quinta-feira, 31 de março de 2011

Transnordestina iniciará as operações em 2013

30/03/2011 - Valor Econômico

A Ferrovia Nova Transnordestina terá capacidade para transportar 30 milhões de toneladas de carga por ano. A perspectiva é que no prazo de oito anos - a partir de 2013 - já opere com uma carga de 25 milhões. "O projeto começa com 5 milhões de toneladas anualmente, e o aumento será sucessivo até atingir sua maturidade", diz Tufi Daher Filho, presidente da Transnordestina Logística S/A.

Classificada como ferrovia de classe mundial, a Transnordestina absorverá R$ 5,4 bilhões e o primeiro trecho, que liga Eliseu Martins (PI) ao Porto de Suape (PE), deverá ser concluído no final de 2012. "Mais de 10 mil pessoas trabalham em 25 frentes, principalmente nesse trecho. A operação comercial será inaugurada no início de 2013", diz Daher. Segundo ele, a ferrovia "tem capacidade para transportar 30 milhões de toneladas por ano e os principais produtos serão minério de ferro e alimentos, sobretudo soja e milho".

O que lhe confere o título de ferrovia de classe mundial é o fato de ter bitola larga, de 1,6 metro. Alta produtividade, velocidade máxima de 80 quilômetros por hora e baixo consumo de combustível são outros atributos da ferrovia.

Segundo o Ministério dos Transportes, "a Transnordestina permitirá elevar a competitividade da produção agrícola e mineral da região. A moderna logística unirá uma ferrovia de alto desempenho a portos que podem receber navios de grande porte". Ainda segundo o ministério, "no inicio da operação, serão 2,3 mil vagões e 56 locomotivas. A meta é chegar a 2025 com até 4.300 vagões e 110 locomotivas, o que contribuirá para reduzir custos logísticos de exportação, entre outros benefícios".

Para se ter uma ideia, a ferrovia possui 2.278 quilômetros de extensão, dos quais 1.728 quilômetros são de construção de novas vias e 550 de remodelação. O trecho em obra soma 1.323 quilômetros. A ferrovia inicia-se em Eliseu Martins e vai até Salgueiro, em Pernambuco. Nesse ponto, há uma bifurcação em dois traçados: um em direção ao Porto de Pecém, no Ceará, e o outro em direção ao Porto de Suape, em Pernambuco. O projeto prevê a interligação com a Ferrovia Norte-Sul a partir de Eliseu.

De acordo com o presidente da Transnordestina Logística S/A, trata-se de um projeto "complexo". "Temos de lidar com 21 órgãos ligados aos governos federal e os três estaduais diretamente ligados ao projeto", diz. Outra dificuldade da obra, é que os aportes financeiros são de fontes diferentes, com regras distintas. "A ferrovia tem 1.728 quilômetros e é de grande complexidade", diz. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), a Engenharia, Construções e Ferrovias S/A (Valec) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) financiam o megaprojeto.

Dados divulgados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a Transnordestina deverá gerar cerca de 550 mil empregos, diretos e indiretos, e beneficiará 124 municípios nos Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Segundo Daher Filho, os trechos com as obras mais avançadas localizam-se entre Missão Velha (CE) e Salgueiro (PE), com 96 quilômetros. No trecho entre Salgueiro e Trindade (PE), os 163 quilômetros serão concluídos ainda em 2011.

"A Transnordestina será um divisor de águas no desenvolvimento do semiárido nordestino", afirma o ministério. A previsão é de "redução dos custos logísticos de exportação, aumento do valor das terras do cerrado nordestino, reorganização espacial da produção agrícola, atração de novos empreendimentos para a região e estímulo ao projeto nacional de biodiesel".

Empreiteiros estimam que TAV custará R$ 53 bi

16/03/2011 - IG

O Trem de Alta Velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio, que já é o projeto mais caro da história do País, pode ter um custo ainda maior do que o previsto pelo governo, R$ 33,1 bilhões. Para um grupo de empreiteiros paulistas o TAV não sairá por menos de R$ 53 bilhões, o que significa um salto de 60% em relação ao valor aprovado pelo Tribunal de Contas da União para o leilão do projeto.

Os cálculos são da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), e, segundo o presidente da entidade, Luciano Amadio, foram entregues ao BNDES no fim de fevereiro.
Nas contas do grupo, que também se articula para participar do leilão, só de obras civis serão gastos cerca de R$ 45 bilhões. “Dimensionamos algo entre 25 mil e 27 mil funcionários, sete canteiros de obras e 1,6 mil frentes apenas de fundações para a via do trem”, afirmou Amadio.

Os R$ 7 bilhões ou R$ 8 bilhões restantes do total estimado pela Apeop são referentes aos trens e equipamentos de infraestrutura para o funcionamento do TAV.
O governo trabalha com o valor de R$ 33,1 bilhões para o projeto, sendo que 70% são para os gastos com as obras civis. Até o momento, este é o valor máximo estipulado para o leilão, marcado para o fim de abril.

Vale ressaltar que pelo menos um consórcio, o coreano, já manifestou interesse em participar da concorrência com estes valores.

Já para Amadio, além dos financiamentos do BNDES e da participação dos fundos de pensão, o governo terá de investir mais do que se mostrou disposto até o momento, seguindo um padrão adotado em outros trens de alta velocidade em funcionamento no mundo, que é o de maiores subsídios.

Trilhos da Ferrovia Norte-Sul, enfim, chegam a Goiás

10/02/2010 - O Popular Online

Obras devem ser aceleradas, para conclusão dos 516 km em Goiás até o fim do ano, anuncia a Valec

Operários da Camargo Corrêa trabalham na colocação de dormentes no trecho da Norte-Sul entre Anápolis e Ouro Verde, que tem 41 quilômetros e deve ser entregue até agosto.

Quase 22 anos depois de seu lançamento, os primeiros trilhos e dormentes da Ferrovia Norte-Sul em território goiano começaram a ser montados na semana passada. As obras foram iniciadas, simultaneamente, em quatro trechos: entre Anápolis e Ouro Verde, entre Jaraguá e Santa Isabel, e próximo a Uruaçu e Porangatu.

A ferrovia vai ligar Anápolis ao porto de Itaquí, no Maranhão, e terá 2.200 quilômetros de extensão. Em Goiás, haverá cinco pontos de transposição de mercadorias: Anápolis, Jaraguá, Santa Isabel, Uruaçu e Porangatu.

O presidente da Valec Engenharia - empresa estatal responsável pelas obras -, José Francisco das Neves (Juquinha), garantiu que no prazo de três meses estarão concluídos os primeiros 120 quilômetros da ferrovia, do total de 516 que vão cortar Goiás.

Ontem, no quilômetro zero da ferrovia, próximo a Anápolis, 30 operários da Camargo Corrêa faziam a montagem dos trilhos e dos dormentes. Mas o engenheiro Wagner Magalhães, da Camargo Corrêa, garantiu que, nos próximos dias, as obras serão aceleradas e haverá seis frentes de trabalho, com 180 pessoas. A previsão é de que sejam montados 480 metros de trilhos por dia com dormentes, numa distância de 32 centímetros um do outro. 

Além do trecho entre Anápolis e Ouro Verde, as obras de montagem de trilhos e dormentes também são realizadas nos trechos entre Jaraguá e Santa Isabel e nas proximidades das cidades de Uruaçu e de Porangatu. “Agora, a obra não para mais em Goiás e no Tocantins”, garantiu.

Juquinha anunciou, também, que vai inaugurar, junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, todo o trecho de 516 quilômetros da ferrovia Norte-Sul em Goiás até dezembro próximo e que vai colocá-lo para operar, transportando mercadorias diversas, até julho de 2011. 

De acordo com ele, seis empresas trabalham em oito frentes de obras em quatro trechos, onde estão sendo colocados os trilhos e dormentes. São elas: Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, SPA, Constran e Tiisa. 

Os trilhos que estão sendo colocados na ferrovia em Goiás foram importados da China. Até o momento, foram adquiridos 40 mil toneladas de trilhos, de um total de 100 mil toneladas. Já os dormentes de concreto são fabricados por uma empresa localizada no município de Jaraguá.

Agora, garantiu Juquinha das Neves, não haverá mais atrasos no cronograma de construção da Ferrovia Norte-Sul em territórios goiano e tocantinense. “Em dezembro vamos entregar os 1.359 quilômetros da ferrovia, dos quais 516 em Goiás, construídos no governo Lula”, reafirmou.

De Anápolis até o porto de Itaqui, no Maranhão, a Ferrovia Norte-Sul terá 2.200 quilômetros. Em Goiás e Tocantins, são 1.359 quilômetros, orçados em R$ 3 bilhões, que estão dentro do orçamento da Valec Engenharia.
 
Além do trecho ligando Anápolis a Itaqui, o presidente da Valec anuncia que a Ferrovia Norte-Sul terá outro trecho de 670 quilômetros. Ele vai ligar Ouro Verde, próximo a Anápolis, ao município de Estrela do Oeste, em São Paulo, passando pelo Sudoeste goiano. “Em maio já vamos iniciar essa obra”, garantiu. 
Hoje, Juquinha das Neves e o vice-governador Ademir Menezes visitarão os quatro trechos, nos quais são feitas as montagens das grades dos trilhos da Ferrovia Norte-Sul, em Goiás.