sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Valec pede ao Ibama licença de instalação para Norte-Sul



25/08/2010 - Transporte Idéia
A Valec solicitou ao Ibama a licença de instalação para as obras da extensão da Ferrovia Norte-Sul para o trecho que ligará Ouro Verde (GO) a Estrela do Oeste (SP).
Na última segunda-feira, a Valec recebeu as propostas para a construção do trecho. A obra está estimada em R$ 2,2 bilhões e foi dividida em cinco lotes.
As informações são da edição online da “Revista Ferroviária”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Governo inaugura obras da Transnordestina

17/8/2010


Foto: Ricardo Stuckert / Planalto / Divulgação

Lula visitou o canteiro de obras no interior de Pernambuco
O percurso entre Ceará e Pernambuco pareceu mais curto na tarde desta terça-feira (17), durante o lançamento das obras da Ferrovia Transnordestina. Enquanto o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, participava da solenidade de início da construção do primeiro trecho da ferrovia em Missão Velha (CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursava de improviso no canteiro de obras da mesma linha em Salgueiro (PE).

O trecho inaugurado hoje, que ligará Missão Velha a Aurora (CE), é o pontapé para a ferrovia de 1.728 quilômetros que vai cortar o Nordeste brasileiro, interligando pólos de produção agrícola, mineral e industrial. O termo que dá início à construção foi assinado nesta terça-feira em um encontro entre o presidente da Transnordestina, Tufi Daher Filho, e o ministro dos Transportes.

Lula, no canteiro de obras de Salgueiro, declarou que a Transnordestina refletirá em benefícios para todo o país. “Estamos dividindo em igualdade de condições, para que todo estado tenha direito de se desenvolver, que toda região possa crescer e que, daqui alguns anos, o Brasil seja mais igual, mais justo e faça a compensação que tem que fazer à parte mais sofrida deste país”, afirmou durante o discurso.

O presidente também criticou as dificuldades enfrentadas pelo governo nas obras da Transnordestina e na transposição do Rio São Francisco. “Em relação à Transnordestina, nós demoramos cinco anos para chegarmos ao ponto em que chegamos. Só eu participei de 31 reuniões. Quando a gente pensava que estava resolvido um problema em Pernambuco, aparecia algo no Piauí”, detalhou. “Eu não me queixo, porque a transposição das águas está desde 1847. Mais de 150 anos e não conseguiram fazer”, arrematou.

Para ouvir o discurso do presidente Lula, clique aqui!

Percurso

A Transnordestina inicia-se em Eliseu Martins (PI) e segue até o município de Salgueiro (PE), onde se bifurca em direção ao Porto de Pecém (CE) e ao Porto de Suape (PE).

O projeto prevê a interligação com a Ferrovia Norte-Sul, a partir de Eliseu Martins (PI) até o município de Estreito (MA). A obra irá remodelar 550 km de ferrovia entre os municípios de Cabo (PE) e Porto Real do Colégio (AL), fazendo conexão com a malha ferroviária que desce em direção ao sudeste brasileiro.


Marina Severino
Redação CNT

Oeste-Leste recebe 12 propostas e Norte-Sul 10

24/08/2010 - Revista Ferroviária

A Valec recebeu ontem (23) as propostas para a construção dos trechos da Ferrovia de Integração Oeste-Leste entre Ilhéus e Barreiras, na Bahia, e da Ferrovia Norte-Sul ligando Ouro Verde, em Goiás, até Estrela do Oeste, em São Paulo.

Dez consórcios apresentaram propostas para a construção do trecho de 670 km da Ferrovia Norte-Sul. A obra está estimada em R$ 2,2 bilhões e foi dividida em cinco lotes.

Fazem parte do lote 1 os consórcios Pavotec/Ourivio/Tejofran/Fuad Rassi/Sobrado; Aterpa/Ebate; Torc/Ivaí/Cavan; Estrutural/Acciona; Mendes Junior Trading; Ferrosul (Queiroz Galvão/Camargo Correa); CR Almeida. Do lote 2: Pavotec/Ourivio/Tejofran/Fuad Rassi/Sobrado; Egesa/Carioca/Constran; Torc/Ivaí/Cavan; Mendes Junior Trading; SPA/Delta Engenharia; Ferrosul (Queiroz Galvão/Camargo Correa). Do lote 3: Pavotec/Ourivio/Tejofran/Fuad Rassi/Sobrado; Egesa/Carioca/Constran; Torc/Ivaí/Cavan; Estrutural/Acciona; SPA/Delta Engenharia; Ferrosul (Queiroz Galvão/Camargo Correa). Do lote 4: Pavotec/Ourivio/Tejofran/Fuad Rassi/Sobrado; Egesa/Carioca/Constran; Torc/Ivaí/Cavan; Ferrosul (Queiroz Galvão/Camargo Correa). E do quinto e último lote fazem parte Pavotec/Ourivio/Tejofran/Fuad Rassi/Sobrado; Egesa/Carioca/Constran; Torc/Ivaí/Cavan; Tiisa Triunfo Iesa Infraestrutura.

Já para a construção do trecho de 1.022 km da Ferrovia de Integração Oeste-Leste 12 consórcios apresentaram propostas.

O trecho foi dividido em sete lotes. O lote 1 é composto por Estrutural/ Acciona; Pavotec/ Ourivio/ Tejofran; SPA/ Delta/ Convap; Andrade Gutierrez/ Barboza Mello/ Serveng; Bahia Fer (Queiroz Galvão/ Camargo Corrêa). O lote 2 tem como membros Estrutural/ Acciona; Pavotec/ Ourivio/ Tejofran; Andrade Gutierrez/ Barbosa Mello/ Serveng; Bahia Fer (Queiroz Galvão/ Camargo Correa); Galvão/ OAS. O lote 3 conta com os consórcios Ferrovias do Brasil (Paulista/ Somague/ Embratec/ Top/ Paviservice); Estrutural/ Acciona; Pavotec/ Ourivio/Tejofran; SPA/ Delta/ Convap; Torc/ Ivai/ Cavan; Galvão/OAS.Já o lote 4 tem Mendes Junior/ Sanches Tripoloni Fidens; Constran/ Egesa/ Pedrasul/ Estacon/ CMT; Estrutural Acciona; SPA/ Delta/ Convap; Andrade Gutierrez/ Barbosa Mello/ Serveng; Bahia Fer (Queiroz Galvão/ Camargo Corrêa); Galvão/ OAS. No lote 5 estão os consórcios Mendes Junior/ Sanches Tripoloni/ Fidens; Constran/ Egesa/ Pedrasul/ Estacon/ CMT; Estrutural/ Acciona; Pavotec/ Ourivio/ Tejofran; Andrade Gutierrez/ Barbosa Mello/ Serveng; Bahia Fer (Queiroz Galvão/ Camargo Corrêa); Torc/ Ivaí/ Cavan; Galvão/ OAS. No lote 6 estão Constran/ Egesa/ Pedrasul/ Estacon/ CMT; Pavotec/ Ourivio/ Tejofran; Bahia Fer (Queiroz Galvão/ Camargo Corrêa); Torc/ Ivaí/ Cavan. E por último o lote 7 com Techint Engenharia/ Techint Compañia Técnica; Pavotec/ Ourivio/ Tejofran; Torc/ Ivaí/ Cavan; Oeste-Leste Barreiras (Tiisa/ Cowan/ Almeida Costa/ Trier/ Pelicano).

O custo do trecho da obra Oeste-Leste está estimado em R$ 4,2 bilhões. O principal produto a ser transportado será o minério de ferro. A Bahia Mineração pretende transportar pela ferrovia 19,5 milhões de toneladas de minério de ferro de sua mina em Caetité (BA) até o terminal de embarque de Ponta da Tulha, no litoral do mesmo Estado.

A Oeste-Leste ligará Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO), ligando com a Ferrovia Norte-Sul.

A Norte-Sul foi projetada para promover a integração nacional, minimizando custos de transporte de longa distância e interligando as regiões Norte e Nordeste às Sul e Sudeste, através das suas conexões com 5 mil quilômetros de ferrovias privadas.

O prazo para recursos das duas licitações será de cinco dias úteis.

Projeto básico da Ferrofrango deve sair até o final do mês

24/08/2010

O DNIT deve publicar até o final de agosto o edital para a licitação do projeto básico da Ferrofrango. O valor para a execução deste projeto é de cerca de R$ 30 milhões.

De acordo com o órgão, no projeto básico deverá constar a estimativa do custo global da ferrovia. No traçado previsto constam mais de 100 pontes ferroviárias, mais de 30 viadutos rodoviários e mais de 70 viadutos ferroviários.

Valec recebe propostas de empresas interessadas em construir ferrovias

24/08/2010

Dez consórcios e empresas apresentaram nesta última segunda-feira à Valec propostas de preços para participar da construção do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul, entre Ouro Verde (GO) e Estrela D’Oeste (SP). A obras estão divididas em cinco lotes e têm previsão de conclusão para 2012.

A Valec também recebeu as propostas de preços de 12 consórcios, para a execução das obras e serviços de engenharia do trecho de mil quilômetros da Ferrovia de Integração Oeste Leste, que vali ligar Ilhéus e Barreiras, na Bahia. A obra está dividida em sete lotes, e deve estar concluída em 2013.

Os documentos serão avaliados pela Valec, e ainda não há previsão de quando o resultado final da habilitação será divulgado.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Novo corredor deve baratear em 30% escoamento grãos

23/08/2010 - O Estado de S.Paulo

A principal solução para escoar a safra de grãos da Região Centro-Oeste é a rota pelo Norte do País. A expectativa é que o novo corredor represente uma redução de, no mínimo, 30% dos custos logísticos, calcula o Departamento de Infraestrutura do Ministério da Agricultura.

Hoje são exportados pelos portos da Região Norte cerca de 8 milhões de toneladas de grãos. Nossa meta é escoar quatro vezes mais esse volume nos próximos quatro anos, afirma o sub-coordenador do departamento, Carlos Alberto Nunes.

Ele explica que só a fronteira agrícola denominada Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) já produzem entre 6 e 8 milhões de toneladas de grãos. Ou seja, só essa região deverá usar uma boa parte da capacidade dos portos. Entre os terminais que deverão receber atenção do governo, diz o executivo, estão Porto Velho, Itacoatiara, Vila do Conde, Itaqui e Santarém. O objetivo é criar, e melhorar, as alternativas para chegar a esses portos.

O Movimento Pró-Logística do Mato Grosso já elegeu algumas obras para tornar o corredor viável. A primeira delas é a BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA). A rodovia federal, construída na década de 70, até hoje não foi totalmente pavimentada. A obra está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deverá ser concluída em 2012.

A estrada reduzirá pela metade a distância percorrida até os portos do Sul e Sudeste. Para isso, será necessário ampliar a capacidade do Porto de Santarém. Outra obra importante é a Ferrovia Centro-Oeste, entre a cidade de Vilhena (RO) até a Ferrovia Norte-Sul, que dá acesso ao Porto de Itaqui, no Maranhão.

Segundo o coordenador executivo do Movimento Pró-logística, Edeon Vaz Ferreira, o empreendimento, projetado pela estatal Valec, vai beneficiar todo o norte do Mato Grosso, que tem apresentado grande expansão na produção de grãos.

Eclusa de Tucuruí. A lista de sugestões inclui ainda projetos para transformar os Rios Teles Pires e Tapajós em hidrovias, a melhor solução para o agronegócio, diz Ferreira.

Ele afirma, no entanto, que o transporte está concorrendo com a energia elétrica, já que o governo planeja uma série de hidrelétricas em ambos os rios. A construção das usinas exigiria cerca de dez eclusas, que custariam R$ 7 bilhões. A expansão da hidrovia no Brasil pode representar uma queda de 65% no custo do transporte, diz Ferreira.

Nesse sentido, Carlos Alberto Nunes, do Ministério da Agricultura, dá uma boa notícia. Depois de décadas em construção, a eclusa de Tucuruí deverá ser inaugurada este ano, o que permitirá o transporte de cargas no Rio Tocantins. As obras deverão ser concluídas entre setembro e novembro. Depois ela entrará em testes.

Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), reforça que o grande desafio do Brasil é encontrar logo alternativas para escoar a safra. Só a produção de soja deve crescer mais 25 milhões de toneladas até 2020 (este ano deve ser de 68 milhões de toneladas). Ele destaca que, além da má-qualidade das estradas e da falta de capacidade das ferrovias, os portos também representam uma grande dor de cabeça para os produtores.

sábado, 21 de agosto de 2010

BNDES libera R$ 464,9 milhões para ferrovias

13/08/2010

O BNDES desembolsou R$ 464,9 milhões para o setor ferroviário no primeiro semestre de 2010, registrando queda de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, quando liberou R$ 564 milhões para o setor.

Apesar da queda no volume, o BNDES aumentou em 34%o número de operações financeiras. De janeiro a julho de 2009 foram 77 e no mesmo período deste ano contabilizou 103 operações de crédito.

Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 72,6 bilhões nos primeiros sete meses deste ano. A maior participação coube ao setor de Infraestrutura, com R$ 28,2 bilhões (39% do total liberado pelo Banco). Em seguida, veio a Indústria, com 33% e R$ 23,8 bilhões em liberações.

Transnordestina agora só no final de 2012

17/08/2010 - Agência Estado

Perto de terminar o mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pôs a culpa na Justiça, no Ministério Público, nos ambientalistas e nas pessoas de olho gordo por deixar no papel boa parte do trecho da ferrovia Transnordestina, projetada para ligar Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Suape, em Pernambuco. É um verdadeiro inferno concluir um projeto desta magnitude, reclamou hoje, num canteiro de obras em Salgueiro, a 518 quilômetros de Recife.

Foi a quarta viagem de Lula para participar de festa de início de obras da ferrovia. Ao lançar o projeto em Missão Velha (CE), em plena campanha pela reeleição, em junho de 2006, ele disse que a Transnordestina seria a redenção do Nordeste. Hoje diretores do consórcio de construção da ferrovia informaram ao presidente que apenas 30% das obras de terraplenagem foram concluídas. A obra não ficará pronta antes de dezembro de 2012.

No ano passado, ele chegou a afirmar que iniciaria as obras de todos os lotes ao longo dos 2.278 quilômetros de ferrovia. O maior atraso está no trecho final em Pernambuco, entre Belém de Maria e Escada (55 quilômetros) e de Escada a Suape (64 quilômetros). Nestes dois lotes, os contratos para início das obras não foram assinados. Durante a visita, o presidente conheceu uma máquina importada que produzirá os dormentes de concreto para dar suporte aos trilhos. A visita de inauguração da fábrica de dormentes, como o Planalto divulgou, estava programada para março último, mas foi cancelada porque a máquina não chegou a tempo.

A uma plateia formada por trabalhadores do canteiro em Salgueiro, o presidente se queixou de juízes, que teriam aceito pedidos de interrupção das obras por parte de quem reclamava indenização de terras. Não pensem que é fácil fazer as coisas, disse. Vocês não sabem que a inveja é uma doença, completou. Não tem nada pior do que olho gordo.

Mais tarde, ao visitar uma escola técnica em Salgueiro, Lula aproveitou para criticar os tucanos e até dom Pedro II. Sem poder inaugurar a obra dos seus sonhos, como ele mesmo chama a ferrovia, Lula disse que os governantes anteriores não priorizarem obras na região. O presidente afirmou que o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não investiu em ensino profissionalizante. Já dom Pedro II foi atacado por não levar à frente a obra da transposição das águas do São Francisco. Por que dom Pedro II, o todo poderoso, não conseguiu fazer o canal e um torneiro mecânico conseguiu?, esbravejou Lula. As obras de transposição também estão com cronograma atrasado.

Saia-justa

Criticado pelo governo por não ter se empenhado nas obras da ferrovia Transnordestina, o executivo Benjamin Steinbruch, que comanda o consórcio do projeto, enfrentou saia-justa na viagem com o presidente Lula ao canteiro no semiárido pernambucano. Em cima de um trecho de trilho montado apenas para a produção de fotografias, Lula olhou para Steinbruch e perguntou: Você sabe quem me disse que pode fazer trilhos?. E emendou: O Roger Agnelli, da Vale. Ele disse que vai fazer trilhos na siderúrgica que está construindo em Marabá. Depois de ouvir o nome do rival no mundo dos negócios, Steinbruch, desconcertado, disse: Aí, é covardia.

Lula não esconde o desapontamento com Steinbruch, a quem acusa de ser um dos principais responsáveis pelo atraso das obras da ferrovia. O presidente foi num ponto fraco do executivo, observaram integrantes da comitiva. Há mais de uma década, Steinbruch vive às turras com Agnelli.

A rivalidade de Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional, e Agnelli, da Vale, é famosa no mercado do aço. A briga começou em 2000, com o descruzamento de ações da Vale e da CSN. Steinbruch, que comandava o grupo, foi substituído por Agnelli. Vaidosos, eles travaram brigas até nos tribunais. Há uma série de processos judiciais por causa de minas e negócios das duas empresas. Com a última crise financeira internacional, os dois deram uma trégua.

Empreiteiras avaliam participação na obra da Ferrovia Oeste-Leste


20/08/2010 - Valor Econômico

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A Fiol ligará a Bahia ao Tocantins. Arte:Valor/Valec
Grandes construtoras como Andrade Gutierrez, Odebrecht e Camargo Corrêa estão debruçadas sobre o projeto da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). As empreiteiras fazem estudos para definir se, na segunda-feira, apresentarão propostas para participar da construção do primeiro trecho da Fiol, que inclui 1.022 quilômetros de malha a ser instalada entre Ilhéus e Barreiras, na Bahia. A obra estimada em R$ 4,2 bilhões. A expectativa é de que depois de pronta a Fiol opere dentro de um novo modelo de exploração para as ferrovias no país.
O governo preparou um decreto que fixa as novas regras do setor e pretendia editá-lo na semana passada, mas recuou e decidiu colocar o tema em discussão com usuários e concessionárias, como noticiou o Valor. O novo modelo prevê separar a gestão da via férrea, a ser exercida por um gestor de infraestrutura, da operação dos serviços de transporte, que ficará a cargo de operadores ferroviários. A separação das funções segue o modelo europeu em que existe um gestor de capacidade, responsável pela administração da malha, e operadores que desempenham a função de transportadores ferroviários.
No modelo brasileiro atual, a gestão da via e os serviços de transporte são feitos pelo mesmo concessionário. Pelo novo modelo, a gestão de capacidade poderia ser pública, com operação da Valec, Engenharia, Construções e Ferrovias, empresa vinculada ao Ministério dos Transportes, ou privada, via subconcessão concedida pela própria estatal. No caso da Fiol, a Valec vai licitar a construção da ferrovia e contratar empresas que vão executar a obra, a ser paga com recursos do Tesouro.
Quando a ferrovia estiver pronta, a Valec irá vender capacidade de tráfego aos interessados em transportar carga. O mesmo modelo vai valer para outros projetos de construção de ferrovias no país. José Francisco das Neves, presidente da Valec, diz que à medida em que a empresa começar a vender capacidade de tráfego vai reduzir a necessidade de recursos do Tesouro para expandir a malha. A previsão de Neves é de que o primeiro trecho da Fiol fique pronto em 2012.
No total, a Fiol foi planejada para chegar a Figueirópolis, em Tocantins, onde vai se encontrar com a Ferrovia Norte-Sul. Ao todo, portanto, a ferrovia poderá ter 1.526 quilômetros de extensão e custar R$ 6 bilhões. Na segunda-feira, além de receber as propostas para a construção da Fiol, a Valec também espera que as construtoras apresentem ofertas para a obra da extensão sul da Ferrovia Norte-Sul, um trecho de quase 670 quilômetros entre Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP). Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa confirmaram que analisam o edital e fazem estudos para decidir se apresentam proposta pela Fiol.
Um executivo avaliou que o novo modelo desenhado pelo governo para a exploração de novas ferrovias é democrático, pois quem tiver interesse pode comprar capacidade de tráfego, investir em trens e transportar a carga. A discussão em torno do novo modelo, segundo o executivo, está centrada no efeito sobre as ferrovias existentes, privatizadas nos anos de 1990 a partir da antiga malha da Rede Ferroviária Federal.
Em minuta do decreto com as novas regras para o setor, ao qual o Valor teve acesso, consta que as concessionárias seriam obrigadas a permitir aos prestadores de serviço de transporte ferroviário a circulação no regime de direito de passagem. As condições de operação seriam fixadas por meio de contratos operacionais e contratos de compra e venda de capacidade de tráfego. O direito de passagem significaria, neste caso, compartilhar a malha mediante o pagamento, pelo transportador ferroviário, de uma tarifa (pedágio) ao concessionário.
A fonte disse que para as concessionárias essa medida significaria a perda da exclusividade na operação da malha. Procurada, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) informou que o porta-voz da entidade não estava disponível, ontem, para entrevistas. A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut) não se manifestou. Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), afirmou que permitir o direito de passagem é uma obrigação contratual nas concessões existentes.
A ANTT está revendo a regulamentação sobre o direito de passagem de modo a torná-la mais adequada e para estimular o intercâmbio de trens entre as concessionárias. Segundo a a agência reguladora, a legislação e os contratos preveem que a concessionária tem a exclusividade na exploração da malha e na prestação dos serviços. Mas isso não significa que o concessionário possa deixar de explorar trechos da malha. Figueiredo disse que o decreto em discussão prevê a possibilidade de que seja ofertada a outros operadores e aos usuários a capacidade disponível que a concessionária não tenha interesse ou plano de explorar. Neste caso a concessionária seria remunerada pelos custos do uso da infraestrutura.
Ambientalistas criticam projeto Oeste-Leste
O projeto da Oeste-Leste é questionado por organizações não governamentais da região de Ilhéus, na Bahia. A expectativa é de que a ferrovia não saía, disse Socorro Mendonça, presidente da ONG Ação Ilhéus. Na visão de Socorro, a Fiol enterra o projeto de desenvolvimento sustentável da região e compromete vocações naturais como o turismo e a produção de cacau.
O questionamento de ONGs da área ambiental se apoia no fato de a Fiol estar sustentada no escoamento de minério de ferro, sobretudo da Bahia Mineração, diz Socorro. Segundo ela, a ferrovia está planejada para chegar na margem direita do rio Almada, a poucos quilômetros da área de preservação permanente de Lagoa Encantada. A ambientalista disse que há preocupação também com a construção de um terminal portuário de uso privativo que seria construído a cerca de 20 km do porto de Ilhéus e seria usado pela mineradora para escoar o produto.
Uma fonte que conhece o projeto discordou. Disse que a Fiol vai permitir atender não só projetos de mineração da Bahia, do norte de Minas Gerais e do Tocantins, mas também escoar a produção de grãos da região de Barreiras. A Fiol, diz a fonte, tornaria viável o escoamento da produção dessa região.
Cláudio Barbieri, professor da escola politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), disse que a Fundação Vanzolini analisou documentos produzidos pela Valec e órgãos ambientais sobre o projeto da Fiol. O trabalho, contratado pela Rede Sul Bahia, buscou analisar questões relevantes para o licenciamento do projeto. Ele avalia não havia sido feito todo o detalhamento técnico necessário, como efeito do vento e deposição de minério de ferro em áreas onde os vagões vão ficar estacionados ao longo da ferrovia. Barbieri também levantou a conveniência de se fazer um investimento tão alto (R$ 6 bilhões) para atender, basicamente, projetos de mineração.

Indústria continua otimista mesmo com queda


20/08/2010 - Valor Econômico


Apesar das fabricantes de trens apostarem suas fichas no crescimento do transporte ferroviário de passageiros no Brasil, a produção e reforma de vagões em geral sofreu uma queda de 19,3% no primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE). É um ponto fora da curva na indústria nacional, que cresceu 16,2% nos seis primeiros meses de 2010, na comparação com o mesmo período de 2009.

Dados da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) indicam que o problema está no setor de passageiros, que neste ano produziu, até junho, 83 carros (composição do trem), enquanto nos primeiros seis meses do ano passado foram produzidos 224. A entidade não tem os dados fechados do semestre sobre reparação de trens, que poderia estar contribuindo também para o resultado negativo.
Segundo empresas ouvidas pelo Valor, no entanto, o ritmo de investimentos não está menor e elas projetam crescimento do faturamento e da entrega de trens no ano. De acordo com a Abifer, o setor de ferrovias deve faturar 38% a mais neste ano, chegando a R$ 2,9 bilhões. Em 2009, o crescimento foi de 11%. "Os investimentos estão crescendo", diz Vicente Abate, presidente da Abifer.

Uma das hipóteses levantadas pelos executivos para essa contradição é que, como as entregas dos vagões não ocorrem regularmente, os dados de produção poderiam dar uma falsa impressão de que as empresas estão fabricando e reformando menos, quando na verdade estão com uma carteira maior de projetos em andamento.

A Siemens Mobility, braço brasileiro da companhia na área de transportes, deve terminar neste ano a produção de 46 vagões para passageiros, dos quais 28 já foram entregues para o Metrô de Recife. No ano passado, foram finalizados 24 vagões do mesmo contrato. "O mercado está aquecido, estimamos que vamos ter um crescimento de 30% no faturamento em 2010", diz Paulo Alvarenga, diretor da companhia. A empresa também trabalha com serviços agregados às reformas dos trens.

Para o executivo, o que está influenciando os dados de queda da produção é o fato de os contratos serem longos, e com isso, a entrega ocorrer de forma irregular. O contrato assinado pela Siemens com o Metrô de São Paulo no fim do ano passado, por exemplo, é para a reforma completa de 25 trens - ou 150 carros - ao longo de cinco anos, sendo que o primeiro trem, com seis carros, está previsto para o fim deste ano.

Por conta desse contrato, inclusive, de R$ 460 milhões, a Siemens inaugurou uma fábrica na cidade de Cabreúva, interior de São Paulo, em janeiro. "O setor está passando por um momento muito bom, e os contratos hoje ocupam a capacidade da indústria nacional", diz Alvarenga. A companhia anunciou um plano de investimento de US$ 600 milhões para os próximos cinco anos.

No ano que vem, com base no contrato com o Metrô paulista, a Siemens deve entregar mais seis trens, ou 36 carros, o que daria um número menor que os 46 neste ano. Mesmo assim, Alvarenga lembra que o valor do contrato é superior ao de Recife, por prever uma reforma mais profunda.
Na CAFdo Brasil, o desempenho este ano também está positivo. A empresa instalou recentemente uma fábrica no país para atender à demanda dos contratos firmados com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para a fabricação de 48 trens, e com o Metrô de São Paulo, para mais 17 trens. São os primeiros contratos da empresa, e neste ano já foram entregues 9 trens para o Metrô. Para a CPTM, as entregas começam a partir do ano que vem.
"Pode ser que os investimentos públicos não ocorram na velocidade esperada, mas os negócios estão sendo fechado e os trens estão sendo entregues", diz Paulo Fonteneli, presidente da CAF.
No fim deste mês, a expectativa é que saia o resultado de uma nova licitação, para a compra de 26 trens para a Linha 5 do Metrô de São Paulo.
Por outro lado, vários projetos anunciados estão com atraso no cronograma, como por exemplo, o Veículo Leve sobre Trilho na Baixada Santista, cuja previsão inicial era ter a licitação lançada em setembro de 2009, e hoje está em fase de audiência pública, e o metrô de Salvador - Acesso Norte a Pirajá -, cujas obras estão paralisadas pelo Tribunal de Contas da União.
Luis Ramos, diretor de comunicação da Bombardier Brasil, lembra que, por conta dos elevados recursos envolvidos e a complexidade dos projetos, os investimentos nesse setor nunca foram estáveis. "Eles alternam entre períodos de grande investimento e outros de aparente estagnação ou mesmo recuo", diz.
Para Alvarenga, da Siemens, como o transporte ferroviário de passageiros estava há muitos anos sem investimentos, mesmo com os atrasos, a recuperação recente está sendo suficiente para movimentar a indústria. "É muito mais do que estava sendo feito, havia demanda grande represada."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BNDES libera R$ 464,9 milhões para ferrovias


16/08/2010 - Transporte Idéias

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 464,9 milhões para o setor ferroviário no primeiro semestre de 2010, registrando queda de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, quando liberou R$ 564 milhões para o setor. As informações são da edição online da “Revista Ferroviária”.

Apesar da queda no volume, o BNDES aumentou em 34%o número de operações financeiras. De janeiro a julho de 2009 foram 77 e no mesmo período deste ano contabilizou 103 operações de crédito.

Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 72,6 bilhões nos primeiros sete meses deste ano.  A maior participação coube ao setor de Infraestrutura, com R$ 28,2 bilhões (39% do total liberado pelo Banco). Em seguida, veio a Indústria, com 33% e R$ 23,8 bilhões em liberações.

sábado, 14 de agosto de 2010

Dilma Rousseff promete concluir as ferrovias Transnordestina e Norte-Sul


12/08/2010
A candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, prometeu nesta última quarta-feira a conclusão da Ferrovia Transnordestina, que vai ligar o interior do Nordeste aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), e da Ferrovia Norte-Sul, que vai de Açailândia (MA) a Estrela D’Oeste (SP) durante o evento Brasil nos Trilhos, promovido pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
“Caso eu seja eleita, minha função será concluir a Transnordestina e prolongar a Norte-Sul, que são as questões mais estratégicas para o nosso país. Segundo ela, os estados do Nordeste e do Centro-Oeste precisam escoar sua produção, e terão um surto de crescimento e de desenvolvimento”, com as duas ferrovias.
A candidata explicou que a ideia é que a Ferrovia Norte-Sul tenha uma continuação, desde Estrela D’Oeste (SP), que é o trecho final do projeto previsto, até o Rio Grande do Sul. “No meu período vamos ter que entregar, sem sombra de dúvida, até Estrela D’Oeste e deixar o restante licitado e já iniciado”, prometeu a candidata.
As ferrovias estão previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e devem ser concluídas em 2012. A Norte-Sul tem 2,2 mil quilômetros e investimentos previstos de cerca de R$ 6,4 bilhões. Já a Transnordestina terá 1,7 mil quilômetros construídos e 550 quilômetros remodelados, a um custo de R$ 5,4 bilhões.
Dilma disse que o grande problema do transporte ferroviário no Brasil é o de longo percurso. “Enquanto a gente estiver transportando minério de ferro e soja em grão utilizando as rodovias, nós vamos ter um problema sistemático nas rodovias. Esse tipo de transporte é típico de transporte ferroviários”.
Ao final do evento, Dilma recebeu um troféu dos representantes da organização do evento e se comprometeu com os empresários do setor. “O setor ferroviário pode contar comigo, porque eu conto com ele. Assim como vocês, eu também quero o Brasil nos trilhos”.
Fonte: Agência Brasil

ANTF entrega documento com estratégias do setor aos presidenciáveis


12/08/2010 - Transporte Idéia

Os principais candidatos à Presidência da República vão receber da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF) um documento que mostra as questões estratégicas ligadas à infraestrutura do setor ferroviário e sua importância para o país.

O documento faz parte da programação do 4º Brasil nos Trilhos, que reúne as principais empresas do setor ferroviário para debater as prioridades de investimentos no setor.

De acordo com a ANTF, os investimentos privados nos últimos anos revitalizaram as ferrovias brasileiras, que aumentaram de 19% para 26% a participação na matriz de transporte no Brasil. Segundo o presidente da ANTF, Marcelo Spinelli, o volume de carga por ferrovias aumentou 56% desde a desestatização do setor, entre 1996 e 1998, que até então era administrado pela Rede Ferroviária Federal S.S.A (RFFSA).
- A produtividade das ferrovias subiu 77%. E o transporte de contêineres nas ferrovias, é hoje 80 vezes maior do que no primeiro ano de concessão - garantiu Spinelli.

Dados da ANTF mostram que, de 1997 ao primeiro semestre de 2010, as concessionárias aplicaram nas ferrovias R$ 22,1 bilhões na recuperação da malha, novas tecnologias de operação, capacitação de profissionais, aquisição e reforma de material rodante (vagões e locomotivas). O governo aplicou R$ 1,1 bilhão e planeja agora uma série de obras de expansão e modernização, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT).

Após a desestatização das ferrovias, a carga movimentada aumentou 56,1%, passando de de 253 para 395 milhões de toneladas. Além disso, houve crescimento de 119,5% na oferta de empregos diretos e indiretos e de 17% para 26% na participação das ferrovias na matriz de transporte de cargas no país.

Fonte: Agência Brasil

http://www.transporteideias.com.br/2010/08/12/antf-entrega-documento-com-estrategias-do-setor-aos-presidenciaveis/

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mais de 100 mil passageiros na EFVM em julho


10/08/2010 - Multimídia ES Hoje

Mais de cem mil pessoas embarcaram no trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) durante o mês de julho, de acordo com levantamento feito pela Vale entre os dias 1 e 31 de julho de 2010. Do total de passagens emitidas, 75% foram vendidas com antecedência, o que evita transtornos e permite o melhor planejamento da viagem para os próprios passageiros.
Além disso, mais de 15% das vendas de bilhetes registradas no mês de julho foram feitas por meio de cartões de crédito, serviço disponibilizado pela Vale recentemente com o objetivo de oferecer ainda mais comodidade aos usuários do trem.
A Estação Ferroviária Pedro Nolasco, em Cariacica (ES), foi responsável pelo embarque de cerca de 19 mil passageiros, que viajaram com destino a diferentes cidades localizadas ao longo da EFVM. Também pela Estação Pedro Nolasco chegaram ao Estado mais de 17 mil pessoas provenientes de diversos municípios de Minas Gerais e do interior do Espírito Santo.
A estação ferroviária de Governador Valadares, por sua vez, foi responsável pelo embarque de mais de 15 mil passageiros. No período em questão, a cidade mineira recebeu ainda cerca de 15.500 pessoas.
Localizada no Vale do Aço, a estação ferroviária Intendente Câmara, em Ipatinga, registrou a chegada de mais de dez mil pessoas no mês de julho. Os visitantes representaram cerca de 10% da movimentação total de pessoas no trem de passageiros da EFVM.
No mesmo período, mais de 10.100 embarques foram realizados na estação da cidade mineira, número que equivale a 9,7% do volume geral de viagens registrado no modal ferroviário da Vale no período do levantamento realizado pela mineradora.
Da estação ferroviária de Belo Horizonte partiram em torno de 24 mil passageiros, volume que corresponde a quase 23% do total de pessoas transportados pelo trem de passageiros da EFVM. A capital mineira recebeu ainda cerca de 22 mil visitantes no período em questão.
EFVM
A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) tem 905 quilômetros de extensão e transporta 40% de toda carga ferroviária do país. Por ela circulam pelo menos 60 tipos de produtos, como minério de ferro, aço, soja, carvão, calcário, entre outros. Além de operar no transporte de cargas, a EFVM mantém o único trem de passageiros diário do país que liga duas capitais, Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).

“Reestatização” preocupa setor ferroviário


11/08/2010 - Valor Econômico

Um clima de expectativa e apreensão se instalou entre as concessionárias que operam os 28,5 mil km de malha ferroviária do país. Na avaliação do setor, com o decreto que deve alterar as regras do modelo atual de concessão, e com as recentes investidas para fortalecer o papel da estatal Engenharia, Construção e Ferrovias (Valec), o governo federal indica que não quer mais ser coadjuvante nas operações das ferrovias.
Os empresários não chegam a classificar as mudanças como uma reestatização do setor ferroviário, mas há muitas dúvidas sobre o grau de intervenção que o poder público passará a ter sobre as concessões. Como fica, por exemplo, a preservação dos atuais contratos com os concessionários? Nós queremos entender e discutir esses temas, diz Rodrigo Vilaça, diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), que representa as 12 concessionárias que assumiram as malhas da extinta RFFSA.
No decreto previsto para ser assinado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, inclui-se a possibilidade de o governo fazer uso do trecho ferroviário que atualmente pertence às concessionárias, mas que não seja explorado comercialmente. Hoje, segundo José Francisco das Neves, presidente da Valec, há mais de 16 mil km de malha nessa situação.
Outro ponto de conflito do decreto refere-se aos contratos de concessão ligados à expansão das vias. A construção dessa malha expandida é vital para o país, somos absolutamente favoráveis, diz Vilaça. Mas o que também precisa ser definido é como funcionará a integração dessa malha expandida com os contratos atuais.
Até setembro, a Valec quer licitar um conjunto de obras que somarão 2.710 km à malha nacional. Juntas, as licitações dessas obras - que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - são estimadas em R$ 10,6 bilhões, segundo a estatal. É um investimento pesado comparado ao que a União gastou com o setor desde a sua privatização, em 1996, até o ano passado - US$ 1,14 bilhão, segundo a ANTF.
As polêmicas devem dominar boa parte das discussões que ocorrem hoje, em Brasília, durante o IV Brasil nos Trilhos, evento organizado pela ANTF. A agenda do encontro, que vai debater a importância das ferrovias para o futuro do país, inclui a participação do presidente Lula e dos candidatos à presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), além de ministros e representantes da indústria ferroviária.
Na pauta das empresas está o propósito de reforçar que o cenário atual das ferrovias, embora muito longe do ideal - calcula-se que seriam necessários 52 mil km de malha para suprir as necessidades atuais -, está bem diferente daquele herdado do governo. Nos últimos 14 anos, as concessionárias investiram mais de R$ 22 bilhões no setor. No mesmo período, o número de locomotivas saltou de 1.154 para 2.876 máquinas e a quantidade de vagões subiu de 43,8 mil para 93 mil unidades. Em impostos, foram recolhidos R$ 11,7 bilhões.
Neste ano, estima-se que as 12 concessionárias ligadas à ANTF vão injetar mais R$ 2,86 bilhões nas operações. Boa parte dos investimentos refere-se a modernização de infraestrutura e pátios logísticos, mas também pesa na conta a manutenção da malha. Calcula-se que 80% das vias atuais tem mais de um século de vida. Só no ano passado, as concessionárias pagaram cerca de R$ 500 milhões ao governo para o aluguel das malhas, comenta Rodrigo Vilaça, da ANTF.
A pressão do governo também deve aumentar sobre a execução de obras de expansão já acordadas com as concessionárias. A ALL está atrasada na execução da malha que vai ligar os municípios de Alto Araguaia e Rondonópolis, no Mato Grosso.
A construção do trecho de 250 km teve início em 2008 e a previsão é que seja concluído até o fim de 2012, com orçamento de R$ 700 milhões. O atraso, de acordo com a ANTF, se deve a fatores como dificuldades de desapropriação e excesso de chuvas. As dificuldades, no entanto, também incluem burocracias, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da ALL, Rodrigo Campos. O cronograma da empresa não está atrasado. O que tem demorado é a liberação de licenças ambientais. Só podemos construir à medida que temos as licenças ambientais, que são concedidas por trechos, comenta.
Outra obra que também está fora do prazo é a ferrovia Nova Transnordestina, projeto controlado pela CSN com custo total de R$ 5,42 bilhões e conclusão prevista para 2012. Seja como for, essas discussões tem um lado positivo, que é o de mostrar que as ferrovias deixaram de ser tratadas como o 'patinho feio' do sistema de transporte brasileiro, diz Rodrigo Vilaça, da ANTF. Hoje, o modal ferroviário responde por 25% do transporte de carga do país. A expectativa é que essa participação salte para 35% nos próximos 15 anos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Decreto altera regras para ferrovias


10/08/2010 - Valor Econômico

O governo federal bate o martelo amanhã do novo marco regulatório do setor de ferrovias do país, um decreto que altera radicalmente o atual modelo de concessão de uso da malha e que causará tensão com as concessionárias que hoje controlam o setor.

O novo marco regulatório, conforme apurou o Valor, estabelece que, por meio da estatal Engenharia, Construção e Ferrovias (Valec), o governo poderá fazer uso do trecho ferroviário que hoje pertence às concessionárias, mas que não é explorado comercialmente. As informações foram confirmadas pelo presidente da Valec, José Francisco das Neves. "A partir do decreto que será assinado amanhã pelo presidente Lula, colocaremos um fim no monopólio das concessionárias", diz.

Hoje, a malha ferroviária do país atinge 28,5 mil km, mas nem 12 mil km são efetivamente usados. "Isso significa que o governo poderá trabalhar com essa parcela ociosa (cerca de 16 mil km), vendendo o direito de transporte de cargas para empresas interessadas", afirma Neves.

A intenção de mudança do marco regulatório já havia sindo anunciada, e foi agora confirmada por Neves. No modelo atual, a Valec executa as obras de ferrovias e o governo concede trechos a empresas privadas. A nova proposta, no entanto, está mais próxima do modelo de concessão espanhol, diz ele. A Valec passa a ter a função de manutenção e controle da ferrovia, vendendo o direito de uso da malha não utilizada. Com a medida, o governo pretende acabar com o direito de uso exclusivo da ferrovia por determinado concessionário. As novas regras não tiram a exclusividade que as concessionárias detêm em trechos em uso regular.

Procurada pela reportagem, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), que representa as concessionárias, informou que tinha acabado de receber o texto do decreto e que o material ainda estava em análise pelos advogados da associação. "A única coisa que posso dizer até agora é que há problemas graves no que está proposto", disse Rodrigo Vilaça, diretor executivo da ANTF. "A associação não foi ouvida. Gostaríamos de ter feito parte dessa avaliação. O mais prudente seria que esse decreto fosse prorrogado, para que tenhamos uma posição mais clara sobre a proposta."

No mês passado, a Valec recebeu aumento de capital de R$ 1,037 bilhão, por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos três anos, o capital social da estatal quadruplicou, saltando de R$ 920,1 milhões em 2006, para R$ 3,680 bilhões.

A atuação da Valec não se limitará à responsabilidade de vender trechos da malha atual. No dia 23, a estatal receberá as propostas de empresas interessadas na construção de 1.670 quilômetros de ferrovias. A licitação, que prevê investimentos de R$ 6,4 bilhões, vai decidir quem fará a extensão da Ferrovia Norte-Sul, de Ouro Verde (GO) a Estrela d ' Oeste (SP); e o início da construção da Leste-Oeste, entre Ilhéus e Barreiras, na Bahia.

O prazo original para início das obras era julho, mas segundo Neves, houve atraso no cronograma devido a mandados de segurança movidos por empresas. "Hoje estamos preparados para cassar qualquer liminar na Justiça. A obra vai começar em setembro", afirma.

Outro projeto que a Valec quer tirar do papel daqui a um mês é a expansão da linha Leste-Oeste, entre as cidades de Campinorte (GO) e Lucas do Rio Verde (MT). O trajeto, que soma mais 1.040 km de linha férrea, é avaliado em R$ 4,2 bilhões. "Estamos apenas aguardando a licença ambiental prévia do Ibama, que deve sair nos próximos dias, para publicarmos o edital", diz Neves.

A expectativa é que os trechos, que adicionam mais 2.710 km à malha nacional, sejam totalmente concluídos em dois anos. Com isso, a rede nacional ferroviária atingiria pouco mais de 30 mil km, índice ainda bem abaixo do que a demanda atual do país exige, mensurada em cerca de 50 mil km.

O papel da estatal no setor, segundo Neves, tem um ciclo para ser cumprido. No futuro, diz ele, não há razões para que a empresa continue a ser 100% estatal. "Há espaço para que, aos poucos, ela seja repassada à iniciativa privada", afirma. O plano da Valec é que, daqui a um ano e meio, a empresa tenha negociado contratos de longo prazo para transporte de carga de empresas, dispensando assim a necessidade de aporte do Tesouro.

Valec promete ferrovia em Lucas do Rio Verde em 2 anos


08/08/2010 - 24 Horas News - Juina/MT

O Superintendente da Valec Engenharia e Construções de Ferrovia, André Luiz de Oliveira, garantiu que em dois anos a região Norte do Estado poderá contar com os benefícios da Ferrovia Centro-Oeste. André Luiz garante que toda a parte burocrática para a implantação da ferrovia está sendo concluída. “A ferrovia já está saindo do papel porque estamos nos trâmites de desapropriação das terras por onde passarão os trilhos, licitando o projeto básico” – informou, ao proferir palestra a lideranças agrícolas e empresariais, na Expolucas.
André apresentou as principais vantagens para o setor produtivo ter a Ferrovia Centro-Oeste para escoar a produção agrícola, pelo trem, até Porto Velho (RO) e, de lá, para o exterior, compreendo o traçado de Campinorte (GO), Lucas do Rio Verde a Rondônia e terá conexão com a Ferrovia Norte Sul (dando acesso a portos em São Paulo e Bahia). “Mato Grosso e Goiás estão precisando de uma ferrovia para transportar toda essa carga disponível e que nós da Valec já tivemos a oportunidade de conhecer” – ele disse.
“O traçado da ferrovia é definitivo e não muda mais. Nós estamos tirando a licença prévia até o final de setembro. Depois da licença a instalação e efetivamente a licitação da parte da construção da ferrovia que deve ocorrer ainda esse ano, conforme nosso presidente, na audiência pública realizada aqui em Lucas do Rio Verde” - disse.
Até dezembro de 2012, o trecho de Campinorte a Lucas do Rio Verde deverá estar concluído, segundo o superintendente da Valec.  A obra foi dividida em vários lotes. A ferrovia terá uma parte de dormentes de concreto e sua capacidade será para escolar 20 milhões de toneladas/ano. R$ 4 ,1 bilhões serão investimentos nos mais de mil km de trilhos e terminais de grãos.  Cada quilômetro da ferrovia custará gasto R$ 4 milhões.
A ferrovia vai gerar 12 mil empregos. Em cada lote, serão cerca de mil empregos diretos. Um dos lotes é em Lucas. "De repente, vai faltar mão de obra em Lucas do Rio Verde e alertamos para esta necessidade", disse o superintendente.
O prefeito Marino Franz, o vice-prefeito e presidente da Expolucas, Joci Piccini, também assistiram a palestra.

Empresas aprofundam estudos para trem-bala


09/08/2010 - Valor Econômico
As alterações promovidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para permitir a realização da licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre as cidades de Campinas/São Paulo/Rio de Janeiro, não mudaram o ânimo das empresas em participar do leilão, previsto para o dia 16 de dezembro na BMF&Bovespa, em São Paulo. O financiamento público foi reduzido de R$ 20,8 bilhões para R$ 19,9 bilhões, sendo que o financiamento máximo proposto pelo governo representará 60% do novo custo do empreendimento, que foi reduzido pelo TCU de R$ 34,6 bilhões para R$ 33,1 bilhões. Os recursos virão do Tesouro Nacional, mas o contrato será firmado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O critério de julgamento será o menor valor da tarifa-teto, observado o valor máximo de R$ 0,49 por quilômetro.
A construtora Camargo Corrêa, que desde o ano passado havia sinalizado ao governo federal seu interesse em participar do processo, montou uma equipe multidisciplinar envolvendo as áreas jurídica, financeira e de engenharia para aprofundar os estudos e cálculos que irão embasar a proposta para a construção e operação do serviço. Não houve surpresas no edital, em relação ao que vínhamos acompanhando e, apesar de existirem pendências importantes sobre as condições de financiamento e garantias, por parte do BNDES, até agora não há sinais que inviabilizem nossa participação.
A Contern, do Grupo Bertin para a área de infraestrutura, mantém tem alternativas para viabilizar os investimentos em parceria com empresas sul-coreanas. O TAV é um projeto necessário e oportuno para o Brasil, diz Antonio Kelson, presidente da empresa.
A espanhola Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles S.A. (CAF), uma das líderes internacionais no desenho, fabricação e manutenção de equipamentos e componentes para sistemas ferroviários, mantém a disposição para construir o primeiro trem-bala brasileiro. A empresa trabalha com modelagens financeiras para viabilizar a participação direta na obra e não apenas como fornecedora de equipamentos e sistemas. Estamos examinando o edital, fazendo as contas, examinando os riscos e negociando com parceiros brasileiros e estrangeiros com muita serenidade, diz Paulo Fontenelle, presidente da CAF do Brasil. Segundo ele, o projeto brasileiro pode ser beneficiado com o avanço da tecnologia, que estaria amadurecida o suficiente para pular etapas em relação a outros projetos do mundo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DNIT licitará contorno ferroviário em SC


06/08/2010

A DNIT publicou ontem (5) no Diário Oficial da União o edital para a implantação do contorno ferroviário da EF-485, no trecho entre Jaguará do Sul e Guaramirim (SC).

O edital pode ser adquirido na sede do DNIT, em Brasília (SAN, Quadra 03 Bloco ‘A’ – Mezanino Sul), ou através do site.

A entrega das propostas será no dia 22 de setembro, em Brasília, no mesmo endereço.

Governador do Paraná veta criação da Ferrosul



06/08/2010 - Transporte idéia

O governador do Paraná, Orlando Pessuti, vetou o projeto de criação da Ferrosul. O projeto já havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, estados que seriam integrados com o Paraná através da ferrovia. A informação é do “Paraná OnLine”.
A iniciativa previa uma sociedade que forneceria 25% do ativo da Ferroeste, atualmente avaliado em R$ 322 milhões, para cada um dos estados. A malha ferroviária seria integrada entre os estados e poderia chegar até o Chile.
Favorável ao veto, o atual presidente da Ferroeste, Neuroci Antônio Frizzo, questionou a criação da Ferrosul. “Como investir em construção de tantos quilômetros de trilhos se a Ferroeste atualmente não consegue sequer pagar o combustível?”, indagou.
Frizzo tenta reestabelecer o equilíbrio financeiro da Ferroeste, que acumula dívidas de R$ 8,5 milhões que não são pagas há mais de um ano. Ele assumiu a presidência da instituição em 14 de julho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

ANTT publica amanhã edital de licitação para o trem-bala



Brasil Econômico   - As informações são da Agência Brasil
12/07/10 16:38

O edital de licitação do trem de alta velocidade, que vai ligar as cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e Campinas, vai ser lançado amanhã (13) pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Com isso, será marcada a data do leilão para definir os responsáveis pela construção do empreendimento.
Durante o evento, será assinada a mensagem para a criação da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav), que será vinculada ao Ministério dos Transportes.
A estatal vai integrar a Sociedade de Propósito Específico (SPE) que será formada para construir o trem-bala.
Há duas semanas, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o estudo apresentado pela ANTT sobre o trem-bala, que tem custo estimado em R$ 33,1 bilhões.
O vencedor da licitação será a empresa ou o consórcio que oferecer a menor tarifa-teto para o trecho expresso entre o Rio de Janeiro e São Paulo. O preço máximo estabelecido pelo TCU para a passagem na classe econômica é de R$ 199,80.

Valec licita estudos da Norte-Sul e Pantanal


05/08/2010 Revista Ferroviária

A Valec publicou hoje (5) o aviso de licitação para a elaboração dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da Ferrovia Norte-Sul (EF-151), no trecho entre Estrela do Oeste (SP) e Panorama (SP), e da Ferrovia do Pantanal (EF-267), no trecho Panorama a Porto Murtinho (MS).

O edital pode ser impresso gratuitamente no site da Valec ou adquirido através de guia de recolhimento da União (GRU), que deve ser adquirida no site www.stn.fazenda.gov.br ,  no valor de R$ 50,00.

A entrega das propostas está marcada para 23 de setembro, às 15h, em Brasília.
Outras informações podem ser obtidas através dos telefones (61)2029-6481 ou 2029-6482.