segunda-feira, 15 de abril de 2013

Infraestrutura do Sul vai bombar... se sair do papel

10/04/2013 - Amanhã - Porto Alegre/RS

Levantamento feito pela Sobratema mostra um volume de obras alentador para a região – R$ 99,4 bilhões. Mas menos da metade está em andamento

Por Pedro Pereira
Nos próximos quatro anos, o Brasil deverá ter exatas 8.948 obras de infraestrutura concluídas ou em andamento, com investimentos no valor total de R$ 1,6 trilhão. Deste montante, a fatia que caberá à Região Sul corresponde a 1.307 obras – a um valor total de R$ 99,4 bilhões. Entre os principais projetos da região aparecem o Estaleiro Pontal do Paraná, a Usina Termelétrica Sul Catarinense e a Linha 2 do metrô de Porto Alegre (confira a lista no final do texto). O s dados são de um levantamento feito pela CriActive e e8 inteligência a pedido da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). O estudo foi apresentado hoje em Porto Alegre.

Antes de comemorar, uma ressalva. Entre as obras previstas para a região sul, o que está em andamento é menos da metade. Para ser preciso, apenas 606 obras, ou 46,4%. A grande proporção (692 obras, ou 52,9%) permanece no papel. E 9 obras, ou 0,7% do total, seguem paralisadas, ou sem uma situação clara e oficial sobre o estágio em que se encontram.

Nada muito diferente do que acontece no restante do país. O relatório nacional aponta 54,4% das obras ainda no papel. Os índices são insatisfatórios, cobra o vice-presidente da Sobratema, Eurimilson Daniel. "É um momento duvidoso do mercado [da construção civil]. Estamos há dois anos com resultados desfavoráveis e por isso a expectativa é muito grande para 2013. O país está discutindo muita política e poucos projetos", impacienta-se Daniel.

Ele vê um bom volume de projetos, mas, de outra parte, uma capacidade muito pequena de tirá-los das gavetas. Para dar uma idéia da lentidão, o dirigente da Sobratema lembra que o investimento em 2012 ficou abaixo de 2% do PIB brasileiro, enquanto a expectativa apontava para 4%. "Está aí a safra agrícola sem estrada para escoar. Chega a valer mais a pena ir do centro-oeste para o Porto de Rio Grande do que para o sudeste, mesmo percorrendo 1,5 mil quilômetros a mais", aponta.

A queda na venda de equipamentos para a construção civil, que chegou a 13%, até foi suave, segundo ele, pois o "marasmo" nas obras de infra-estrutura alimentava prognósticos ainda mais pessimistas. O que atenuou o impacto foi a expectativa sobre os benefícios e concessões feitos pelo governo federal para reanimar a economia. "O problema é que já estamos em abril e os efeitos ainda não foram sentidos", lamenta Brian Nicholson, consultor da Sobratema. Nicholson destaca que boa parte dos R$ 470 bilhões anunciados em concessões federais em agosto de 2012 interessam à construção civil e ao setor de venda de equipamentos. "Não há falta de projetos e, provavelmente, não haja falta de recursos para os projetos viáveis", aposta Nicholson.

O emperramento das obras é um grave complicador para o setor de equipamentos: os empresários que adquiriram máquinas novas não estão operando com toda a sua capacidade e, assim, não faturam o suficiente para honrar o investimento. "Sem investir, temos menos obras. Sem as obras, o desenvolvimento do país fica comprometido, o que leva a menos investimentos ainda no futuro", acredita Daniel. Ele acrescenta que apenas 48% das máquinas da chamada linha amarela – especiais para movimentação de solo, como retroescavadeiras – estão em atividade atualmente, quando o ideal seria 75%. Em 2010 a ocupação esteve neste nível, mas já no ano seguinte caiu para 60% e em 2012 acabou em 56%.

Nicholson revela que a projeção feita em novembro do ano passado aponta para um crescimento de 13% nas vendas de produtos da linha amarela. Mas faz questão de salientar que, para isso se confirmar, diversos fatores precisam contribuir. "O mais crítico é dar andamento aos investimentos. Se isso não acontecer, nossa projeção vai para o espaço", cogita.

Dualidade de responsabilidade
Rui Toniolo, diretor regional da Sobratema, expôs um diagnóstico pessoal sobre o atraso nas obras no sul. Para ele, entraves de ordem ambiental ou burocrática deveriam ser evitados com mais veemência pelos governos. Mas, em contrapartida a esse respaldo, seria interessante que as empreiteiras tivessem claramente expostas em contrato suas responsabilidades com a qualidade das obras.

"Se a obra começa e precisa parar por algum motivo que não compete à empresa, o governo precisa bancar isso [o custo de ficar parado]. Mas se a empresa entrega uma obra sem durabilidade, deve estar previsto em contrato que as correções devem ser feitas com custo zero para o Estado", sugere.

Construction Expo
A comitiva da Sobratema aproveitou para divulgar no Sul a Contruction Expo 2013, que será realizada em São Paulo entre os dias 5 e 8 de junho. O evento promoverá uma série de debates sobre o setor da construção civil e apresentará seções temáticas, como um espaço dedicado a explicar os processos de construção da Arena Corinthians, da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro e do primeiro submarino nuclear brasileiro. "Até nós estamos curiosos para saber que tipo de informações esse submarino vai trazer do mar", brinca Daniel.

A feira terá cerca de 300 expositores e espera receber 25 mil visitantes no espaço de 50 mil metros quadrados do Centro de Exposições Imigrantes. A dinâmica promete ser inovadora: enquanto uma parte da exposição tratará da parte técnica das obras, o restante trará estandes com os fornecedores dos empreendimentos. "O visitante poderá ver como será o estádio construído para a Copa do Mundo e já conhecer o fabricante das cadeiras", ilustra Daniel.

Veja, abaixo, as principais obras da região sul listadas no estudo da Sobratema:
Em andamento







UF

R$ bi

Oito unidades de produção tipo FPSO (casco) construídas no Porto de Rio Grande

RS

23,7

Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP) - Unidade de hidrotratamento de diesel, retirada de enxofre

RS

1,6

Bacia de Campos – duas plataformas FPSO

RS

1,1

Estaleiro Pontal do Paraná – Duas plataformas fixas de petróleo para a Bacia de Campos

PR

1,0






Em projeto





Fábrica de papel e celulose da Klabin em Ortigueira, capacidade para produzir mais de 1,5 milhão de toneladas de celulose/ano

PR

6,8

Usina Hidrelétrica Binacional Garabi, 1.150 MW

RS

3,2

Metrô de Porto Alegre Linha 2, 14,9 km

RS

2,5

Metrô de Curitiba Linha Azul - 1ª Fase, 14,2 Km

PR

2,3

Ferroeste - Ramal Cascavel/Guaíra

PR

1,6

Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, 350,2 MW

PR

1,6

Usina Termelétrica Sul Catarinense (Usitesc), a carvão, 440MW

SC

1,6

Estaleiro EBR, implantação

RS

1,2

Usina Hidrelétrica São Jeronimo, Rio Tibagi, 331 MW

PR

1,2

Usina Hidrelétrica Itapiranga, 725MW

SC/RS

2,0

Complexo Eólico Verace, 10 parques, 258 MW

RS

1,0

Ramal Ferroviário Guarapuava/Paranaguá

PR

1,0

Ferrovia Litorânea Sul, 235 km, entre os portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul, incorporando a ferrovia Tereza Cristina

SC

0,9

Fonte: Estudo de Investimentos Sobratema, em parceria com CriActive e e8 inteligência
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