sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Antiga 'rainha do café' quer ser capital logística

10/10/2014 - Valor Econômico

O abandono da antiga estação ferroviária de Estrela D'Oeste faz com que nostálgicos da minúscula cidade interiorana se lembrem do glamour em torno das viagens de trem para São Paulo como um passado já remoto. Entre o apito da locomotiva e o desembarque na capital, eram cerca de 12 horas de sacolejo sobre os trilhos. Na década de 80, depois de ensaiar uma resistência ao avanço do "rodoviarismo", os trens de passageiros foram desativados. Apenas as composições de cargas da Ferroban, hoje pertencente à América Latina Logística (ALL), refrescam a memória quando cruzam o município de 8 mil habitantes rumo ao Mato Grosso ou ao porto de Santos.

Agora, com o novo trecho em construção da Ferrovia Norte-Sul, Estrela D'Oeste acalenta a esperança de converter-se em um dos mais importantes entroncamentos ferroviários do país. De "rainha do café", como era chamada em meados do século passado, almeja agora o título de "cidade das ferrovias" ou "capital logística".

A mudança de status está longe de soar como excesso de pretensão. O município será a linha de chegada da Norte-Sul, que o governo tem planos de estender para o Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul, e o ponto de conexão com a malha da ALL. Fica às margens da SP-320, uma rodovia duplicada e sem pedágio, e está muito perto da Hidrovia Tietê-Paraná. Tem seis grandes usinas de etanol em um raio de apenas 50 quilômetros. Por isso, sai em busca de investidores para a instalação de armazéns e terminais multimodais.

"Antes, a ferrovia trazia desenvolvimento junto com ela. Agora, mudou de função, pode ser só uma via de passagem para cargas", diz o prefeito Pedro Itiro Koyanagi. "Demos sorte de sermos escolhidos, mas temos muito trabalho pela frente para atrair empresas para cá."

A concorrência não será pequena. O secretário de Governo de Iturama (MG), Tércio José Araújo, afirma ter várias "sinalizações de investimentos" no município. Há usinas de álcool, frigoríficos e cultivo de soja na região. Ele se mostra otimista com a instalação de um terminal intermodal à beira do rio Grande, na divisa de São Paulo e Minas.

O projeto do terminal foi montado por um dos proprietários da Usina Coruripe, Vitor Júnior, hoje conselheiro da empresa. O "Doutor Júnior", como é conhecido por ali, acredita em "um antes e um depois da ferrovia" quando se trata da economia na região. Ele tem na prancheta um porto fluvial, com R$ 35 milhões de investimentos previstos, para distribuir cargas de e para a Norte-Sul.

A ideia era usar o Rio Grande, no caminho entre Iturama e Estrela D'Oeste, para chegar à Hidrovia Tietê-Paraná. Ele afirma, no entanto, que os planos foram suspensos por causa da estiagem que paralisou completamente o corredor de transportes.

"O projeto do porto intermodal é de longo prazo e estamos vivendo uma seca conjuntural. Não vou nem discutir se a prioridade deve ser mesmo do setor elétrico, mas ficou demonstrado, sempre que isso acontecer, a hidrovia ficará em segundo plano. Isso não nos dá segurança nenhuma para investir", afirma Júnior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário