domingo, 23 de julho de 2017

SC: Ferrovia Litorânea: Obra é esperada há 147 anos

22/07/2017 - NotiSul

Ferrovia Litorânea: Obra é esperada há 147 anos

Uma das principais bandeiras da classe empresarial do Sul catarinense, a malha ferroviária ligará os cinco portos do Estado. Com custo estimado em R$ 4 bilhões, o projeto tem impasse com a Funai no trecho do Morro dos Cavalos, em Palhoça. Execução está longe da realidade, principalmente neste governo.

Lysiê Santos
Imbituba

Gerador de renda e produção para o país, Santa Catarina se destaca tanto na indústria quanto no agronegócio. Porém, o alto custo logístico dificulta a rentabilidade das empresas, principalmente da região Sul, tornando lento o crescimento da oferta.

Os insumos nas três microrregiões: Amurel, Amrec e Amesc, como o milho e a soja, por exemplo, são cerca de 37% mais caros do que em Minas Gerais, tudo em virtude do custo de transporte que enfrenta diversas dificuldades com a precariedade das rodovias, entre uma série de outros problemas de escoamento. Esses são alguns dos motivos que fazem do traçado da Ferrovia Litorânea uma prioridade para as lideranças empresariais da região.

A obra, que ligará a Ferrovia Teresa Cristina (FTC), na malha de Imbituba até Araquari, no Norte do Estado, interligando os cinco portos de Santa Catarina (Porto de Imbituba, de Navegantes, de Itajaí, de São Francisco do Sul e de Itapoá), é a alternativa de logística que falta para melhorar a competitividade e a eficiência do Sul barriga-verde, além de reduzir o fluxo de caminhões na BR-101. A ferrovia vai servir de alternativa ao modal rodoviário para o transporte de produtos de baixo valor agregado, como grãos e minerais, e também poderá ser usada pela indústria cerâmica, além do incremento no único porto da região.

Alternativa da Funai aumenta custo para R$ 16 bilhões

A Ferrovia Litorânea foi dividida em dois lotes para a realização de projeto e em quatro lotes para execução da obra. O lote 1 é de 125 quilômetros de extensão e vai do Porto de Imbituba ao Rio Tijucas. O lote 2 tem 119 quilômetros de extensão e vai do Rio Tijucas até Araquari, onde se encontra com a ferrovia que vai ao Porto de São Francisco. O custo dos dois lotes da ferrovia está estimado em R$ 6,29 bilhões e prevê 96 obras de arte especiais.

O projeto enfrenta dificuldades pela passagem na área indígena do Morro dos Cavalos, em Palhoça. Considerando esta situação, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) tem analisado três alternativas, uma margeando a BR-101, passando pelo Morro dos Cavalos, outra com túnel também pelo Morro dos Cavalos e uma terceira, que sairia completamente da área da Fundação Nacional do Índio (Funai), avaliada em R$ 16.154.053.362,27, desviando dessa área, com 55 quilômetros de túneis.

A estas três opções, pode somar-se uma quarta proposta, onde a ferrovia se uniria à região Oeste e dali seguindo para Itajaí. A proposta segue em estudos pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovia S.A. e deve ser apresentada ao ministro dos Transportes, e já é considerada muito mais econômica por desviar da região do Morro dos Cavalos. Inicialmente, estima-se uma redução de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Ferrovia é prioridade da Facisc

A construção da Ferrovia Litorânea é uma das principais bandeiras da Regional Sul da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). Nesta semana, o presidente da federação, João Carlos Reck, esteve em reunião plenária na Associação Empresarial do Vale de Braço do Norte (Acivale), para discutir o assunto. O vice-presidente da Facisc Regional Sul, Carlos Fornazza, afirmou que a ferrovia tem sido planejada desde 1872, e há mais de 15 anos iniciou-se um estudo para desenvolver o projeto de construção, e que continua sem soluções. “Não temos a caneta na mão, mas estamos nos bastidores em busca da concretização deste projeto. Assim como lutamos há tanto tempo pela construção do Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, a Ferrovia Litorânea é uma das prioridades da Facisc e vamos unir forças para que esse projeto saia do papel”, cobra. A reunião, que também contou com a presença de lideranças políticas locais, enfatizou a união de forças entre o poder público e privado para tirar o projeto das gavetas.

R$ 21,4 milhões já foram investidos

O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental da Ferrovia Litorânea foi entregue em 2001 e o projeto foi iniciado em 2008, com previsão de entrega para 2011.

A concessão para a construção da obra, no entanto, é bem mais antiga, do governo imperial em 1870 – completando 147 anos de espera. Até agora, foram investidos cerca de R$ 21,4 milhões em projetos ambientais e técnicos da ferrovia.

Conforme cálculos da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), uma composição de trem com 100 vagões substitui 357 caminhões em trajetos de longo curso, reduzindo emissões de CO2. Com isso, todo o dinheiro injetado na obra seria rapidamente economizado no futuro com o tratamento do meio ambiente, por exemplo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nova ferrovia até Paranaguá está em lista nacional de obras estratégicas

20/07/2017 - Gazeta do Povo

Estudo busca soluções logísticas com foco nas necessidades das safras, deixando de lado questões políticas.



Em 2015, apenas 20% da  exportação de grãos pelo Porto de Paranaguá chegou pela ferrovia | Antonio More/ Gazeta do Povo.
Em 2015, apenas 20% da  exportação de grãos pelo Porto de Paranaguá chegou pela ferrovia | Antonio More/ Gazeta do Povo.

A duplicação da ferrovia que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá está na lista de 31 obras prioritárias para garantir a competividade e a expansão da produção de grãos no Brasil pelos próximos dez anos. O estudo foi realizado por um grupo de inteligência coordenado pela Embrapa, a pedido do Ministério da Agricultura.

A lista completa das obras estratégicas ainda não é pública, sendo disponibilizada por enquanto apenas para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Sabe-se que, para a região Sul, foram elencadas nove obras. Além da duplicação da ferrovia de Curitiba a Paranaguá, e da construção dos trechos entre Guaíra e Cascavel, no Oeste do estado, e de Guarapuava à Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, foi incluído o projeto para construção da Ferrovia Norte-Sul entre o município paulista de Estrela d’Oeste e Porto Alegre. No momento, o governo federal trabalha para leiloar no início de 2018 o trecho de 1500 km da Norte-Sul entre Porto Nacional, no Tocantins, e Estrela d’Oeste.

Ao pedir o estudo sobre obras prioritárias para escoamento das safras, o ministro Blairo Maggi quis buscar soluções logísticas com foco nas necessidades do setor produtivo, deixando de lado questões políticas. O entendimento é de que, a curto prazo, a melhoria da logística é o que pode ter mais impacto no aumento da competitividade da agricultura brasileira. “Os ganhos em termos de produtividade agrícola dificilmente superam 1,5% ao ano, enquanto uma obra prioritária pode resolver um gargalo, reduzindo, por exemplo, o custo de produção de 200 reais a tonelada para 110 ou 100 reais a tonelada”, afirma Gustavo Spadotti, analista da Embrapa.

O coordenador do estudo e chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo de Miranda, diz que é hora de o agronegócio “conhecer, gerir e intervir melhor no tema da sua macrologística, como já faz o setor de mineração e industrial”.

Pelo documento estratégico, a prioridade dos investimentos deve ser para obras nos portos dos estados da região Norte do país e do Maranhão, o chamado Arco Norte. Apesar de estarem mais próximos dos principais mercados internacionais e também da região Centro-Oeste, que concentra 42% da produção nacional, os terminais do Arco Norte responderam por apenas 18,5% do volume total embarcado em 2015, contra 82% escoados pelas regiões Sudeste e Sul. O estudo propõe investimentos para alavancar esta participação para 40% em 2025, gerando empregos em regiões com menor IDH, melhorando a infraestrutura e a competividade do País. A opção não significa diminuir a importância dos portos do Sul e Sudeste. “Portos como Paranaguá e Santos serão fortalecidos com a exportação de produtos de maior valor agregado”, afirma Gustavo Spadotti.

Obras urgentes

Nesta primeira etapa, o grupo de estudo detalhou, a pedido do ministro, apenas os projetos para o Arco Norte. Entre as obras consideradas urgentes, está a conclusão da BR-163 entre o Mato Grosso e o sudoeste do Pará, que se notabilizou neste ano como a “rodovia da lama”; a pavimentação da BR-080, ligação do Oeste do Mato Grosso até a Ferrovia Norte-Sul, em Goiás; a recuperação e os entornos das cidades da BR-364 entre Sapezal (MT) e Porto Velho (RO), e ainda a dragagem e sinalização da hidrovia do Rio Madeira, entre Rondônia e o estado do Amazonas.

O estudo estratégico desenvolvido pela Embrapa buscou organizar e agregar informações sobre os modais de transporte e os dados das principais cadeias agropecuárias, como os fluxos de origem e destino da produção, voltada tanto para o mercado interno quanto para a exportação, e a retrologística de insumos. Foram utilizados dados gerados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), ministérios da Agricultura, dos Transportes, Portos e Aviação Civil e da Indústria e Comércio. Também foram consideradas informações do setor privado, associações, cooperativas e instâncias representativas, como a Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio.

Outlook

A geopolítica do escoamento de grãos será um dos temas debatidos no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul (Outlook Forum), de 24 a 25 de agosto de 2017 no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. O fórum reunirá especialistas e líderes do agronegócio da América do Sul, além de convidados especiais de outros continentes.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Projetos de ferrovia disputam a safra do Centro-Oeste

17/07/2017 - O Estado de São Paulo

Governo deverá fazer entre agosto e setembro consulta pública para licitação da Ferrogrão, que tem as grandes comercializadoras de grãos como sócias

Cristiane Barbieri e Mônica Scaramuzzo, 

Investidores nacionais e estrangeiros estão se mobilizando para tirar do papel projetos ferroviários para o escoamento da soja do Centro-Oeste. Anunciada como uma alternativa para levar a soja pela região Norte do País, a Ferrogrão, projeto idealizado pelas tradings (comercializadoras agrícolas) e que está em busca de sócios para sair do papel, ganhou um competidor. A Rumo ALL, do grupo Cosan, avalia fazer uma extensão de 600 km de sua malha em Mato Grosso – de Rondonópolis a Sorriso –, apurou o Estado.

O Brasil é um dos principais produtores globais de grãos, mas apresenta uma enorme carência de infraestrutura para escoar sua produção até os portos. A BR-163, que liga o Centro-Oeste ao Norte do País, é um poço de problemas. Em um trecho de quase 200 km sem asfalto, caminhões atolam durante o pico da safra, causando atrasos e prejuízos milionários.  

Ferrovia Norte-Sul

Ferrovia Norte-Sul
Obras da Ferrovia Norte-Sul Foto: Dida Sampaio/Estadão

Idealizada pelas tradings ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e AMaggi, com a empresa nacional EDLP, a Ferrogrão é um projeto de R$ 12,6 bilhões apontado como a única alternativa eficiente para escoar a safra pelo Norte. A ferrovia, cuja consulta pública deverá ser feita entre agosto e setembro, deverá ser construída ao lado da BR-163, com a promessa de reduzir o custo do transporte dos grãos do cerrado pela metade.

“A Ferrogrão só depende de seus acionistas para dar certo”, diz Tarcísio Freitas, secretário de coordenação de projetos da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). 

Freitas afirma que o governo criou uma linha de financiamento exclusiva do BNDES para a Ferrogrão, além da vantagem de o início da concessão passar a valer a partir da aprovação das licenças ambientais.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cidades de Goiás se mobilizam para escoar produção pela Norte-Sul

12/07/2017 - Agência Infra

Municípios próximos à Ferrovia Norte-Sul em Goiás estão se mobilizando para escoar produtos pela estrada de ferro. A via está pronta há mais de dois anos mas praticamente não opera. O governo pretende privatizá-la ano que vem. 

A intenção é levar a produção de Anápolis, onde foi construído um pátio ferroviário, para os os portos de Itaqui (MA) e o de Belém (PA). A estimativa é que o tempo de transporte fique entre 10 e 11 dias menor que o da principal rota utilizada atualmente, que leva os produtos do estado para os portos do Sudeste e Sul do país, principalmente Santos (SP), utilizando caminhão. 

Nesta terça-feira (12), houve reunião da Associação Goiana de Municípios (AGM) com representantes da Câmara de Comércio Brasil-Portugal para tratar do aumento do intercâmbio comercial entre os dois países, especialmente na exportação de produtos agropecuários e hortifrutigranjeiros produzidos em Goiás. 

Uma comitiva goiana de prefeitos e empresários irá visitar Portugal entre 12 e 24 de setembro para avaliar quais os produtos têm potencial de exportação. 

“Portugal é considerado a porta de entrada da Europa. Queremos abrir novos caminhos para exportação”, afirmou o presidente Câmara de Comércio Brasil-Portugal, sucursal de Goiás, Ivan Marques.




Rota do Trem Intercidades deve ser ampliada

07/07/2017 - O Liberal

Demanda dos prefeitos de Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba, o prolongamento da linha do Trem Intercidades até essas cidades é uma “tendência”, segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A declaração foi dada em Sumaré, nesta quinta-feira. 

“O mais importante é a anuência do Governo Federal em ceder a faixa que margeia a estrada de ferro do trem de carga porque é isso que vai permitir a PPP (Parceria Público-Privada). Se o governo ceder as áreas, o estudo que nós fizemos mostrou que cabem quatro linhas ferroviárias, duas de carga e duas de passageiros. A hora que o governo liberar já temos bem adiantados os estudos para lançar o edital. O projeto original é que ligue São Paulo, Jundiaí, Campinas e Americana, mas é claro que a tendência depois é ampliar”, afirmou Alckmin. 

O Trem Intercidades vai consumir investimentos da ordem de R$ 5,4 bilhões, compartilhados entre empresas e poder público. A estimativa é que 60 mil pessoas, diariamente, vão se utilizar do trem nos 135 quilômetros entre Americana e São Paulo.