quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Prolongamento do Túnel da Estrada de Ferro Carajás causa reclamação

01/01/2013 - Jornal Pequeno

Os representantes do Movimento Comunitário em prol da Duplicação do Túnel Maracanã/Vila Maranhão disseram que várias pessoas, residentes às margens da linha férrea, estão sendo prejudicadas pela trepidação dos vagões que passam

Moradores dos bairros Vila Maranhão e Maracanã protestaram, na manhã do último dia 28/12, contra a prolongação do túnel que liga as duas comunidades. Os populares interditaram por quase uma hora o acesso ao túnel, sob a alegação de que, em decorrência da obra de ampliação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), de responsabilidade da empresa Vale, o local, que é estreito e só permite a passagem de um carro por vez, será estendido em mais 10 metros de comprimento, o que dificultará ainda mais o tráfego de pedestres e de veículos.

Segundo uma das coordenadoras do Movimento Comunitário em prol da Duplicação do Túnel Maracanã/Vila Maranhão, Raimunda Ferraz, de 30 anos, há vários meses as duas comunidades tentam negociar o alargamento ou duplicação do túnel com a Vale. Ela disse que, representantes da empresa, informaram não existir previsão para tal serviço no projeto das obras. "Esse túnel é uma válvula de escape, não só para nós moradores como para as empresas instaladas no Distrito Industrial, que necessitam cruzar a Vila Maranhão e o Maracanã. Por aqui, o percurso diminui em até uma hora, mas também nos oferece riscos. Os carros só conseguem passar em sistema de revezamento e nós aproveitamos uma parte do estreito túnel para também transitar. Com o aumento de sua extensão em 10 metros, para frente, ele vai ficar mais comprido e mais perigoso, só queríamos que eles o deixassem mais largo", explicou.

Outro coordenador do Movimento, o morador Márcio Farias, de 30 anos, disse que já reside na Vila Maranhão há mais de 15 e a comunidade sempre utilizou o túnel para chegar, com mais rapidez, ao outro bairro e à própria BR-135. Ele relatou que a empresa costuma levantar uma bandeira de preservação ao meio ambiente, porém, teria devastado quilômetros de mata nativa para abrir os trechos por onde a ferrovia duplicada irá passar. "Por aqui, foram derrubadas muitas árvores e vegetação nativa. Quando eu era mais jovem costumava tomar banho em um rio de águas límpidas, chamado de Alteredo; hoje, ele parece um lamaçal de tão escuro, tudo isso por conta da poluição que a Vale provocou em nosso ecossistema. O pior é que, daqui a alguns poucos anos, as comunidades desses dois bairros vão triplicar. No Maracanã, estão sendo construídos três condomínios residenciais que devem abrigar pelo menos cinco mil famílias e todas devem utilizar esse túnel como acesso a outras localidades", disse.

Os representantes do Movimento Comunitário em prol da Duplicação do Túnel Maracanã/Vila Maranhão disseram que várias pessoas, residentes às margens da linha férrea, estão sendo prejudicadas pela trepidação dos vagões que passam, diariamente, transportando minério, que tem rachado várias casas, além da poeira provocada pelas máquinas que estão raspando o solo. A comunidade explicou que, ontem, o movimento foi apenas de advertência e por isso o túnel foi interditado somente por alguns minutos. Mas, ressaltaram que no próximo dia 3, às 9h, uma reunião com representantes da Vale será realizada no canteiro de obras, situado em frente ao túnel e, caso nenhuma providência benéfica para a população seja tomada, as manifestações voltarão a acontecer com interdição total da via de acesso por tempo indeterminado. A coordenação do Movimento também entregará um ofício às promotorias do Cidadão e Meio Ambiente, a fim de que intercedam pela comunidade.

O outro lado – Por meio de nota, a Vale esclareceu que a obra em questão, apontada pela comunidade da Vila Maranhão, não está ligada aos projetos de expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Trata-se, sim, de uma ampliação das linhas ferroviárias localizadas na área interna da empresa com o objetivo de melhorar suas condições de operação e manutenção. A empresa informou também que vem mantendo reuniões frequentes com a comunidade para tratar do assunto e que está, no momento, avaliando as condições técnicas de engenharia no sentido encontrar uma solução que atenda as necessidades dos moradores.

A Vale informou ainda que entre os anos de 2008 e 2010, realizou ao longo de toda a EFC, incluindo a comunidade da Vila Maranhão, um mapeamento socioeconômico para identificar a presença de famílias e benfeitorias dentro da faixa de domínio da ferrovia. O resultado da pesquisa foi utilizado para definir ações que visam garantir a segurança das pessoas que vivem próximas à ferrovia, bem como da operação ferroviária da Estrada de Ferro Carajás. Entre as ações que foram realizadas estão: fiscalização motorizada 24 horas ao longo de toda a ferrovia, campanhas educativas em escolas e comunidades lindeiras, melhoria e instalação de sinalização de segurança e instalação e melhoria nas passagens de pessoas e veículos.

Por Jully Camilo

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