terça-feira, 8 de novembro de 2011

Trens regionais em São Paulo: uma opção política

08/11/2011 -

A CPTM quer reativar a rede de trens regionais no Estado, alternativa de transporte que ja foi muito utilizada no passado. Há muitas opções. Qual será escolhida pelo governo?

Por Paulo Roberto Filomeno, do São Paulo Trem Jeito

Qual seria o melhor modelo para os trens regionais que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pretende implantar? Trens regionais já operaram no Estado de São Paulo, complementando as alternativas oferecidas pelos trens de longa distância — e que não foram poucos. É importante que sejam conhecidos para que ninguém venda a ideia de que isto é “novo” e, principalmente, para que ninguém “compre” essa ideia. O que devemos fazer é exigir esta alternativa “o mais rapidamente impossível” (ou seja, para já, pois é uma necessidade).

Como a eletrificação ferroviária em nosso Estado já foi totalmente arrancada (e não desmontada) fora dos domínios da CPTM por ter sido julgada obsoleta pelas concessionárias (embora o fio trolley não atrapalhe nada na circulação de trens e as nossas concessionárias não precisassem tê-lo arrancado), só sobram alternativas de trens tracionados por locomotivas a diesel ou trens-unidade a diesel (ou qualquer outro combustível), a não ser que a CPTM leve novamente a eletrificação até Sorocaba e Campinas ou a prolongue até São José dos Campos e Santos. E no futuro, esperamos que além.

Mas, se a opção for um trem regional a diesel, isso não é totalmente inviável, já que nos EUA esse tipo de trem é bastante comum.

A operadora Metra, que é algo como a CPTM de Chicago e adjacências, utiliza as linhas da BNSF, Union Pacific, Rock Island entre outras. Em algumas dessas linhas seus trens são tracionados por uma locomotiva a diesel com 4 ou 5 carros. Os carros têm dois andares (a parte de baixo com bancos para dois ocupantes e em cima, assentos individuais). A foto abaixo nos mostra essa solução. Na ida de Chicago para subúrbios como Aurora, que fica a uns 70 km da cidade, a locomotiva vai puxando, na volta vai empurrando, o primeiro carro tem na parte frontal todo o comando. Nos trens regionais de lá, chamados de “commuters”, esse arranjo é muito comum. Já vi o mesmo tipo em várias cidades de lá.

Nos países da Europa há os InterCity, que cobrem distâncias um pouco maiores de 150 km, parando em cidades principais apenas, e trens regionais como o TER na França, os S-Bahn na Alemanha, os Sneltreins na Holanda. Em comum, eles tem o fato de não utilizarem locomotivas separadas: são trens unidades com 6 carros, compostos de pelo menos um carro de primeira classe e o restante de segunda classe, sem outras comodidades como carro-restaurante etc.

No nosso caso, houve nos tempos da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em São Paulo, um TUE produzido pela Mafersa, o qual foi muito usado como trem regional — era conhecido no trecho até Campinas como “litorina” e até Mogi das Cruzes como “Alvorada”. Esse trem ia até Santos, Mogi das Cruzes, Campinas, já foi inclusive experimentado num trem especial de domingos para Aparecida do Norte e ainda hoje poderia ser uma alternativa até para a CPTM em alguns trens expressos.

O interior era muito parecido com o da Metra, embora sem o andar de cima. Ele tinha bancos com 3 lugares de um lado e 2 do outro.

Mesmo sendo um trem elétrico, era puxado por locomotivas a diesel na Baixada, além de Piassaguera, no trecho sem eletrificação. Como disse, seria uma boa alternativa para a CPTM utilizá-lo desde já se… a foto abaixo explica: basta passar pelo pátio do Ipiranga ou da Lapa.

Mas tivemos anteriormente várias opções. Os Cometa/Estrela/Planeta, trazidos ao Brasil nas décadas de 1930/40 pela São Paulo Railway, eram trens diesel-elétricos, moderníssimos na época, mas infelizmente não tiveram representantes de nova geração para uma alternativa mais atual de trens regionais.

O trem húngaro, que por muito tempo fez SP-Rio Claro e SP-Santos (nos domingos e feriados) era um diesel-hidráulico e nesse caso andava sob a via eletrificada, como pode ser visto neste folheto de propaganda da RFFSA:

O Gualixo, elétrico, de procedência inglesa, adquirido quando da eletrificação da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), fez SP-Campinas por longos anos…

Com a tecnologia ferroviária de hoje, o que seria um trem regional ideal? Algo como um trem desses mencionados acima, com um nível de conforto maior em função da maior distância a ser percorrida, ou um trem com um acabamento interior semelhante aos novos trens da CPTM, deixando-se o conforto um pouco de lado?

Deve-se reeletrificar a via utilizando-se, por exemplo, subestações a gás natural, cujo gasoduto vai paralelo à via por um bom pedaço? Ou um trem convencional, como os utilizados pelos americanos?

Qual a palavra dos fabricantes? O que Alstom, Bombardier, Siemens e outras propõem para que sejam conhecidas alternativas de trens regionais, fora da imprensa especializada ou dos seminários onde só participa quem já conhece? Quais as vantagens e limitações dos modelos da cada fabricante?

Fonte: São Paulo Trem Jeito
 

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