sábado, 5 de novembro de 2011

Liberada OS para 2ª etapa da obra de restauração do complexo Madeira-Mamoré

05/11/2011 - Rondônia Notícia

O prefeito anunciou que a área da Estrada de Ferro, que continua sob a jurisdição da Marinha, também será restaurada.

Em solenidade realizada nessa sexta-feira, 04, que contou com a participação do prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, o consórcio Santo Antônio Energia assinou a Ordem de Serviços para a restauração do galpão da oficina da rotunda e do girador (terceiro galpão) da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A rotunda é uma ponte giratória para guiar as locomotivas para a garagem. Para que fosse acionada, a locomotiva tinha que parar na rotunda e esta girava até encaixar os trilhos da respectiva vaga na sua garagem.

Do ato participaram também o secretário Pedro Béber, da Secretaria Municipal de Extraordinária de Programas Especiais (Semepe); Carlos Hugo, gerente de sustentabilidade da Santo Antônio Energia; Antônio Roberto, da Secretaria do Patrimônio da União (SPU); os vereadores Sid Orleans e Cláudio Carvalho, ambos do PT, além de outras autoridades.

A obra faz parte do projeto de revitalização do espaço incluído nas compensações sociais, articuladas pelo prefeito Roberto Sobrinho e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para a liberação da licença de construção da usina de Santo Antônio, no rio Madeira. O valor é de R$ 8,5 milhões.
 
Segunda etapa

O projeto executivo para a restauração do terceiro galpão da ferrovia foi aprovado pelo Iphan em agosto deste ano, e para a elaboração do projeto foram realizados estudos sobre a corrosão da estrutura que mede 5,7 mil metros quadrados por 13 metros de altura. No trabalho de restauração serão realizados serviços técnicos altamente especializados, por se tratar de uma estrutura metálica construída com peças importadas e com dimensões específicas de estrutura ferroviária. A previsão da empresa responsável pela obra, que é de Porto Velho, é de 18 meses.
 
Na ocasião, o prefeito Roberto Sobrinho lembrou que desde 2005, quando assumiu a Prefeitura de Porto Velho (primeiro mandato), ele já vinha trabalhando no sentido de conseguir recursos para a revitalização do espaço onde nasceu a cidade de Porto Velho. “A restauração foi iniciada com recursos do Ministério do Turismo e da prefeitura. Depois, com o apoio do Iphan, conseguimos colocar a restauração do complexo da Estrada de Ferro nas compensações da hidrelétrica de Santo Antônio. A primeira etapa do projeto já foi concluída, agora inicia-se a segunda etapa”, disse.

O prefeito também anunciou que a área da Estrada de Ferro, que continua sob a jurisdição da Marinha, também será restaurada. A própria Marinha se encarregará do serviço. Com a confirmação, fica a certeza de que todo o complexo será restaurado. Pelo projeto, a Santo Antônio Energia fica responsável de restauração da estrutura do terceiro galpão enquanto a prefeitura se encarrega do trabalho de urbanização do espaço no entorno. Dentro do projeto de revitalização do centro histórico de Porto Velho, dois outros projetos serão executados pela prefeitura. Um é a construção do Porto do Cai N’água e o outro, o Parque das Águas que ficarão na região de influência da ferrovia.

O conjunto rotunda/girador/oficina que integram o complexo da estrada de ferro Madeira-Mamoré é tombado pelo Iphan. As intervenções fazem parte do Termo de Referência para a elaboração de projetos a serem executados no trecho tombado da ferrovia, constante no Projeto Básico Ambiental da usina de Santo Antônio.

Restauração
Já foram investidos no projeto de revitalização do complexo mais de R$ 12 milhões. O gerente de sustentabilidade da Santo Antônio Energia, Carlos Hugo, adiantou que na primeira etapa foram contempladas a elaboração de projetos para as ações que seriam realizadas no trecho tombado, incluindo o levantamento arquitetônico, topográfico, cadastral e pesquisa histórica da ferrovia. “Depois foi firmado convênio com a Cootrafer para aquisição do imobiliário para a reativação do escritório da Cooperativa dos Ferroviários de Rondônia. Também foi feita a recuperação de três veículos ferroviários”, adiantou o gerente de sustentabilidade do consórcio.
 
Os veículos recuperados foram uma litorina, que era usada para o pagamento e transporte de diretores; uma ”cegonha”, veículo de tração manual para locomoção de trabalhadores em pequenos percursos; e um kalamazo, transporte de quatro lugares para recuperação de linhas, além da locomotiva 18, restaurada parcialmente. Também foram restaurados dois galpões, serviço feito com base em trabalho de pesquisa para a fabricação de tinta de cor semelhante à original, fabricação de parafusos e peças específicas da época, construção do Espaço Conforto, recuperação do piso, limpeza e execução do paisagismo da área do pátio da ferrovia e a construção de um deck para contemplação do rio Madeira.
 
História
A Estrada de Ferro Madeira–Mamoré, também conhecida como a estrada do “diabo” pelas perdas humanas ocorridas durante a sua construção, foi construída no período de 1907 a 1912, num projeto de interligar Porto Velho a Guajará–Mirim, em Rondônia, na fase áurea da extração da borracha na Amazônia. Milhares de trabalhadores morreram durante a construção, não somente por acidentes de trabalho, mas vítimas de doenças tropicais.
 
Com o intuito de criar uma passagem sobre o rio Madeira, na época em que o Brasil adquiria a posse sobre o estado do Acre, pelo Tratado de Petrópolis, foi implantado o projeto “Madeira-Mamoré Railway” que objetivava facilitar a distribuição da borracha amazônica proveniente das matas bolivianas e brasileiras até Porto Velho, que funcionava como ponto de escoamento.
 
A partir de Porto Velho, a borracha e outras mercadorias seguiam, via fluvial pelo rio Madeira e pelo rio Amazonas, até o oceano Atlântico. Antes da construção da ferrovia, a borracha seguia em canoas artesanais feitas pelos índios. O projeto da ferrovia recebia investimentos do empresário norte-americano Percival Farquhar. A ferrovia foi finalizada em 30 de abril de 1912, data que marcou a fundação da cidade de Guajará-Mirim.
 
Com a decadência da borracha brasileira, em decorrência do plantio da seringueira na Ásia, a ferrovia também entrou em crise. Nos anos 1930, a estrada de ferro foi parcialmente desativada, sendo destinada ao abandono. Nos anos 50, voltou a operar servindo na distribuição de mercadorias e passageiros, integrando as 18 empresas da Rede Ferroviária Federal. Porém, os prejuízos permaneciam, em 1966, a ferrovia foi desativada por completo pelo então presidente Castelo Branco.
 
A ferrovia seria substituída pela construção das rodovias BR-425 e BR-364 entre Porto Velho e Guajará-Mirim. O abandono total da ferrovia iniciou-se em 1972. Retornou à atividade em 1981, cobrindo um trecho de 7 km, para fins turísticos, sofrendo novo abandono no ano de 2000. Atualmente, mesmo sem operação e serviços regulares, a estrada é tombada pelo Iphan desde o dia 10 de novembro de 2005 e serviu de tema para a minissérie “Mad Maria”, da TV Globo, baseada no livro homônimo do escritor Márcio de Souza.

Fonte: Rondônia Notícias

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