sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vale aposta em Carajás para liderar mercado mundial

27/07/2012 - Valor Econômico

O resultado mais fraco da Vale no segundo trimestre do ano - impactado pela crise internacional que derrubou os preços do minério que continuam em rota de queda no terceiro trimestre - não alterou os planos de crescimento da mineradora.

Murilo Ferreira, presidente executivo da companhia, não traça um cenário de euforia para os próximos cinco anos, mas defende que a Vale tem de estar pronta para um processo de retomada econômica no futuro, declarou o executivo ao Valor.

"Acho que, até haver uma estabilidade em países com sérios problemas de crescimento para que o mundo possa voltar a crescer nos moldes de 2007, o ambiente econômico global será desafiador. E temos de nos preparar para ele", afirmou.

A filosofia da Vale para atravessar os tempos de vacas magras é a da austeridade para confrontar com a volatilidade que toma conta dos mercados. "Temos de ser austeros, pois temos projetos enormes para serem construídos que vão pavimentar o futuro da empresa e vão requerer uma força muito grande de toda a equipe da Vale", disse. Para o executivo, esta é uma situação que veio com a crise de 2008 e 2009 e deverá permanecer por algum tempo.

A estratégia para enfrentar os novos desafios passa pelo aumento da produção de minério de ferro em Carajás de 109 milhões de toneladas para 230 milhões de toneladas até 2016, com a entrada em operação dos projetos Serra Sul e Serra Norte. Também está na agenda a meta de se tornar grande produtora de potássio na Argentina e em Carnalita, em Sergipe, duplicar o projeto de carvão de Moatize e ser a maior produtora de níquel do mundo, com produção de 370 mil toneladas até 2014, superando a russa Norilsk.

O projeto em destaque na companhia é a mina de Serra Sul, no Norte do país. "Garantimos a licença de instalação do projeto, que será um marco na história da Vale". A companhia demorou de 1985 até 2011 para atingir 109 milhões de toneladas de minério de ferro em Carajás. "Agora, com os projetos de Serra Norte e Serra Sul, vamos dar um salto impressionante, de 109 milhões de toneladas de minério de ferro, para 230 milhões de toneladas nos próximos cinco anos". Serão 140 milhões de toneladas de minério de Serra Norte e 90 milhões de toneladas de Serra Sul, somando um investimento de US$ 19,5 bilhões que vai consolidar a posição de líder global da Vale.

A alta qualidade é a maior vantagem das novas minas de Carajás, cujo teor de ferro é de 67% e 68%, garantindo mercado em condições adversas. "Estamos entusiasmados porque existe uma perda de qualidade do minério observada em diversos países. A demanda por qualidade é forte na Ásia, que concentra quase 70% das vendas do produto".

A Vale tem foco também na expansão da produção de potássio para fertilizantes, tanto em Rio Colorado, na Argentina, quanto em Carnalita, Sergipe. Ferreira visitou Buenos Aires e foi recebido pela presidente Cristina Kirchner, semana passada, quando assinou memorando de intenções [Acta Acuerdo] para acertar a logística do projeto. "Demos o primeiro passo para ter o decreto presidencial de concessão ferroviária", comemorou. As 4 milhões de toneladas de potássio produzidas nas minas de Mendoza serão transportadas até o porto de Baía Blanca por ferrovia da Vale. O investimento total é de US$ 5,9 bilhões. Em tempos de austeridade, Ferreira anunciou ontem, em conferência para analistas, que, entre as alternativas para garantir a execução do projeto, está a de buscar um parceiro estratégico para o negócio.

A Vale pode se tornar a número um do níquel no mundo entre 2014 e 2015. Até lá pode agregar às atuais 260 mil toneladas do metal outras 110 mil toneladas, somando 370 mil toneladas. Com este volume ultrapassaria a russa Norilsk, a campeã de níquel, com 296 mil toneladas ao ano. A nova capacidade da Vale virá dos projetos de Onça Puma, no Pará, e de Nova Caledônia, no Sul do Pacífico - com 50 mil e 60 mil toneladas ano, respectivamente. Com atividades suspensas devido a problemas operacionais, ambos voltam a operar em 2013.

Quando os grandes projetos entrarem em operação, o mundo será outro, na visão do executivo. "O planeta vivência uma mudança geopolítica dos países ocidentais para os orientais. Tailândia, Indonésia, Vietnã, além da China e uma porção de outras nações, vão ter um crescimento magnífico no médio prazo. E este cenário nos será favorável em futuro próximo", destacou Ferreira.

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