terça-feira, 19 de maio de 2015

Premiê chinês é tratado como ‘salvador da pátria’ no governo

19/05/2015 - O Estado de SP / Valor

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Brasília - Em um ano de dificuldades econômicas, o governo aposta nos cofres cheios de dinheiro da China para pagar pelos INVESTIMENTOS em infraestrutura que o Brasil não tem como fazer.

A visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, na terça-feira, 19, em Brasília, está sendo tratada como uma rara oportunidade de apresentar uma agenda positiva. Com US$ 53 bilhões a serem investidos em um fundo de FINANCIAMENTO à infraestrutura, o governo chinês pode garantir obras como a segunda linha de transmissão de Belo Monte e a ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO).

Dos recursos já anunciados para o fundo de infraestrutura, que deverá ser gerenciado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco de Desenvolvimento da China, cerca de US$ 10 bilhões poderão ser investidos nas linhas de transmissão de Belo Monte. A empresa chinesa State Grid já venceu a licitação, com a Eletrobrás, da primeira linha, até São Paulo, que terá um custo de US$ 5,5 bilhões. Este deve ser um dos mais de 30 acordos que serão assinados durante a visita de Keqiang.

Uma segunda linha, até o Rio de Janeiro, com um custo de US$ 7,7 bilhões, deverá ser licitada em junho e também interessa à State Grid. O INVESTIMENTO entraria na lista de financiamentos pelo novo fundo.

O governo também vê no fundo a possibilidade de resolver parte do financiamento à construção de ferrovias. Em 2014, durante a visita do presidente da China, Xi Jinping, foi assinado um termo de acordo para estudo de viabilidade de INVESTIMENTOS entre a construtora Camargo Corrêa e a China Railway Construction Corporation visando a construção da linha entre as cidades de Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), onde se ligaria à ferrovia Norte-Sul. Um dos trechos mais importantes para os produtores de grãos do Centro Oeste, de quase 900 quilômetros, teria um custo de US$ 5,4 bilhões e ainda não foi licitado. Agora, pode entrar na lista de financiamentos chineses.

Salvação. Na véspera da visita do primeiro-ministro, a presidente Dilma Rousseff convocou os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Mauro Vieira (Itamaraty) e Nelson Barbosa (Planejamento) para uma reunião preparatória. Também participam da audiência os ministros Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Antônio Carlos Rodrigues (Transportes), Kátia Abreu (Agricultura) e Ricardo Berzoini (Comunicações), além do embaixador do Brasil na China, Valdemar Carneiro Leão para revisar os últimos detalhes dos acordos. Dentro do Planalto, o premiê chinês tem sido visto como "o salvador da Pátria" em um ano de ajuste econômico severo.

O governo conta com o apetite chinês no programa de concessões a ser anunciado em junho, principalmente na área de ferrovias, mas também portos, aeroportos e energia.

O governo espera ter outras duas boas notícias para anunciar: a assinatura de um novo protocolo sanitário que permitirá ao Brasil voltar à exportar carne bovina em natura para a China Continental e a assinatura da venda de 22 aviões da Embraer para a Tianjin Airlines.

Valor Econômico

Obras travadas também atraem interesse chinês

O embaixador Sergio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China: interesse em obras em andamento Diferente do que se viu em visitas anteriores, a grande comitiva chinesa que desembarcou no último final de semana em Brasília está disposta a INVESTIR não somente em obras novas, as chamadas "greenfield", mas também em projetos que já estão em andamento. A informação é do embaixador Sérgio Amaral, presidente emérito do Conselho Empresarial Brasil-China, que participou ontem da primeira rodada de negócios entre representantes dos dois países.

Na lista dos empreendimentos já iniciados que estariam na mira dos chineses está a ferrovia Transnordestina, em obras desde 2007, mas ainda longe de sair do papel. Segundo Amaral, o ex-ministro Ciro Gomes - hoje diretor-presidente da Transnordestina Logística SA - vai se encontrar com empresários chineses para discutir uma possível parceria no projeto.

O mesmo pode acontecer, segundo o embaixador, com as obras das linhas 4 e 5 do metrô de São Paulo. "São projetos em andamento que demandam algum INVESTIMENTO estrangeiro por uma questão tecnológica ou de crédito. Temos duas linhas do metrô de São Paulo que estão em andamento, mas que se beneficiariam desse aporte", afirmou Sérgio Amaral.

De acordo com ele, um dos principais destaques desta visita é a participação recorde dos bancos chineses. Diante de um cenário de escassez de fontes de FINANCIAMENTO para INVESTIMENTOS de longo prazo no Brasil, sobretudo em projetos de infraestrutura, a comitiva chinesa trouxe a tiracolo os presidentes de cinco grandes bancos.

Para o embaixador, presença massiva demonstra a disposição dos asiáticos em aumentar o apoio aos projetos feitos em parceria com empresas locais. Ele não soube dizer, entretanto, se o financiamento de projetos 100% brasileiros também poderiam ser apoiados pelas instituições da China. "Essa é uma boa pergunta a ser feita para eles", disse o embaixador.

Outra novidade que poderá ser anunciada hoje pelos chefes de Estado dos dois países é a participação chinesa na disputa para a construção da segunda linha de transmissão de Belo Monte. A primeira, licitada em fevereiro do ano passado, foi vencida por um consórcio entre a chinesa State Grid e as estatais Eletronorte e Furnas.

Amaral também informou que os empresários asiáticos querem participar das obras de construção da ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO). O projeto integra o programa de concessões do governo federal e já teve os estudos aprovados pelo Tribunal de Contas da União, mas a incerteza sobre o interesse privado vem barrando a publicação do edital.

Há ainda interesse chinês na Ferrovia Norte-Sul e na construção de uma plataforma logística na cidade de Anápolis (GO). De acordo com Amaral, o objetivo é de que as negociações deste ano superem a fase de "troca de cartões". "Muitas vezes faltou a essas missões comerciais um pouco de concreção. Agora queremos saber quais os projetos que estão prontos, com estudos, estimativas financeiras e taxa de retorno", afirmou.

O primeiro-ministro Li Keqiang será recebido na manhã de hoje pela presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Após uma conversa privada, os dois se reúnem com ministros e participam da solenidade de assinatura de atos. Para a tarde estão programadas visitas do líder chinês aos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros. No final do dia, Keqiang embarca para o Rio de Janeiro

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