quarta-feira, 23 de julho de 2014

Os russos estão chegando

23/07/2014 - Valor Econômico

Os planos do governo de atrair estrangeiros para os investimentos em logística no país começam a ter resultados. Além da parceria entre Camargo Corrê a e China Railway Construction Corporation (CRCC), a brasileira Progen e a estatal Russian Railways International (RZD) firmaram um memorando de entendimentos para participar do processo de leilões de ferrovias no Brasil.

Os executivos de Progen e RZD querem ser os responsáveis por preparar os estudos que vão embasar editais de licitação e ainda têm interesse em disputar as concessões. O memorando de entendimentos envolve também o banco estatal Vnesheconombank (VEB), espécie de BNDES da Rússia - o que pode dar suporte a um eventual financiamento para as obras. Também está aberta a possibilidade de haver outros sócios.

Atualmente, a prioridade das duas empresas é apresentar manifestações de interesse para todos os lotes de ferrovias lançados pelo governo. São seis trechos com edital de chamamento aberto pelo governo federal. Nessa fase, as companhias autorizadas farão levantamento de engenharia das linhas. Mais de uma empresa pode participar em cada trecho. Mas, ao fim do prazo, será selecionado apenas um levantamento para cada trecho.

No passado, a Progen foi responsável por estudos sobre sete trechos do pacote do governo. Mas as licitações não atraíram interessados. No formato atual, em que diferentes empresas do mercado apresentam seus estudos, a Progen planeja participar novamente. Ela e a RZD querem se candidatar para analisar todos os trechos.

Além de fazer os estudos que serviram de base para trechos de ferrovia do Programa de Investimentos em Logística (PIL, o pacote de concessões) do governo, a Progen já prestou serviços para empresas como a concessionária de ferrovias MRS Logística e para a mineradora Vale, como na linha da Estrada de Ferro Carajás.

Mas as empresas não planejam parar na fase de estudos. Segundo Eduardo Barella, presidente da Progen, a RZD tem intenção de atuar como concessionária no Brasil. E a Progen não descarta participar como sócia também nesse plano. Depois, a ideia é contratar empreiteiras para prestar o serviço de construção.

O faturamento da Progen é de R$ 431 milhões. Sua parceira russa tem números expressivos. Com mais de € 40 bilhões em faturamento, a RZD está com planos de atuar na construção de ferrovias em território internacional. "A Rússia é um país ferroviário por essência. A experiência que a RZD tem é tanto de construção como de operação", diz Barella.

Hoje, a RZD opera 85,2 mil quilômetros com 20 mil locomotivas, um milhão de vagões e 975 mil funcionários. Entre os projetos sendo construídos por ela, está uma rede de ferrovias na Líbia, com custo de € 2,2 bilhões.

No Brasil, as novas licitações de ferrovias já foram anunciadas há mais de dois anos, mas ainda não saíram do papel. O lote mais adiantado, de Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO), já tem estudos prontos e deve ser o primeiro a ser colocado em disputa. Tem 883 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 5,4 bilhões.

Quanto a outros seis trechos, o governo receberá manifestação, até terça-feira, dos interessados em elaborar estudos de engenharia para os editais de concessão. O prazo para o detalhamento varia de seis a oito meses, dependendo do trecho. Mais de uma empresa pode participar, mas somente um dos estudos será selecionado para cada lote. Posteriormente, o responsável será remunerado pelo vencedor da concessão.

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