quarta-feira, 30 de junho de 2010

TCU aprova edital do TAV


30/06/2010

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na tarde desta quarta-feira (30) a publicação pela ANTT do edital do TAV. A análise técnica do Tribunal resultou na redução do valor do investimento, inicialmente orçado de R$ 34.627.840.685,47, para R$ 33.129.729.942,36, uma economia de 4,4 %.

O projeto inclui construção, operação, manutenção e conservação da estrada de ferro entre os municípios de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. A Agência deverá estabelecer no edital e no contrato, as garantias para assegurar a plena execução da obra e o cumprimento das obrigações assumidas pelo vencedor. Tais garantias são consideradas como necessárias dada a complexidade técnica do projeto, o grande vulto do empreendimento, a participação de recursos do BNDES no financiamento da obra e os riscos envolvidos, sobretudo quanto à demanda projetada.

Revisões tarifárias também deverão estar previstas no contrato, de forma a reverter parte dos benefícios obtidos com o avanço da tecnologia e outros ganhos de eficiência. O TCU recomendou que essa revisão seja feita a cada cinco anos. Segundo avaliação técnica, as tarifas necessárias e suficientes para conferir rentabilidade ao serviço são de R$ 149,85 e R$ 199,73, referentes à classe econômica para os horários normais e de pico, respectivamente.

O TCU determinou que a ANTT corrigisse e complementasse os estudos de viabilidade enviados ao Tribunal, considerando, no mínimo, os elementos do projeto básico que permitissem a plena caracterização dos investimentos previstos, com adequado estudo geológico-geotécnico, otimização do traçado referencial e orçamento detalhado, fundamentado em quantitativos e custos unitários de serviços e fornecimentos devidamente avaliados e demonstrados.

O relator do processo, ministro Augusto Nardes, destacou que a precariedade inicial dos elementos essenciais do projeto enviado prejudicou, sobremaneira, a rapidez da auditoria feita pelas equipes técnicas do TCU.
“Por diversas vezes o Tribunal tem sido indevidamente acusado de paralisar obras e sobrestar a ação governamental. No presente caso, resta límpida a atuação diligente do TCU e a falta de planejamento e de coordenação do governo com vistas à implementação de projeto de elevada magnitude, complexidade e importância”.

A previsão era que o edital fosse publicado em maio, mas devido ao pedido de novos documentos pelo TCU à ANTT,  a votação do projeto foi adiada por diversas vezes.

TCU vai limitar preço da tarifa do TAV


30/06/2010 - O Estado de S.Paulo

O Tribunal de Contas da União (TCU) fixará em R$ 199 a tarifa máxima a ser cobrada aos passageiros do trem-bala no trajeto entre Rio e São Paulo. Vencerá a concorrência para construir e operar o trem-bala, um negócio de mais de R$ 30 bilhões, quem oferecer a menor tarifa.

O relatório de análise dos estudos de viabilidade do projeto será votado hoje pelo tribunal. O Estado teve acesso ao resultado dessa análise e às principais recomendações do TCU ao edital, que será lançado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em até 15 dias.

Grupos coreanos, japoneses, chineses, espanhóis, franceses e alemães já manifestaram interesse pelo projeto, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A previsão é que o primeiro trem de alta velocidade do País entre em operação cinco anos após o aval da área ambiental e as primeiras desapropriações de terrenos no trajeto. O percurso entre o centro de São Paulo e o centro do Rio será feito em uma hora e 33 minutos.

Tarifa máxima. A tarifa-teto estabelecida pela equipe técnica do TCU é inferior à proposta feita inicialmente pelo governo. A agência reguladora sugeriu um limite de R$ 0,50 por quilômetro rodado. No trecho entre Rio e São Paulo, o futuro operador poderia cobrar, no máximo, cerca de R$ 217, ou R$ 8 a mais do que o valor definido pelo TCU.

O preço baixo da tarifa foi uma das preocupações do tribunal. Uma das principais propostas que o plenário do TCU analisará hoje proíbe que o futuro operador peça aumento de tarifa se o número de passageiros for menor do que o esperado.

Em caso de frustração de demanda, fica vedado o reequilíbrio econômico financeiro, prevê o relatório, em linguagem técnica.

Em outras palavras, o TCU recomenda que o edital do negócio deixe claro que o risco terá de ser assumido pela futura concessionária do serviço. O mecanismo impede que o governo, que atuará como parceiro no negócio, arque com eventuais prejuízos. A concessão tem prazo definido de 40 anos.

Também para garantir tarifas menores a serem cobradas pelo serviço, o tribunal prevê que receitas extras à operação do trem, como a veiculação de propaganda nos vagões, terá de ser convertida em benefício do usuário.
Garantias extras. Para evitar que o projeto do trem-bala fique parado pelo caminho e se transforme em obra inacabada, o TCU também prevê que o edital do negócio exija garantias extras do grupo que ganhar a concessão.
O tribunal também prevê a fixação, pelo edital, de um valor máximo do financiamento a ser concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de cerca de R$ 20 bilhões. O governo prevê financiar 70% do preço do trem.

Preço da obra. O preço do projeto também foi revisto pelo TCU. A previsão original do governo, de R$ 34,6 bilhões, caiu para R$ 33,1 bilhões, de acordo com a avaliação técnica do tribunal.

Estão previstas, no entanto, variações no valor da obra. Os custos estão muito associados às diferentes tecnologias que poderão ser usadas no trem-bala, dependendo do grupo que ganhar a concessão. Os técnicos do tribunal consideraram os primeiros orçamentos encaminhados pelo governo pouco precisos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Comissão discutirá projetos de implementação de trens de alta velocidade


28/6/2010
Agência câmara

A Comissão de Defesa do Consumidor realiza audiência pública na quarta-feira (30) para discutir projetos de implementação de trens de alta velocidade. O debate foi proposto pelo deputado Cláudio Cajado (DEM-BA).

Há atualmente dois projetos de trem bala previstos. O TAV Brasil , com a implantação de sistema de alta velocidade entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas (estrada de ferro 222), e outro, previsto no Plano Nacional de Viação, ligando Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba (estrada de ferro 333).

O projeto de implantação do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já está mais adiantado. A estimativa inicial de investimentos é de R$ 34,6 bilhões. A implantação do sistema será feita com recursos privados e públicos. Pelo cronograma do Ministério dos Transportes, as obras estarão concluídas em 2014.


Estudo prévio

Os estudos para a implantação do sistema ferroviário de alta velocidade entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas foram iniciados em 1981. Na década de 90, o governo brasileiro realizou um estudo denominado Transcorr, em cooperação com o governo alemão, com o objetivo de identificar investimentos para modernização do sistema de transporte entre essas cidades. Esse documento serviu de referência para os estudos posteriores.

Em 2007, o governo federal incluiu no Programa Nacional de Desestatização a estrada de ferro 222, onde será implantado o trem de alta velocidade, e foi atribuído ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a responsabilidade de contratar e coordenar os estudos técnicos.

No ano passado, o Ministério dos Transportes contratou o consórcio que executou os estudos detalhados de demanda, traçado, análise econômica e financeira, modelo de concessão, operação e tecnologia e estudos ambientais.


Convidados


Foram convidados para o debate:
- o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos; 
- o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira; 
- o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de
Passageiros (Abrati), Renan Chieppe;
- diretor da Área de Desenvolvimento de Negócios da Siemens Mobility, Elcio Aunhão;
- presidente da Alstom Brasil, Philippe Delleur;
- Paulo Benettis, representante da Trends Engenharia;
- representante de órgão de Defesa do Consumidor.

A audiência está marcada para as 14h30. O local ainda não foi definido.

TAV – TCU


28/06/2010 - Blog do Macris

Processo do TAV está pauta desta quarta-feira do TCU.
Está confirmado! O processo do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro está na pauta da sessão da próxima quarta-feira (30) do Tribunal de Contas da União (TCU). Para o deputado Federal Vanderlei Macris (PSDB-SP), que confirmou presença na sessão, a expectativa é que, assim que apresentado, o governo Federal abra a licitação.

O processo do TAV no TCU é de Nº 0028112006-6.

“Temos informação que nem todos os documentos foram entregues pelo governo ao TCU. Mas as empresas estão ansiosas pela licitação e é importante que continuemos com a avaliação sobre a tramitação do TAV”, argumentou o deputado Vanderlei Macris, que é presidente da Subcomissão de acompanhamento do TAV da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados.

Ainda segundo o deputado, há a informação que o governo Federal apresentou uma “metodologia que não existe”, e que esse é o principal motivo da demora do relatório do ministro do TCU Augusto Nardes. “Houve problemas de informações e proposições”, destacou Macris.

Sete países demonstraram interesse no projeto do trem rápido brasileiro: Japão, China, Alemanha, Itália, Espanha, Coreia do Sul e França. Resta, após a avaliação do Tribunal de Contas, saber quem continuará interessado.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

TAV está na próxima pauta do TCU



25/06/2010

O processo do Trem de Alta Velocidade Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro está na pauta da sessão da próxima quarta-feira, 30 de junho, do Tribunal de Contas da União (TCU), conforme o aviso publicado portal do tribunal.
A ANTT aguarda a liberação do edital pelo TCU para publicar a licitação do TAV.

TAV é assunto de audiência na CDC



27/06/2010 - Agenda Econômica do Congresso

Está marcada para as 14h30 de quarta-feira, 30/6, na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados (CDC), uma audiência pública sobre a implementação do trem de alta velocidade (TAV), com ênfase nos aspectos relacionados ao/à consumidor/a. Estão convidados, entre outros, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo de Oliveira. A reunião será em plenário do anexo II da Câmara. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Obras da Norte-Sul em GO gerará R$ 400milhões


24/06/2010 - Goiás Agora

Cerca de R$ 400 milhões vão ser utilizados pelas empresas construtoras, até o fim de 2012, em negócios em todos os municípios da área de influência da Ferrovia Norte Sul no Sudoeste goiano, na aquisição de produtos e serviços e na contratação de mão-de-obra. O total de investimentos da ferrovia em Goiás é de R$ 1,35 bilhão. A informação foi dada hoje em São Simão, pelo assessor técnico da Presidência da Valec, Josias Gonzaga, durante o Encontro de Negócios realizado no município para divulgar as oportunidades econômicas surgidas com a construção da estrada de ferro.

O trecho total da ferrovia terá 650 quilômetros, de Ouro Verde, em Goiás, a Estrela D’Oeste, em São Paulo, com investimentos totais de R$ 2,5 bilhões. O trecho goiano terá 450 quilômetros. As obras serão iniciadas em agosto, sendo que no dia 9 de julho serão abertas as propostas das empresas a serem selecionadas para início dos trabalhos. São cinco trechos com média de 130 quilômetros cada um, dos quais quatro deles em território goiano.
Ao longo dos 450 quilômetros no Sudoeste goiano serão construídos quatro pátios de transbordo  - plataformas ferroviárias -, sendo o primeiro na região de Goianira, o segundo em Acreúna, o terceiro em Santa Helena e o quarto em São Simão, além de uma estação de embarque em Quirinópolis. Somente em território goiano serão gerados 12 mil empregos diretos e milhares de indiretos.

Durante o encontro, o secretário do Planejamento, Oton Nascimento Júnior, discorreu sobre a economia de Goiás, que tem apresentado crescimento maior que a média nacional nos últimos anos. “Se em dez anos dobramos a produção de grãos, com a chegada da Norte-Sul e dos demais trechos ferroviários, nos próximos dez anos poderemos dobrar novamente a nossa produção que hoje está em 13 milhões de toneladas”, enfatizou o secretário.

Oton acrescentou que com isso, além das oportunidades de negócios surgidas com a construção da ferrovia, o leque de vantagens econômicas se tornará muito mais abrangente, em todos os segmentos, em especial na produção agrícola e nos projetos de bioenergia.

O Encontro de Negócios de São Simão reuniu cerca de 650 pessoas, dentre elas lideranças empresariais, lideranças classistas, representantes de entidades de classe, empresários, potenciais empreendedores e a população em geral.

Para a próxima semana estão agendados dois novos encontros: em Quirinópolis, dia 28 e em Palmeiras de Goiás, dia 29. Outros dois eventos foram realizados na semana passada: em Santa Helena e Goianira, todos com o objetivo de divulgar as oportunidade de negócios pela construção da ferrovia. A iniciativa, coordenada pela Valec e Governo de Goiás, tem apoio do Banco do Brasil, Sebrae-Goiás, Dnit, prefeituras municipais, entidades de classe e outros órgãos governamentais. Mais informações: (62) - 3201-7810.

Trem até o Rio é viável


25/06/2010 - Diário do Povo - SP

Os consórcios que irão disputar a licitação para a implantação do trem de alta velocidade (TAV) ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro não têm dúvidas de que o projeto é necessário, viável e que há demanda de passageiros. Embora ainda esperem que o governo adote medidas para compartilhar com o setor privado os riscos do empreendimento e contestem alguns dados do estudo de viabilidade, empresas discordam do governador Alberto Goldman (PSDB) que afirmou que a ligação São Paulo ao Rio de Janeiro é “sonho de uma noite de Verão”.

“Essa afirmação ou faz parte de algo orquestrado ou é muita infantilidade”, disse o diretor-presidente da Asian Trade Link (ATL), Marco Polo Moreira Leite, que representa o consórcio de empresas chinesas que participará da licitação do TAV. A China chegará a 13 mil quilômetros de ferrovia de alta velocidade até 2012 e a 25 mil quilômetros até 2020. “Acha que eles são malucos de investir no Brasil se não tivessem certeza da viabilidade do projeto?”, disse o empresário. Para ele, o governador deveria ser um dos primeiros a apoiar o projeto. “Esse trem vai mudar a vida das pessoas, das cidades, vai trazer desenvolvimento. Essa oposição me faz lembrar o tempo em que o Brasil optou pelo modal rodoviário e atrasou o País em 50 anos. Hoje temos rodovias e tudo está encalacrado”, afirmou.

Goldman defende uma ligação ferroviária entre Campinas, São Paulo e São José dos Campos onde, segundo ele, está a maior demanda de passageiros. Para o governador, neste trecho não precisaria trafegar um trem de alta velocidade. “O trem de São Paulo ao Rio de Janeiro é viável. É difícil avaliar a proposta do governador sem ter um estudo em mãos. Imagino que ele tenha esse estudo. Em princípio, me parece que um trem normal não faria muito sentido no trajeto Campinas, São Paulo e São José dos Campos e, para ter alta velocidade, precisaríamos fazer estudos de viabilidade”,disse Masao Suzuki, vice-presidente da Mitsui, uma das empresas que integram o consórcio japonês a disputar a licitação do TAV.

Os coreanos também acreditam na viabilidade da ligação de Campinas ao Rio de Janeiro. “Estamos fazendo estudos do traçado completo, acreditamos na viabilidade, mas só teremos certeza quando sair a publicação do edital da licitação, com as condicionantes do governo”, disse Paulo Benettis, da Trends-Engenharia, representante do grupo sul-coreano no Brasil. Ele observou que o trecho com maior demanda é de fato entre Campinas e São José dos Campos, porque é uma demanda regional, que não gerará a maior receita. “O trecho que terá mais receita é de São Paulo ao Rio de Janeiro. E isso tudo tem que ser analisado. O TAV de Campinas ao Rio está dentro da faixa de eficácia do transporte de alta velocidade (que vai de 400 a 600 quilômetros de distância)”, disse. Em distâncias entre 120, 150 quilômetros o ônibus é mais eficiente. Acima de 700 quilômetros, o avião é mais indicado.

O número - R$ 24,5 bi seriam investidos em obras civis no trajeto Campinas-Rio. Sem a ligação proposta inicialmente, interesse desaparece. Os espanhóis também consideram que a ligação de Campinas ao Rio de Janeiro em alta velocidade é mais do que viável. O interlocutor do consórcio, José Manoel Anguita Jimenez, evitou comentar as declarações do governador e disse apenas que os espanhóis têm interesse em qualquer desenvolvimento ferroviário de alta velocidade. Sem um TAV ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, os consórcios internacionais não terão interesse em participar de uma licitação para uma ligação ferroviária entre Campinas, São Paulo e São José dos Campos, como quer o governador paulista Alberto Goldman (PSDB).

Os consórcios ouvidos pelo Grupo RAC informaram que são detentores da tecnologia de alta velocidade e que o interesse deles é em levar essa tecnologia a outros país, no caso o Brasil. Eles não acreditam, no entanto, que o governo federal irá alterar o projeto.

O governo federal, contudo, não irá conseguir lançar, ainda no primeiro semestre, o edital de licitação do trem de alta velocidade. Para que isso seja possível é necessário que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprove os relatórios da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Havia uma expectativa de que, na reunião da próxima 4ª-feira isso pudesse ocorrer. A análise, no entanto, não foi incluída na pauta do TCU da próxima semana. O Ministério dos Transportes informou que terá condições de divulgar o edital 15 após o TCU aprovar os relatórios. A ligação Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro por um trem de alta velocidade vai custar R$ 34,6 bilhões e a concessão seria de 40 anos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Chuva destrói trecho da Transnordestina em AL


22/06/2010 - G1

As chuvas que atingiram Alagoas em junho destruíram a ferrovia Transnordestina, que passa pelo estado. O secretário de Comunicação de Alagoas, Nelson Ferreira, explicou ao G1 que a estrada de ferro que passa no estado já tinha sido destruída durante as cheias em 2000.

“A ferrovia passou dez anos em obras e estava prestes a ser reinaugurada. Essa enchente levou tudo embora de novo”, disse Ferreira.

O secretário afirmou que a linha férrea voltaria a operar em Alagoas no dia 3 de julho.
“Essa ferrovia sai da Bahia e vai até o Maranhão. Uma parte entra em Alagoas, passa por Porto Real do Colégio e segue por várias cidades até Maceió, de onde vai para Pernambuco. Vamos ter que refazer quase tudo. O trecho alagoano acabou”, afirmou.

Segundo Ferreira, a parte que fica em União dos Palmares foi a mais afetada. “Essa ferrovia era muito importante para nós, porque era usada para transportar a produção do interior até o porto. Quando foi destruída, pela primeira vez, tivemos que fazer esse transporte por terra. Acreditávamos que isso seria solucionado agora”, disse.
De acordo com o secretário, a preocupação no momento é ajudar os sobreviventes. Ainda não há planos de recuperação para a ferrovia.

Transporte é prioridade na expansão do CE


23/06/2010 - Valor Econômico

Um dos focos das ações do governo do Ceará para dar suporte à atual fase de desenvolvimento sustentável tem sido a preparação da infraestrutura de logística e de transporte. O Porto do Pecém, sem dúvida, é uma das grandes prioridades. Concentra investimentos públicos perto de R$ 600 milhões e atrai novos empreendimentos privados.

Um dos maiores desafios, contudo, na área de infraestrutura é a reestruturação das estradas estaduais. São seis mil quilômetros de rodovias asfaltadas e cinco mil quilômetros de estradas pavimentadas primárias, em condições deficitárias, há muitos anos, agravadas pelo forte inverno do ano passado e pelo direcionamento de cargas transportadas em rodovias federais.

No momento, está sendo feita a recuperação de dois mil quilômetros de estradas estaduais e a implementação de mil quilômetros, com investimento da ordem de R$ 1,3 bilhão, dinheiro proveniente de várias fontes - Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur), informa Francisco Adail de Carvalho Fontenele, secretário estadual de infraestrutura.

Segundo ele, foram concluídas obras em 900 quilômetros de estradas, ao custo de R$ 292 milhões, e empregados R$ 646 milhões em obras de reestruturação e implantação de mais 1.406 quilômetros. Estão em licitação obras em 620 quilômetros de estradas, de reestruturação e implantação, no valor de R$ 360 milhões. Estamos chegando lá e com resultados positivos, avalia o secretário, que destaca várias ações do governo no setor de transporte, incluindo os modais aéreo e ferroviário.

No caso dos aeroportos, por exemplo, o plano é deixar todas as cidades com proximidade de no máximo 100 quilômetros de um aeroporto regional. O aeroporto de Aracati, distante 245 quilômetros de Fortaleza, está em fase de conclusão, com verba de R$ 14 milhões, assim como os de Camocim, no extremo norte do Estado, com custo de R$ 6 milhões, e o de Tauá, a 337 quilômetros de distância da capital cearense, orçado em R$ 5 milhões.
Foram iniciadas este ano as obras de construção e ampliação de mais cinco aeroportos regionais - São Benedito, Sobral, Jericoacoara, Limoeiro e Itapipoca -, num investimento total de quase R$ 100 milhões. Quanto ao Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, a previsão é de duplicação do terminal de passageiros e ampliação de um novo terminal, com investimentos totais de R$ 2,8 milhões, que serão garantidos pela Infraero.

Em relação ao modal ferroviário, segundo Fontenele, a revitalização da malha ferroviária no Ceará ganha força com a construção da Transnordestina, obra do governo federal, com custos estimados em R$ 4,5 bilhões. A ferrovia vai integrar sete Estados nordestinos, incluindo o Ceará, e deve escoar a produção agrícola do Norte e Nordeste, regiões carentes em logística de transporte, para os portos de Pecém e Suape (Pernambuco). Mas o governo cearense, de acordo com o secretário de infraestrutura, estuda a montagem de um sistema de transporte de passageiros pela Ferrovia Transnordestina. A equação para a obtenção dos recursos financeiros está sendo elaborada e a obra deve custar R$ 25 milhões, entre as nove estações, linhas e trens, indica Fontenele.
Menina dos olhos do governador Cid Gomes (PSB), a linha metroferroviária entre Juazeiro e Crato, as duas maiores cidades do Cariri, entrou em operação no final de maio. Tem 13,6 quilômetros e capacidade para transportar 1,2 mil passageiros por dia. O valor da passagem é R$ 1,00.

A maior intervenção no setor de transporte urbano estadual, certamente, é o Metrô de Fortaleza (MetroFor), obra avaliada em R$ 1,6 bilhão. Segundo Fontenele, pelo menos R$ 800 milhões serão gastos na primeira metade de construção, R$ 500 milhões vindos do governo federal e R$ 300 milhões do governo estadual. São 24 quilômetros de extensão - quatro quilômetros em túneis, dois quilômetros em elevação e 18 quilômetros em superfície. Terá capacidade para duas mil pessoas, e os primeiros trens, fabricados na Itália, chegam em agosto. A construção do metrô está dentro do escopo da Copa do Mundo e vai operar em 2011, informa o titular da secretaria.

Igualmente importante nos planos governamentais são os projetos estruturantes na área de saúde. Apenas na construção de dois hospitais - o Hospital Regional do Cariri e o Hospital Regional de Sobral, iniciado em 2009, e que estarão em operação em 2011, serão investidos R$ 232 milhões, bom parte com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Segundo a secretária Desirée Custódio Mota, do planejamento e gestão, a grande inovação na montagem da infraestrutura no setor de saúde está na forma de gestão dos equipamentos em construção e entregues à população. Estamos construindo mais 21 clínicas regionais, sete das quais já entregues, e previsão de terminar as outras em 2010, com investimento de R$ 146 milhões. Todas vão operar num modelo de consórcio público. Ou seja, o Estado inova no modelo de gestão, diz, acrescentando que os contratos de gestão são feitos com organizações sociais, sem fins lucrativos.

Isso dá mais funcionalidade e agilidade ao uso dos equipamentos para os cidadãos, afirma. Além das clínicas, o governo está investindo R$ 36 milhões na construção de 16 Centros de Especialização Odontológica (CEOs), que também serão administrados no modelo de consórcios, com participação da sociedade civil, das prefeituras do interior e do governo estadual.

Tombada estação de trem de Santos


22/06/2010 - O Estado de S.Paulo

Quatro estações da antiga São Paulo Railway, a primeira ferrovia paulista, foram tombadas ontem pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Entre elas, está a antiga estação de Santos, construída entre 1862 e 1867.
Localizada em área histórica da cidade, foi a partir dela que se desenvolveu a Santos-Jundiaí, nome com que ficou conhecida a ferrovia que foi a primeira conexão entre o litoral e o interior. Desativada em 1996, a antiga estação hoje abriga a Secretaria de Cultura do município.
As outras estações tombadas são as de Caieiras, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Construídas entre 1867 e 1883, funcionam até hoje e pertencem à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Entre as justificativas para o tombamento está o "valor simbólico" das estações, que ainda hoje mantêm características originais da arquitetura inglesa do século 19, conjuntos de moradias à beira da linha e ajudaram a consolidar a Santos-Jundiaí como o principal meio de transporte na época.
Em Caieiras, a estação e a ferrovia fomentaram novas atividades comerciais, responsáveis pela própria emancipação da cidade, em 1958. O entorno dos bens também serviu para amparar o tombamento da estação localizada em Ribeirão Pires, onde estruturas construídas por causa da proximidade da ferrovia continuam intactas.
Até o fim do ano, outros 33 processos de tombamento de estações ferroviárias devem ser julgados pelo Conselho. Atualmente, há 17 estações tombadas no Estado, entre elas a da Luz, do Brás e a antiga Júlio Prestes.
Em nota, a CPTM afirmou que a decisão do Condephaat "é motivo de muito orgulho e reforça o comprometimento da Companhia em preservar o acervo". Ainda assim, segundo os técnicos do Condephaat, nenhuma estação pode ser avaliada como "em ótimas condições".

Espanha tem vantagens na licitação do TAV


21/06/2010 - Folha Online

EFE - A Espanha parte com uma "grande vantagem" na futura licitação sobre o projeto do Trem de Alta Velocidade que unirá Campinas (93 km de São Paulo), a cidade de São Paulo e o Rio, afirmou hoje o secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, Mauro Arce.
"A Espanha tem uma vantagem grande, porque possui uma experiência enorme no Brasil", disse Arce, depois de discursar na Tribuna Ibero-Americana, um fórum organizado pela Casa de América de Madri e pela Agência Efe, que, desde 2006, convoca os atores políticos atuais mais importantes da região ibero-americana.
Na ocasião, o secretário dos Transportes ressaltou que na "fase de abertura econômica" vivida pelo Brasil, "a Espanha foi a primeira em investimentos".
"A Espanha sempre tem uma opção muito grande", reiterou Arce, que deu como "exemplo" o investimento na fabricante espanhola de trens CAF (Construções e Auxiliar de Ferrovias), empresa que "tem uma fábrica (no Estado de São Paulo) que foi construída em muito pouco tempo e que já está produzindo".
Um porta-voz da CAF confirmou em março que a companhia planeja como objetivo estratégico a licitação do trem-bala entre Rio e São Paulo.
O secretário não deu detalhes sobre o assunto, já que o projeto "é iniciativa do Governo federal" e ele só segue sua evolução como "observador", apesar de o Estado de São Paulo ter mantido algumas reuniões com autoridades federais.
No entanto, revelou que "há muitas empresas interessadas de países que têm o trem-bala, como Espanha, Itália, Coreia do Sul, Japão, França. Há um número muito grande de empresas com experiência" no campo da alta velocidade ferroviária.
O TAV entre Rio e São Paulo, o primeiro do tipo na América Latina, era considerado parte crucial da infraestrutura para facilitar o transporte durante a Copa do Mundo que o Brasil sediará em 2014.
No entanto, Arce considera "difícil" que o objetivo marcado pelo Governo brasileiro seja cumprido, já que se trata de um "projeto complexo" que acarreta, entre outras questões, "um processo de desapropriação de propriedades complicado".
Além disso, "não se trata só de um processo de construção do trem, mas também de transferência de tecnologia".
Por outro lado, o secretários dos Transportes considera "possível" que, "uma vez começado e definido o projeto", ele seja realidade para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Perguntado sobre quando será realizada a licitação do projeto do trem-bala, o secretário disse acreditar que, por causa das eleições presidenciais no dia 3 de outubro no Brasil, essa data será determinada em 2011 e não "no final de ano", como pretende o Governo federal.
"O lançamento do TAV é algo muito importante. Eu acho que, seja quem for o vencedor (nas eleições), é um projeto que deve ter continuidade", disse.
Segundo ele, a ligação entre São Paulo e Rio será "a primeira linha" de alta velocidade do Brasil, mas "depois será construída uma rede (no país). É o início de um processo que terá ramificações no futuro".

TAV deve ter obras iniciadas em 2011


18/06/2010 - Mercado e Eventos
Durante o Seminário de Transporte Aéreo Regional e Logística Integrada ao Turismo, um painel discutiu o Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligaria as capitais São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo Hélio Mauro França, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as obras do trem devem começar no próximo ano.
Também presente no seminário que ocorreu em São José dos Campos (SP), Roberto Garibe, da subchegia de articulação e monitoramento da Casa Civil, afirmou que o projeto realmente sairá no papel e será feito. De acordo com França, haverá licitação entre empresas do Japão, Europa, Estados Unidos e China para que um modelo seja usado no Brasil.
A estimativa é que o preço teo da classe econômica seja 50 centavos de real por quilômetro, disse França. Segundo ele, a concessão para quem ganhar a licitação será comum, remunerada com tarifa e receitas extraordinário e terá prazo de 40 anos. O investimento total ficará por volta de R$ 34 bilhões, divididos entre iniciativas privada e pública.
Segundo França, o trem passaria em sua trajetória por cidades como Volta Redonda (RJ), São José dos Campos (SP) e Campinas (SP). Um dos benefícios do TAV é que ele reduziria a pressão sobre as infraestruturas rodoviária e aeroportuária. Além disso, em todos os países que usam o sistema, o número de acidentes com morte é zero nesse meio de transporte, disse ele.
A velocidade média de um tav é de 250 quilômetros por hora, dependendo do modelo. Sendo assim,a estimativa é que uma viagem entre Rio e São Paulo dure 93 minutos. França explicou que os benefícios não envolvem apenas as cidades envolvidas na trajetória, mas também toda uma extensão região, como, por exemplo, cidades de Minas Gerais.

Trem de Santos usará traçado do funicular


18/06/2010 - Revista Ferroviária

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Trecho do antigo funicular da SPR, com a casa de máquinas do 3º Plano Inclinado ao fundo. Foto: Acervo RF

O trem regional entre a capital paulista e a Baixada Santista deve utilizar o traçado do antigo funicular da Serra do Mar com um novo sistema de cremalheira.  O modelo do trem para o percurso não está definido, mas estão sendo avaliadas tecnologias que permitam subir rampas de 7 e 8%  e circular no trecho de planalto e no litoral.
“Há tecnologia para isso. Há trens na Europa com sistemas semelhantes”, explica o secretário adjunto dos Transportes Metropolitanos de São Paulo e coordenador do estudo de vialibidade dos trens de passageiros para Santos e Sorocaba, João Paulo de Jesus Lopes. Ele ressalta que o estudo é preliminar, mas que a viabilidade existe e será aprofundada.
Foram estudadas diversas alternativas para o trem regional. Chegou a ser considerado o uso da descida da serra por livre aderencia da ALL, mas depois de uma avaliação de engenharia, o traçado do funicular pareceu o mais adequado. A ideia é aproveitar ao máximo o que restou da antiga linha (sem utilização há mais de 50 anos), melhorando e reconstruindo trechos deteriorados.
O projeto prêve trens circulando com velocidades médias entre 120 e 150km, viagens de cerca de 50 minutos entre a capital e a Baixada Santista e demanda de 30 a 50 mil passageiros por dia. Os trens poderiam partir da Estação da Luz ou da futura Estação Tamanduateí, da Linha 2 – Verde do Metrô.
A linha entre São Paulo e Paranapiacaba faz parte da concessão da MRS Logística, que está sendo consultada sobre a implantação do projeto.
“Não há interesse do Governo de São Paulo em conflitar com o transporte de cargas. Temos plena consciência da importância desse transporte”, destaca  João Paulo.
Ele explica que no momento oportuno o projeto será discutido com o Ministério dos Transportes, ANTT, DNIT, MRS e ALL.
A secretaria dos Transportes Metropolitanos ainda não conversou com as prefeituras envolvidas no projeto, mas pretende fazer isso ao longo do aprofundamento dos estudos.
“Na nossa visão essas ligações facilitarão a interiorização e desenvolvimento das regiões”, observa Lopes.
Ele destaca a importancia do projeto para desfogar São Paulo e para atender ao fluxo de passsageiros para Santos que surgirá com o pré-sal .

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Faltam 180 km para concluir a Norte-Sul no TO


11/06/2010 - Agência Araguaia/Jornal do Tocantins

Os 180 quilômetros restantes dos cerca de 860 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul que cortam o Tocantins devem ser entregues até outubro. Hoje, 90% da estrada de ferro estão concluídos no Estado e o último trecho vai ser inaugurado em Porto Nacional, a 66 quilômetros de Palmas. Daquela cidade até São Luís (MA), onde grãos e outros produtos tocantinenses são enviados para exportação, serão aproximadamente 1,2 mil quilômetros de trilhos. As informações foram repassadas ontem pelo gerente comercial da Vale – uma das concessionárias da obra -, Gustavo Fiúza, durante o 34º Seminário do Agronegócio para Exportação (Agroex), realizado no Palácio Araguaia.

Em Goiás, no entanto, se quiser cumprir a promessa de inaugurar o trecho goiano da Ferrovia Norte-Sul até o final deste ano, o governo Lula terá de pisar no acelerador. O 10º balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgado no último dia 2 pelo próprio governo federal, mostra que não foi alcançada sequer a metade da meta de execução das obras estabelecida para 30 de abril deste ano.
Exportação

De acordo com Fiúza, o produtor tocantinense exportava através de Porto Franco (MA) e neste ano a carga começou a ser embarcada no Pátio Multimodal de Colinas do Tocantins, a 274 quilômetros da Capital. “Cada vez mais a ferrovia está vindo para próximo do produtor e oferecendo mais possibilidades para os exportadores. Consequentemente, aumentará o volume de cargas exportadas anualmente, trazendo competitividade para o Estado”, comentou.

Com a implantação da Norte-Sul, Fiúza destacou que o produtor também poderá pagar um frete, dependendo do trecho, até 30% mais barato que no transporte rodoviário. “O custo ferroviário é mais acessível do que o rodoviário, principalmente porque a gente transporta em grande escala, onde fazemos, por exemplo, uma composição de 80 vagões. Desta forma fica mais barato para o produtor”, explicou.
Armazenagem

Ainda de acordo com o gerente da Vale, o benefício de exportar pela Norte-Sul é também por causa do ganho em armazenagem. “A ferrovia tem a composição de 80 vagões e cada um deles carrega em torno de 80 toneladas (t). Então conseguimos transportar em uma composição o equivalente a 320 caminhões carregados de soja. Cada vez que você aumenta essa escala de transporte, diminui os custos para o produtor. Esse é o benefício da ferrovia”, ressaltou.

Fiúza completou observando que o objetivo da Norte-Sul é aumentar a competitividade do exportador, oferecendo um transporte regular, que não depende de sazonalidade. “A ferrovia tem escala para exportações de grande porte. O produtor terá a garantia do escoamento em fluxos constantes. E o transporte rodoviário também vai se beneficiar muito, porque o caminhoneiro, ao invés de fazer um frete grande com longas distâncias, vai fazer vários trechos pequenos para alimentar a ferrovia. Vai conseguir lotar sua carga em menores distâncias e em mais vezes”, apostou. O gerente comercial da Vale ainda mencionou que com a ferrovia o Tocantins poderá exportar outras cargas e não somente grãos, por exemplo, a carne.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SC recebe obras para corredor bioceânico


10/06/2010 - PortoGente

No início dessa semana (7), o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, esteve em Santa Catarina, nas regiões Oeste e Serra inaugurando obras de infraestrutura financiadas pelo Governo Federal que irão formar o corredor bioceânico, integrando as rodovias, portos e ferrovias no Estado, facilitando o escoamento da produção pelos oceanos Pacífico e Atlântico.

O investimento total é de cerca de R$ 400 milhões em obras ligada à BR-282. Na fronteira do Brasil com a Argentina foi inaugurada trecho da BR-282, entre São Miguel do Oeste e Paraíso. Passos assinou ordens de serviço para a duplicação de obras de travessia urbana para os municípios de Xanxerê, Chapecó e Lages, além da adequação da BR 163, que integra Santa Catarina com o Paraná.

O ministro lançou o edital de estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental da Ferrovia da Integração, que ligará o Porto de Itajaí (principal porto de escoamento do estado) a Chapecó, um dos municípios de maior produção e capacidade de exportação de Santa Catarina. No setor ferroviário anunciou ainda o edital para a elaboração do projeto técnico da ferrovia de Chapecó a Dionísio Cerqueira, na fronteira com a Argentina.
A Senadora Ideli Salvatti acompanhou as atividades e anunciou que estão previstos R$ 85 milhões no PAC 2  para o projeto executivo que prevê ampliar os investimentos em infraestutrura nessa região de Santa Catarina.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ferrovias: novo modelo deve sair ainda este ano


9/6/2010
Diário da Manhã (GO)

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos (foto), disse ontem que deverá ficar pronto ainda este ano o novo modelo para as futuras concessões de ferrovias no País. Segundo o ministro, as mudanças não terão de passar pelo Congresso e poderão ser feitas por decreto presidencial. "Estamos trabalhando nisso há bastante tempo no Ministério dos Transportes, da Fazenda, Agência Nacional de Transportes Terrestres e Casa Civil. O presidente deve assinar o decreto ainda este ano", disse.
    
A principal mudança para as próximas concessões de ferrovias é a separação da infraestrutura física da operação comercial. No modelo atual, o concessionário administra a via férrea e tem o direito de explorá-la como transportadora. A ideia do governo para o futuro é manter com o Estado a responsabilidade sobre a infraestrutura e passar a operação das ferrovias para operadores privados. "Queremos ter mais de uma empresa, duas, três, quatro, até seis, por exemplo, adquirindo a capacidade de transporte de uma ferrovia. Este é o modelo europeu", disse o ministro. "O governo tem a responsabilidade de garantir infraestrutura e o operador privado, ou operadores, a operação comercial", acrescentou.
    
Segundo ele, a estatal Valec, hoje responsável pela construção de grandes ferrovias como a Norte-Sul, pode vir a ser a representante do governo na gestão da estrutura física das concessões. "A Valec tem vocação natural como a empresa que poderá administrar essa oferta de capacidade".
    
Ao conceder a mais de um operador o direito de uso das futuras ferrovias, disse, o governo quer estimular a competição. "Há monopólio nas malhas de cada concessionária. Isso deixaria de acontecer."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Em 30 anos, de 100 milhões a 1 milhão


08/06/2010 - O Globo

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate, conta que as pessoas se espantam quando ele diz que, na década de 80, os trens de passageiros no Brasil transportavam cerca de 100 milhões de pessoas por ano no país, sem contar os trens e metrôs urbanos.
De acordo com o último relatório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as duas únicas malhas ferroviárias de transporte de passageiros do Brasil hoje — a Estrada de Ferro Vitória a Minas e a Estrada Ferro de Carajás, ambas operadas pela Vale — transportaram em 2009 1,27 milhão de pessoas.
Este encolhimento brutal em 30 anos, explica o arquiteto Nilson Ghirardello, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), um dos maiores estudiosos do setor ferroviário, deve-se a um conjunto de fatores.
— Historicamente, as nossas malhas ferroviárias, especialmente em São Paulo, seguiram a lógica de escoamento da produção cafeeira. Nunca se projetou um quilômetro de ferrovia no Brasil com o objetivo de transportar passageiros. A prioridade dada por governos ao transporte rodoviário também ajudou a desestimular os investimentos em ferrovias, o que culminou com o sucateamento do parque da antiga estatal RFFSA (Rede Ferroviária Federal) — diz ele. — Hoje, a prioridade dos investimentos ainda é o transporte de carga.
Ghirardello usa as referências dos EUA (onde o transporte é bom, mas a passagem é cara) e da China (onde o transporte não é tão bom, mas a passagem, subsidiada pelo governo, é barata) para analisar o futuro do setor no Brasil.
— Os novos projetos só se viabilizam entre regiões com muita densidade populacional e com uma infraestrutura férrea que acomode trens de velocidade mais alta, para compensar o ônibus — explica.
Abate, no entanto, está otimista sobre o renascimento do trem de passageiros no Brasil. Ao menos entre as regiões onde a demanda pode garantir preços baixos, como é o caso do Trem de Alta Velocidade (TAV) Rio-São Paulo, que ainda assim receberá subsídios do governo federal. Com custo previsto de R$36,4 bilhões, o TAV é a obra mais cara do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), mas já está atrasada por conta da exigência de um plano geral pelo Tribunal de Contas da União. A expectativa é que o projeto fique pronto em 2015, a tempo das Olimpíadas do Rio de 2016.
Além desse projeto, Abate lembra que o governo federal planeja reativar 14 trechos ferroviários regionais da antiga RFFSA. Dois deles — Bento Gonçalves a Caxias do Sul (Rio Grande do Sul) e Londrina a Maringá (Paraná) — estão em fase de estudo de viabilidade.
— Se o TAV for ampliado para Campinas, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, com o governo realmente reativando suas malhas e com os projetos estaduais de ampliação das redes urbanas para o interior dos estados, o transporte de passageiros vai transportar cerca de 100 milhões de pessoas por ano em 2044 — diz Abate.

terça-feira, 8 de junho de 2010

EFVM transporta 1 milhão de passageiros por ano


05/06/2010 - O Globo
A doméstica Marinilda de Jesus Rosa, de 31 anos, pega pelo menos duas vezes por mês o trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) na cidade de Baixo Guandu, no Espírito Santo, onde mora sua família, até Belo Horizonte, onde trabalha. Vai geralmente passar o fim de semana em Minas Gerais. Na segunda-feira da semana passada, ela e a sobrinha Keila de Jesus Cândido, de 19 anos, faziam o trajeto BH-Baixo Guandu e conversavam no vagão-restaurante do trem.
O depoimento da doméstica ilustra com perfeição a realidade da EFVM, a maior e mais densa estrada de ferro de passageiros do Brasil, com 664 quilômetros. O trem é o transporte mais barato para os habitantes da região, relata Gilberto Scofield Jr. A viagem de 13 horas também é mais segura: a BR-381, que liga a capital capixaba a BH, registra 500 mortes por ano.
A EFVM e a Estrada de Ferro Carajás (EFC), as duas administradas pela Vale, são hoje as duas únicas ferrovias que fazem transporte regular de passageiros no país. A EFVM, nas mãos da Vale desde a década de 40, transportou 980 mil pessoas em 2009, o que, segundo Regivan Silva, gerente de Suporte Regional e Trem de Passageiros da Vale, significa um movimento diário de cerca de 2.500 pessoas, nas baixas temporadas, e cerca de seis mil, nas altas.
O movimento já foi maior. Em 2006, por exemplo, o trem transportou 1,14 milhão de pessoas. A Vale não tem um estudo preciso sobre esta redução de passageiros (na EFC, o transporte continua crescendo), mas Regivam tem uma pista:
- Pelo que eu converso com os passageiros e venho observando no setor de ferrovias, a emergência econômica das classes mais baixas fez aumentar a compra de carros populares. E mesmo com a BR-381 (BH-Vitória) sendo uma das rodovias mais perigosas e em mau estado do país, as pessoas arriscam dirigir em seus carros novos - diz ele.
O que não diminui a importância da Ferrovia Vitória-Minas que, aos 106 anos, é a mais antiga ferrovia de passageiro em operação.

Um barato de 664 km sobre trilhos


7/6/2010
O Globo

A doméstica Marinilda de Jesus Rosa, de 31 anos, pega pelo menos duas vezes por mês o trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) na cidade de Baixo Guandu, no Espírito Santo, onde mora sua família, até Belo Horizonte, onde trabalha. Vai geralmente passar o fim de semana em Minas Gerais. Na segunda-feira da semana passada, ela e a sobrinha Keila de Jesus Cândido, de 19 anos, faziam o trajeto BH-Baixo Guandu e conversavam no vagão-restaurante do trem. Keila foi convencida pela tia a tentar a vida como vendedora em Minas Gerais.
     
- O trem vale muito a pena porque é seguro, confortável e mais barato no trecho que eu faço, em comparação com o ônibus, duas vezes mais caro. A rodovia é perigosa e o transporte, caro. Se a gente ainda tivesse carro...
- diz Marinilda.
     
O depoimento da doméstica ilustra com perfeição a realidade da EFVM, a maior e mais densa estrada de ferro de passageiros do Brasil.
     
A EFVM e a Estrada de Ferro Carajás (EFC), as duas administradas pela Vale, são hoje as duas únicas ferrovias que fazem transporte regular de passageiros no país. A EFVM, nas mãos da Vale desde a década de 40, transportou 980 mil pessoas em 2009, o que, segundo Regivan Silva, gerente de Suporte Regional e Trem de Passageiros da Vale, significa um movimento diário de cerca de 2.500 pessoas, nas baixas temporadas, e cerca de seis mil, nas altas.
     
O movimento já foi maior. Em 2006, por exemplo, o trem transportou 1,14 milhão de pessoas. A Vale não tem um estudo preciso sobre esta redução de passageiros (na EFC, o transporte continua crescendo), mas Regivam tem uma pista: - Pelo que eu converso com os passageiros e venho observando no setor de ferrovias, a emergência econômica das classes mais baixas fez aumentar a compra de carros populares.
     
E mesmo com a BR-381 (BHVitória) sendo uma das rodovias mais perigosas e em mau estado do país, as pessoas arriscam dirigir em seus carros novos - diz ele.
     
O que não diminui a importância da Ferrovia Vitória-Minas que, aos 106 anos, é a mais antiga ferrovia de passageiro em operação. Afinal, com extensão de 664 quilômetros, preços que variam de R$ 10 (BH-Barão de Cocais, 71 quilômetros de distância) a R$ 49 (BH-Vitória) na classe econômica, e de R$ 19 (BH-Barão de Cocais) a R$ 75 (BH-Vitória) na classe executiva, o trem é o transporte mais barato e popular para os habitantes da região.
 

Ônibus custa o dobro e BR tem 500 mortes
     
São 30 paradas de aproximadamente três minutos cada (17 estações de trem e 13 pequenos postos em 30 municípios). Especialmente entre pequenas cidades do interior de Minas e do Espírito Santo, por vezes a ferrovia é a única opção de deslocamento.
     
- A viagem de trem é acessível e mais segura do que ir de carro, especialmente com criança de colo - diz Maria Penha, que com a filha Hema e a neta Maria Eduarda, de um ano e três meses, embarcaram em Ipatinga, em Minas, com destino a Vitória. - O tempo de viagem é muito longo, mas as opções de transporte acessíveis são poucas, né? A gente tem que contar com o trem.
     
A viagem completa na EFVM leva 13 horas de BH a Vitória (e um pouco menos no sentido contrário), ainda que os trens de carga na linha - a maioria transportando minério de ferro das minas da Vale até o porto de Tubarão - sejam obrigados a parar para dar lugar ao trem de passageiros.
     
De ônibus, a duração do trajeto cai para sete horas, mas o preço sobe para R$ 80, na classe econômica, ou cem reais nos poucos veículos com classe executiva. Com um agravante: não é à toa que a BR-381 é conhecida também como "rodovia da morte". Por ano, são cerca de 500 mortes e milhares de feridos em acidentes de trânsito.
     
- Eu viajo de trem com minha família porque é mais relaxante e seguro - afirma Carlos Antonio Gaviorno, funcionário da Vale no Porto de Tubarão, que viaja ao menos três vezes por ano com a mulher e os dois filhos no trem.
 

Histórias até de parto dentro do trem
     
Os funcionários da Vale, aliás, representam 5% do movimento de passageiros da ferrovia, considerada a mais produtiva do país porque, além dos passageiros, por ela são transportados 115 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
     
Isso representa 40% de toda a carga transportada por ferrovias no Brasil.
     
Segundo pesquisa do Instituto Vox Populi feita em 2008, 80% dos passageiros possuem renda até cinco salários mínimos, 40% têm o ensino fundamental e outros 40% o ensino médio, 66% viajam a lazer, turismo ou para visitar parentes, enquanto 11% viajam para cuidar da saúde em cidades maiores do trajeto.
     
E uma curiosidade: 60% dos passageiros são mineiros.
     
- Os mineiros adoram esta ferrovia, que nasceu em Vitória, mas acabou consolidando o transporte na região leste do estado - diz Fernando Rodrigo, de 31 anos, chefe do trem de passageiros, responsável final pela ordem, segurança, operação e limpeza da composição dos 15 vagões. Rodrigo trabalha há seis anos na EFVM e dez no setor ferroviário da Vale e tem muitas histórias da ferrovia para contar. Há um ano, por exemplo, o trem havia acabado de deixar a estação de Governador Valadares (no meio do caminho da ferrovia) quando uma passageira reclamou de dores no peito.
     
- Ela tinha pressão muito baixa, estava fria, suava muito e desmaiava a todo momento. Eu fiz massagem cardíaca e avisei ao trem que subia para Belo Horizonte que ele precisava parar quando os trens se cruzassem para que pudéssemos trocála de trem e mandarmos a passageira para um hospital grande em Valadares.
     
- conta Fernando. A estratégia deu certo e a passageira Elza Dorigati sobreviveu a um infarto.
     
- Toda a vez que eu a encontro no trem é uma festa - diz ele. Outra vez, a equipe de 20 pessoas que trabalha em cada composição - entre zeladores, maquinistas, chefes, seguranças e pessoal de restaurante - foi obrigada a fazer um parto no trem em movimento. Mas a história mais engraçada ocorreu mesmo há alguns meses, quando um passageiro deixou num dos vagões especiais uma caixa lacrada de abelhas. Quando alguns insetos pareciam ter saído da caixa, Fernando foi ao sistema de som do trem e chamou o dono, cujo nome ele não se lembrava: - Eu falei: "gostaríamos de solicitar a presença, no vagão de controle, do passageiro louro, alto e com uma tatuagem no braço que é dono do carregamento de abelhas". E não é que apareceram três comissárias entusiasmadíssimas para ver quem era aquele louro, alto e tatuado? - lembra Fernando, às gargalhadas.