quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ferrovia: Estudo tenta viabilizar trecho ocioso

04/11/2015 - Valor Econômico

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e as concessionárias ferroviárias vão fazer um estudo em conjunto para mapear a viabilidade de novos negócios em trechos ociosos. Dos 28 mil quilômetros de ferrovias concedidas à iniciativa privada, cerca de 6 mil quilômetros estão subutilizados, com densidade de menos de um trem por dia.

Donos de carga que não usam os grandes corredores ou que não têm volume suficiente para tanto veem nesse universo ocioso potencial para baratear sua logística. Eles querem desenvolver no Brasil o modelo americano de "short lines", assim chamados trechos de ferrovia que derivam dos troncos centrais e que hoje interessam marginalmente às grandes concessionárias.

"A ferrovia atende quase 100% do mercado de minério de ferro e 50% da soja. Participa com menos de 10% do mercado de fertilizantes. No milho é quase zero e no contêiner é menos de 2%. Esses produtos que não estão sendo trabalhados na ferrovia já podem ser potencialmente aproveitados pelas 'short lines'", disse o coordenador no Brasil da Associação Latino-Americana de Estradas de Ferro, Jean Pejo.

"O modelo atual no Brasil é o de ferrovia de escala, em que se carrega muita carga, com trens muito grandes e com muita frequência", diz Carlos Nascimento, diretor da ANTT. Segundo ele, o estudo, que ainda não tem data para ser publicado, vai apontar se esses pequenos trechos têm uma demanda que viabiliza eventualmente um negócio diferente do negócio de escala, com pequenos operadores transportando menos cargas.

Uma rota considerada com grande potencial é a paulista entre Samaritá (em São Vicente) e Cajati (no Vale do Ribeira), com 270 quilômetros, sob concessão da ALL. "Ali tem fruta, areia, calcário", enumera Pejo.

"Não há entrave. Os interessados têm de procurar a agência. Ou se manifestarem em direção a empreender", diz Nascimento.

No modelo atual, há duas possibilidades de a operação "short line" acontecer. Uma é o operador fazer uma parceria com a própria concessionária. A outra é ele se habilitar como operador ferroviário independente, por meio do qual recebe uma outorga do governo para realizar o serviço sobre os trilhos.

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