segunda-feira, 5 de abril de 2010

Brasileiros terão participação no TAV


5/4/2010
Correio Popular (SP)

O governo vai atender à reivindicação da indústria ferroviária local e definir um índice de nacionalização na produção dos trens de alta velocidade (TAV) previstos para circular entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, empossado no cargo na quarta-feira, informou que os ministérios dos Transportes e do Desenvolvimento, Comércio e Indústria discutem o percentual de nacionalização que constará do edital de concessão. A indústria ferroviária quer que o governo exija que o índice seja de 60%.
   
"Temos capacidade industrial, de engenharia, e temos fábricas para que os trens possam ser produzidos no Brasil", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. Ele disse que existem seis empresas em São Paulo e uma no Rio com capacidade para fabricar o trem. Três delas, a Amsted-Maxion, fabricante de vagões, a espanhola Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), fabricante de trens e carros de passageiros e a Bombardier, fornecedora de sistemas, estão em Hortolândia. Ambas ocupam a fábrica da antiga Cobrasma. As outras são a Alstom, em São Paulo, a Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A, de Araraquara, e a Siemens, que está construindo a primeira fábrica para material rodante em Cabreúva, próximo a Jundiaí, e a T'Trans, no Rio.

Abate acredita que o governo não sairá com nacionalização de 60%, mas poderá escalonar o percentual para que chegue a 60% ao longo dos anos. "Os críticos dizem que, por uma questão de escala, não justificaria a produção local dos trens. Mas eu acho que justifica sim. A primeira fase vai produzir 336 carros de passageiros e uma produção assim não é de escala. Mas temos que lembrar que a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) incluiu novos projetos do TAV, de Campinas para Belo Horizonte e Uberlândia e de São Paulo a Curitiba. Então teremos uma grande escala de produção, sem contar que poderemos competir, no futuro, no mercado internacional, exportando os trens", afirmou.
   
Segundo ele, hoje existem no País 60 indústrias diretamente ligadas ao setor ferroviário, que, somadas aos fornecedores, chegam a 300 empresas, com oportunidades, conforme Abate, de participar da implantação do TAV. "Teremos condições de montar, fabricar componentes e absorver tecnologia. Mas, por uma questão de escala, haverá componentes que serão fabricados fora do País", disse.
   
O Ministério da Ciência e Tecnologia fez uma prospecção junto ao setor industrial para identificar empresas com capacidade para receber transferência de tecnologia do trem de alta velocidade e identificou as empresas Hewitt Equipamentos Ltda (que produz aparelhos de mudança de via e componentes ferroviários) e a Amsted-Maxion, ambas com fábrica em Hortolândia, além da Adantech, de Itupeva, com potencial produtivo e disposição de absorver tecnologia associada ao TAV. A Adantech manufatura sapatas de composição não metálica para freios ferroviários, além de pastilhas de freio a disco
   
Segundo ele, a capacidade atual de produção da indústria ferroviária por ano é de 12 mil vagões, 400 carros de passageiros e 100 locomotivas. O ano passado, por causa da crise econômica, as encomendas caíram, especialmente em vagões. De 5.118 produzidos em 2008, a indústria fabricou apenas 1.022 em 2009. Em carros de passageiros, embora com queda de produção em 2009, ela não chegou a ser tão significativa (foram 447 em 2008 e 438 no ano passado). A participação ferroviária na matriz de transporte de cargas está em 25%, com previsão de chegar a 29% em 2015 e a 32% em 2025. O Abifer projetou um crescimento para 2010, estimando que serão produzidos 2,5 mil vagões, além de um volume entre 500 e 550 carros e cerca de 70 locomotivas.


SAIBA MAIS
   
O governo estima em R$ 34,6 bilhões o custo da implantação do trem de alta velocidade ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com a minuta de edital que foi discutida nas audiências públicas encerradas no final de janeiro, o governo vai financiar R$ 20,8 bilhões com carência de 5 anos e prazo de pagamento de 30 anos, com taxa de juros de longo prazo (TJLP) mais 1% e índice de cobertura do serviço da dívida (ICSD) de 1,2%.

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