segunda-feira, 30 de julho de 2012

Governo debate viabilidade da Ferrovia Norte-Sul ligando Porto Velho

11/07/2012 - O Rondoniense

A viabilidade social e econômica da Ferrovia Norte- Sul (FNS), que vai ligar o município de Lucas do Rio Verde (MT), passando por Vilhena a Porto Velho, foi tema de debate na tarde de terça-feira (10), no Palácio Presidente Vargas, do qual participaram o governador Confúcio Moura e o consultor do Estado para assuntos de desenvolvimento e ex-ministro de Assuntos Estratégicos do Brasil, (SAE) Roberto Mangabeira Unger, além de diversos outros secretários. 

Porto Velho foi avaliada como ponto crucial numa junção com toda a América Latina. No projeto original, a FNS interliga o município de Lucas do Rio Verde a Vilhena, num trecho de 598 quilômetros, e cujas obras devem iniciar em 2013, com a conclusão prevista para o final de 2017, com investimento previsto em R$ 4,1 bilhões. 

Com a proposta da extensão até Porto Velho, a capital rondoniense se transformaria em acesso ‘intermodal’ ou, seja atuaria com mais de uma atividade, deixando para trás o cenário de difícil acesso perante os outros estados brasileiros. De acordo com o secretário do Porto de Porto Velho (SOPH), Ricardo Sá, “a inclusão beneficiaria Rondônia diretamente na economia com o preço do frete, que atualmente é de R$ 120 a tonelada por quilômetro”, enfatiza 

Pelo menos mais quatro Estados que compõem o eixo Norte e Centro Oeste, dentre os quais o vizinho Acre, que almeja a ligação da Ferrovia Norte-Sul com suas divisas se beneficiarão, caso ocorra a interligação com Porto Velho. Para essa nova etapa da FNS seriam precisos investimentos da ordem de aproximadamente R$ 200 milhões, R$ 80 milhões somente com os estudos, segundo o secretário de Planejamento (Seplan) George Braga. 

Além disso, “são necessários levantamentos que destaquem o anseio de Rondônia para a mudança do eixo até Porto Velho, dentre eles, está o mapeamento da viabilidade econômica, ambiental e executivo da ferrovia”, disse o governador, Confúcio Moura. 

Para Mangabeira Unger “o mais importante da ferrovia é seu custo benefício”, informa. Outro que também apoia a vinda da obra para Porto Velho é o secretário da SOPH, Ricardo Sá. “Rondônia é hoje a terceira via fluvial mais movimentada em termo de transporte no Brasil”. 

Um documento solicitando a mudança do eixo da Ferrovia Norte-Sul como ponto intermodal ligando Porto Velho será elaborado pelo governo do Estado e entregue pessoalmente a presidente, Dilma Rousseff, durante encontro das Nações Unidas. “Atualmente, Dilma Rousseff está engajada em áreas com grandes projetos, como este no caso, prioridade de seu governo”, comenta Unger 

Ficou definido no encontro que a bancada de Rondônia, além das federações interessadas serão incluídas na discussão do processo de viabilidade da Ferrovia Norte- Sul a Porto Velho. 

Ferrovia Norte-Sul trecho Campinorte a Vilhena 

A construção de 1.638 quilômetros de ferrovia entre Campinorte (GO) e Vilhena está entre as metas do governo federal, para os próximos quatro anos. Trata-se da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, cujo projeto será executado, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, (PAC) pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, empresa pública, vinculada ao Ministério dos Transportes. O projeto da ferrovia, que será executado em duas etapas e terá investimentos de R$ 6,4 bilhões, contemplará uma das regiões do país mais prósperas na produção de grãos e carne, porém bastante carente no que se refere à logística de transporte. 

O trecho a ser construído na primeira etapa sairá de Campinorte, cruzará o estado de Mato Grosso no sentido leste-oeste e chegará at? Lucas do Rio Verde (MT). Entre Campinorte e Lucas do Rio Verde a ferrovia terá a extensão de 1.040 quilômetros. Até o ano de sua conclusão (2014), a previsão é de investir R$ 4,1 bilhões. Já para o trecho entre Lucas do Rio Verde e Vilhena (com 598 quilômetros), a ser construído na segunda etapa, deve ser investido o total de R$ 2,3 bilhões. 

A Ferrovia de Integração Centro-Oeste é a primeira parte de um projeto gigantesco, a Ferrovia Transcontinental (EF-354). No Plano Nacional de Viação, a EF-354 é planejada com 4.400 quilômetros de extensão. Ela segue de Uruaçu (GO) para o sudeste, passando pelo Distrito Federal, Minas Gerais até o litoral fluminense. Para o oeste, o plano indica a passagem por Água Boa, Canarana e Lucas do Rio Verde, no Mato Grasso, seguindo na direção de Vilhena e Porto Velho e, de lá, entra pelo Acre até a divisa fronteira com o Peru, na localidade de Boqueirão da Esperança. 

Por se conectar com a Norte-Sul, a ferrovia de Integração Centro-Oeste dará novo impulso para o desenvolvimento dos estados de Mato Grosso, Rondônia e o sul dos estados do Pará e Amazonas, principalmente com a produção de grãos, açúcar, álcool e carne. Com a redução dos custos no transporte de cargas, com acesso mais rápido a vários portos, a região deve atrair grandes projetos e investimentos da iniciativa privada e, por conseguinte, gerar empregos, renda e melhoria da qualidade de vida para os habitantes. 

A reunião contou com a presença do presidente da Fundação Rondônia de Ciência e Tecnologia, Alberto Lourenço, do secretário de Estado do Planejamento, George Braga, da Secretaria de Estado das Finanças (Sefin) Benedito Alves, da secretária de Assuntos Estratégicos (SAE) Cira Moura, do secretário de Estado do Desenvolvimento (Sedes) Edison Vicente.

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