domingo, 19 de setembro de 2010

Norte-Sul faz 1ª viagem em Goiás


09/09/2010 - O Popular


A propriedade rural da família do produtor Eliel Tinoco Amarante, em Petrolina de Goiás, a 77 quilômetros de Goiânia, onde eles criam gado e produzem hortaliças, foi cortada pelos trilhos da Ferrovia Norte-Sul.
Depois de 22 anos de espera e expectativa - desde o início das obras, em 1987 (veja quadro) -, ontem Eliel Tinoco finalmente viu passar uma locomotiva, a primeira que viajou pelos trilhos.

Sua esperança é de que um dia ainda possa transportar seus produtos pela ferrovia a custos menores, através da associação com outros produtores locais. Um comerciante da região revelou que a construção da ferrovia já começou a impulsionar o comércio local.

Objetivo
A locomotiva que chegou à propriedade de Eliel levava autoridades políticas , entre elas o governador Alcides Rodrigues, e representantes da imprensa goiana, na primeira viagem sobre 50 quilômetros de trilhos da Ferrovia Norte-Sul em Goiás, entre os municípios de Anápolis e Petrolina.

O objetivo da viagem, chamada de visita técnica, foi mostrar o estágio em que se encontram as obras. O governador Alcides Rodrigues garante que a inauguração será no próximo mês de dezembro, ainda no governo Lula.

Dos 1.359 quilômetros entre Aguiarnópolis (TO) e Anápolis, cujas obras estão sob a coordenação da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, 516 quilômetros estão em Goiás.

Acelerada
O presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, informa que 200 quilômetros já estão prontos e os 316 restantes estão em fase acelerada de construção. Ele garante que todo o trecho será entregue até o fim deste ano, pelo menos com o grosso da obra, com dormentes e trilhos, faltando apenas o nivelamento, o que deve ser concluído até o fim de março de 2011, quando a ferrovia entra em operação.

A viagem inaugural em Goiás, que passou pelos municípios de Campo Limpo, Ouro Verde e Damolândia, foi feita pelo pequeno grupo de passageiros a céu aberto, num trem de carga, provocando a curiosidade, surpresa e admiração dos moradores e trabalhadores rurais vizinhos aos trilhos. As pessoas acenavam para o grupo e algumas chegaram a seguir os vagões.

Custos
A Valec prevê um custo de R$ 5 bilhões para toda obra, que conta hoje com 16 mil trabalhadores, sendo R$ 2 bilhões nos 516 quilômetros do trecho goiano. Cada quilômetro custa cerca de R$ 4 milhões. No Tocantins, a Norte-Sul chegou à capital Palmas e já transporta minério de ferro da Lagoa da Confusão até o Porto de Itaqui, no Maranhão. O equivalente a uma carga entre 400 e 500 carretas de grãos também já está sendo levada do município tocantinense de Colinas até Itaqui pelos trilhos da ferrovia.
Juquinha informou que não haverá venda de concessões para exploração da ferrovia. Segundo ele, a Valec negociará apenas a capacidade de transporte de carga, o chamado direito de passagem.

O governo vai priorizar o transporte do que for mais importante para o País, destaca. As empresas comprarão os vagões e a Valec coordenará o processo.

O trecho visitado ontem, que custou R$ 200 milhões, deve fazer com que Anápolis se torne um centro de distribuição de eletrodomésticos produzidos em Manaus para todo o País, segundo Juquinha.
Ele justifica a demora da construção, afirmando que fazer obras no Brasil é difícil por causa de barreiras burocráticas e jurídicas. Muita gente ainda não acredita que a obra está ficando pronta, diz.

Processos
O presidente da Valec disse que no próximo dia 16 abrirá os processos para construção dos trechos entre Anápolis e Estrela D?Oeste (SP) e de Ilhéus até Barreiras, na Bahia, que fazem parte de novos ramais.
Ainda este ano, segundo ele, acontece a licitação das obras de Campinorte, no Nordeste Goiano, até Água Boa, no Mato Grosso, num total de 510 quilômetros.

Valec programa visita a outros trechos
Outros trechos goianos da ferrovia devem ser visitados nos próximos meses. O trecho percorrido ontem foi construído pelas empresas Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Constran. A chegada dos trilhos da Norte-Sul deve acelerar as operações da plataforma multimodal de Anápolis.

Na saída da primeira viagem ontem pelos trilhos da Norte-Sul no Estado, o governador Alcides Rodrigues informou que vai visitar as obras do aeroporto de cargas da cidade, que já estão sendo executadas. Ele disse que o empreendimento permitirá o escoamento de produtos com mais rapidez e menor custo para empresas e produtores da região.

As obras da ferrovia começaram em 1987. Os primeiros 215 quilômetros da Norte-Sul, ligando os municípios de Açailândia (MA) e Aguiarnópolis (TO) foram concluídos em 2002. Agora, a expectativa é que a inauguração do trecho até Anápolis aconteça em 20 de dezembro, com a presença do presidente Lula.
Na chegada em Petrolina, onde os trilhos ainda estão sendo montados rumo ao Norte do Estado, o governador Alcides Rodrigues disse que a obra favorece a integração nacional e elevará a competitividade dos produtos goianos, . Para ele, a viagem de ontem demonstrou a todos que não acreditavam que a obra era possível.

Alguns até torciam para que ela não fosse concretizada, afirmou o governador. Segundo ele, o presidente da Valec, José Francisco, conseguiu tirar a ferrovia do papel e, agora, que faltam poucos trechos a serem concluídos, chegou a certeza de que a obra será inaugurada na última data prevista.

O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, lembrou a importância do modal ferroviário para o município, que tem localização geográfica privilegiada para o escoamento da produção para todo País.

Para o empresário João Gomes, proprietário da Eletrotins, em Anápolis, a ferrovia será mais um modal que complementará a plataforma logística do município, possibilitando a distribuição de produtos com menor custo e mais rapidez até os portos. A expectativa é de aumento das exportações.

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