sexta-feira, 9 de novembro de 2012

União revê traçado e garante ferrovia que levará milho de MT para Sul do país

09/11/2012 - Cenário MT

O novo traçado, diferente do divulgado em agosto pelo governo, que passaria por Mafra, liga o Sul ao centro do país, beneficiando vários setores da indústria, especialmente o agronegócio porque trará o milho para SC através dos trilhos.

Um dos maiores problemas para a avicultura e suinocultura de Santa Catarina e Rio Grande do Sul é a falta de milho para abastecer a demanda. E como o cereal está com preço alto, por causa das cotações internacionais, os produtores de aves e suínos dos dois estados ficam de "mãos amarradas", vendo os custos de produção ser maiores do que a receita.

Uma solução é levar milho produzido em Mato Grosso e Goiás para aqueles estados. Mas o transporte rodoviário encarece o produto. Porém, um modal ferroviário poderá ligar a região Sul de Mato Grosso – onde estão os terminais de Itiquira e Alto Araguaia - com o Oeste catarinense nos próximos anos, resolvendo o problema logístico.

Motivo de dúvida no plano de expansão de ferrovias no país, a construção de um novo trecho da Ferrovia Norte-Sul, de São Paulo até o Rio Grande do Sul, passando por Chapecó, foi confirmada pelo presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo.

O novo traçado, diferente do divulgado em agosto pelo governo, que passaria por Mafra, liga o Sul ao centro do país, beneficiando vários setores da indústria, especialmente o agronegócio porque trará o milho para SC através dos trilhos.

Em Porto Alegre, o presidente da estatal garantiu as duas ligações ferroviárias do Sul com o Sudeste — uma passando por Mafra e outra por Chapecó, esta última a novidade em relação ao pacote de R$ 91 bilhões de investimentos em ferrovias no país divulgado pelo governo federal em agosto.

— A construção das duas ligações é perfeitamente viável, já que atendem mercados diferentes. Sempre trabalhamos com essas duas alternativas, só que um projeto estava mais maduro do que a outro, por isso incluímos antes — explicou Figueiredo, ao referir-se ao cancelamento momentâneo da licitação dos estudos para o trecho Norte-Sul, que depois acabou retomada.

A primeira obra confirmada é a reforma da ferrovia já existente entre São Paulo e Porto Alegre, que passa por Mafra — já incluído no pacote de concessões divulgado pelo governo federal. Esta ligação, segundo Figueiredo, será licitada até junho de 2013.

A outra ferrovia que percorrerá SC é o prolongamento da Norte-Sul por meio de uma ligação oeste — partindo de Panorama (SP), passando por Cascavel (PR), Chapecó, Erechim (RS) e chegando a Rio Grande (RS). O edital de estudo lançado em junho pela estatal Valec teve de ser reformulado, segundo Figueiredo, para tornar-se mais rápido de ser concedido.

— Esse freio de arrumação foi necessário para que o projeto ficasse mais amplo, com possibilidade de fazer a concessão assim que estiver pronto — explicou.

A ligação do ramal oeste deve ter os estudos concluídos no segundo semestre do ano que vem.

— Mas as duas obras serão executadas, isso é um compromisso assumido pelo governo. Tivemos uma reunião na Casa Civil com todas as lideranças regionais e isso ficou definido — garantiu Figueiredo.

De acordo com Olivier Girard, um dos responsáveis pelo estudo Sul Competitivo, lançado pelas três federações das indústrias do Sul no final de agosto, esta revisão de traçado por parte do governo federal é uma ótima notícia para diferentes segmentos do setor nos três estados. E retoma o plano original de outorgas da Ferrovia Norte-Sul, que previa uma parte do traçado percorrendo Chapecó.

— Essa correção pequena de rumo faz muito mais sentido do que termos um outro trecho de ferrovia passando por Mafra. Primeiro, porque ele atende a todo o Oeste catarinense e o sudoeste do Paraná. Depois, porque seria uma redundância se ele passasse por Mafra também — avalia Girard.

Na avaliação do diretor da Macrologística, um dos principais benefícios da ferrovia que vai passar por Chapecó será o de permitir a chegada do milho do Centro Oeste do país até a agroindústria catarinense.

— A ligação entre Panorama (SP) e Chapecó é a melhor alternativa de ligação porque, a partir da cidade paulista, há duas ligações ferroviárias para as regiões produtoras de grãos de Goiás, por um lado, e de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul por outro — explica.

Um projeto como este, na avaliação de Girardi, mesmo tendo financiamento garantido e a intenção de ser feito, levará de cinco a seis anos, pelo menos, para ser concluído. Segundo o estudo Sul Competitivo, caso a ferrovia ficar pronta até 2020, naquele ano ela poderia trazer R$ 1 bilhão de economia com gastos logísticos para todos os segmentos industriais dos três estados da região.



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