) ao Porto de Rio Grande e ferrovias Leste-Oeste, interligando-se com o tronco central para conectar o Mato Groso do Sul e o Paraguai ao Porto de Paranaguá, através da linha existente da Ferroeste (Cascavel-Guarapuava) e do novo ramal Guarapuava-Paranaguá. Em Santa Catarina, a ligação Leste-Oeste partindo de Chapecó (ou Dionísio Cerqueira) ao Porto de Itajaí. E o Porto de Rio Grande sendo conectado pela própria EF 151 (a chamada Norte Sul). A hidrovia do rio Paraguai será alcançada pela ligação entre Panorama (SP) a Porto Murtinho (MS), passando por Dourados e Maracajú. Com isso, em operação hidro-ferroviária, a Bolívia ganha uma alternativa logística para as rotas atlânticas através do Porto de Paranaguá. Ou seja, Ferrosul significa integração nacional e sul-americana para o nosso desenvolvimento.

Investimento

Considerando que já estão construídos 248 quilômetros de ferrovias no Paraná, trecho da FERROESTE, que precisará ser rebitolado, recebendo um terceiro trilho, teremos 3.300 quilômetros de novas ferrovias em bitola mista (bitola métrica e bitola larga, com um terceiro trilho) e tendo em conta o preço médio de R$ 2,7 milhões/km, o investimento será de cerca de R$ 9 bilhões. Mas com a participação do Exército, o custo será menor que o padrão Valec, que, aliás, vem sendo contestado pelo Ministério Público Federal.

“O valor é pequeno se comparado com o que gerará de frutos na produção de riquezas, desenvolvimento do interior, consolidação da integração nacional, criação de cadeias de agregação de valor e manutenção das que já existem e que sobrevivem com dificuldades cada vez maiores, como é o caso do Oeste de Santa Catarina, onde o milho é importado do Mato Grosso a R$ 29,00, sendo R$ 15,00 custo de frete rodoviário”, justifica Samuel Gomes.

Por isso, os produtores do Oeste de Santa Catarina, liderados pela Associação Comercial e Industrial de Chapecó estão organizando um grande seminário sobre a FERROSUL no dia 8 de julho, que será aberto pelo professor Carlos Lessa e terá a participação do governador, senadores, cooperativas, Ministério Público Federal e governo federal. “Estamos falando de ferrovias numa das regiões mais produtivas do Brasil e do mundo na agricultura. Mas não queremos viver apenas de agricultura. O Brasil quer e deve se industrializar, em todo o seu território, e não apenas numa estreita faixa de 200 a 300 km ao largo do litoral, como hoje ocorre. A FERROSUL será um forte instrumento para o desenvolvimento do Brasil e para a integração com a América do Sul”, acredita.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os caminhos que levam ao Sul

19/06/2011 - Diário Popular - RS - Pelotas/RS

Foram três notícias para serem comemoradas pela Zona Sul do Estado, todas ligadas ao setor de transportes. Foi assim a semana que se encerrou para a região. A mais importante delas diz respeito à liberação do Tribunal de Contas da União (TCU) do processo licitatório para duplicar a BR-116, entre Guaíba e Pelotas. A previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) é que a obra orçada em R$ 1 bilhão comece ainda este ano e possa ser concluída num prazo de 36 meses.

Considerada necessária e estratégica ao desenvolvimento da Metade Sul gaúcha, a duplicação da rodovia que liga Porto Alegre ao Porto do Rio Grande não comporta mais o volume de caminhões e outros veículos, justamente pelos investimentos feitos no setor marítimo e o advento do Polo Naval. O prefeito de Pelotas, Fetter Júnior (PP), acredita que o atraso na obra já chegue a dez anos. Ele ressaltou ainda o isolamento da região toda vez que a BR-116 é interrompida por acidentes ou destruições de pontes em enxurradas.

A segunda notícia relevante foi divulgada na quinta-feira. O governo federal lançou o edital de viabilidade técnica e econômica da ferrovia Norte-Sul. O passo seguinte, agora, será definir com os governos gaúcho e catarinense qual o melhor traçado. A malha terá como ponto final o Porto rio-grandino, estratégico em negócios para o Brasil e que finalmente terá ligação por trilhos com o restante dos estados. A Norte-Sul já está implantada de Belém, no Pará, a Panorama, no interior de São Paulo, e para chegar à nossa região falta ainda a construção de 1,6 mil quilômetros.

Já o terceiro assunto também é ligado ao setor ferroviário. A União anunciou que o projeto de instalação do trem regional, destinado ao transporte de passageiros entre os municípios de Capão do Leão, Pelotas, Rio Grande e o balneário Cassino, ganhará ritmo nos próximos meses. 

O sul do Estado vive um novo momento econômico e dotá-lo com a infraestrutura ao rápido crescimento que se observa é estratégico aos governos. Precisa ser assim, sob pena de atrasar e até mesmo prejudicar o salto que a região está pronta para dar. Paralelamente às notícias que chegam, segue a duplicação da BR-392, entre Pelotas e Rio Grande.

Dentro de quatro anos, se todos os cronogramas de trabalho forem mantidos e não houver qualquer tipo de interrupção, a Zona Sul poderá ter o seguinte cenário estabelecido: as rodovias Pelotas-Porto Alegre e Pelotas-Rio Grande duplicadas, o trajeto Pelotas-Rio Grande feito por ferrovia, o escoamento de produtos até Porto rio-grandino realizado por trem para todo o Brasil e a travessia entre Jaguarão e Rio Branco (Uruguai) feita pela segunda ponte internacional (anunciada mês passado). É torcer que seja assim.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Com apoio da Câmara, trilhos Ferrovia devem chegar a Cuiabá em 2015

16/06/2011 - O Documento

A Câmara de Cuiabá teve participação direta na vitória da luta de Mato Grosso para que seja possível que os trilhos da Ferrovia Senador Vicente Vuolo cheguem até Cuiabá, provavelmente em meados de 2011. A avaliação partiu do vereador licenciado Francisco Vuolo (PR), titular da Secretaria Extraordinária de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes, na tribuna da Câmara Municipal, durante sessão ordinária desta quinta-feira (16/06), em ato simbólico de entrega de convites aos parlamentares municipais para o Seminário ‘Desenvolvimento e Ferrovias’, nesta segunda-feira (20/06), a partir das 14 horas, no auditório da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt).

Durante o Seminário, o governador Silval Barbosa, o presidente da Frente Parlamentar das Ferrovias, deputado catarinense Pedro Uczai (PT) e Francisco Vuolo vão assinar o Termo de Compromisso para elaboração Estudos e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), Estudo de Viabilidade Econômica e a ordem para elaboração do projeto de engenharia da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT).

Os vereadores Misael Galvão (PR), Arnaldo Penha (PMDB), Professor Néviton Moraes (PRTB), Pastor Washington Barbosa (PRB) e Domingos Sávio (PMDB) foram incumbidos, pela Mesa Diretora, de representar a Câmara de Cuiabá, no evento.

O presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Júlio Pinheiro (PTB), destaca que o Palácio Paschoal Moreira Cabral sempre deu suporte à luta pela chegada dos trilhos à Capital mato-grossense.

“A Câmara Municipal é cúmplice dessa luta desde os áureos tempos do ex-senador Vicente Vuolo, que hoje dá nome à ferrovia. E, de forma brilhante, tem seqüência com o seu filho Francisco, que muito dignificou esta casa de leis”, argumenta Júlio Pinheiro.

“Uma das grandes notícias para é a Ferrovia da Integração do Centro-Oeste (Fico), que sai de Goiás, passa por Cocalinho, Água Boa, até Lucas de Rio Verde e, futuramente, integrada à Ferrovia Senador Vuolo”, pondera Vuolinho.

“A ferrovia vai trazer poder de competitividade aos nossos produtores. Possibilitar a vinda de várias indústrias para Mato Grosso, competindo com outros estados, e também, agregando valores, através do processo de industrialização. Com o frete barato da ferrovia, Mato Grosso dá um salto de qualidade e vai possibilitar um ganho maior para nossos produtores”, completa Vuolinho.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Transnordestina terá mais R$ 400 milhões do Finor

13/06/2011 - Folha de Pernambuco

A ferrovia Transnordestina receberá mais R$ 400 milhões, oriundos do Finor – Fundo de Investimentos do Nordeste até o fim deste mês. A verba faz parte de financiamentos junto ao BNB – Banco do Nordeste e à Sudene.

Ao contrário do que tem circulado nos bastidores, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, afirmou que as obras no município de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, não foram paralisadas e que os únicos problemas contratuais dizem respeito ao trecho do Ceará. Pela primeira vez ele levantou a hipótese de os serviços no estado vizinho serem concluídos apenas em 2014.

Segundo o ministro, os aditivos contratuais estão sendo tratados com o Ministério dos Transportes. “Há outra negociação em curso, com o BNDES, que é para a conversão das debêntures. O banco deve bater o martelo em dez ou 15 dias. A previsão é que em julho teremos o trecho do Ceará ativado, o que é prioridade do Governo Federal”, apontou.

Orçada em R$ 5,4 bilhões, estima-se que a ferrovia fique 15% mais cara, o que ainda não agrada a Transnordestina Logística, empresa responsável pelo empreendimento que passará também pelo Piauí.

BID libera financiamento para novos estudos do TAV

14/06/2011 - Valor Econômico

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai financiar um novo pacote de estudos e consultoria para implantação do trem de alta velocidade (TAV). Trata-se de uma segunda rodada de investimentos para viabilizar o trem-bala. Em 2008, em parceria com o BNDES, o BID desembolsou cerca de R$ 1,5 milhão para financiar o planejamento do TAV, projeto que foi realizado pela consultoria inglesa Halcrow Group. Agora, com apoio do banco, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) quer contratar três tipos de serviços de consultoria.

O primeiro contrato, voltado para a área de comunicação social do TAV, prevê a implantação de um serviço 0800 para tirar dúvidas da população, entre outras medidas. Um segundo contrato visa a preparação de um plano de desapropriação e reassentamento de famílias que vivem nas proximidades do traçado do trem. Com 510 quilômetros de malha entre Campinas, São Paulo e Rio, o TAV vai abranger área de desapropriação de 30 mil hectares, atingindo cerca de 40 municípios, de acordo com a ANTT. A execução desse plano ficará a cargo da estatal Etav.

Por fim, o governo quer contratar uma consultoria sobre os impactos ambientais do trem-bala. Com esse estudo nas mãos, a ANTT ficará incumbida de obter junto ao Ibama a licença ambiental prévia do projeto, bem como apoiar a obtenção da licença de instalação da obra. Até 4 de julho, a ANTT irá receber as manifestações de interesse de empresas em prestar os serviços. O passo seguinte será selecionar as seis melhores propostas para, depois, realizar uma licitação.

Ontem, a presidente da República, Dilma Rousseff, se reuniu com ministros e a equipe do governo que acompanha o trem-bala para tratar do projeto. O encontro foi acompanhado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, além de representantes ligados ao Ministério dos Transportes. O Valor apurou que Dilma pediu uma atualização sobre o andamento do edital, os principais interessados na obra e sua viabilidade para acontecer conforme o cronograma atual. Se nada interferir nos planos do governo, no dia 11 de julho o governo receberá as propostas dos consórcios interessados em construir e operar o trem-bala. No dia 29, os envelopes serão abertos.

O que está previsto até agora é que a ANTT publique, ainda nesta semana, algumas mudanças pontuais nas regras do edital -flexibilização de locais para a construção das estações e a adequação do processo de transferência tecnológica, o qual passará a ser feito com o consenso entre o governo e o consórcio construtor. Segundo uma fonte que acompanhou o encontro com Dilma, o governo se mostrou disposto a manter a estrutura atual do projeto, sem realizar alterações radicais no modelo de concessão.

O leilão do trem-bala já foi adiado duas vezes, em novembro do ano passado e abril deste ano. Com a realização do leilão em julho, o governo vai correr atrás do licenciamento ambiental para que as obras comecem no segundo semestre de 2012. Dado que o prazo para conclusão de todo o trecho é de seis anos, é pequena a chance de que o trem-bala fique pronto até a Olimpíada de 2016. Há, no entanto, a possibilidade de o consórcio responsável explorar trechos que estejam prontos antes da entrega total da obra.

DNIT licita projeto da Ferrofrango

13/06/2011 - Tribuna Catarinense

Há duas décadas se fala na implantação da Ferrovia do Frango, ligando Chapecó a Itajaí, de importância vital para a economia catarinense. Pois agora, finalmente, a Comissão Permanente de Cadastro e Licitação do DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - está analisando a documentação das 27 empresas que estão concorrendo aos cinco lotes para elaborar o projeto básico de engenharia do que, oficialmente, está sendo chamado de Corredor Ferroviário de Santa Catarina. Os vencedores terão prazo de 360 dias para a elaboração do projeto com o traçado da ferrovia.

No Plano Nacional de Viação, a EF-487 é planejada para fazer a ligação entre Itajaí e Chapecó, com extensão estimada entre 580 e 670 quilômetros . Mais do que transportar somente frango, trata-se de um corredor fundamental para facilitar o escoamento da produção agropecuária e industrial de municípios como Blumenau, Rio do Sul, Campos Novos, Joaçaba, Concórdia, Xanxerê e Chapecó até o Porto de Itajaí. Além de baixar os custos com transporte de produtos, sua utilização contribuirá para redução do fluxo de cargas em rodovias como a BR-470, BR-280, BR-282. O governo federal investirá cerca de R$ 31 milhões na elaboração do projeto.

A malha ferroviária brasileira, voltada para o serviço público de transporte de carga, tem 28,5 mil quilômetros de extensão e participa com cerca de 20% na distribuição da matriz de transporte do Brasil. Sua operação é realizada por intermédio de concessões à iniciativa privada. Cabe ao DNIT o planejamento, estudo e construção de novas ferrovias, bem como realizar melhorias nas transposições ferroviárias nas capitais e grandes cidades brasileiras, visando aumentar a segurança e adequar a capacidade operacional.

Investimento em ferrovias

A ANTF - Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários - estima um crescimento anual de cerca de 9% ao ano entre 2011 e 2020 em investimentos na movimentação de cargas e na criação de empregos nas ferrovias brasileiras. O diretor executivo da entidade, Rodrigo Vilaça, diz que "temos três ferrovias de classe mundial e de altíssima competência. Atualmente, nossas ferrovias transportam 20% de todas as cargas movimentadas no território nacional, que significa mais de 500 milhões de toneladas. Muitos confundem que a ferrovia brasileira não tem destaque em cargas conteinerizadas e de maior valor agregado. O Brasil é um país que necessita implantar uma nova cultura a respeito do sistema ferroviário".

Em Santa Catarina a importância dos trilhos ferroviários em sua economia começou em 1884 - lá se vão 127 anos! - quando foi concluída a Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina. Com extensão de 164 quilômetros , foi originária de uma concessão obtida pelo Visconde de Barbacena com o objetivo de trazer o carvão mineral da então localidade de Minas, atual Lauro Muller, para o Porto de Imbituba.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Bahia terá ferrovia e porto para minério

13/06/2011 - O Estado de S. Paulo, Tiago Décimo


Início da construção da ferrovia foi autorizado pelo governo federal, mas falta definir o local do Porto Sul; obras causam controvérsias na região

Quando a Bahia Mineração (Bamin) apresentou seu projeto inicial para a exploração da mina de minério de ferro de Caetité, em 2008, ela previa a construção de um minerioduto de 524 quilômetros, na direção leste, e de um terminal portuário exclusivo para o escoamento da produção, no litoral sul do Estado.

O minerioduto, orçado em US$ 1,2 bilhão, faria com que os custos de transportes do minério fossem bastante reduzidos, mas teria de ser abastecido constantemente por água desviada do Rio São Francisco, a 150 quilômetros da mina, na direção oeste. Os mais de 650 quilômetros de tubulações de água correriam o risco, segundo a empresa, de sofrer desvios ilegais, principalmente de pequenos agricultores - em especial por o trajeto atravessar o semiárido baiano.

O governo do Estado, porém, detectou no projeto apresentado pela Bamin uma oportunidade de ajudar a viabilizar economicamente duas das principais obras previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), um projeto que havia sido apresentado pela primeira vez na década de 1950, e o Porto Sul. A proposta foi feita à Bamin - e aceita rapidamente.

As duas obras, porém, causam grande controvérsia nas regiões onde serão instaladas. ONGs ligadas à defesa ambiental, órgãos e associações de fomento do turismo no litoral sul da Bahia e produtores rurais que terão terras desapropriadas para as obras contestam a necessidade e a viabilidade das obras. De acordo com eles, a ampliação do Porto de Ilhéus, a cerca de 50 quilômetros de onde o Porto Sul deve ser instalado, seria suficiente.

O início da construção da ferrovia, de 1,1 mil quilômetros e orçada em R$ 4,2 bilhões apenas no trecho baiano - a via segue até Tocantins -, já foi autorizado pelo governo federal, mas as obras foram atrasadas pela indefinição na localização do Porto Sul.

A obra portuária, orçada em R$ 14,1 bilhões, incluirá, além do terminal ferroviário da Fiol, um porto offshore, o retroporto, uma rodovia e um aeroporto internacional, além do terminal privativo da Bamin. Seu ponto de instalação foi alterado pelo governo em cinco quilômetros, em abril, após recomendação do Ibama, que viu riscos à Mata Atlântica e a formações de arrecifes de corais no plano original. Apesar da alteração, o projeto ainda está em fase de estudo.

Para o secretário de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia, o chamado complexo intermodal de transportes tem potencial para mudar o paradigma de escoamento da produção de toda a região. “Ter uma infraestrutura de logística desse porte vai atrair investimentos em diversas áreas e transformar toda a região”, acredita.

“Muitos dos principais empreendimentos ligados à mineração, tanto na Bahia quanto no norte de Minas, serão beneficiados pelo complexo. Temos a expectativa de transportar, em dez anos, 100 milhões de toneladas de minérios pela ferrovia.”

Segundo os ambientalistas, a mudança na localização do porto mostra que os argumentos apresentados são válidos - e é preciso dar mais atenção à Fiol. “É preciso iniciar mais estudos, incluindo minuciosa avaliação do impacto que a operação ferroviária na região, principalmente com o transporte de minério de ferro, causará à Mata Atlântica”, ressalta o coordenador executivo do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá), Renato Cunha.

O vice-presidente executivo da Bamin, Clóvis Torres, afirma que o transporte de minério de ferro não terá impacto na natureza, por causa da tecnologia que praticamente elimina a dispersão de pó de minério. “Vamos utilizar aglutinantes para o transporte, porque essa dispersão significa perda de dinheiro na operação”, garante.

Obras da ferrovia Norte-Sul demoram para deslanchar

12/06/2011 - Diarioweb - São José do Rio Preto/SP, Liza Mirella 

Divulgação/Valec 
Canteiro de obras em Ouro Verde (GO): início da construção 

Orçadas em R$ 2,5 bilhões, a previsão inicial é de que da extensão sul da Ferrovia Norte-Sul, entre Ouro Verde (GO) e Estrela d´Oeste (SP), termine em dezembro de 2012, mas até agora menos de 1% das obras está em andamento. De acordo com a Valec Engenharia, empresa pública responsável pela construção e operação das obras, a fase é de terraplanagem e implantação dos canteiros de obras. Ao todo, são 670 quilômetros de extensão. A Valec também explica que o prazo para entrega pode ser alterado ao longo da construção da ferrovia. 

As obras começaram em abril em Goiás. Hoje, são 0,73% do conjunto. O trecho é dividido em cinco lotes, dos quais o mais avançado é o primeiro, naquele Estado. Paralelamente, estão sendo feitas as desapropriações de terra. De acordo com a Valec, são cinco canteiros de obras em fase de término ao longo do trecho. Eles ficam em Goianira, Indiara e Santa Helena de Goiás, São Simão, todas cidades goianas, e Iturama, em Minas Gerais. Em Estrela d´Oeste foi montado um escritório da Valec Engenharia. 

O trecho da ferrovia que compreende Estrela d’Oeste tem 142 quilômetros e foi licitado por R$ 434,3 milhões. As obras estão sendo conduzidas pela empreiteira Tiisa Triunfo Iesa Infraestrutura. No Estado de São Paulo, a ferrovia percorre 66 quilômetros em nove municípios: Dolcinópolis, Estrela d’Oeste, Fernandópolis, Guarani d’Oeste, Jales, Ouroeste, Populina, Turmalina e Vitória Brasil. 

Outra fase 

O prolongamento de 220 quilômetros da ferrovia, entre Estrela d’Oeste e Panorama, ambas em São Paulo, está em fase de elaboração do estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Essa conclusão está prevista para o mês de setembro. 

Isso quer dizer que ainda não há um traçado definido, ou seja, não há definição sobre quais cidades a ferrovia vai passar. Depois de três alternativas apresentadas, a melhor será escolhida. A expectativa é de que o projeto executivo da obra seja publicado ainda neste ano. O trecho a partir de Panorama, até Porto Murtinho (MS) tem mais 750 quilômetros de extensão, mas ainda não começou nem a fase de estudo. 

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Empreiteiras na licitação do trem-bala

13/06/2011 - Valor, André Borges

Trem-bala: Fabricantes de trens, como a Bombardier, namoram os cinco principais grupos para formar consórcios

A menos de um mês da data de entrega das propostas comerciais, os fabricantes de trem de alta velocidade estão se engalfinhando pelas empreiteiras para fechar um acordo que viabilize a entrada na concorrência pelo trem-bala. No dia 11 de julho, o governo recebe os envelopes dos consórcios interessados. No dia 29, abrirá as propostas.

No centro das discussões estão as cinco maiores construtoras do país: Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão. Nenhuma empreiteira quer falar sobre o assunto. As negociações têm ocorrido diariamente e, entre os principais fabricantes de trem, é forte a percepção de que essas companhias entrarão juntas na disputa pelo trem-bala que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. “Ninguém acredita que esse projeto vá para frente sem que essas empreiteiras estejam reunidas”, diz o diretor de uma fabricante multinacional. “Isso ajuda a diluir o risco de um projeto desse porte”.

O Valor apurou que, poucos dias atrás, essas cinco empreiteiras sentaram à mesma mesa com representantes da Bombardier, em São Paulo. A princípio, a fabricante canadense trabalhava apenas com a possibilidade de vender seus equipamentos para o consórcio vencedor do leilão, ou seja, a companhia não entraria como sócia do negócio. Agora, porém, a Bombardier está aberta a entrar como investidor direto no empreendimento.

A maior dificuldade que os fabricantes de trem enfrentam está ligada ao peso da responsabilidade que teriam de assumir ao se associarem ao projeto. “Queremos participar, mas não podemos nos expor ao mesmo risco que o de uma empresa de construção civil. Nossa participação nesse projeto é só de 15%. As responsabilidades precisam levar isso em conta”, afirma representante de um outro fabricante, que também prefere não se identificar.

O consórcio coreano, que até o ano passado despontava como preferido na briga pelo projeto, ainda está se reestruturando. Antes do primeiro adiamento do leilão, em novembro, os coreanos eram os únicos que contavam com um grupo formado e uma proposta fechada nas mãos. De lá para cá, seus parceiros locais de construção civil deixaram o consórcio. Hoje, após dois adiamentos do leilão, o concorrente asiático ainda não fechou acordo com empreiteiras locais. Nos bastidores, chegou a ser dito que o grupo estaria enfraquecido e que corria o risco de não entrar na disputa. A versão é negada por Paulo Benites, representante do consórcio coreano. “Estamos seguros de que temos a melhor oferta e vamos entregar nossa proposta na data marcada”, disse.

Do lado do governo, está previsto que nesta semana sejam publicadas algumas alterações no edital do trem-bala, como a flexibilização de locais para a construção das estações e a adequação dos processos de transferência tecnológica, que passará a ser feito com o consenso entre o governo e o consórcio construtor.

Nos últimos dias, foi ventilada a possibilidade de o governo adiar, mais uma vez, a realização do leilão. O governo nega qualquer movimentação para isso. “Não recebemos nenhum pedido de adiamento e as negociações estão avançadas. Estamos certos de que o leilão vai ocorrer”, disse Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O trem de alta velocidade está orçado em R$ 33,4 bilhões pelo governo, mas o mercado calcula que o TAV custará mais de R$ 50 bilhões. O edital prevê que até R$ 20 bilhões sejam financiados pelo BNDES. Outros R$ 3,4 bilhões serão injetados pela União na estatal Etav, criada para bancar desapropriação de imóveis e estudos. O consórcio que vencer a disputa tem que entrar com capital próprio de algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para tocar as operações nos primeiros anos de obra. Leva o leilão aquele que apresentar a menor tarifa para uma viagem entre São Paulo e Rio, em classe econômica. O valor teto estabelecido pelo governo é de R$ 199,00 para este trecho.

sábado, 11 de junho de 2011

Ferroeste recupera 1ª locomotiva

10/06/2011 - Revista Ferroviária

A Estrada de Ferro Paraná Oeste – Ferroeste concluiu, nesta semana, a recuperação da primeira locomotiva para reforçar a frota da ferrovia. A locomotiva 9139 é a primeira de um conjunto de nove locomotivas que estão sendo revisadas e recuperadas.

A locomotiva já fez sua primeira viagem, depois da recuperação, no trecho entre Guarapuava-Cascavel, no Paraná.

A meta da atual diretoria da Ferroeste é recuperar as finanças da empresa, equilibrar seus custos e aumentar a produção. Em julho de 2010 a empresa acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 9 milhões. O valor foi renegociado e parcelado de 12 a 18 meses, evitando assim o aumento da dívida, que poderia chegar a R$ 12 milhões em dezembro.

A empresa se prepara para a futura expansão, que vai ligar Cascavel (PR) a Dourados (MS) e Guarapuava ao Porto de Paranaguá, trechos que estão sendo estudados pela Valec.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Governo começa a definir o trecho Cuiabá-Rondonópolis

07/06/2011 - Mídia News 

Primeiro trabalho será estudo de impacto ambiental dos 220 km; obra deve ficar pronta em 2012

Por Isa Sousa

Até o fim desta semana, o Governo do Estado, por meio da Secretaria Extraordinária de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes, deve formalizar os últimos ajustes para que a empresa Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A dê início aos estudos relacionados à implantação da estrada de ferro entre Rondonópolis e Cuiabá.

Além do Estado e da empresa, participaram da assinatura do convênio, no dia 19 de maio passado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT).

A Valec Engenharia é uma empresa pública, vinculada ao Ministério dos Transportes e, conforme o convênio, fará Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIA-Rima), estudo de viabilidade econômica e projeto básico, com definição do traçado da ferrovia.

De acordo com o secretário de Logística, Francisco Vuolo, o objetivo do convênio é dar celeridade à construção do trecho. Até o ano passado, ele era de responsabilidade da América Latina Logística (ALL), que abriu mão deste e de mais três trechos: Cuiabá-Porto Velho (RO), Cuiabá-Porto de Santarém (PA) e Rondonópolis-Araguari (MG).

"Em setembro, nós entregamos o terminal de Itiquira (357 km ao Sul da Capital) e, em seguida, o próximo trecho será o de Rondonópolis, que até 2012 ficará pronto. Nós não queremos esperar que este terminal seja finalizado para pensar Cuiabá. Pelo contrário, já estamos trabalhando e, por isso, é importante a assinatura do convênio", afirmou Vuolo, em entrevista ao MidiaNews.

No total, o trecho de Rondonópolis a Cuiabá terá 220 km. Em fevereiro deste ano, durante lançamento da construção do terminal de Itiquira, a previsão de Vuolo era de que custasse R$ 800 milhões.

O custo, segundo o secretário, é outro ponto a ser discutido. Ainda que o recurso venha do Governo Federal, Vuolo afirmou que parceria com a iniciativa privada pode ser uma alternativa à ferrovia.

"Ainda não há nada formalizado ou conversado neste sentido. Mas, nada impede que, após a etapa de elaboração dos estudos e projetos, na etapa seguinte, que é a de buscar recursos, a iniciativa privada não possa entrar como parceira. A porcentagem ainda é algo a ser discutido", disse.

A ferrovia

A Ferronorte, ou Ferrovia Norte Brasil, é uma empresa criada pelo empresário Olacyr Francisco de Moraes, o ex-rei da soja, com o propósito de ligar Porto Velho (RO) e Santarém (PA), passando por Cuiabá, e interligando-se à Fepasa (Ferrovias Paulistas S/A), em Santa Fé do Sul (SP) e, a partir desta, atingindo o Porto de Santos.

A ferrovia é uma concessão federal, por 90 anos, inicialmente concedida à empresa privada Ferronorte S.A.

A ideia da construção de uma ferrovia interligando o Centro-Oeste ao Sudeste do País foi proposta por Euclides da Cunha, em 1901.

Em 1975, Vicente Vuolo, pai de Francisco Vuolo e então deputado federal por Mato Grosso, apresentou projeto de lei para a inclusão da obra no Plano Nacional de Viação de ligação entre São Paulo e Cuiabá.

O traçado da nova ferrovia partiria de Rubinéia (SP), passando por Aparecida do Taboado (MS), Rondonópolis e atingiria Cuiabá, conforme a Lei 6.346 de 6 de julho de 1976.

Em 19 de maio de 1989, foi assinado o contrato de concessão da ferrovia e, após inúmeros adiamentos, foram iniciadas as obras do trecho Santa Fé do Sul (SP)-Alto Araguaia, em 1991. Estas foram concluídas em 1998, quando o trecho passou a entrar em operação.

Foi criada, em julho de 1998 a holding Ferropasa, empresa que controlava as ferrovias Ferronorte e Novoeste. Em novembro de 1998, a Ferropasa fez parte do grupo vendedor do leilão da Malha Paulista (ex-Fepasa), que passou a ser denominada Ferroban.

Posteriormente, foi criada a holding Brasil Ferrovias, que congregava a operação da Novoeste, Ferronorte e Ferroban.

Em 2006, o controle do Grupo Brasil Ferrovias foi assumido pela América Latina Logística (ALL) e a Ferronorte passa a ser nomeada como América Latina Logística Malha Norte S.A., após aprovação em 6 de agosto de 2008 pela ANTT (Deliberação 289/08).

Ela é responsável por parte do escoamento de parte da soja produzida no Oeste do País.

ANTT muda edital do trem-bala para definir tecnologia

09/06/2011 - O Estado de São Paulo, Karla Mendes

O diretor-geral da ANTT já adiantou, porém, que o governo não aceitará nenhuma proposta que altere o modelo e a economia do projeto.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai alterar o edital do trem-bala para permitir que a empresa que receberá a tecnologia do consórcio vencedor seja escolhida em comum acordo entre o governo e os empresários. "Já está definido. Fizemos uma reunião técnica e faremos essa alteração. O que muda é o fato de a escolha da empresa não mais ser de livre arbítrio do governo", afirmou Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT, em entrevista à Agência Estado.

O Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, vai ligar São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Segundo Figueiredo, essa alteração do edital só não foi publicada ainda no Diário Oficial da União porque a ANTT aguarda a análise das mudanças de outros itens, a exemplo da flexibilização do traçado.

Em São Paulo, a proposta em análise é a retirada do texto final do edital da citação do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, como o local da estação na capital paulista. A prefeitura defende que seja na Barra Funda, na zona oeste, porque tem um projeto de revitalização para o local.

Essa e outras alterações, como a flexibilização do porcentual de conteúdo nacional no empreendimento, serão tema de uma reunião na ANTT na semana que vem, quando serão apresentadas as conclusões do grupo de trabalho responsável por essas questões. O grupo é constituído, entre outros, por representantes do Ministério da Ciência e da Tecnologia e do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Depois dessa reunião, as alterações serão publicadas no Diário Oficial.

Ele considera razoável que as mudanças ocorram até 30 dias antes da entrega das propostas, ou seja, 11 de junho. Mas segundo ele, a lei permite que esse tipo de alteração, que não implica mudança no modelo do projeto, possa ser feita até 15 dias antes.

"Sem alteração". O diretor-geral da ANTT já adiantou, porém, que o governo não aceitará nenhuma proposta que altere "o modelo e a economia" do projeto. "Não há argumento, por exemplo, para mudar a tarifa teto", afirmou. Nas últimas semanas, empresas interessadas na licitação começaram a defender que a tarifa teto seja definida no leilão por meio de lances livres. O edital estabelece que o valor máximo que pode ser cobrado para os passageiros da classe econômica é de R$ 0,49 por quilômetro, o que limita o preço da passagem entre Rio e São Paulo, por exemplo, a cerca de R$ 200,00.

Soja produzida na região de Pedro Afonso (TO) começa a ser exportada

09/06/2011 - O Girassol

A saída dos grãos começou no início da segunda quinzena de maio e o pico se dá até o final do próximo mês de julho

É intenso o movimento de caminhões no pátio da Unidade de Grãos da Coapa. O motivo é que está acontecendo o escoamento dos grãos comercializados antecipadamente pelos produtores através de contratos com as tradings responsáveis pela exportação do produto.

De Pedro Afonso os grãos seguem para os terminais da Valec em Colinas do Tocantins e Porto Franco (MA), de onde são transportados de trem para o Porto de Itaqui (MA). Depois a produção é enviada de navio para outros países, principalmente para a China grande consumidora da oleaginosa.

Segundo o gerente da Unidade de Grãos da Coapa, Nelzivan Carvalho Neves, o escoamento da safra começou em maio, depois de um período de secagem no armazém, e deve seguir até o próximo mês de julho, quando o sojicultor aguarda melhores preços para comercialização no mercado externo, também deve vender seu produto. Atualmente a saca de soja de 60 kg está sendo vendido em média pelo valor de R$ 41,00.

Até esta quinta-feira, dia 9 de junho, já haviam sido transportadas 25 mil toneladas do produto. Outras 48 mil toneladas estão estocadas no armazém que nesta safra recebeu 73.800 toneladas, quantidade recorde de recebimento nos quase 13 anos de existência da Coapa.

A saída dos grãos começou no início da segunda quinzena de maio e o pico se dá até o final do próximo mês de julho. Em média, cada caminhão transporta 35 toneladas e são carregados cerca de 30 caminhões diariamente. Vinte pessoas estão trabalhando na unidade de grãos atualmente, realizando atividades como conferência, classificação, carregamento e manutenção. 

Nelzivan Carvalho Neves explicou que, apesar do grande movimento de caminhões, não tem havido tumulto, pois o sistema de expedição de cargas implantado pela Coapa, que envolve tecnologia de ponta e colaboradores capacitados, está funcionando satisfatoriamente. “Inclusive diminuímos o horário de almoço para uma hora, pagando hora extra, e estamos trabalhando até 10 da noite para agilizar ainda mais o escoamento da safra”, lembrou Neves, acrescentando que o armazém já está pronto para receber o milho e o sorgo produzidos na Safrinha 2011.

Safra recorde
Neste ano a Unidade de Grãos da Coapa recebeu a maior quantidade de soja em seus 13 anos de operação. Com capacidade estática de beneficiar e armazenar 60 mil toneladas do grão, a unidade movimentou um total de 73.500 toneladas. A colheita da safra de soja 2010/2011 na região de Pedro Afonso registrou um índice de produtividade considerado recorde. Mesmo com a diminuição da área plantada de 50 mil hectares para 48 mil, a produção média foi de 51 sacas de soja de 60 kg por hectare, quantidade superior a última colheita que foi de 48 sacas.

O gerente da Unidade de Grãos, Nelzivan Carvalho Neves, informou que o armazém teria capacidade de receber uma quantidade ainda maior, mas as empresas responsáveis pela comercialização e exportação da soja tiveram dificuldades logísticas para enviar o produto para o Porto de Itaqui em São Luis de onde é levado de navio para o exterior.

Números da safra 2010/2011

- Armazém bate recorde: 71.800 toneladas recebidas de 90 sojicultores de Pedro Afonso, Tupirama, Santa Maria do Tocantins, Centenário, Recursolândia, Itacajá, Goiatins, Tupiratins, Guaraí, Miranorte e até de Porto Nacional.

- 47 cooperados da Coapa entregaram 49.400 toneladas de soja e 68 produtores entregaram 22.400 toneladas.

- Média de 51 sacas por hectare, número superior a última safra.

- Gerados cerca de 1500 empregos temporários. (Por Fred Alves)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Valec promete início de ferrovia para 2012

01/06/2011 - Correio do Estado/MS 

Presidente da Valec (E), José Francisco das Neves, mostra traçado da ferrovia

Por Clodoaldo Silva

O presidente da Valec (Empresa de Engenharia e Construções do Ministério dos Transportes), José Francisco das Neves (o Juquinha), afirmou ontem que as obras da Ferroeste e da Ferrovia Norte-Sul começam no ano que vem. 

No momento, estão sendo definidos os traçados finais de cada ferrovia. 

Também anunciou que a empresa vai contratar até o próximo mês o projeto executivo do traçado ferroviário entre Estrela d’Oeste, em São Paulo, passando por Aparecida do Taboado, até Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul.

A informação foi dada ao deputado federal Edson Giroto durante encontro anteontem.

Outro assunto discutido o encontro foi o Estudo de Viabilidade Técnica para o traçado da malha ferroviária no Estado, que deve ser concluído até o dia 10 de junho.

O deputado federal e o secretário de Estado de Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac), Carlos Alberto Negreiros Said de Menezes, fazem parte do grupo especial, criado em março pelo Ministério dos Transportes, que coordena os trabalhos para definir o novo traçado da malha ferroviária sul-mato-grossense, interligando-a ao Estado do Paraná pela Ferroeste e ao Estado de São Paulo, pelo município de Aparecida do Taboado, aproveitando a ponte rodo-ferroviária sobre o rio Paraná, que já atende a Ferrovia Norte-Sul.