quarta-feira, 31 de maio de 2017

Competitividade de MT mais próxima

31/05/2017 - Diário de Cuiabá

A Ferrogrão passando pelo Estado, será um dos maiores projetos de infraestrutura beneficiado com recursos chineses e que abre saída ao Pacífico, em definitivo

MT é o maior produtor nacional de grãos e de fibra do país e extremamente dependente do transporte rodoviário, o mais caro que há.

MARIANNA PERES

Da Editoria

As cifras passaram de US$ 50 bilhões para US$ 20 bilhões, mas ainda assim, os projetos de infraestrutura que poderão ser financiados com o fundo binacional, Brasil-China, abrem de fato o caminho para a conquista da competitividade da exportação dos grãos produzidos em Mato Grosso para o mercado internacional, especialmente, o asiático. A Ferrogrão, ferrovia ligando Sinop (MT) até o porto de Miritituba (PA), deverá ser dos grandes projetos que serão financiados pelo fundo, já que a ferrovia atinge em cheio o ponto central do acordo: o desenvolvimento da infraestrutura e do agronegócio. 

Ontem, operadores do Fundo de Cooperação Brasil-China, lançaram em São Paulo, o Fundo de fomento, que começa a operar amanhã, dia 1º de junho. O instrumento foi anunciado em 2015, durante visita do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil. 

Entre os projetos candidatos a serem financiados pelo Fundo está Ferrogrão, ferrovia ligando Sinop, município de norte Mato Grosso, região que concentra mais de 42% da produção de soja do Estado e maior parte da oferta de milho segunda safra, até o porto de Miritituba (PA). Conforme os produtores mato-grossenses, a conclusão da ferrovia, estimada em mais de US$ 12 bilhões, seria definitivamente a melhor ligação entre a produção local ao Pacífico, o que daria como retorno, uma grande competitividade às commodities mato-grossenses, tanto pela redução no custo do escoamento, como no tempo de viagem até o destino final. Mato Grosso é o maior produtor nacional de grãos e de fibra do país e extremamente dependente do transporte rodoviário, o mais caro que há. 

Em entrevistas ao DIÁRIO, o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, explica que a ferrovia terá capacidade para escoar, em média, 35 milhões de toneladas de grãos por ano, com o transporte de grãos partindo de Sinop a Miritituba, distrito de Itaituba (PA). “De Itaituba, a produção do Estado, especialmente a soja, pode ser levada em barcaças pela hidrovia do rio Tapajós até os portos de Santarém, Barcarena, Itacoatiara e Santana do Amapá, os chamados ‘Portos do Arco Norte’”. 

A Ferrogrão está entre as prioridades de entidades ligadas ao agronegócio para este ano, como Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e do Movimento Pró-Logística. 

De acordo com a Aprosoja/MT, entre vários modais prioritários para o escoamento da produção, no caso das ferrovias, a prioridade é a Ferrogrão, porém, há uma demanda por parte dos produtores que ela chegue até Lucas do Rio Verde, município próximo a Sinop e que é pólo de produção dos grãos e de concentração de escoamento. A distância entre Lucas e Sinop é de cerca de 160 quilômetros. 

ATÉ LUCAS - Conforme a Aprosoja/MT, a viabilidade de a Ferrogrão chegar até Lucas é latente. “Não é uma demanda que atinge apenas Lucas ou Sorriso, mas toda a região. A ampliação da malha beneficiará a todos e é exatamente por isso que a Aprosoja apoia a iniciativa”. 

Conforme o Movimento Pró-Logística, a Ferrogrão em Lucas do Rio Verde poderia transformar o município em um local de grande entroncamento de ferrovias. “A demanda é viável. Lucas contaria com a Ferrogrão, Ferronorte e FICO (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste). Isso significa que poderiam ser acessados portos de Santos, Itaqui e Miritituba, por exemplo, ou seja, Norte e Sul do país”. 

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