sexta-feira, 25 de junho de 2010

Trem até o Rio é viável


25/06/2010 - Diário do Povo - SP

Os consórcios que irão disputar a licitação para a implantação do trem de alta velocidade (TAV) ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro não têm dúvidas de que o projeto é necessário, viável e que há demanda de passageiros. Embora ainda esperem que o governo adote medidas para compartilhar com o setor privado os riscos do empreendimento e contestem alguns dados do estudo de viabilidade, empresas discordam do governador Alberto Goldman (PSDB) que afirmou que a ligação São Paulo ao Rio de Janeiro é “sonho de uma noite de Verão”.

“Essa afirmação ou faz parte de algo orquestrado ou é muita infantilidade”, disse o diretor-presidente da Asian Trade Link (ATL), Marco Polo Moreira Leite, que representa o consórcio de empresas chinesas que participará da licitação do TAV. A China chegará a 13 mil quilômetros de ferrovia de alta velocidade até 2012 e a 25 mil quilômetros até 2020. “Acha que eles são malucos de investir no Brasil se não tivessem certeza da viabilidade do projeto?”, disse o empresário. Para ele, o governador deveria ser um dos primeiros a apoiar o projeto. “Esse trem vai mudar a vida das pessoas, das cidades, vai trazer desenvolvimento. Essa oposição me faz lembrar o tempo em que o Brasil optou pelo modal rodoviário e atrasou o País em 50 anos. Hoje temos rodovias e tudo está encalacrado”, afirmou.

Goldman defende uma ligação ferroviária entre Campinas, São Paulo e São José dos Campos onde, segundo ele, está a maior demanda de passageiros. Para o governador, neste trecho não precisaria trafegar um trem de alta velocidade. “O trem de São Paulo ao Rio de Janeiro é viável. É difícil avaliar a proposta do governador sem ter um estudo em mãos. Imagino que ele tenha esse estudo. Em princípio, me parece que um trem normal não faria muito sentido no trajeto Campinas, São Paulo e São José dos Campos e, para ter alta velocidade, precisaríamos fazer estudos de viabilidade”,disse Masao Suzuki, vice-presidente da Mitsui, uma das empresas que integram o consórcio japonês a disputar a licitação do TAV.

Os coreanos também acreditam na viabilidade da ligação de Campinas ao Rio de Janeiro. “Estamos fazendo estudos do traçado completo, acreditamos na viabilidade, mas só teremos certeza quando sair a publicação do edital da licitação, com as condicionantes do governo”, disse Paulo Benettis, da Trends-Engenharia, representante do grupo sul-coreano no Brasil. Ele observou que o trecho com maior demanda é de fato entre Campinas e São José dos Campos, porque é uma demanda regional, que não gerará a maior receita. “O trecho que terá mais receita é de São Paulo ao Rio de Janeiro. E isso tudo tem que ser analisado. O TAV de Campinas ao Rio está dentro da faixa de eficácia do transporte de alta velocidade (que vai de 400 a 600 quilômetros de distância)”, disse. Em distâncias entre 120, 150 quilômetros o ônibus é mais eficiente. Acima de 700 quilômetros, o avião é mais indicado.

O número - R$ 24,5 bi seriam investidos em obras civis no trajeto Campinas-Rio. Sem a ligação proposta inicialmente, interesse desaparece. Os espanhóis também consideram que a ligação de Campinas ao Rio de Janeiro em alta velocidade é mais do que viável. O interlocutor do consórcio, José Manoel Anguita Jimenez, evitou comentar as declarações do governador e disse apenas que os espanhóis têm interesse em qualquer desenvolvimento ferroviário de alta velocidade. Sem um TAV ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, os consórcios internacionais não terão interesse em participar de uma licitação para uma ligação ferroviária entre Campinas, São Paulo e São José dos Campos, como quer o governador paulista Alberto Goldman (PSDB).

Os consórcios ouvidos pelo Grupo RAC informaram que são detentores da tecnologia de alta velocidade e que o interesse deles é em levar essa tecnologia a outros país, no caso o Brasil. Eles não acreditam, no entanto, que o governo federal irá alterar o projeto.

O governo federal, contudo, não irá conseguir lançar, ainda no primeiro semestre, o edital de licitação do trem de alta velocidade. Para que isso seja possível é necessário que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprove os relatórios da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Havia uma expectativa de que, na reunião da próxima 4ª-feira isso pudesse ocorrer. A análise, no entanto, não foi incluída na pauta do TCU da próxima semana. O Ministério dos Transportes informou que terá condições de divulgar o edital 15 após o TCU aprovar os relatórios. A ligação Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro por um trem de alta velocidade vai custar R$ 34,6 bilhões e a concessão seria de 40 anos.

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