domingo, 24 de julho de 2016

Ferrovia Goiânia-Brasília pode ser repassada para os chineses

21/07/2016 - Diário de Goiás

Investidores chineses estão de olho na execução da obra do trem que ligará Goiânia-Anápolis-Brasília (DF). Representando o governador Marconi Perillo, o secretário chefe do Gabinete de Gestão da Governadoria, Luiz Alberto de Oliveira, recebeu nesta quarta-feira, dia 20, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, empresários do Grupo Tiesiju Civil Engineering, sediado na China, em busca de detalhes técnicos sobre o projeto, sua viabilidade e sobre a contrapartida do Estado. 

Numa reunião de mais de uma hora, eles disseram que a China tem hoje uma reserva de 45 bilhões de dólares para investir no Brasil. Um dos projetos de “alto interesse para o grupo” é a ferrovia entre as duas capitais do Centro-Oeste. “Estamos nos preparando para a concorrência pública. Por isso queremos todos os tipos de informações sobre esta obra”, afirmou o vice-presidente da empresa para a América Latina, Hu Hongliang. 

Luiz Alberto de Oliveira, por sua vez, afirmou que o Estado de Goiás está de portas abertas para atender as solicitações e informações sobre obras públicas. O secretário em exercício da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SED), Luiz Antônio Maronezi, apresentou informações sobre as obras. Eles se reuniram novamente no final da tarde, quando foram apresentados detalhes técnicos e potencial econômico do expresso ferroviário que ligará as duas capitais, passando pela cidade de Anápolis.

Conclusão de estudo para Ferrovia do Frango é adiado

19/07/2016 - Diário Catarinense

A conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do Corredor Ferroviário Catarinense, também conhecido como Ferrovia do Frango, foi adiada para dezembro. O prazo anterior era abril. 

Em outubro de 2014 a então ministra do Planejamento, Miriam Belchior, esteve em Chapecó para a assinatura de contrato com o consórcio Prosul/Setepla/Urbaniza/Hansa, vencedor da licitação no valor de R$ 68 milhões. O contrato previa o EVTEA, levantamento aerofotogramétrico e o projeto básico. Tudo deveria estar concluído em 22 meses, cujo prazo venceria no mês que vem. Mas até agora nem o EVTEA foi concluído. 

De acordo com a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa estatal que cuida dos projetos nos setor, houve uma demora na definição de estudo de mercado. 

A Ferrovia do Frango tem 862 quilômetros previstos, com trajeto inicial saíndo de Dionísio Cerqueira, passando por São Miguel do Oeste, Chapecó, Heval D¿Oeste e Santa Cecília, até o porto de Itajaí. 

Ferrovia Norte-Sul está parada 

Em relação à Ferrovia Norte-Sul, que teve seu estudo concluído no final do ano passado, a Valec informou que agora falta a elaboração dos projetos básico e executivo da obra. O Ministério dos Transportes está discutindo com a Secretaria Especial de Programas Prioritários de Investimento a melhor forma de viabilizar os investimentos.Mas, em tempos de corte nos investimentos federais e instabilidade na economia nacional, o cenário não é otimista. 

A Ferrovia Norte-Sul ficou conhecida também como Ferrovia do Milho, pois ligaria Panorama-SP a Chapecó e Rio Grande, servindo para escoamento do cereal no Centro Oeste. Isso beneficiaria Santa Catarina que precisa trazer de fora metade do consumo anual de milho, que é de seis milhões de toneladas. 

Concessão de rodovias também não anda 

Outro projeto que tinha previsão de assinatura de contrato no ano passado e ainda não tem previsão para isso é o de concessão das BRs 480-282-153 e 476 para a iniciativa privada. O prazo de 120 dias que o Tribunal de Contas da União deu para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fazer algumas mudanças no projeto, venceu no início deste mês. A Agência pediu uma prorrogação de 15 dias para finalizar as alterações.


terça-feira, 12 de julho de 2016

Ferrovia Bioceânica, para ligar o Brasil ao Pacífico, é viável, indica estudo


Bruno Santos/Folhapress
Empresário José Joaquím Torrico, 'pai da Bioceânica', mostra mapa do projeto
Empresário José Joaquím Torrico, 'pai da Bioceânica', mostra mapa do projeto

DIMMI AMORA

11/07/2016  - Folha de São Paulo

A ferrovia Bioceânica planejada para ligar o Brasil ao oceano Pacífico pode ser construída em nove anos, ter quase 5.000 quilômetros de extensão, e começando em Goiás, cruzará a Cordilheira dos Andes a 2.050 metros de altitude, terminando em Bayovar, norte do Peru.

Também conhecido como ferrovia Transoceânica, o projeto começaria transportando 23 milhões de toneladas de carga, podendo chegar aos 53 milhões de toneladas 25 anos depois. Isso equivale a levar 37% da carga da região do Mato Grosso ao país vizinho.

Esses são os principais dados apresentados pela empresa chinesa CREEC, que foi contratada pelo governo do país asiático para desenvolver os estudos de viabilidade relativos a esse projeto. O trabalho atesta que a ferrovia seria economicamente viável.

A Biocêanica foi anunciada num acordo entre os governos brasileiro, chinês e peruano ano passado. Os estudos vão ser aprofundados e ainda devem durar ao menos um ano.

Os chineses já gastaram R$ 200 milhões nos levantamentos, mas informaram que precisam estudar ainda mais o projeto para estimar os custos da construção, principalmente na Cordilheira dos Andes.

A principal conclusão do estudo, por enquanto, é sobre o melhor caminho da ferrovia no Peru. Havia três opções: Norte, Centro ou Sul.

Mapa

A do Norte se mostrou mais viável, mesmo sendo 600 quilômetros mais distante, pela menor altitude. Nas outras, a ferrovia teria que subir 4.000 quilômetros, o que encareceria o preço do transporte.

Por enquanto, não haverá estudos para levar a ferrovia do Peru até o Rio de Janeiro. O trajeto estimado no Brasil repete caminho já estudado, cortando Campinorte (GO) e Lucas do Rio Verde (MT).

Depois, seriam feitos outros trechos até Porto Velho (RO) e, no fim, a ferrovia entraria pelo Acre para chegar ao Peru. No Acre, os estudos buscaram alternativas de caminhos que não passem em áreas indígenas e de floresta.

Os chineses também trabalham em estruturas de pilares de alta elevação, usando tecnologia de construção comum na China, para minimizar o desmatamento.

LICITAÇÃO

O Brasil trata o trecho entre Goiás e Rondônia praticamente como uma ferrovia independente. Isso porque ela ligaria áreas de alta produção agrícola com três pontos de escoamento já existentes: o Rio Madeira, a BR-163 e a Ferrovia Norte-Sul.

Por isso, o governo vai esperar a definição dos chineses para decidir a forma como fazer a licitação desses trechos. Dino Fernandes, secretário de fomento do Ministério dos Transportes, disse que, após o complemento dos estudos, o governo vai se debruçar sobre a forma de licitar a ferrovia.

Pelos estudos, a ferrovia poderia transportar em 2025 cerca de 15 milhões de toneladas na direção do Pacífico e outros 8 milhões no sentido oposto. Para 2050, as projeções sobem para 33 milhões e 19 milhões, respectivamente. São números arrojados.

A principal carga seria de grãos da região do Mato Grosso. A projeção é de que 37% da carga dessa região siga pela ferrovia até o Pacífico, 51% vá para os portos do litoral sul brasileiro e só 12% suba para portos no Norte.

Mas os governos Federal e do Estado do Pará trabalham para licitar a concessões de duas ferrovias e uma rodovia que seguem do Mato Grosso para o norte do país, além dos caminhos já existentes pelo Rio Madeira e a Ferrovia Norte-Sul. Se concretizado, os 12% de carga previstas pelos chineses do Mato Grosso para essa área praticamente inviabiliza todos esses projetos